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As primeiras coisas primeiro: estreou, esta semana, o blog da H.O.M.E.M. - Honrada Organização Mundial dos Especialistas em Mulheres. Não me perguntem a razão, pois não a conheço, mas estou lá, integrando as fileiras dos que tentam construir uma ponte, montar uma tirolesa, alinhar uma catapulta, traçar um atalho, fazer qualquer coisa, enfim, numa tentativa - vã, se me permitem dizer - de cruzar esse milenar abismo que separa os sexos.

Imaginei que deixar meu cabelo crescer iria torná-lo mais comportado. Conclusão à qual cheguei seguindo aquela minha teoria que diz que cabelos, como pessoas, têm infância, adolescência e idade adulta. Ledo engano. Embora adulto ele se comporte melhor, o miserável ainda é um revolucionário. Um subversivo. Um maldito comunista. Cheio de vontades e exigências. Se é pra viver um inferno capilar, considerei cortá-lo, voltar a ter cabelos curtos (raspá-los, nunca, me falta a coragem). Então esse é meu dilema atual. Peço às mulheres que porventura leiam esse blog que opinem: devo deixá-los compridos, como estão? Ou curtos? Para ajudar na formação de uma opinião mais ponderada, seguem fotos minhas antes e depois de deixar o cabelo crescer.

Curto:
Antes
Comprido:
Depois
Queria entender que poder é esse que o sax tem de tornar qualquer música absurdamente, profundamente, indescritivelmente BREGA. Você pegue, por exemplo, o tema de amor de Cinema Paradiso, que é das coisas mais lindas do mundo, de deixar com lágrimas nos olhos mesmo o mais furioso espancador de mulheres. Toque em um violão e é uma música sensacional. Toque ao piano e é espetacular. Toque ao violino e não esqueça de distribuir lenços à platéia. Toque em um sax… e me arranje um saco de vômito!

Falando nisso, onde eu estava em março desse ano, que não ouvi falar que o Ennio Morricone vinha fazer um concerto no Brasil? E agora, quando vou ter outra oportunidade de ver o velhinho tocando ao vivo? Não vou me perdoar se o maestro for pra cova antes que eu tenha visto uma apresentação dele!

Estudei feito um corno nos últimos dois meses, na esperança de conseguir nota para me livrar de duas matérias da faculdade nas quais estava meio pendurado (precisando tirar acima de 9 na segunda parcial, de modo a não ficar para a prova final e entrar de férias mais cedo). Consegui. Por outro lado, retirei da minha lista de prioridades as outras três matérias, porque tive boas notas nelas na primeira parte do semestre. Resultado? Lógica de Programação - que me rendeu um 9,5 na primeira parcial - me enrabou com força, com vontade, com areia e limalha de ferro nessa segunda fase. Que bonito, que beleza.

A faculdade chama essas parciais de “bimestre”. Mas, em primeiro lugar, um período de faculdade é um semestre, então deveria ser dividido em dois trimestres. E, em segundo lugar, bimestre é coisa de ensino fundamental/médio. Chamo de parciais, etapas, fases, aquelas-merdas-de-períodos-intermináveis-de-avaliações e etc.

Saiu CD novo do Keane, Perfect Symmetry (do qual já falei) e também do Killers, Day & Age, do qual falo agora: o que há com esses caras, afinal de contas? A cada novo CD, eles parecem retornar mais e mais para meados dos anos 80. Por deus, eu vi os revivals dos anos 70 durante minha adolescência e já me causaram sofrimento suficiente. Temos MESMO que fazer isso? Relembrar e tentar retornar às décadas anteriores? Não podemos simplesmente seguir em frente? O único empreendimento humano a retornar aos anos 80 da forma correta foi GTA Vice City (e sua versão PSPística, da qual eu pretendo falar qualquer dia, Vice City Stories), e por uma razão bem simples: porque não levou a sério nada daquela merda, ridicularizando-a sempre que possível.

Perdi 8kg nas últimas semanas, descendo de 79kg para 71kg. Não foi nada planejado, simplesmente aconteceu. Ao contrário da crença comum, entretanto, perder peso quando você é ocioso não queima as gorduras, tornando sua antes incipiente barriga em um notável bucho. Só o exercício pode acabar com sua pochetona. Com isso em mente, utilizei meu 13º em uma importante aquisição: cumprimentem Libertina (Tina, para os íntimos).

LiberTina
Quase uma década após a morte de Clementina, minha bicicleta anterior, deixei para trás meu luto e arranjei nova companheira. Agora só me falta um MP3 Player (o meu, vejam que trágico!, voou contra a parede de forma inexplicável!) e o eixão do lazer será meu habitat aos domingos.

Me assusta a absurda quantidade de blogs falando da vida dos outros que existem e fazem sucesso. Me refiro a páginas como a “te dou um dado?”, “papelpop” e assemelhados. Não entendo como uma pessoa pode ser tão limitada a ponto de não só criar um blog com o objetivo específico de ser uma variante online da Contigo!, mas ainda levar essa abordagem a um nível completamente novo: não basta falar da vida das pessoas, é preciso fazer isso de forma estupidamente cruel e escarninha. É um termo que evito a todo custo usar, mas tal despeito me leva a crer que o verdadeiro combustível dessas pessoas é a inveja, pura e simples. Diante da impossibilidade de chegar àquele lugar, por que não cuspir em quem se encontra ali? O fato dos “escritores” - se é que o termo se aplica - desses blogs serem gays e mulheres feias em sua maioria só torna maior a plausibilidade (opa!) da minha teoria. Mas ainda preciso considerar a questão com maior cuidado.

Em tempo: sou completamente contra esse mercado de jornalismo fofoqueiro, cujo produto a ser vendido é a vida dos outros. Os defensores dessa palhaçada argumentam que muitos dos que estão na posição de “celebridade” contratam fotógrafos para segui-los e vender as imagens, conseguindo, assim, um lugar melhor sob os holofotes. Não me interessa. Como não me interessa o outro argumento muito usado nesses casos: “as pessoas querem saber”. As pessoas querem um monte de coisas que a lei proíbe, simplesmente porque as pessoas querem mesmo é ver o ôco. O fato de haver demanda não significa que deva haver o serviço! Esse é um dos que ainda não foram proibidos, mas serão, se a humanidade de fato estiver ficando mais sábia com o passar do tempo. Coisa que eu duvido, ou seja, essa merda ainda vai crescer muito até alguém perceber que é preciso dar cabo de tanto desrespeito e cretinice de uma vez por todas. Daí os viados e as mocréias vão ter que arranjar outro passatempo. Quem sabe não experimentem tornar suas próprias vidas menos patéticas? Ah, a esperança. Não é à toa que este blog tem “utopia” no nome…

Mack The Knife

Oh, the shark has pretty teeth, dear
And it shows them pearly white
Just a jackknife has MacHeath, dear
And he keeps it out of sight

When that shark bites with his teeth, dear
Scarlet billows start to spread
Fancy gloves, though, wears MacHeath, dear
So there’s never, not a trace of red

On the sidewalk, sunday morning,
Lies a body oozin’ life,
Someone’s sneakin’ ‘round the corner
Is this someone Mack the Knife?

From a tugboat, down the river
A cement bag’s ‘drooppin’ down
Yes, the cement’s for the weight, dear
Bet you Mack is back in town<

Yeah Louie Miller disappeared here,
After drawin' out all his cash
And MacHeath spends like a sailor
Did our boy do somethin' rash?<

Sukey Tawdry, Jenny Diver,
Lotte Lenya, sweet Lucy Brown...
Oh, the line forms on the right, dear
Now that Macky's back in town


O que eu posso dizer? São as histórias sobre os facínoras que me agradam mais. (e como uma música tão sinistra pode ser tão bonitinha… ah, isso é definitivamente um mistério!)

Dos paradigmas inesperadamente quebrados

Essa primeira música do Perfect Symmetry, cd novo do Keane, é de longe a coisa mais bicha que eu já ouvi.

[Atualização:] Quem duvida de minhas afirmações peremptórias ou apenas deseja saciar sua curiosidade pode ouvir a música aqui.

Leaving so soon?

You look down at me
Don’t you look down at me now
You don’t know me at all
A slap in the face, in the face for you now
Just might do now

You’re leaving so soon?
Never had a chance to bloom
But you were so quick to change your tune
Don’t look back if I’m a weight around your neck
Cause if you don’t need me, I don’t need you.

Interpretações musicais

Há algum tempo (mais de um ano, mas porra, não me lembro exatamente quando foi, então abro o texto com essa afirmação imprecisa e foda-se) fui apresentado a um texto de um sujeito que estabelecia uma teoria a respeito de Cake. Não, não os bolos. A banda. De acordo com a teoria dele, Cake é uma banda formada pelo diabo (peraí que não é blábláblá de cristão paranóico) e todas - ou quase todas - as músicas tratam do relacionamento do Inimigo com deus.

A página é esta aqui. Está em inglês, como você há de notar ao abrir, e é terrivelmente bem embasada. Crenças religiosas à parte, o cara teve uma sacada notável! Embora ele cite só umas 15 músicas, consigo pensar em pelo menos meia dúzia de outras que se encaixam perfeitamente na idéia, dentre elas algumas que só saíram em CD’s lançados após a publicação do texto. Então ou a Cascavel das Sete Ventas não tá ciente que foi descoberta, ou simplesmente não dá a mínima pro fato de ter sido desmascarada.

O texto desse cara me jogou num barato que eu não costumava ter: passei a procurar teorias malucas a respeito do verdadeiro sentido de coisas que eu gosto (filmes, músicas, discos…), sejam elas verdadeiras ou não. Tem um site cujo endereço eu esqueci (devo ter em algum histórico do MSN, mas, porra, mó preguiça de procurar…), também em inglês, só sobre interpretações de músicas, que já me fez pensar, uma ou outra vez, “porra, isso é coerente, como é que nunca enxerguei essa possibilidade antes?”. Uma sensação ao mesmo tempo legal e ruim de se ter.

Mas, no geral, as pessoas só falam merda por lá, então não é tão ruim assim que eu não lembre a url.

De todo modo, brincando de caçar histórias a respeito das músicas e das bandas que gosto, fiquei sabendo (há quase um ano, e desde então estou pra escrever sobre isso aqui, mas e a preguiça?) que The Killers têm três músicas que formam uma história, conhecidas como a Trilogia do Assassinato (a banda se chama OS MATADORES, cacete, o que você esperava?). A tal trilogia é formada, respectivamente, pelas letras de Leave the Bourbon on the Shelf, Midnight Show e Jenny Was a Friend of Mine. A primeira delas só saiu no último cd (Sawdust, 2007), enquanto as duas primeiras foram lançadas no Hot Fuss, em 2005.

É, sempre sob o ponto de vista do criminoso, uma história a respeito de como ele matou a namorada. A primeira apresenta as razões, a segunda narra o acontecimento e a terceira trata do interrogatório do cara. Muito se discute pela internet a respeito dos comos e dos porquês, e eu, no fim das contas, influências Hitchcockianas correndo soltas pela cachola, acabei por estabelecer minha versão dos fatos, que compartilho agora (ao menos a primeira parte):

1. Leave the Bourbon on the Shelf:

A miserável foi embora. Não bastasse isso e toda a desenvoltura que demonstrou ao fazê-lo, ainda por cima se vangloria de ter se mudado pra um lugar melhor.

Shakin’ like the devil when she lets me go
Got a new place an how it’s so much better…

Enquanto isso, caído no sofá, com uma garrafa de bourbon vazia no chão, um pobre infeliz, com a televisão ligada, sem dar a menor atenção pro aparelho, relembra os acontecimentos recentes da vida dele, em particular os últimos momentos que passou com a ex-namorada. Ele desliga a TV e ri pra não chorar.

Falling over myself, the television’s on
I turn it off and smile.

Entre um e outro gole do que sobrou do goró, ele amarga os instantes finais, quando, tentando convencê-la a não ir, implorou como um cão. Num último ato desesperado de orgulho, entretanto, acabou por enxotá-la com grosseria.

Oh, Jennifer
You know I always tried
Before you say goodbye…
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself

Percebendo que tinha mandado a mulher embora, cagando tudo de uma vez, tentou imediatamente voltar atrás com declarações rasgadas de amor incontido.

And I love you endlessly
Darling, don’t you see?
I’m not satisfied untill I hold you tight

Não adiantou nada, entretanto, e ela partiu assim mesmo. Em seus momentos de embriaguez, tomado por uma coragem que só o álcool traz, ele ligou para ela, tentando convencê-la a voltar, a dar mais uma chance, só mais uma, e prometendo se comportar, tornar-se um homem sério, parar de beber, arranjar um emprego.

A resposta dela, sempre, era “Não tenho tempo pra isso agora”.

Enquanto isso, a senhoria tocava a campainha, para cobrar do bebum oprobrioso o aluguel atrasado.

Give me one more chance tonight
And I swear I’ll make it right.
But you ain’t got time for this
And that wreckin bell is ringin

Cansado de ter o telefone desligado na cara, ele resolveu ir atrás dela. Enquanto repassava mentalmente as coisas que iria dizer, viu a mulher ao longe, caminhando de mãos dadas com um desconhecido. Subitamente, sentiu o chão sumir sob seus pés.

And I’m not satisfied
Until I hold you…
Jennifer, tell me where I stand
And who’s that boy
Holdin’ your hand?

Ficou possesso. Então ela esqueceu, assim, de repente, tudo o que ele já havia feito por ela? Bah. Maldita vagabunda. Pois que fosse embora. Ele tinha a bebida, não precisava de mais nada, que dirá de uma piranha promíscua com escova progressiva, que dava pra qualquer imbecil!

Oh, Jennifer, you know I’ve always tried.
Before you say goodbye
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I never liked your hair
Or those people that you lie with

Pensando nisso tudo, ele curte no sofá uma fossa sem tamanho. Porque, por increça que parível, ele ama ferozmente aquela desgraçada. E a quer de volta.

But I’m not satisfied
Until I hold you tight
And I love you endlessly
Darling don’t you see
I can’t be satisfied
Until I hold you tight.

Mas ela não volta, então ele bebe sozinho. E, bêbado, tem um vislumbre de como resolver essa situação. Porque do jeito que está não pode ficar. Ele a ama e não está satisfeito…

Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I love you endlessly
Darling don’t you see?
I’m not satisfied.

Infidelity

Toca Regina Spektor na novela das 8 da globo!

Regina Spektor, para quem não conhece, é uma cantora cujas letras lembram aquelas abominações musicais da Phoebe Buffay, de Friends, e que se veste igual à Olívia Palito. Aquela, do Popeye.

Regina Spektor também é uma dessas cantoras idolatradas por pessoas alternativas que gostam de músicos que ninguém conhece.

Me diverte ficar imaginando os fãs da moça espumando de ódio, ao ver um de seus ícones sendo apresentados ao grande público. Mais legal que isso, só se ela vier ao Brasil fazer shows e as apresentações ficarem superlotadas de fãs instantâneos!