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Incapacidades virtuais

Descobri que eu não sirvo para jogar em servidores PVP.

Ok, para a maioria dos leitores isso provavelmente soa como grego. Vamos ser mais específicos, assim poderemos iluminar seu parco conhecimento de MMORPGS, se você estiver disposta(o) (digo “dispostA(o)”, em vez de disposto(a), porque as mulheres são mais desligadas dessas coisas do que os homens) a aprender algo.

Comecemos pelo começo: O que é um MMORPG?
(se você já sabe, pode pular os próximos cinco parágrafos. Se você tá pouco se fodendo pra essa nerdice, pode pular esse texto e ir pro próximo. Se você quer que esse e todos os outros textos dessa página vão pra casa do caralho, se quer que a internet se exploda, que o mundo se acabe, se quer que vá todo mundo pra puta que pariu, então pode pular da última janela do prédio mais alto da sua cidade.)

MMORPG é a sigla para Massive Multiplayer Online Role-Playing Game. Ou seja, é um RPG online com gente pra caralho. Em um RPG você cria um personagem, escolhendo sua raça e classe. As raças, em um RPG de fantasia medieval - ou seja, que se passa numa época tecnologicamente atrasada, onde as armas de fogo não são muito comuns ou eficazes, além de haver quem seja capaz de disparar relâmpagos das mãos e fazer chover fogo sobre sua cabeça -, geralmente envolvem humanos, elfos, orcs, anões e algumas variáveis. Oras, todo mundo aí viu Senhor dos Anéis e tem uma idéia do que eu estou falando.

As classes, por sua vez, costumam ser guerreiro, mago, clérigo, ladrão e variáveis. Cada uma delas tem seus pontos fortes e fracos. Após decidir o que você é e o que faz, você começa o jogo no nível 1. Para subir de nível, precisa cumprir determinadas tarefas (encontrar alguém perdido, recuperar um item roubado, matar membros de um grupo rival que anda azucrinando sua cidade…) ou apenas matar inimigos ao acaso - a escolha é sua.

Ao mesmo tempo em que você faz isso, dezenas, centenas ou milhares de pessoas ao redor do mundo estão fazendo a mesma coisa, cada uma com um personagem. Você passa por jogadores em níveis estratosféricos e outros em níveis abaixo do seu. Pode fundar uma guilda - algo como uma associação de personagens, todos eles carregam o nome da guilda sob o nome do personagem e têm uma sala particular para conversar -, arranjar um grupo para se aventurar por zonas perigosas demais para desbravar sozinho ou simplesmente ficar zanzando pela cidade, procurando compradores para os itens que você angariou nas suas andanças pelo mundo.

Essa é uma descrição superficial da maioria dos MMORPGS. Alguns fazem muito mais do que isso, outros fazem menos. De todo modo, minha intenção era apenas situá-lo nesse novo universo de nerdice que vem se expandindo (nada) paralelamente aos (muitos) outros.

Agora que você já sabe que um MMORPG é um jogo no qual você cria um personagem para desenvolver à medida que vai jogando, vamos para o passo seguinte:

O que é um servidor PVP?

Ao contrário do que algumas pessoas acham, nossa sociedade é muito, muito pacífica. Não temos violência em nossas vidas, não vemos pancadaria em lugar algum, os indivíduos, individualmente ou em grupo, não querem escalpelar e comer uns aos outros de porrada e tudo sempre é resolvido na base do diálogo e do bom-senso. Sendo assim, algumas pessoas que jogam esses MMORPGs gostam, apenas a título de curiosidade, de baixar o cacete em outros jogadores - geralmente mais fracos - ao encontrá-los. Entendam: é um estudo antropológico de como seria a vida se os homens por acaso se agredissem.

Isso é um servidor PVP (sigla de Player versus Player): ao se conectar a um desses servidores, você está concordando com a possibilidade de ser brutal e subitamente espancado por um jogador adversário que porventura venha a cruzar seu caminho e sinta vontade de atrapalhar sua sessão de jogo por pura diversão.

É em um desses que eu jogo, mas não deveria jogar lá. O que nos remete ao começo do texto.

Eu sou um baita dum espírito de porco, portanto tenho essa mania irritante de deixar as pessoas em paz. Elas até reclamam comigo: porra, você nunca me atazana, que pé no saco, não posso ficar perto de você, ler perto de você, ouvir música, ver televisão, que você me deixa fazer tudo isso em paz, que coisa insuportável. Eu sei, é um hábito horrível, mas eu sou assim, fazer o quê? Em World of Warcraft isso já me rendeu sérias recriminações por parte de jogadores da mesma facção que eu.

Voltando às prolongadas e xaropes explicações, World of Warcraft é dividido em dois grupos distintos, de modo a organizar a pancadaria generalizada (se é que isso é possível): Aliança - grupo formado por humanos, anões, elfos escuros com pinta de viadinhos, gnomos e draeneis (não me pergunte que porra é essa!) - e Horda - formada por orcs, taurens, trolls, mortos-vivos e elfos branquinhos com pinta de viadinhos. Se você é da horda e esbarra com outro jogador da horda, só poderá sair na porrada com ele se propuser um duelo e ele aceitar. Se você é da horda e esbarra com um jogador da aliança, pode sentar o dedo e foda-se, não importa o que ele está fazendo. Essa, logicamente, é uma via de mão dupla.

Isso se constitui em verdadeira diversão para os sádicos de ambos os lados. Não é raro ver, nos canais de bate-papo da horda (sim, o jogo tem canais de bate-papo), alguém perguntando se algum ally (apelidinho carinhoso) foi visto por aí. Há quem ande pelo mapa sem razão alguma além de procurar adversários para espancar. Há quem mate adversários e fique próximo ao corpo, esperando que o espírito da pessoa retorne e ela ressuscite, só para matá-la de novo. Há quem faça isso por HORAS.

Já fizeram comigo.

O meu problema é que eu não curto muito essas coisas. Eventualmente, admito, me bate uma vontade de atacar os allys, mas eu imediatamente me repreendo, pensando que é outra pessoa que está jogando, que ela pode estar no meio de algo importante, que eu não fui incomodado e que seria injustiça atacar quem não me fez nada. Eu até enfiaria a porrada em todo mundo e partiria do pressuposto padrão da horda - a saber: todo Ally é um filho da puta que não merece mais do que a morte e não há como provar o contrário! -, não fosse pela elfa que, certa feita, me salvou da morte certa nas garras de três inimigos muito mais fortes do que eu, além de me dar cobertura até que eu conseguisse retornar à entrada da minha cidade.

Não saber se o jogador à minha frente é um crápula covarde que ataca pelas costas os personagens mais fracos ou se é alguém que está ali pra se divertir com amigos cuidando da própria vida me faz titubear sempre ao atacar alguém. Meus camaradas de horda vêem com desprezo e ironizam esse meu, nas palavras deles, escoteirismo. Apenas porque, se dependesse de mim, ficaríamos bebendo cerveja enquanto elfas negras com pouca roupa dançariam a dança de peixe na bunda da Alizée e seríamos todos amigos.

Menos os gnomos.

Esses eu passo logo no fio da espada.
Ô raça desgraçada! Quem joga com gnomo não pode ser boa pessoa!

Previsões

Pelo caminho que as coisas vêm tomando, dentro de alguns anos todos os blogs vão se dividir em nichos bem específicos. Todos detestáveis. Para os “probloggers”, tudo vai girar em torno de monetização e formas de ganhar dinheiro na internet. Nerds vão se organizar para encher seus blogs de notícias e resenhas e críticas e análises desse enorme amontoado de lixo que é a tal da “cultura pop”. Jornalistas ególatras metidos a Roberto Pompeu de Toledo (mas sem competência suficiente pra isso) vão escrever ensaios sobre acontecimentos da atualidade e falar de livros, filmes e eventos dos quais ninguém - além deles - ouviu falar e enviar seus pontos de vista dispensáveis para todos os mecanismos de divulgação possíveis e imagináveis, numa tentativa de conseguir, na internet, o sucesso que lhes é negado - com justiça, embora eles não percebam - nas mídias convencionais. Os engraçadistas continuarão fazendo o que sempre fizeram: roubando imagens e vídeos disponibilizados por outras pessoas, socando ali seus logotipos estúpidos e divulgando como se fossem frutos de sua - inexistente - genialidade humorística.

Mas os piores serão os publicitários. Para esses malditos desgraçados, tudo será “viral”, tudo será “meme”, tudo será “hoax”. Não que já não seja, mas esses termos escrotos vão se espalhar mais e mais. E eles ainda criarão outros.

Nessa época provavelmente não estarei mais aqui, girando em torno de eixos imaginários e indefiníveis, escrevendo sobre qualquer merda que me dê vontade e mantendo um blog inclassificável. Em um momento qualquer dos próximos dois, três ou cinco anos, quando essa idéia imbecil a respeito da importância dos blogs atingir níveis insuportáveis, devo desistir dessa porra toda e finalmente levar a cabo a primeira de muitas iniciativas em prol da salvação da humanidade:

Passar fogo nessa corja.

(Cenas de um futuro imperfeito…)

Musicovery

Para os que se sentem meio órfãos desde que o Pandora restringiu suas atividades, para quem procura uma rádio online fácil de “programar” ou até pra quem só curte sites interessantes com bons projetos gráficos, fica aqui a minha sugestão: Musicovery. Uma rádio online toda em flash e com interface extremamente intuitiva. A qualidade das músicas, pra quem quer ouvir de graça - e sei que esse é seu caso, seu brasileiro sovina -, não é muito alta, acho que são 32kbps. Mas já dá pra quebrar um galho, considerando que você não vai gravar um CD.

A configuração da rádio pode ser tão específica ou ampla quanto você preferir. São 18 categorias diferentes (pop, vocal pop, rock, metal, blues, classical, gospel, etc), cada uma com uma cor, de modo que você saiba exatamente o que está selecionando quando os artistas e as músicas forem oferecidos na tela. Além de escolher o estilo, você também pode selecionar de acordo com o seu humor, optando entre músicas agitadas ou tranqüilas, positivas ou “dark”. Como se não bastasse, também dá para limitar de acordo com o ano de lançamento, para os modernosos/saudosistas, e se foram um hit em sua época ou se são mais “obscuras”, para os pops/indies. Assim é possível não só ouvir coisas que você já conhece e gosta como também descobrir novos artistas.

É possível ouvir as coisas mais incompatíveis. De Creedence Clearwater a Jimmy Cliff, de Laura Pausini a Beethoven, de Johnny Cash a Avril Lavigne. Misturando direito as opções, dá para criar rádios de sonoridades tão específicas quanto a Antena 1 (”Aqui música chata não entra, só fica”) ou tão absurdas quanto as Jovem Pans, Transaméricas e Mix FM’s da vida.

Para os generosos abastados dispostos a pagar uns merréis a fim de ouvir as músicas em melhor qualidade, o preço não é muito salgado: 2 euros por um mês, 4 euros por três meses e dez por um ano de canções em alta definição. É o tipo de site bom pra manter aberto enquanto você cata no Soulseek*, Limewire ou outro programa de p2p as faixas que te agradam mais. Ou sujeite-se à moralidade capitalista-cristã da indústria fonográfica e compre os álbuns e as faixas clicando nos links já existentes no musicovery, que levam ao ebay, à Amazon.com e ao iTunes.

A única desvantagem, na minha opinião, é a ausência de um campo de procura para artistas ou músicas específicas. Mas o sistema é esperto o suficiente pra identificar seu gosto e te oferecer coisas semelhantes.

Vá e divirta-se, gafanhoto.

P.S.: Aliás, seguindo uma lista obscura de links de blogs hoje de manhã, caí no Ressaca Moral e me deparei com o sensacional Grande Mapa Cartográfico da Música Brasileira, publicado na esteira do Mapa Dahmer da Blogosfera ou Coisa Que o Valha. Ri por um bom tempo ao ver Chorão, CPM 22 e Detonautas constituindo o “triângulo das bermudinhas”. Foda!

Se for baixar o Soulseek, pegue a versão 156c. Se já tiver essa versão do programa instalada aí, adicione-me à sua lista de contatos (elnunes é meu nome de usuário) e deixe um aviso. Compartilhamento é a base da Nova Internet®, oras.

Aliás…

O Jaime está fazendo umas atualizações na versão do wordpress usada nesta budega aqui. É lógico que, como é de praxe com informática, mudanças em A fodem tudo em B, consertar B avacalha C, resolver a incompatibilidade entre B e C esculhamba D bonitamente e instalar um patch em D faz todo o trabalho em A ir pro caralho. O que significa dizer que atualizar o wordpress fode com o K2 e consertar o K2 avacalha os textos, então não estranhe ao entrar aqui e encontrar todos os textos horrivelmente mal-escritos.

Isso quer dizer que as coisas estão funcionando direitinho, porque é como eles saem da minha cabeça. Agora, se você entrar no blog e todos os textos estiverem muito bons, dá um tempinho e volta depois, isso provavelmente é algum surto no servidor.

Matrix preloaded

Blog diferente, mesmo autor, mesma chatic… deu pra entender.

Bem-vindos, bárbaros.

A partir de agora, quando quiserem se sujeitar aos meus absurdos, é melhor esquecerem aquele endereço do blogspot. Aquilo lá foi desativado pela polícia federal, pelo centro de zoonoses, pela defesa sanitária, por qualquer órgão que você quiser citar. Na verdade, foi desativado por mim mesmo, quando resolvi aceitar a sugestão do Jaime e trazer este mísero blog pra um servidor próprio, apenas para dar a ele um ar - ainda que falso - de coisa importante.

Embora pareçam drásticas, as mudanças aqui não são tão grandes. Mesma pessoa escrevendo, mesmas pessoas lendo. Isso, acho eu, é o mais importante. O resto é supérfluo. Mas, entre essas superficialidades, algumas são divertidas. Pra começo de conversa, ficou muito mais fácil encontrar, na gigantesca pilha de porcarias já publicadas nessa baiúca, algum trecho em particular. Aquela barra de pesquisa ali em cima funciona e funciona bem, então não tenha medo de usar. As páginas de arquivos deixaram de ser enormes blocos gigantescos acumulando todos os textos para se tornarem links simples indicando cada um dos títulos. O que também acaba facilitando a vida de quem estiver procurando por algo em particular.

Quem ainda achar que o melhor é navegar por páginas cheias de textos pode se contentar com os marcadores, com os arquivos aqui do lado direito. Ou pode descer até o pé da página e clicar no link que tem lá, onde se lê “textos anteriores”. Qualquer que seja o rumo tomado, é possível passar por tudo o que já foi dito aqui, inclusive comentários.

Por falar em comentários, agora eles abrem na mesma janela dos textos. Não posso dizer que isso me deixa feliz, prefiro tê-los em uma janela separada. Mas apenas por enquanto, só até que eu aprenda a mexer direito nas configurações desse troço, esse pequeno detalhe não vai matar ninguém. Os links também abrem na mesma janela, aliás, então lembrem-se que o shift serve pra isso.

Acredito que o rss também não esteja muito bem configurado, mas, quanto a isso, não me preocupo: por mim, o blog nem teria esse troço. E, mais importante, sou contra quem usa essa porcaria. Não vejo justificativa alguma pra feeds e aquela conversinha de “ler os blogs pelos feeds me ajuda a poupar tempo” é balela da grossa. Quem está tão preocupado assim com o uso do tempo sequer deveria ler blogs. No blogspot eu fazia questão de enviar apenas o começo dos textos para o atom.xml só para forçar os usuários do google reader, bloglines e semelhantes a visitar a página para concluir a leitura.

Esses são os únicos leitores cuja vida eu faço questão de azucrinar. Só por esporte.

Enfim. Com o tempo todos esses detalhes a serem arrumados serão resolvidos, não se preocupem. O trabalho grosso já foi feito.

Alguns detalhes também não foram inseridos (ainda), porque estou imaginando uma maneira de colocá-los aqui sem superlotar (mais) a barra lateral. Como o meebo, por exemplo, e alguma informação sobre o viking que escreve aqui (esse sou eu). As informações sobre mim, entretanto, são dispensáveis. Creio que vocês não querem saber e, ainda que queiram, eu não quero compartilhar. Cada uma dessas coisas virá no tempo certo.

Por fim, como se isso aqui fosse uma maldita cerimônia do oscar, acho justo que o texto termine com um parágrafo de agradecimentos:

Obrigado ao Jot, que teve paciência pra me ajudar com um detalhe particularmente pentelho no css do blog e, mais importante, obrigado ao Jaime por sua paciência monástica, durante duas semanas, para comigo e com minhas perguntas, reclamações, sugestões e comentários estúpidos.

Agora chega dessa porra e vamos ao que interessa.




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