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As primeiras coisas primeiro: estreou, esta semana, o blog da H.O.M.E.M. - Honrada Organização Mundial dos Especialistas em Mulheres. Não me perguntem a razão, pois não a conheço, mas estou lá, integrando as fileiras dos que tentam construir uma ponte, montar uma tirolesa, alinhar uma catapulta, traçar um atalho, fazer qualquer coisa, enfim, numa tentativa - vã, se me permitem dizer - de cruzar esse milenar abismo que separa os sexos.

Imaginei que deixar meu cabelo crescer iria torná-lo mais comportado. Conclusão à qual cheguei seguindo aquela minha teoria que diz que cabelos, como pessoas, têm infância, adolescência e idade adulta. Ledo engano. Embora adulto ele se comporte melhor, o miserável ainda é um revolucionário. Um subversivo. Um maldito comunista. Cheio de vontades e exigências. Se é pra viver um inferno capilar, considerei cortá-lo, voltar a ter cabelos curtos (raspá-los, nunca, me falta a coragem). Então esse é meu dilema atual. Peço às mulheres que porventura leiam esse blog que opinem: devo deixá-los compridos, como estão? Ou curtos? Para ajudar na formação de uma opinião mais ponderada, seguem fotos minhas antes e depois de deixar o cabelo crescer.

Curto:
Antes
Comprido:
Depois
Queria entender que poder é esse que o sax tem de tornar qualquer música absurdamente, profundamente, indescritivelmente BREGA. Você pegue, por exemplo, o tema de amor de Cinema Paradiso, que é das coisas mais lindas do mundo, de deixar com lágrimas nos olhos mesmo o mais furioso espancador de mulheres. Toque em um violão e é uma música sensacional. Toque ao piano e é espetacular. Toque ao violino e não esqueça de distribuir lenços à platéia. Toque em um sax… e me arranje um saco de vômito!

Falando nisso, onde eu estava em março desse ano, que não ouvi falar que o Ennio Morricone vinha fazer um concerto no Brasil? E agora, quando vou ter outra oportunidade de ver o velhinho tocando ao vivo? Não vou me perdoar se o maestro for pra cova antes que eu tenha visto uma apresentação dele!

Estudei feito um corno nos últimos dois meses, na esperança de conseguir nota para me livrar de duas matérias da faculdade nas quais estava meio pendurado (precisando tirar acima de 9 na segunda parcial, de modo a não ficar para a prova final e entrar de férias mais cedo). Consegui. Por outro lado, retirei da minha lista de prioridades as outras três matérias, porque tive boas notas nelas na primeira parte do semestre. Resultado? Lógica de Programação - que me rendeu um 9,5 na primeira parcial - me enrabou com força, com vontade, com areia e limalha de ferro nessa segunda fase. Que bonito, que beleza.

A faculdade chama essas parciais de “bimestre”. Mas, em primeiro lugar, um período de faculdade é um semestre, então deveria ser dividido em dois trimestres. E, em segundo lugar, bimestre é coisa de ensino fundamental/médio. Chamo de parciais, etapas, fases, aquelas-merdas-de-períodos-intermináveis-de-avaliações e etc.

Saiu CD novo do Keane, Perfect Symmetry (do qual já falei) e também do Killers, Day & Age, do qual falo agora: o que há com esses caras, afinal de contas? A cada novo CD, eles parecem retornar mais e mais para meados dos anos 80. Por deus, eu vi os revivals dos anos 70 durante minha adolescência e já me causaram sofrimento suficiente. Temos MESMO que fazer isso? Relembrar e tentar retornar às décadas anteriores? Não podemos simplesmente seguir em frente? O único empreendimento humano a retornar aos anos 80 da forma correta foi GTA Vice City (e sua versão PSPística, da qual eu pretendo falar qualquer dia, Vice City Stories), e por uma razão bem simples: porque não levou a sério nada daquela merda, ridicularizando-a sempre que possível.

Perdi 8kg nas últimas semanas, descendo de 79kg para 71kg. Não foi nada planejado, simplesmente aconteceu. Ao contrário da crença comum, entretanto, perder peso quando você é ocioso não queima as gorduras, tornando sua antes incipiente barriga em um notável bucho. Só o exercício pode acabar com sua pochetona. Com isso em mente, utilizei meu 13º em uma importante aquisição: cumprimentem Libertina (Tina, para os íntimos).

LiberTina
Quase uma década após a morte de Clementina, minha bicicleta anterior, deixei para trás meu luto e arranjei nova companheira. Agora só me falta um MP3 Player (o meu, vejam que trágico!, voou contra a parede de forma inexplicável!) e o eixão do lazer será meu habitat aos domingos.

Me assusta a absurda quantidade de blogs falando da vida dos outros que existem e fazem sucesso. Me refiro a páginas como a “te dou um dado?”, “papelpop” e assemelhados. Não entendo como uma pessoa pode ser tão limitada a ponto de não só criar um blog com o objetivo específico de ser uma variante online da Contigo!, mas ainda levar essa abordagem a um nível completamente novo: não basta falar da vida das pessoas, é preciso fazer isso de forma estupidamente cruel e escarninha. É um termo que evito a todo custo usar, mas tal despeito me leva a crer que o verdadeiro combustível dessas pessoas é a inveja, pura e simples. Diante da impossibilidade de chegar àquele lugar, por que não cuspir em quem se encontra ali? O fato dos “escritores” - se é que o termo se aplica - desses blogs serem gays e mulheres feias em sua maioria só torna maior a plausibilidade (opa!) da minha teoria. Mas ainda preciso considerar a questão com maior cuidado.

Em tempo: sou completamente contra esse mercado de jornalismo fofoqueiro, cujo produto a ser vendido é a vida dos outros. Os defensores dessa palhaçada argumentam que muitos dos que estão na posição de “celebridade” contratam fotógrafos para segui-los e vender as imagens, conseguindo, assim, um lugar melhor sob os holofotes. Não me interessa. Como não me interessa o outro argumento muito usado nesses casos: “as pessoas querem saber”. As pessoas querem um monte de coisas que a lei proíbe, simplesmente porque as pessoas querem mesmo é ver o ôco. O fato de haver demanda não significa que deva haver o serviço! Esse é um dos que ainda não foram proibidos, mas serão, se a humanidade de fato estiver ficando mais sábia com o passar do tempo. Coisa que eu duvido, ou seja, essa merda ainda vai crescer muito até alguém perceber que é preciso dar cabo de tanto desrespeito e cretinice de uma vez por todas. Daí os viados e as mocréias vão ter que arranjar outro passatempo. Quem sabe não experimentem tornar suas próprias vidas menos patéticas? Ah, a esperança. Não é à toa que este blog tem “utopia” no nome…

Hora do café

- Um café, por favor.

E corrigiu:

- Um expresso!

Escolheu uma das mesinhas vazias, sentou-se mal e mal na banqueta. Sentia-se incomodado sobre aquela torre balançante, a base fina simplesmente não lhe inspirava confiança. Mantinha o pé esquerdo no chão, por via das dúvidas.
Tirou da pasta que trazia a tiracolo um jornal muito dobrado e pôs-se a ler, cotovelo apoiado na mesa, queixo apoiado na mão, resmungando qualquer coisa de tempos em tempos. O café chegou. Ele agradeceu a moça que trouxe e voltou a atenção para o jornal. Sem tirar os olhos da folha, sacou do bolso da camisa um maço de cigarros, tirou um com a boca e, enquanto tateava as calças em busca do isqueiro, cruzou olhares com uma garçonete mais velha, que parecia ser responsável pelo lugar. Com o cigarro pendendo no canto da boca, fez cara de criança surpreendida no meio de qualquer arte. Perguntou, sem-jeito:

- Não pode, né?

Ela meneou a cabeça, ainda mais sem-jeito, talvez por ter que negar a um cliente um prazer que não incomodaria ninguém – o lugar estava praticamente vazio, havia apenas um casal numa mesa suficientemente afastada, que sequer parecia notar a presença do homem, e uma moça, também distante, que o observava com certa ansiedade.

- Não pode, moço, tem aquela lei que proíbe. Eu também fico doida por um cigarrinho entre um café e outro, mas fazer o quê? Se aparecer um fiscal aqui, é multa na hora.

Sorriram um para o outro com ar tristonho, como quem identifica um cúmplice que cumpre pena na cela ao lado. Ela voltou ao que quer que estivesse fazendo, ele deixou de procurar o isqueiro. O cigarro permaneceu na boca, como estava, apagado, meio caído, ameaçando jogar-se no café. Qual suicida que, diante da impossibilidade de cumprir seu destino, preferisse morrer.
A moça, aquela que o analisava ansiosamente à distância, veio até ele. Chegando por trás, disse com uma voz que destilava o venenoso desprezo da mulher traída:

- Olha só quem resolveu aparecer!

Ele a olhou com surpresa. O cigarro efetivamente caiu, errou o café por pouco. Nenhum dos dois se deu conta do fato.

- Nossa, você por aqui! Quanto tempo! - e imediatamente repreendeu-se, pensando “Será que não tinha nada pior para dizer?”. Um segundo depois, entretanto, pareceu lembrar-se de todo o relacionamento que tiveram – das discussões, em particular. Seu rosto tomou um certo ar de segurança e enfado. O dela permaneceu fuzilando-o.
- Ai, que lindo! Ele é irônico! Quanto tempo, como vai você?

Falou como quem encontra um grande amigo, perdido há eras. Ele achou por bem ignorar o tom sarcástico da voz dela, na tentativa de conduzir o papo para outra situação além da que se avizinhava, potencialmente catastrófica:

- Eu vou bem, obrigado. E você?

Não deu certo. Ela permaneceu séria, falando gravemente, salivando fel:

- É mesmo muita cara-de-pau da sua parte falar comigo como se não tivesse acontecido nada!

Olhou em volta, buscando ajuda. Não havia ninguém, teria que se defender sozinho. Ela continuou.

- Você não teve a decência de me ligar!
- E por que eu teria que te ligar?
- Não me surpreende que você não saiba.

Esse ataque ferino aos seus conhecimentos das normas de interação com membros do sexo oposto – cartilha que já deveria ter sido escrita há eras, embora seja pouco provável que alguém a seguisse, visto que as variáveis são elevadas à enésima potência – tornou-o subitamente ofendido, acabando com seu ar simpático e jogando-o numa posição de contra-ataque:

- Foi você que terminou comigo!
- Por isso mesmo!

Coçou a testa, reprimiu um palavrão que chegou a sair pela metade: …taqueopariu! Para ele, aquilo não tinha muita lógica. Considerava que o dispensado não deveria tornar a ligar, essa era uma obrigação do dispensante, quer por caridade, quer por vaidade (a fim de verificar o estrago causado por sua decisão). Ela, entretanto, seguia outro tipo de regra:

- E você não foi homem suficiente pra aceitar.
- Como assim, não aceitei? Aceitei perfeitamente bem. Você disse “fim”, eu pensei “certo, então é o fim”. Toquei a vida.
- Você entrou em ne-ga-ção! - falou sílaba por sílaba em tom de voz elevado, como se ele fosse surdo. Ou idiota. Ou um idiota surdo. Ele finalmente largou o jornal sobre o mármore frio da mesinha, aborrecido. O café esfriava. O cigarro da boca fora para a mesa, daí rolara para o colo dele, donde fora para o chão, pela perna esquerda estendida.
- Não foi ne-ga-ção, foi a-cei-ta-ção.
- E meus e-mails? Você recebeu?
- Lógico que recebi.

Os olhos dela encheram-se de lágrimas. Disse com voz irritada e chorosa:

- E por que nunca respondeu?
- Você disse claramente em todos eles que não queria que eu respondesse!
- Mas você não entende nada? É incapaz de captar uma mensagem? Isso não era motivo para você ficar em silêncio!

Ele baixou a cabeça, correu as mãos pelos cabelos. Depois de seis meses de término, de paz, de distância e tranqüilidade, ali estavam os dois, em plena sessão de descarrego. Ele odiava sessões de descarrego, ela parecia adorar. Perguntou, como quem pede piedade:

- O que você quer de mim, afinal?
- Minhas cartas.
- Quer que eu devolva suas cartas?
- Não seja idiota! Quero saber se você recebeu!
- Ah! Também recebi.
- E leu?
- Li.
- Leu todas?
- Sim, li todas as suas cartas. Todas, todas.
- Do começ…
- Do começo ao fim!
- E não vai dizer nada sobre o que eu escrevi pra você, as coisas que eu disse, minhas razões pra desistir da gente? Não vai me deixar saber o que você achou?
- Parafraseando Roberto Carlos:
- O cantor?
- O cantor.

O olhar dela se acendeu com esperança. Ele, sempre tão insensível, estava na iminência de dizer algo realmente romântico, talvez até melodioso. Ele respirou fundo, soltou o ar lentamente, olhou-a nos olhos e, munido de toda sinceridade, soltou:

- Ri muito, bicho.

Ela ficou em silêncio por dez segundos. Dez segundos que duraram meia-hora. Uma hora. Quarenta dias e quarenta noites. Ficaram assim, olhos fixos um no outro. Ela, com toda a delicadeza de sua natureza feminina, esticou a mão, pegou a xícara de café e derramou no colo dele, que, temendo uma queimadura, assustou-se, quase caindo da banqueta (salvou-o a perna esquerda, firme no chão). À toa, porém: o líquido esfriara.
Entre os dentes, querendo chorar, querendo gritar, querendo arrancar os cabelos - dela e dele -, ela sussurrou:

- E não volte a me procurar!

Ele ficou ali, enquanto ela se afastava pisando com força. Finalmente deu-se conta da ausência do cigarro na boca. Pegou outro, sequer pensou em procurar o primeiro. Olhou de novo para a garçonete.
Ela se aproximou, sacou um isqueiro e acendeu o cigarro dele, usando-o em seguida para acender o seu. Soprou ruidosamente a fumaça do primeiro trago, olhou para a moça que sumia à distância, depois novamente para ele:

- Mulher é tudo louca, né?

Interpretações musicais

Há algum tempo (mais de um ano, mas porra, não me lembro exatamente quando foi, então abro o texto com essa afirmação imprecisa e foda-se) fui apresentado a um texto de um sujeito que estabelecia uma teoria a respeito de Cake. Não, não os bolos. A banda. De acordo com a teoria dele, Cake é uma banda formada pelo diabo (peraí que não é blábláblá de cristão paranóico) e todas - ou quase todas - as músicas tratam do relacionamento do Inimigo com deus.

A página é esta aqui. Está em inglês, como você há de notar ao abrir, e é terrivelmente bem embasada. Crenças religiosas à parte, o cara teve uma sacada notável! Embora ele cite só umas 15 músicas, consigo pensar em pelo menos meia dúzia de outras que se encaixam perfeitamente na idéia, dentre elas algumas que só saíram em CD’s lançados após a publicação do texto. Então ou a Cascavel das Sete Ventas não tá ciente que foi descoberta, ou simplesmente não dá a mínima pro fato de ter sido desmascarada.

O texto desse cara me jogou num barato que eu não costumava ter: passei a procurar teorias malucas a respeito do verdadeiro sentido de coisas que eu gosto (filmes, músicas, discos…), sejam elas verdadeiras ou não. Tem um site cujo endereço eu esqueci (devo ter em algum histórico do MSN, mas, porra, mó preguiça de procurar…), também em inglês, só sobre interpretações de músicas, que já me fez pensar, uma ou outra vez, “porra, isso é coerente, como é que nunca enxerguei essa possibilidade antes?”. Uma sensação ao mesmo tempo legal e ruim de se ter.

Mas, no geral, as pessoas só falam merda por lá, então não é tão ruim assim que eu não lembre a url.

De todo modo, brincando de caçar histórias a respeito das músicas e das bandas que gosto, fiquei sabendo (há quase um ano, e desde então estou pra escrever sobre isso aqui, mas e a preguiça?) que The Killers têm três músicas que formam uma história, conhecidas como a Trilogia do Assassinato (a banda se chama OS MATADORES, cacete, o que você esperava?). A tal trilogia é formada, respectivamente, pelas letras de Leave the Bourbon on the Shelf, Midnight Show e Jenny Was a Friend of Mine. A primeira delas só saiu no último cd (Sawdust, 2007), enquanto as duas primeiras foram lançadas no Hot Fuss, em 2005.

É, sempre sob o ponto de vista do criminoso, uma história a respeito de como ele matou a namorada. A primeira apresenta as razões, a segunda narra o acontecimento e a terceira trata do interrogatório do cara. Muito se discute pela internet a respeito dos comos e dos porquês, e eu, no fim das contas, influências Hitchcockianas correndo soltas pela cachola, acabei por estabelecer minha versão dos fatos, que compartilho agora (ao menos a primeira parte):

1. Leave the Bourbon on the Shelf:

A miserável foi embora. Não bastasse isso e toda a desenvoltura que demonstrou ao fazê-lo, ainda por cima se vangloria de ter se mudado pra um lugar melhor.

Shakin’ like the devil when she lets me go
Got a new place an how it’s so much better…

Enquanto isso, caído no sofá, com uma garrafa de bourbon vazia no chão, um pobre infeliz, com a televisão ligada, sem dar a menor atenção pro aparelho, relembra os acontecimentos recentes da vida dele, em particular os últimos momentos que passou com a ex-namorada. Ele desliga a TV e ri pra não chorar.

Falling over myself, the television’s on
I turn it off and smile.

Entre um e outro gole do que sobrou do goró, ele amarga os instantes finais, quando, tentando convencê-la a não ir, implorou como um cão. Num último ato desesperado de orgulho, entretanto, acabou por enxotá-la com grosseria.

Oh, Jennifer
You know I always tried
Before you say goodbye…
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself

Percebendo que tinha mandado a mulher embora, cagando tudo de uma vez, tentou imediatamente voltar atrás com declarações rasgadas de amor incontido.

And I love you endlessly
Darling, don’t you see?
I’m not satisfied untill I hold you tight

Não adiantou nada, entretanto, e ela partiu assim mesmo. Em seus momentos de embriaguez, tomado por uma coragem que só o álcool traz, ele ligou para ela, tentando convencê-la a voltar, a dar mais uma chance, só mais uma, e prometendo se comportar, tornar-se um homem sério, parar de beber, arranjar um emprego.

A resposta dela, sempre, era “Não tenho tempo pra isso agora”.

Enquanto isso, a senhoria tocava a campainha, para cobrar do bebum oprobrioso o aluguel atrasado.

Give me one more chance tonight
And I swear I’ll make it right.
But you ain’t got time for this
And that wreckin bell is ringin

Cansado de ter o telefone desligado na cara, ele resolveu ir atrás dela. Enquanto repassava mentalmente as coisas que iria dizer, viu a mulher ao longe, caminhando de mãos dadas com um desconhecido. Subitamente, sentiu o chão sumir sob seus pés.

And I’m not satisfied
Until I hold you…
Jennifer, tell me where I stand
And who’s that boy
Holdin’ your hand?

Ficou possesso. Então ela esqueceu, assim, de repente, tudo o que ele já havia feito por ela? Bah. Maldita vagabunda. Pois que fosse embora. Ele tinha a bebida, não precisava de mais nada, que dirá de uma piranha promíscua com escova progressiva, que dava pra qualquer imbecil!

Oh, Jennifer, you know I’ve always tried.
Before you say goodbye
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I never liked your hair
Or those people that you lie with

Pensando nisso tudo, ele curte no sofá uma fossa sem tamanho. Porque, por increça que parível, ele ama ferozmente aquela desgraçada. E a quer de volta.

But I’m not satisfied
Until I hold you tight
And I love you endlessly
Darling don’t you see
I can’t be satisfied
Until I hold you tight.

Mas ela não volta, então ele bebe sozinho. E, bêbado, tem um vislumbre de como resolver essa situação. Porque do jeito que está não pode ficar. Ele a ama e não está satisfeito…

Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I love you endlessly
Darling don’t you see?
I’m not satisfied.

Mulheres olímpicas

Apesar das coisas que já escrevi por aqui sobre o assunto, não caia no erro de achar que eu não ligo pra olimpíadas ou quero mais é que se foda. Não fico naquela palhaçada de torcer pelo Brasil, como se, uma vez a cada dois anos (espaço de tempo compreendido entre uma copa do mundo e uma edição dos jogos olímpicos), eu desenterrasse, do galpão escondido no meu cérebro onde guardo toda a debilidade mental passada pela TV e por meus familiares - que não fizeram por mal, coitados -, um espírito patriótico ufanista, cego e insensato, que me faz preferir fulano a cicrano só porque esse veste verde e amarelo ou azul e branco ou verde e azul ou amarelo e branco ou verde e branco ou amarelo e azul, mas gosto dos jogos olímpícos. Como gosto de diversos outros eventos esportivos, simplesmente porque são um entretenimento com muito mais qualidade do que noventa porcento do que a globo geralmente passa.

Prefiro mil vezes ligar a TV pela manhã e ver o Federer e um americano careca que usa na testa aquela faixinha de tenistas (sabe-se lá por que razão) descendo a raquetada numa bolota amarelinha do que ter que tolerar Xuxa ou Ana Maria Braga. Quem dera a programação fosse assim sempre.

Infelizmente, não é.

O negócio é que é legal dizer que você não tá nem aí pras olimpíadas, já percebeu? É só comentar com alguém: “E aí, como foi que a dupla de vôlei de praia masculino se saiu hoje?” pra receber a babaquice típica desse período: “Eu não ligo pras olimpíadas”.

Pois bem, eu ligo. Gosto de ver os esportes que eu gosto, e é legal poder vê-los em massa, até encher o saco, até você ficar sabendo TANTO daquela porra que poderia substituir qualquer um desses comentaristas esportivos com muito mais propriedade. Principalmente o Galvão. Mas esse qualquer um pode substituir com propriedade. Menos o Sílvio Luís, que também é chato pra caralho.

O que eu não entendo são esses caras que ficam babando nas atletas olímpicas. Na boa, 90% dos esportes FODEM com o corpo das mulheres de forma completa e irreversível. Natação deixa a mulher parecendo um cara (vide aquele sujeito que foi suspenso, o Rebeca Gusmão), com ombros de estivador e sem o menor resquício de cintura. Peitos, então, nem pensar. O que diabos eu quero com uma mulher sem peitos?

Vôlei de praia feminino é legal, mas de que adianta botar quatro mulheres de biquíni pulando se elas não têm nada realmente feminino pra encher os olhos? A mesma coisa no triatlo e nos esportes de corrida. Pô, as gurias são só músculos, sem nenhuma reservinha de gordura que seja. Mulher é igual escada rolante, cacete: precisa ter onde segurar.

Os únicos esportes que deixam o corpo das atletas interessante são os com bola, em quadra - com exceção do basquete. Vôlei (ah, bundas e mais bundas, que coisa maravilhosa!), handebol (o esporte mais idiota do mundo, no qual todo mundo pode botar a mão na bola e ainda assim os times têm goleiros, que eu definitivamente não entendo pra que servem, já que qualquer um poderia representar aquele papel), futebol (o que era aquela goleira dos Estados Unidos? Cacetada!), tênis.

A ginástica olímpica também deixa as gurias gostosinhas. Mas só se você tiver uma tara especial por anãs. Se for o caso, não se sinta mal por isso! Jair Beirola, o saudoso, disse certa vez que mulher pequenininha é a melhor coisa do mundo: quanto menor a distância entre cu e nuca, melhor.

Palavras do sábio, não minhas.

Nas outras modalidades, as boas atletas, as que recebem mais atenção da imprensa por terem grande chance de medalha e coisa e tal, são máquinas de saltar, pular, correr, nadar, pedalar, dançar a macarena e etc. As azaronas, por não treinar como se não houvesse mais nada a se fazer nessa vida, até mantém um físico razoável.

Dessas, só UMA se sobressai. Essa não é “razoável”, essa é MARAVILHOSA:

Allison Stokke
Allison Stokke.

Para quem estiver disposto a babar mais:
Vídeo com várias fotos da menina.
Artigo na “chickpedia” sobre a Allison Stokke.

Captei a mensagem!

Tem umas lições que eu deveria aprender da PRIMEIRA vez que elas me são passadas, mas eu não aprendo. Daí, como o universo funciona em ciclos - não é papo místico, não, é a base da minha teoria da fundação do universo, já devidamente publicada na Scientific American e adotada, sem contra-argumentos, por toda a comunidade científica mundial -, eu sou apresentado e reapresentado e rereapresentado e rerere… enfim, deu pra entender, já tá virando risada, essa porra.

Mas enfim. Sou reapresentado aos fatos até compreender que são FATOS, que são verdades irrevogáveis do cosmo, e parar de lutar contra o invencível poder, a insuperável determinação, a inquestionável presença, a insuficientemente adjetivada obstinação da Consciência Cósmica Universal.

Deixe-me dizer qual foi a última lição que aprendi com o universo (ou não deixem, foda-se, tô cagando, vou dizer do mesmo jeito):
Sempre que uma guria chamada Paula com um sobrenome fora do comum surgir na sua vida, FUJA.

SEMPRE dá merda. SEMPRE. Nunca dá certo. Mulheres com esse prenome e sobrenomes peculiares vão, INVARIAVELMENTE, mostrar uma faceta surtada e psicótica após um breve período de convivência. É sério. Das 6 ou 7 paulas que conheci com sobrenomes estranhos, TODAS alucinaram em algum ponto da convivência.

A única Paula que surgiu pela internet e mostrou compostura, sabedoria, coerência e - mais importante - sanidade* foi a patroa. E por quê? Porque tem um sobrenome comum, cotidiano, trivial, usual.
As outras todas… bom, sedativos estão aí para serem usados, afinal de contas.

Ok, nem tanta sabedoria, coerência e sanidade assim. A mulher namora comigo há 5 anos, afinal de contas. Mas ninguém é perfeito, até às mentes mais aguçadas devemos permitir um deslize ou outro, convenhamos!

Das coisas que começo (e não termino nunca) - I

Simone tinha olhos castanhos, de um castanho claro amarelado, uma cor que lembrava âmbar e parecia refletir a luz de forma ímpar, diferente de qualquer outra coisa que você já tivesse visto. Sentava-se meio de lado, cruzava as pernas e jogava por sobre os ombros, para seus interlocutores, aquele olhar capaz de corar até mesmo o mais desavergonhado cafajeste. Não fazia toda essa pose ritahayworthiana por querer, era algo involuntário. Tinha um charme que entornava em cada gesto. Não conseguiria contê-lo nem se quisesse.

Simone me fazia entender como era possível um homem se apaixonar por uma mulher de burka.

(Pra onde caralhos vai um texto que começa assim? Se não virar um romance - no sentido amoroso da coisa, não editorial -, torna-se uma tragédia. No meu caso, sempre tende para o segundo tipo de história.)