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Das definições

Eu poderia colar aqui uma letra do Matanza. Já fiz isso. Não quero ser repetitivo, vulgarmente direto. Serei elegante, porém breve, indo com um trecho de Lisbon Revisited, do Fernando Pessoa.

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

E ficamos com isso.

Das comidas bizarras e bizarrices comestíveis

Então.

Vamos começar isso aqui falando do que é importante, do que importa e do que, acima de tudo, tem importância: um dos mais proeminentes irmãos caminhoneiros deste (suposto) terceiro pedaço de rocha a orbitar nossa carismática estrela anã, Guto Senra, junto com 3 amigos que também são da turma da boléia, heroicamente deu a garfada inicial em uma série de “webisódios” (odeio esse termo, mas existe alternativa? Aceito indicações!) sugestivamente intitulada Ogrostronomia. Pra você que quer aprender a fazer comida simples, palatável e pra homem - vai que seu namorado curte, mano? -, dá um like na página dos caras no facebook e/ou assina o canal deles no youtube. A primeira aula da autêntica culinária dos filhos, netos e bisnetos de camponeses foi sobre como fazer churrasco. E os filhos da puta não só não me chamaram pra provar o resultado, como o Jimmy ainda linkou a página do Utopia em uma foto constrangedora no facebook.

(Quando abrir a garrafa de Blue Label não vou chamar ninguém pra beber, em retaliação!)

Ainda falando de comida, e sem dúvida descendo vários degraus em direção ao anárquico reino da bizarrice (é anarquia ou monarquia, cazzo?), se você não foi bombardeado com links e referências, há algumas semanas, do vídeo nada eufemisticamente intitulado “Sanduíche de Buceta”, então parabéns. Não sei em que recôndito esquecido deste plano de realidade o senhor foi se enfurnar, mas sugiro que, agora que está de volta à convivência com os bons, não vá atrás da pérola. Acredite: não vale a pena nem por seu caráter nonsense.

Trata-se de um vídeo amador de uma moça - que nem maior de idade me pareceu, a bem da verdade - que besunta suas já mencionadas partes com condimentos (a saber: maionese, MUITA maionese), esfrega em outros ingredientes, tais como pães, presunto e queijo, e, imagino eu, come tudo ao fim do processo. Digo “imagino eu” porque não tive disposição para assistir a peça até o final. Espera-se, de um vídeo com tal mistura de absurdo, culinária e putaria, que seja excitante, desperte a fome ou faça rir. E não obtive nenhuma das três reações. Mas, ao contrário da maioria das pessoas que assistiram ao vídeo e cujas reações tive o (des)prazer de presenciar, também não fui tomado por horror ou nojo, seja pela “falta de higiene” da menina, seja por sua exposição voluntária.

Em primeiro lugar, não vejo problemas de higiene na questão. Não existe NADA naquele vídeo que as pessoas não coloquem na boca com regularidade: pães, maionese, presunto, queijo ou órgãos genitais de moças libidinosas. Ok, admito que a mistura de tudo isso é inesperada. Nem por isso vejo por que causar asco, se não por algum tipo de moralismo cristão que sobrevive em nossa mente e associa sexo a sujeira. O que nos leva ao segundo ponto: minha surpresa em ver o despudor da moça sendo tratado de forma tão furiosa. Sério, ainda há quem se surpreenda diante do fato de que mulheres - sejam elas moças, mulheres, coroas ou velhas - também curtem uma sacanagem? Quantas mulheres mais precisarão dar entrevistas “bombásticas” informando que, sim, aceitam a idéia de sentir “prazer anal” (Sandy, não estou falando de você, estou falando de outra mulher que deu uma entrevista afirmando a mesma coisa, claro), quantas mulheres precisarão ser “flagradas” em atitudes lascivas, quantas mulheres terão que aderir à indústria pornográfica ou mostrar satisfação com práticas sexuais “pouco ortodoxas”, até que aceitemos o fato de que, vejam só, essas criaturas também sentem prazer e desejo sexual?

Isso não tem nada a ver com a criação, com o caráter, com algum tipo de carência afetiva ou coisa que o valha. Pensamentos dessa natureza são fruto desse nosso ranço machista. “Mas o que o pai dela vai pensar?”, ou “E se fosse sua irmã?” são questões que só passam pela cabeça de quem ainda vê mulheres como propriedade, ainda que de forma bastante vaga. Esse raciocínio nos leva a concluir que não interessa se ELA está à vontade com isso, mas se o pai, o irmão ou o marido dela sabem tolerar esse comportamento. Logo, ela é uma demente, incapaz de pensar por si mesma, e precisa que um homem - essa criatura inteligente e racional - use seu teleencéfalo altamente desenvolvido para guiar a ensandecida criatura pelo caminho da moral e dos bons costumes!

Se você diz que não namoraria ou contrataria uma mulher dessas para a sua empresa, a falha não é dela, tampouco é dela a postura repreensível: ambas são suas. Só não vou dizer a você para assumir sua hipocrisia porque isso seria um contrasenso. A hipocrisia, tal e qual a humildade, é daquelas características que pressupõem uma atitude pouco reflexiva, portanto só duram até o momento em que são percebidas.

A verdade é que mulheres criadas em famílias equilibradas (existe isso?), em ambientes “normais” (defina “normal”), com papai e mamãe e colégio particular e telefone celular e roupinhas da moda e irmãozinhos e avós e Temperatura Máxima aos domingos com a família ao redor de uma bela macarronada TAMBÉM vão querer trepar - e vão curtir, e vão querer mais - em algum momento da vida. Algumas vão se satisfazer com um papai-e-mamãe bem comportado à meia luz. Outras vão querer ser besuntadas em azeite e lambidas por cinco homens, ou passar condimentos nas partes, ou tentar orifícios ditos “pecaminosos” em suas práticas sexuais. Deixemos todas elas em paz e vamos nos preocupar com coisas mais importantes: quando será que o Discovery Channel vai descobrir a genialidade dos caras do cracked.com e dar a eles uma série no canal?

Quanto aos outros

O problema não é só a maioria das pessoas pautarem suas ações baseando-se num pressuposto do que vai ser o julgamento dos outros, até porque, de acordo com muitos, fugir dessa regra é impossível. Caímos naquela questão do homem ser uma criatura social e, assim sendo, não conseguir nunca se isolar 100% de seus pares. O desejo de isolamento excessivo, inclusive, conforme o idealizado (e realizado) por Christopher McCandless - para citar apenas um, dentre vários exemplos - é freqüentemente tratado não como a busca da solidão e da própria companhia, mas como uma reação aos outros. Falando de forma mais clara, se alguém busca uma vida de isolamento, é menos pelo desejo de estar sozinho do que pela vontade de sair de perto das outras pessoas. Simplificando ainda mais: no fim das contas, as outras pessoas sempre vão achar que suas ações dizem respeito a elas, e não a você.

Repare. Perceba. Nada do que você faz, de acordo com os outros, é legitimamente um desejo seu, relacionado apenas com suas idéias e seus conceitos e os princípios que pautam sua vida. É sempre, de alguma maneira subliminar, uma reação ou uma ofensa ou um elogio ou uma referência ou uma resposta de alguma natureza aos outros. São sempre os outros, nunca é você. Você faz X por querer causar em Y uma reação Z. Não, você nunca faz X porque X é bacana para você e fim. Isso não é motivação o suficiente. Que espécie de pessoa faz as coisas para si e caga para as reações alheias? Quem é este pária? Essa pessoa não existe. E dizem mais: se você não assume que, na verdade, todas as suas ações são fruto do desejo de causar em outrem qualquer tipo de sentimento, ou de responder ao sentimento que alguém te causou, enfim, se insiste que faz as coisas apenas por si, está mascarando algo, baseado no medo do que os outros vão pensar. Novamente, os outros. Sempre os outros.

É difícil explicar para essas pessoas que os outros, na verdade, têm pouca ou nenhuma influência no que você faz da sua vida, e que ignorá-los não é uma tentativa de arrancar deles qualquer tipo de reação, ou causar neles qualquer tipo de sentimento, é apenas o desejo de que os outros, com suas outras coisas, fiquem lá, em seus outros lugares, enquanto você, com as suas coisas - que independem dos outros -, não deseja nada além de distância dos outros, paz, quietude, tranqüilidade e silêncio. E é difícil explicar porque elas são incapazes de entender. É como tentar explicar para um cego de nascença o conceito de cor: não faz parte do universo dele, ele nunca vai compreender. E se esse cego for particularmente obtuso - como são, vulgarmente, as pessoas - vai chegar à conclusão lógica a que chegam os outros, em sua maioria, afrontados com o argumento de que não, sua postura, suas idéias, suas recusas e suas ações não têm relação alguma com eles, apenas com você: “Eu não entendo isso, logo, isso não existe”. Esta sentença pode - e freqüentemente vai - terminar em um ad hominem que diminua sua capacidade intelectual. Apenas te classificando como um louco ou uma besta eles podem dormir tranqüilos. “Se um homem inteligente tem uma postura que é diferente da minha”, pensarão os outros, “talvez o burro seja eu”. É sobre eles, lembre-se. Nunca sobre você.

E isso não é tudo o que tenho a dizer sobre isso, mas é só o que quero dizer agora.

Dos golpes de estado

Admito que nunca entendi direito o que é essa tal “rebeldia social”. No que consiste, exatamente, o “desprezo pelos fundamentos da sociedade? Não conseguia vislumbrar esse fantasma que arrasta correntes e caminha a passos pesados nos sótãos de reacionários encarniçados, sejam eles colunistas da veja ou membros do Rotary Club, ou que são tão carinhosamente afagados e idolatrados por quem “prega a rebeldia”, como os membros do Rage Against The Machine.

Existem exemplos. É claro que existem exemplos. Mas é difícil fiar-se neles, porque são sempre bastante questionáveis e, por vezes, demasiadamente vagos. Os franceses, para cair no lugar-comum logo de uma vez, deixaram muito claro o que é a “revolta social” ao levar o rei para dar uma volta pela praça, em 1793, e, prometendo-lhe um novo corte de cabelo, errarem ligeiramente a mira e cortarem-lhe a cabeça. Além do mais, se esse exemplo valia em 1793, dificilmente vale agora. Decapitar a rainha da Inglaterra para causar alguma mudança na sociedade inglesa seria o mesmo que matar a bicudas o seu cachorro na tentativa de usurpar o poder dentro da sua casa. Os reis, atualmente, são meramente ilustrativos. E, embora ainda sejam caros (e isso, sim, os torna bastante questionáveis), valem como atração turística. Não é barato manter a família real inglesa, como não deve ter sido barato construir a ponte Golden Gate. Nem por isso vamos dinamitá-la ou declarar, num arroubo de rebeldia, que não se construam mais pontes.

O levante popular no Egito também ilustra mal a tal da “revolta social”. A irritação das pessoas não está voltada exatamente para a sociedade e suas estruturas, mas para a figura de um presidente que preside de forma meio vitalícia - e, em menor (ou maior?) escala, para o fato de não poderem acessar o facebook e trocar mensagens sobre amenidades via twitter. Ainda assim a solução é simples: manda-se o homem embora, devolve-se às pessoas o direito de eleger quem deve enganá-las e pronto, temos a fúria da hoste subitamente aplacada. Cada um de volta a seus afazeres, circulando, não há mais nada para ver aqui. Fim.

Essa dúvida, portanto, me atormentava desde a adolescência. Desde que comecei a ouvir os mais velhos usando termos como “rebeldia” e “revolta”, e a ligá-los a sociedade, como um todo, ou a grupos sociais, em particular. Não vejo como tomar alguma atitude - ainda que drástica - em prol do que se considera apenas justo pode ser considerado “revolta”, já que é uma palavra vista de modo claramente negativo, enquanto a busca pela justiça, em si, me parece uma atitude nobre.

Mas entendi recentemente o que é a “revolta popular”, como se manifesta o tal “desrespeito pelas estruturas sociais”. Mais especificamente, quando me mudei para o Rio de Janeiro. Aqui, moro em um apartamento cujo banheiro tem uma ampla janela. Não um basculante, mas uma janela enorme, voltada para a frente do prédio, que fornece aos moradores dos prédios vizinhos a vista completa do aposento. Não bastasse esse aspecto curioso, existe outro: é sob esta janela, que mantenho escancarada, que se localiza a privada.

E é assim, afrontando a sociedade de laranjeiras, com seu orgulho de “moradores da zona sul”, com seus veículos caros, com seus aluguéis exorbitantes e seus apartamentos bem-localizados, que uso o banheiro. Encarando-os, enquanto me observam. Hoje posso dizer, com convicção, que cago para a sociedade.

Rebeldia social é isso.

Dos informes

Em certas épocas, tudo o que escrevo, o que escrevi e mesmo a idéia de escrever se mostra, para mim, terrivelmente enfadonha. Não é bloqueio de escritor, pois escritor eu não sou. É mais um surto de autocrítica exasperada. É como um abrir de olhos abrupto, um cair em si repentino. Subitamente começo a achar que tudo o que já rabisquei neste blog - publicado ou não - é horroroso e repetitivo, que sou incapaz de escrever qualquer coisa nova, que tudo o que publicar será apenas mais do mesmo, redundâncias dispensáveis, sem inovação alguma, seja no assunto, na abordagem, no formato, no linguajar… Tenho a sensação de que não sou capaz de fazer nada que não seja totalmente dispensável. Exatamente por isso, não faço nada. Amasso e jogo fora as idéias antes que elas cheguem a tocar o papel. Me convenço de que escrever não é pra mim, não é para o que sou talhado, e vou fazer outras coisas. Todas as vezes em que isso acontece, acredito que será a última e que largarei essa atividade ingrata para o resto da vida. Em todas as vezes anteriores, justamente quando a indignação quanto à minha inaptidão arrefecia e dava lugar à placidez de quem aceita seu lugar e suas funções e desiste de morder mais do que pode mastigar, surgia a inspiração, aquela vagabunda, e, me pegando de sopetão pelo colarinho, me jogava aqui, de onde saía um texto com a sofreguidão de um grito abafado. Daí o blog ressurgia de suas cinzas e retomávamos o ritmo de antes - veloz, em sua era inicial, sazonal, após o segundo ou terceiro ano de vida. Fazia as pazes com minhas linhas porcas e voltava a garatujá-las com a mesma desfaçatez e falta de vergonha na cara de antes.

Estou num desses momentos iniciais, entretanto. Em que tudo o que penso em escrever já foi escrito por alguém melhor, com maior conhecimento de causa, com maior controle do vernáculo, com mais animação, com mais criatividade, com mais o que quer que seja. Daí o silêncio prolongado, que pode durar até amanhã ou daqui até o fim do universo - o que vier primeiro.

Tenham paciência e aguardem, ou abandonem este recinto. Para mim, como de costume, tanto faz como tanto fez. Um forte abraço.

Das coisas que se ensaia dizer…

…mas não se diz.

Fico sem saber o que é pior: ter sobre o que escrever, sem ter ânimo, ou sentir uma arrebatadora vontade de escrever sem ter assunto para tanto. Considero que, neste momento, estou exatamente na união destes dois casos: não tenho sobre o que escrever e não tenho ânimo. Escrevo assim mesmo, entretanto, porque, como já disse aqui antes (disse? Não tenho certeza, mas devo ter dito, digo sempre as mesmas coisas, e geralmente do mesmo jeito, sou terrivelmente repetitivo e até, vou além, bastante pleonástico. Mas não quero falar disso, este parêntese está ficando gigantesco, vou fechá-lo agora e acabar com esta putaria, repare) enfim, como dizia que disse aqui antes, digo: eu me odeio e gosto de me contrariar.

Acho que tem bem uns cinco dois pontos no parágrafo acima, mas quem está contando?

Mudei-me, e desta vez foi de com força: saí de Brasília. Vivo agora no Rio de Janeiro, uma cidade habitada por um povo que, fosse comprado por quanto vale e vendido pelo valor que pensa ter, renderia lucro inenarrável. Gostaria de afirmar, sem quaisquer dúvidas, que são as pessoas mais ufanisticamente bairristas da nação, mas, oras, não vamos desprezar o ufanismo e o bairrismo dos gaúchos, pernambucanos, mineiros e paulistas, dos paranaenses, brasilienses, goianos e baianos, dentre outros. Ofender-se-iam, certamente, ao não serem devidamente ofendidos com a ofensa que lhes cabe com justiça.

Enfiei uma mesóclise e uma frase sem sentido (acredito que a primeira de muitas) neste texto. Onde é que vamos parar?

Senti falta de digitar neste notebook. Na verdade, senti falta de digitar em outra coisa que não fosse um netbook. Netbooks são muito práticos e muito bonitinhos, mas uma hora você se cansa das teclas todas juntinhas e de configurações 1024×768 em telas que não vão além de uma dezena de polegadas. De todo modo, apesar de seu teclado farto e de suas dezena e meia de polegares, não consigo confiar nesta máquina em que escrevo, porque técnicos de informática são as criaturas menos confiáveis do mundo (afirmo isso fazendo parte da categoria, de modo que tenho perfeito conhecimento de causa e, como de costume, não estou errado) e, assim sendo, informei o miserável do que ocorria e avisei que a mera formatação não era solução. O pústula formatou e considerou o serviço feito. Logo, tenho sobre meu colo um computador prestes a sofrer novo ataque de apoplexia.

Lancei mão de “apoplexia” num texto, ainda que de forma meio prosopopéica: dou-me +20 pontos.

Curioso o que o twitter faz com a cabeça das pessoas. Se bem que são tantos os distúrbios, tamanhas as afetações, tão violentas as mudanças - embora perfeitamente previsíveis, e apenas reflexos de fatos anteriores, já confirmados por outras ferramentas de “mídias sociais” - que é melhor ser mais específico, então especificarei: freqüentemente escrevo algo por lá, naqueles míseros 140 caracteres, e considero que a idéia é mais densa e pode ser mais bem explorada do que aquilo, que é possível ramificar, explicar melhor, argumentar de forma mais embasada. Que aquele arroto redativo, restrito àquele número ridículo de toques, pode vir para cá e ser estendido em um local de letras, acentos, pontuação e espaços infinitos.

Mas aí já falei por lá, então deixo morrer como está.

Todo esse não-desenvolvimento dos meus textos, sejam eles os que “rascunho” na página do passarinho ou os que mantenho fermentando dentro da minha cabeça, deve-se a uma coisa, e a uma coisa apenas: procrastinação. Diversas vezes afirmo ser por preguiça ou falta de tempo, mas esses são apenas os motivadores do defeito, tão grave. Ou as desculpas que uso a fim de mascará-lo, talvez. Enfim, sou tão procrastinador que comecei o texto pensando em falar disso, seria o primeiro assunto, mas fui deixando para depois e só mencionei agora. E tenho mais coisas a dizer a respeito…

…mas ficarão para outra hora.

Porque agora, pensando aqui com meus botões - na verdade pensando sozinho, porque não tem botão algum nas roupas que estou vestindo durante esta narrativa sem nexo, coerência, embasamento ou razão aparente -, me ocorreu que a total ignorância (voluntária ou inerente) de ateus e cristãos (e talvez muçulmanos, judeus, espíritas, macumbeiros, maometanos, xintoístas, cientologistas, hindus e macfags) em relação aos agnósticos, que os faz argumentar contra estes de forma sempre muito pouco inteligente e nada fundamentada, renderia um post bem interessante, que talvez até rendesse uns comentários inteligentes, que poderiam vir a gerar uma discussão interessante, que em algum momento descambaria para a troca gratuita de ofensas e então me motivaria a fazer outro texto, dessa vez bem raivoso.

E é nos textos raivosos que me saio melhor.

Estive considerando o porquê disso, recentemente. Disso, no caso, é a razão dos meus textos raivosos fazerem mais “sucesso”, se é que o termo se aplica, do que os que escrevo tranqüilo. Acho que é porque raiva é o sentimento que mais tenho facilidade para acessar, de todos. Me lembrar de momentos felizes não me deixa feliz (freqüentemente me torna melancólico, inclusive), trazer à tona lembranças tristes não necessariamente me deixaria triste, mas rememorar coisas que me aborreceram certamente vai tornar a me irritar. E irritado eu faço o que qualquer escritor minimamente competente sabe fazer de cabeça fria: não penso antes de escrever e, ao fim do texto, não dou a mínima se ele fez algum sentido. Apenas boto aquela porcaria pra fora e enfio na cara dos outros.

Duplo sentido: trabalhamos.

Agora, por que diabos VOCÊS gostam disso, o que os motiva a encher um texto como esse aí embaixo, sobre minha irritação com o Itaú, de likes no Google Reader, de RTs no Twitter, de sei lá mais que diabos vocês usam pra favoritar essas merdas… ah, isso me escapa completamente. Pelo que vejo, existem algumas várias razões para isso. Uma delas é que, de alguma maneira, há quem sinta prazer em me ver nervoso. O que é uma atitude bem escrota e cretina, se você parar pra pensar, porque é como se torcessem para que eu tivesse uma úlcera. Outra, ainda - e essa eu considero menos provável - é que vocês apenas lêem um desses rompantes de fúria e ficam felizes por alguém ter tido tamanha falta de bom-senso, amor-próprio e sentimento de auto-preservação a ponto de dizer todos os disparates, os absurdos e as estultices que os senhores já pensaram, mas foram muito bem-educados e pouco corajosos o suficiente para ignorar.

No fim das contas, não tenho opinião formada sobre isso.

E o texto não terminou ainda, mas acho que termina agora com um anúncio que não vos interessa, mas interessa a mim, e talvez, sei lá, interesse a vocês também (este sou eu me contradizendo numa mesma sentença. Não é para os fracos!): farei uns cursos de esgrima escrita. Eu sei, eu sei, é inútil e jogarei dinheiro fora. É um fato que quem não tem o jeito para a coisa, não importa o empenho ou o esforço, nunca vai chegar perto de quem, por qualquer tipo conjunção cósmica desconhecida, tem este ou aquele traquejo nato. Mas, oras, às vezes dá algum resultado. O que me interessa não é superar gente do naipe do Antônio Prata, por exemplo (o pai dele, nem menciono), apenas sair da minha linha de mediocridade já me deixaria satisfeito. Além do mais, sou um maníaco por controle, gosto de métodos. A idéia de que escrever pode se tornar um processo metódico (e, assim, mais organizado e mais “fácil”) me interessa.

Sei que prometo isso há oito anos, mas vai que dessa vez, finalmente, consigo escrever algo que preste? De todo modo, não apostem muitas fichas. Eu não apostaria.