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Interpretações musicais

Há algum tempo (mais de um ano, mas porra, não me lembro exatamente quando foi, então abro o texto com essa afirmação imprecisa e foda-se) fui apresentado a um texto de um sujeito que estabelecia uma teoria a respeito de Cake. Não, não os bolos. A banda. De acordo com a teoria dele, Cake é uma banda formada pelo diabo (peraí que não é blábláblá de cristão paranóico) e todas - ou quase todas - as músicas tratam do relacionamento do Inimigo com deus.

A página é esta aqui. Está em inglês, como você há de notar ao abrir, e é terrivelmente bem embasada. Crenças religiosas à parte, o cara teve uma sacada notável! Embora ele cite só umas 15 músicas, consigo pensar em pelo menos meia dúzia de outras que se encaixam perfeitamente na idéia, dentre elas algumas que só saíram em CD’s lançados após a publicação do texto. Então ou a Cascavel das Sete Ventas não tá ciente que foi descoberta, ou simplesmente não dá a mínima pro fato de ter sido desmascarada.

O texto desse cara me jogou num barato que eu não costumava ter: passei a procurar teorias malucas a respeito do verdadeiro sentido de coisas que eu gosto (filmes, músicas, discos…), sejam elas verdadeiras ou não. Tem um site cujo endereço eu esqueci (devo ter em algum histórico do MSN, mas, porra, mó preguiça de procurar…), também em inglês, só sobre interpretações de músicas, que já me fez pensar, uma ou outra vez, “porra, isso é coerente, como é que nunca enxerguei essa possibilidade antes?”. Uma sensação ao mesmo tempo legal e ruim de se ter.

Mas, no geral, as pessoas só falam merda por lá, então não é tão ruim assim que eu não lembre a url.

De todo modo, brincando de caçar histórias a respeito das músicas e das bandas que gosto, fiquei sabendo (há quase um ano, e desde então estou pra escrever sobre isso aqui, mas e a preguiça?) que The Killers têm três músicas que formam uma história, conhecidas como a Trilogia do Assassinato (a banda se chama OS MATADORES, cacete, o que você esperava?). A tal trilogia é formada, respectivamente, pelas letras de Leave the Bourbon on the Shelf, Midnight Show e Jenny Was a Friend of Mine. A primeira delas só saiu no último cd (Sawdust, 2007), enquanto as duas primeiras foram lançadas no Hot Fuss, em 2005.

É, sempre sob o ponto de vista do criminoso, uma história a respeito de como ele matou a namorada. A primeira apresenta as razões, a segunda narra o acontecimento e a terceira trata do interrogatório do cara. Muito se discute pela internet a respeito dos comos e dos porquês, e eu, no fim das contas, influências Hitchcockianas correndo soltas pela cachola, acabei por estabelecer minha versão dos fatos, que compartilho agora (ao menos a primeira parte):

1. Leave the Bourbon on the Shelf:

A miserável foi embora. Não bastasse isso e toda a desenvoltura que demonstrou ao fazê-lo, ainda por cima se vangloria de ter se mudado pra um lugar melhor.

Shakin’ like the devil when she lets me go
Got a new place an how it’s so much better…

Enquanto isso, caído no sofá, com uma garrafa de bourbon vazia no chão, um pobre infeliz, com a televisão ligada, sem dar a menor atenção pro aparelho, relembra os acontecimentos recentes da vida dele, em particular os últimos momentos que passou com a ex-namorada. Ele desliga a TV e ri pra não chorar.

Falling over myself, the television’s on
I turn it off and smile.

Entre um e outro gole do que sobrou do goró, ele amarga os instantes finais, quando, tentando convencê-la a não ir, implorou como um cão. Num último ato desesperado de orgulho, entretanto, acabou por enxotá-la com grosseria.

Oh, Jennifer
You know I always tried
Before you say goodbye…
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself

Percebendo que tinha mandado a mulher embora, cagando tudo de uma vez, tentou imediatamente voltar atrás com declarações rasgadas de amor incontido.

And I love you endlessly
Darling, don’t you see?
I’m not satisfied untill I hold you tight

Não adiantou nada, entretanto, e ela partiu assim mesmo. Em seus momentos de embriaguez, tomado por uma coragem que só o álcool traz, ele ligou para ela, tentando convencê-la a voltar, a dar mais uma chance, só mais uma, e prometendo se comportar, tornar-se um homem sério, parar de beber, arranjar um emprego.

A resposta dela, sempre, era “Não tenho tempo pra isso agora”.

Enquanto isso, a senhoria tocava a campainha, para cobrar do bebum oprobrioso o aluguel atrasado.

Give me one more chance tonight
And I swear I’ll make it right.
But you ain’t got time for this
And that wreckin bell is ringin

Cansado de ter o telefone desligado na cara, ele resolveu ir atrás dela. Enquanto repassava mentalmente as coisas que iria dizer, viu a mulher ao longe, caminhando de mãos dadas com um desconhecido. Subitamente, sentiu o chão sumir sob seus pés.

And I’m not satisfied
Until I hold you…
Jennifer, tell me where I stand
And who’s that boy
Holdin’ your hand?

Ficou possesso. Então ela esqueceu, assim, de repente, tudo o que ele já havia feito por ela? Bah. Maldita vagabunda. Pois que fosse embora. Ele tinha a bebida, não precisava de mais nada, que dirá de uma piranha promíscua com escova progressiva, que dava pra qualquer imbecil!

Oh, Jennifer, you know I’ve always tried.
Before you say goodbye
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I never liked your hair
Or those people that you lie with

Pensando nisso tudo, ele curte no sofá uma fossa sem tamanho. Porque, por increça que parível, ele ama ferozmente aquela desgraçada. E a quer de volta.

But I’m not satisfied
Until I hold you tight
And I love you endlessly
Darling don’t you see
I can’t be satisfied
Until I hold you tight.

Mas ela não volta, então ele bebe sozinho. E, bêbado, tem um vislumbre de como resolver essa situação. Porque do jeito que está não pode ficar. Ele a ama e não está satisfeito…

Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I love you endlessly
Darling don’t you see?
I’m not satisfied.

Mulheres olímpicas

Apesar das coisas que já escrevi por aqui sobre o assunto, não caia no erro de achar que eu não ligo pra olimpíadas ou quero mais é que se foda. Não fico naquela palhaçada de torcer pelo Brasil, como se, uma vez a cada dois anos (espaço de tempo compreendido entre uma copa do mundo e uma edição dos jogos olímpicos), eu desenterrasse, do galpão escondido no meu cérebro onde guardo toda a debilidade mental passada pela TV e por meus familiares - que não fizeram por mal, coitados -, um espírito patriótico ufanista, cego e insensato, que me faz preferir fulano a cicrano só porque esse veste verde e amarelo ou azul e branco ou verde e azul ou amarelo e branco ou verde e branco ou amarelo e azul, mas gosto dos jogos olímpícos. Como gosto de diversos outros eventos esportivos, simplesmente porque são um entretenimento com muito mais qualidade do que noventa porcento do que a globo geralmente passa.

Prefiro mil vezes ligar a TV pela manhã e ver o Federer e um americano careca que usa na testa aquela faixinha de tenistas (sabe-se lá por que razão) descendo a raquetada numa bolota amarelinha do que ter que tolerar Xuxa ou Ana Maria Braga. Quem dera a programação fosse assim sempre.

Infelizmente, não é.

O negócio é que é legal dizer que você não tá nem aí pras olimpíadas, já percebeu? É só comentar com alguém: “E aí, como foi que a dupla de vôlei de praia masculino se saiu hoje?” pra receber a babaquice típica desse período: “Eu não ligo pras olimpíadas”.

Pois bem, eu ligo. Gosto de ver os esportes que eu gosto, e é legal poder vê-los em massa, até encher o saco, até você ficar sabendo TANTO daquela porra que poderia substituir qualquer um desses comentaristas esportivos com muito mais propriedade. Principalmente o Galvão. Mas esse qualquer um pode substituir com propriedade. Menos o Sílvio Luís, que também é chato pra caralho.

O que eu não entendo são esses caras que ficam babando nas atletas olímpicas. Na boa, 90% dos esportes FODEM com o corpo das mulheres de forma completa e irreversível. Natação deixa a mulher parecendo um cara (vide aquele sujeito que foi suspenso, o Rebeca Gusmão), com ombros de estivador e sem o menor resquício de cintura. Peitos, então, nem pensar. O que diabos eu quero com uma mulher sem peitos?

Vôlei de praia feminino é legal, mas de que adianta botar quatro mulheres de biquíni pulando se elas não têm nada realmente feminino pra encher os olhos? A mesma coisa no triatlo e nos esportes de corrida. Pô, as gurias são só músculos, sem nenhuma reservinha de gordura que seja. Mulher é igual escada rolante, cacete: precisa ter onde segurar.

Os únicos esportes que deixam o corpo das atletas interessante são os com bola, em quadra - com exceção do basquete. Vôlei (ah, bundas e mais bundas, que coisa maravilhosa!), handebol (o esporte mais idiota do mundo, no qual todo mundo pode botar a mão na bola e ainda assim os times têm goleiros, que eu definitivamente não entendo pra que servem, já que qualquer um poderia representar aquele papel), futebol (o que era aquela goleira dos Estados Unidos? Cacetada!), tênis.

A ginástica olímpica também deixa as gurias gostosinhas. Mas só se você tiver uma tara especial por anãs. Se for o caso, não se sinta mal por isso! Jair Beirola, o saudoso, disse certa vez que mulher pequenininha é a melhor coisa do mundo: quanto menor a distância entre cu e nuca, melhor.

Palavras do sábio, não minhas.

Nas outras modalidades, as boas atletas, as que recebem mais atenção da imprensa por terem grande chance de medalha e coisa e tal, são máquinas de saltar, pular, correr, nadar, pedalar, dançar a macarena e etc. As azaronas, por não treinar como se não houvesse mais nada a se fazer nessa vida, até mantém um físico razoável.

Dessas, só UMA se sobressai. Essa não é “razoável”, essa é MARAVILHOSA:

Allison Stokke
Allison Stokke.

Para quem estiver disposto a babar mais:
Vídeo com várias fotos da menina.
Artigo na “chickpedia” sobre a Allison Stokke.

Captei a mensagem!

Tem umas lições que eu deveria aprender da PRIMEIRA vez que elas me são passadas, mas eu não aprendo. Daí, como o universo funciona em ciclos - não é papo místico, não, é a base da minha teoria da fundação do universo, já devidamente publicada na Scientific American e adotada, sem contra-argumentos, por toda a comunidade científica mundial -, eu sou apresentado e reapresentado e rereapresentado e rerere… enfim, deu pra entender, já tá virando risada, essa porra.

Mas enfim. Sou reapresentado aos fatos até compreender que são FATOS, que são verdades irrevogáveis do cosmo, e parar de lutar contra o invencível poder, a insuperável determinação, a inquestionável presença, a insuficientemente adjetivada obstinação da Consciência Cósmica Universal.

Deixe-me dizer qual foi a última lição que aprendi com o universo (ou não deixem, foda-se, tô cagando, vou dizer do mesmo jeito):
Sempre que uma guria chamada Paula com um sobrenome fora do comum surgir na sua vida, FUJA.

SEMPRE dá merda. SEMPRE. Nunca dá certo. Mulheres com esse prenome e sobrenomes peculiares vão, INVARIAVELMENTE, mostrar uma faceta surtada e psicótica após um breve período de convivência. É sério. Das 6 ou 7 paulas que conheci com sobrenomes estranhos, TODAS alucinaram em algum ponto da convivência.

A única Paula que surgiu pela internet e mostrou compostura, sabedoria, coerência e - mais importante - sanidade* foi a patroa. E por quê? Porque tem um sobrenome comum, cotidiano, trivial, usual.
As outras todas… bom, sedativos estão aí para serem usados, afinal de contas.

Ok, nem tanta sabedoria, coerência e sanidade assim. A mulher namora comigo há 5 anos, afinal de contas. Mas ninguém é perfeito, até às mentes mais aguçadas devemos permitir um deslize ou outro, convenhamos!

Das coisas que começo (e não termino nunca) - I

Simone tinha olhos castanhos, de um castanho claro amarelado, uma cor que lembrava âmbar e parecia refletir a luz de forma ímpar, diferente de qualquer outra coisa que você já tivesse visto. Sentava-se meio de lado, cruzava as pernas e jogava por sobre os ombros, para seus interlocutores, aquele olhar capaz de corar até mesmo o mais desavergonhado cafajeste. Não fazia toda essa pose ritahayworthiana por querer, era algo involuntário. Tinha um charme que entornava em cada gesto. Não conseguiria contê-lo nem se quisesse.

Simone me fazia entender como era possível um homem se apaixonar por uma mulher de burka.

(Pra onde caralhos vai um texto que começa assim? Se não virar um romance - no sentido amoroso da coisa, não editorial -, torna-se uma tragédia. No meu caso, sempre tende para o segundo tipo de história.)

Divagar

A vida não é justa e o mundo é cheio de gente burra. Hoje acordei com tendência a dizer o óbvio e estão aí as duas afirmativas mais verdadeiras que alguém pode fazer. Repito para os idealistas de plantão: justiça é conversa fiada pra boi dormir, gente inteligente é um negócio raro de encontrar. Nesse blog aqui, por exemplo, duvido que você ache uma. Começando pelo autor. Mas existem piores, então pode ficar, se o grau mediano de limitação intelectual emanado aqui não te aborrece.

Não, você não está enganado(a), esse parágrafo é um dos que começa textos que não têm qualquer assunto em particular, que caminham por tópicos completamente diferentes de forma totalmente aleatória. Bem-vindo(a) ao meu processo ilógico de pensamentos, no geral reclamações. Sua estada aqui será curta e prometo limitar os palavrões o máximo possível, mas quando leio que a Alizée é casada e tem um filho, o que é que me ocorre? CARALHO! É isso que me ocorre. Que tipo de imbecil faz um filho numa mulher daquelas? Um imbecil de sorte, foi o que Eduardo Stigger me disse, e o problema é que o miserável tem razão.

A moça é nova, a moça é linda, a moça é gostosa pra caralho. Por que não comê-la desesperadamente até que a gravidade, os shows, os vícios e o tempo, esse inoxidável (?), façam seu trabalho? Quando começar a rolar a época da decadência, dá-lhe um bucho em pé de guerra, um fedorentinho, e pronto, ela sai de uma função cultural (ser gostosa) pra outra (ser procriadora). Por que as pessoas procriam? Não faço idéia. Não sei nem porque é que se CASAM, pra começo de conversa. Que idéia mais idiota, trocarem anéis e morarem juntos.

Ok, morar junto às vezes nem é uma idéia tão besta assim. Às vezes pode se tornar inviável duas contas de luz, duas contas de água, duas contas de telefone, duas de internet, duas de tv a cabo, dois aluguéis/boletos de cobrança de parcelamento de pagamento de imóvel, enfim. Às vezes é mais barato mesmo juntar os panos de bunda, alugar um apê maior e irem pra essa vida conjunta, que promete torná-los inimigos pro resto da vida. As pessoas têm o direito de se apaixonar umas pelas outras e de odiar umas às outras, também, não se deve impedi-las de levar a vida como acharem melhor.

Mas deve ser aquele troço de desejo mútuo. O pior que pode acontecer é alguém de fora começar a pressionar, um dos dois entrar na onda e o outro resolver aceitar, indo pra essa época complicada da vida só pra alegrar familiares (geralmente os do outro). Porque as pessoas não têm a menor noção e se metem no que não deveriam se meter, fazendo comentários teoricamente engraçadinhos, quando o ideal seria que calassem a boca e cuidassem da própria vida. Eu namoro há quase cinco anos - sim, com a mesma guria - e tô sempre ouvindo idiotices como “E aí, vão se casar?” ou “Tá enrolando a menina?” e coisas assim. Daí, se eu mando tomar no cu, quem é o mal-educado? Eu, logicamente.

Porque se meter na vida dos outros é desagradável, mas não é falta de educação. Sugerir a alguém que inverta o vetor do duto de saída fecal, ah, isso é de uma falta de elegância que beira a barbárie.

O foda é que existe quem se deixe levar por essa pressão. Os pais dela, ou os pais dele, resolvem que estão juntos há tempos demais e que deveriam juntar logo esses trapos, arranjar um buraco qualquer, entrar com a papelada, essas coisas. Devo dizer que geralmente é a mulher que vem com essa conversa mole, principalmente quando a mulher tem um monte de irmãs. Porque mulher em grupo só fala dessas merdas. Quando não conversam sobre as próprias roupas, cabelos, unhas, métodos depilatórios e ph do corrimento vaginal, entram nesse tópico desagradabilíssimo que é a vida conjugal. Pra uma mulher, conseguir colocar uma argola dourada no dedo de um idiota e convencê-lo a morar com ela (ou a deixá-la morar com ele) é como, para um homem, conseguir comer uma gostosa de propaganda de cerveja, com direito a fotos pra mostrar pros amigos. Ou como tirar um Ford Fusion da concessionária sem ajuda dos pais: um sinal de status, uma demonstração de superioridade, uma prova que você é capaz de ser bem-sucedido nessa vida.

Lógico que nem todas as mulheres são assim, nem todos os homens também. Mas que a maioria é, ah, isso é.

Colhões mesmo tem aquele marido da Jennifer Garner em Juno, que resolve mandar pro caralho o surto familiar-psicótico da mulher que cismou que “nasceu pra ser mãe” e vai viver sozinho num loft, com seus quadrinhos, sua guitarra fodona, seus filmes sangrentos de horror e sua tara por adolescentes barrigudinhas. Tá aí um cara que eu respeito. Logicamente, ele é colocado de forma muito depreciativa no filme, porque o roteiro, oras, foi escrito por uma mulher. Fosse um filme do Nick Hornby e a história giraria em torno dele, e ele seria um cara legal pra caralho, tipo o Hugh Grant em Um Grande Garoto. É tudo uma questão de ponto de vista.

Falando em retomar as nerdices, voltei a jogar RPG e, alguns dias depois, morre o Gary Gygax. Veja só se não é o universo dando um berro e dizendo que eu fazia muito melhor ficando afastado desse hobby maldito, dessa coisa demoníaca, desse criadouro de assassinos satanistas que é o RPG. RPG é coisa do diabo, todo mundo sabe. Sempre rolam uns rituais macabros envolvendo sangue de bode, cabeças de galinhas pretas, farofa de macumba e pedaços de cérebros de eleitores do PSDB (esse último item é mais difícil de achar). Tudo isso pra tirar um 20 em um D20, numa jogada com dificuldade 27, onde seu modificador é JUSTAMENTE +7 e que pode definir o curso da missão.

Devo admitir que o mestre come nosso rabo, mas dá beijinho na nuca depois, então fica tudo bem.

Utilizando essa última frase pra sair da nerdice e partir pra viadagem, resolvi deixar o cabelo crescer. Resolvi há seis meses e tá crescendo há seis meses. Atualmente estamos nos dando bem, mas há algum tempo ele teve um período de adolescência que foi realmente difícil de tolerar. Era um tamanho maior do que o costumeiro, mas menor do que o de um cabelo “grande”. Eu não podia mais tratá-lo como se fosse pequeno, também não podia tratá-lo como se fosse grande. Ele se revoltava por pouca coisa e convencê-lo a obedecer, a ser minimamente lógico, era bastante difícil. Foi uma época complicada, mas estamos nos dando bem melhor agora. Acho que nunca mais volto a cortá-lo tão curto. Do tamanho que está, ele não cria esculturas medonhas sempre que tiro um cochilo. É só penteá-lo pra trás e pronto, chega de dor-de-cabeça.

Melhor que isso, só raspando com gilete.

Mas não tenho coragem pra tanto. Já basta fazer isso na minha cara e descobrir (mesmo já conhecendo, mas relembrar é sempre difícil) o que há por baixo. Não quero descobrir que tenho calombos esquisitos no crânio ou marcas medonhas espalhadas pelo couro cabeludo.

Felizmente o gene da carequice não caminha por essas bandas…

Diversificando

Se este texto está no corpo do blog é porque consegui cumprir meu intento, a saber: colocar, em um só texto, o máximo possível de idéias sobre o máximo possível de assuntos, todos eles sem importância - provavelmente. É o maior gesto de revolta da minha parte contra essa apatia redativa da qual me vejo acometido nos últimos dias. Ou semanas. Ou meses. Acho que meses é mais adequado, mas quem quiser dizer “quinzenas”, fique à vontade. Porque não sei nem se já completou dois meses que eu não penso em porra nenhuma pra dizer em lugar nenhum, além desse texto aí embaixo, mas sei que já tem mais de duas quinzenas, até porque tem mais de um mês, e considerando que um mês tem duas quinzenas, concluímos, portanto, que duas quinzenas já se foram.

Duas quinzenas são trinta dias, para aqueles que não aprenderam matemática, apenas português. Mas não muito português, claro. Só um pouco. O suficiente pra ler essa droga aqui e achar que tá lendo alguma coisa bacana, quando, na verdade, tudo o que você está fazendo é correndo os olhos sobre palavras digitadas por um desocupado entediadíssimo, cuja missão, ao escrever isso aqui, era apenas roubar seu tempo. Se você chegou a esse ponto, acho que já estou sendo bem-sucedido.

Não que eu vá ganhar qualquer coisa com isso, claro.

Cês conhecem a Alizee? A Alizee, pra quem não conhece, é uma cantora francesa. Calma, não vá pro google ainda. Deixe-me continuar. Então. É uma cantora francesa que canta umas músicas meio xaropes. Ah, sim: é uma cantora JOVEM francesa. Alguém mais chegado a anglicismos diria “teen”, mas eu me recuso. Leia “teen”, em vez de “jovem”, se quiser, mas isso só significa que você é um imbecil. Ou não, sei lá. Tô sendo gratuitamente agressivo, que coisa feia. Nem é do meu feitio, esse tipo de atitude.

Pensando melhor, é do meu feitio, sim.

Mas então. A Alizée. O nome dela tem esse acento aí, que eu esqueci de colocar quando escrevi antes, sobre o primeiro e. Mas pronuncia-se Alizê, então eu bem poderia escrever Alizê e foda-se o caralho da grafia em francês. Mas a Alizée, como eu dizia, é uma cantora jovem francesa que canta musiquinhas pop em francês. Até aí, normal. Eu acho, sei lá. Nunca tinha ouvido falar em música francesa pop-jovem. Pra mim a última música feita na França tinha sido La Vie En Rose, e depois pronto, foda-se, temos aí um clássico, não precisamos compor mais nada, Edith Piaf vai gravar essa merda, depois Louis Armstrong - em inglês, porque é isso o que os americanos fazem, pegam as coisas dos outros e traduzem pro idioma deles, enquanto os outros, como idiotas que são, pegam as palavras deles e introduzem em seus idiomas -, e a música francesa será famosa por La Vie En Rose. E por Ne Me Quitte Pas, que vai tocar em Presença de Anita.

Mas eu falava da Alizée. A Alizée é gostosa pra caralho. PRA CARALHO, cê não tá entendendo. E tem esse vídeo dela, cantando “ao vivo” em um programa de TV (o “ao vivo” tá entre aspas porque ela tá fazendo playback - olha, uma palavra em inglês! Bastard! Asshole! -, o que será comentado daqui a pouco, seja paciente) uma musiquinha muito chicletenta, daquelas que grudam no córtex, chamada J’en Ai Marré. Sei lá se esse acento em Marré existe, mas o fato é que escrever Marré, que parece muito com Maré, sem acento me incomoda. Então o acento fica, os franceses que vão pro inferno comer queijo brie com o ACM.

E ela faz esse playback, como eu ia dizendo. E dança. E, PUTA QUE PARIU, vai ser gostosa assim na casa do caralho. De verdade, acho que nunca vi uma mulher TÃO gostosa. E o grande lance é que, dançando, ela uma hora vira de costas, daí dá pra ver que ela tem um peixinho vermelho na bunda. Não ENFIADO na bunda, é lógico, que o programa é um programa de família, o YouTube é um site de família, Alizée é uma moça de família e este é um blog de família. Algumas das famílias são meio problemáticas, mas isso não se comenta, que é de uma falta de discrição que beira a vulgaridade, e ser disfuncional, tudo bem, mas vulgar, não, peraí, aí é quase chamar a mãe de advogada, o pai de eleitor do PFL e o irmão de fã do jackass, e esse tipo de coisa não se faz.

Mas o peixe tá lá, vermelho, pendurado na roupa dela, um peixinho de um tecido qualquer que eu não sei o nome porque não sou viado. E é aí que você entende por que a guria tá fazendo playback. Porque tem dois sujeitos “tocando” violão atrás dela, assim, como se fossem eles tocando a música pra ela cantar. E é humanamente impossível se concentrar em qualquer coisa que não seja aquela maravilha de mulher dançando na sua frente com aquele peixe na bunda. Por isso o playback. Os caras iam tocar tudo errado, seria uma merda federal. Melhor botar um CD pra tocar, a gostosa pra dançar, e os caras ficam ali, com aquela visão privilegiada do peixe glúteo da moça.

Eu poderia colocar o link pro vídeo da Alizee aqui, mas nem vou. Vá pro YouTube e procure, depois diga se eu não tenho razão!

As mulheres não precisam se manifestar sobre a moça. Mulher não entende porra nenhuma de mulher. Todas as que eu conheço e que viram a menina botaram algum defeito. E todos os caras que eu conheço que a viram tiveram a mesma reação que eu: uma expressão boquiaberta, assim, de quem não acredita que aquilo existe de verdade, seguida por um sussurro caminhoneiro de estupefação, algo como “Caralho…” ou “Putaqueopariu…”.

A dança da guria é tão característica que foi colocada em World of Warcraft. Porque, quando você tá jogando World of Warcraft - que eu tenho jogado ultimamente, mas que, a despeito do que disse o Fredegoso, não tem nada a ver com o meu sumiço daqui - se digitar /dance, o seu personagem dança. Cada um faz uma dança diferente, a Night Elf faz a dança da Alizée. As danças são divertidas. Eu, particularmente, gosto da dança do Napoleon Dynamite, feita pelo Blood Elf, e da do Mc Hammer, feita pelo Orc. Esse vídeo aqui mostra algumas danças e suas fontes. Outras foram deixadas de lado, não sei por que razão (talvez porque o cara que fez não conseguiu encontrar um vídeo que desse pra sincronizar com as sprites retiradas do jogo?).

E a Peanut Butter Jelly Time simplesmente não me sai mais da cabeça, tá foda. E por “não me sai mais da cabeça” eu quero dizer “já me flagrei cantando e dançando essa porra algumas vezes”.

Então. Falando em música, mas sem tornar a mencionar peixes na bunda, até porque eu não teria mais nada a falar sobre isso, saiu o novo CD do The Killers, chamado Sawdust. O link pro download desse eu coloco, porque sou bacanudo e quero que todo mundo ouça Leave The Bourbon On The Shelf, que chuta bundas (com ou sem peixinhos, a escolha é sua).

Engraçado que duas bandas que eu gosto lançaram um CD de B-Sides esse ano. Cake e, agora, Killers. E nos dois CDs têm uma versão de Ruby, Don’t Take Your Love To Town. Esse do Killers tá massa, mas eu não sei dizer se é melhor ou pior ou igual ao Sam’s Town e ao Hot Fuss. Até porque só ouvi umas duas vezes, até agora, e num fone de ouvido que sofreu derrame ou coisa que o valha (aí só funciona o lado esquerdo), não deu pra fazer ainda uma idéia da qualidade da parada. Sei que eu gostei muito de Leave The Bourbon On The Shelf, que fecha a trilogia do assassinato (falo mais sobre isso depois, se rolar um interesse daí e uma vontade do lado de cá), embora seja a primeira música da trilogia, na verdade, Under The Gun é sensacional, mostra um lampejo de Hot Fuss e a versão Abbey Road de Sam’s Town também é muito legal. Sei lá, eu fiquei ainda mais fã da banda depois do show no Rio, que foi sensacional, então talvez minha opinião seja por demais parcial para ser levada em consideração.

Mas que se lasque. Se a Veja pode ser parcial pra caralho e ainda se declarar “a melhor revista semanal do país”, eu também posso ser parcial pra caralho e me declarar… hm, deixa ver, um título imponente… o melhor blogueiro bimestral do meu prédio.

É, dizer que eu sou o Bonaparte dos Baixos Trópicos talvez botasse mais moral.

Falando em Napoleão, Alizée e gostosas francesas com peixes na bunda, comecei a ler Os Miseráveis, do Victor Hugo. Antes dele li Crime e Castigo, do Dolsta, mas tô preferindo esse. Dostoiévsky era inteligente pra caralho, dava umas porradas servidas em determinados aspectos da sociedade, mas com toda a sutileza de um mestre Shaolin bicentenário que arranca seu olho sem te deixar perceber. Victor Hugo é mais jiujiteiro, chega enfiando a bicuda no joelho e leva pro chão pra finalizar. Sem sutileza, a sutileza que se foda. Nem cheguei na metade do livro, ainda, e se começar a transcrever aqui todos os trechos que sublinhei, fodeu-se, a Martin Claret vai acabar me processando. Depois coloco aqui o que achar mais importante. Falando também em Veja - desculpem por baixar o nível, prometo ser breve -, fico me perguntando se os mentecaptos que trabalham naquela bosta já leram tio Vitão. Porque não dá pra ler aquele livro e continuar um reaça escroto e socialmente desumano, que é o que são os “jornalistas” da Veja. O livro é ótimo e é necessário até hoje, o que é muito triste e muito preocupante. Me leva a crer que em 140 anos não crescemos nada.

O melhor personagem é um bispo que aparece no começo, monsenhor Bienvenu. Fosse eu um cristão, seria um cristão igual a ele. Porque cristianismo é um troço foda, não dá pra ser cristão e continuar vivendo como vivemos. É preciso abdicar de uma série de coisas em prol de outras, muito mais importantes. E não tô falando de parar de trepar, xingar e tomar goró pra entrar no céu, não. Isso é peixe pequeno - na bunda de francesas dançantes - perto das coisas que se deve fazer pra ser um cristão de fato. Eu sou meio extremista, não sei se já deu pra notar - eu sei que já deu pra notar, mas é bom fingir que não - e não saberia ser um cristão mais-ou-menos, desses preguiçosos, folgados, canalhas e escrotos que infestam a sociedade. Sabe, esses que usam a religião só pra justificar/expiar seus atos esdrúxulos. A maioria das pessoas faz as mesmas merdas repetidamente, pede perdão (os que pedem) e aí tornam a fazer. Ninguém realmente pára pra refletir, tenta evoluir um pouco, ser mais tolerante, essas porras todas que o cristianismo prega. Só sabe ficar naquela merda babaca que a igreja prega, de apontar pros outros dizendo “Cê vai pro inferno, pecador nojento, amante de Satanás! Você vai queimar na casa do capeta, bruxo do caralho, onanista filho da puta! Pagão maldito, deus te ama e vai te foder na outra vida até afiar as beiradas da sua bunda porque você não reza o mesmo tanto que eu, no mesmo lugar que eu, da mesma maneira que eu, pro mesmo cara que eu!”.

Religião é um assunto escroto e é um assunto extenso, mas infelizmente necessário e pouco discutido de forma apropriada. Eu devia escrever aqui algo sério a respeito, qualquer dia desses, coisa que costumava fazer há alguns anos. Mas sempre que essa idéia me ocorre, vem com ela a pergunta crucial que derruba minha vontade de fazer qualquer texto:

Pra quê?

Mas vale dizer que continuo achando que uma instituição que excomunga Leonardo Boff não pode representar nada de bom.

Sim, católicos, o que estou dizendo é que vocês servem a uma das instituições mais desumanas, ambiciosas, cruéis e maléficas do mundo. Entraria fácil num Top 5, com sérias chances de ganhar. E olha que a competição é acirrada: McDonalds e Coca-Cola estão no páreo (nem tenho nada contra a coca-cola ou mcdonalds, mas citar essas duas marcas como coisas “do mal” ajuda a manter a aura de comunistão que alguns acham que eu exalo).

Eu ia falar sobre qualquer outra coisa que nem lembro mais o que era, mas se você leu até aqui, acho que já deu pra encher seu saco, certo? Seja feliz com esse amontoado de besteiras. Se não conseguir separar nenhuma idéia, a partir de agora, pra fazer um texto sobre ela, e apenas ela, vou transformar numa prática comum isso de falar de tudo superficialmente. Ficarei, portanto, só na superfície.

Feito um peixe de bunda (virou idéia fixa, essa porra, não é possível!).