Essa primeira música do Perfect Symmetry, cd novo do Keane, é de longe a coisa mais bicha que eu já ouvi.
[Atualização:] Quem duvida de minhas afirmações peremptórias ou apenas deseja saciar sua curiosidade pode ouvir a música aqui.
Senta que lá vem a história.
Essa primeira música do Perfect Symmetry, cd novo do Keane, é de longe a coisa mais bicha que eu já ouvi.
[Atualização:] Quem duvida de minhas afirmações peremptórias ou apenas deseja saciar sua curiosidade pode ouvir a música aqui.
You look down at me
Don’t you look down at me now
You don’t know me at all
A slap in the face, in the face for you now
Just might do now
You’re leaving so soon?
Never had a chance to bloom
But you were so quick to change your tune
Don’t look back if I’m a weight around your neck
Cause if you don’t need me, I don’t need you.
Há algum tempo (mais de um ano, mas porra, não me lembro exatamente quando foi, então abro o texto com essa afirmação imprecisa e foda-se) fui apresentado a um texto de um sujeito que estabelecia uma teoria a respeito de Cake. Não, não os bolos. A banda. De acordo com a teoria dele, Cake é uma banda formada pelo diabo (peraí que não é blábláblá de cristão paranóico) e todas - ou quase todas - as músicas tratam do relacionamento do Inimigo com deus.
A página é esta aqui. Está em inglês, como você há de notar ao abrir, e é terrivelmente bem embasada. Crenças religiosas à parte, o cara teve uma sacada notável! Embora ele cite só umas 15 músicas, consigo pensar em pelo menos meia dúzia de outras que se encaixam perfeitamente na idéia, dentre elas algumas que só saíram em CD’s lançados após a publicação do texto. Então ou a Cascavel das Sete Ventas não tá ciente que foi descoberta, ou simplesmente não dá a mínima pro fato de ter sido desmascarada.
O texto desse cara me jogou num barato que eu não costumava ter: passei a procurar teorias malucas a respeito do verdadeiro sentido de coisas que eu gosto (filmes, músicas, discos…), sejam elas verdadeiras ou não. Tem um site cujo endereço eu esqueci (devo ter em algum histórico do MSN, mas, porra, mó preguiça de procurar…), também em inglês, só sobre interpretações de músicas, que já me fez pensar, uma ou outra vez, “porra, isso é coerente, como é que nunca enxerguei essa possibilidade antes?”. Uma sensação ao mesmo tempo legal e ruim de se ter.
Mas, no geral, as pessoas só falam merda por lá, então não é tão ruim assim que eu não lembre a url.
De todo modo, brincando de caçar histórias a respeito das músicas e das bandas que gosto, fiquei sabendo (há quase um ano, e desde então estou pra escrever sobre isso aqui, mas e a preguiça?) que The Killers têm três músicas que formam uma história, conhecidas como a Trilogia do Assassinato (a banda se chama OS MATADORES, cacete, o que você esperava?). A tal trilogia é formada, respectivamente, pelas letras de Leave the Bourbon on the Shelf, Midnight Show e Jenny Was a Friend of Mine. A primeira delas só saiu no último cd (Sawdust, 2007), enquanto as duas primeiras foram lançadas no Hot Fuss, em 2005.
É, sempre sob o ponto de vista do criminoso, uma história a respeito de como ele matou a namorada. A primeira apresenta as razões, a segunda narra o acontecimento e a terceira trata do interrogatório do cara. Muito se discute pela internet a respeito dos comos e dos porquês, e eu, no fim das contas, influências Hitchcockianas correndo soltas pela cachola, acabei por estabelecer minha versão dos fatos, que compartilho agora (ao menos a primeira parte):
1. Leave the Bourbon on the Shelf:
A miserável foi embora. Não bastasse isso e toda a desenvoltura que demonstrou ao fazê-lo, ainda por cima se vangloria de ter se mudado pra um lugar melhor.
Shakin’ like the devil when she lets me go
Got a new place an how it’s so much better…
Enquanto isso, caído no sofá, com uma garrafa de bourbon vazia no chão, um pobre infeliz, com a televisão ligada, sem dar a menor atenção pro aparelho, relembra os acontecimentos recentes da vida dele, em particular os últimos momentos que passou com a ex-namorada. Ele desliga a TV e ri pra não chorar.
Falling over myself, the television’s on
I turn it off and smile.
Entre um e outro gole do que sobrou do goró, ele amarga os instantes finais, quando, tentando convencê-la a não ir, implorou como um cão. Num último ato desesperado de orgulho, entretanto, acabou por enxotá-la com grosseria.
Oh, Jennifer
You know I always tried
Before you say goodbye…
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
Percebendo que tinha mandado a mulher embora, cagando tudo de uma vez, tentou imediatamente voltar atrás com declarações rasgadas de amor incontido.
And I love you endlessly
Darling, don’t you see?
I’m not satisfied untill I hold you tight
Não adiantou nada, entretanto, e ela partiu assim mesmo. Em seus momentos de embriaguez, tomado por uma coragem que só o álcool traz, ele ligou para ela, tentando convencê-la a voltar, a dar mais uma chance, só mais uma, e prometendo se comportar, tornar-se um homem sério, parar de beber, arranjar um emprego.
A resposta dela, sempre, era “Não tenho tempo pra isso agora”.
Enquanto isso, a senhoria tocava a campainha, para cobrar do bebum oprobrioso o aluguel atrasado.
Give me one more chance tonight
And I swear I’ll make it right.
But you ain’t got time for this
And that wreckin bell is ringin
Cansado de ter o telefone desligado na cara, ele resolveu ir atrás dela. Enquanto repassava mentalmente as coisas que iria dizer, viu a mulher ao longe, caminhando de mãos dadas com um desconhecido. Subitamente, sentiu o chão sumir sob seus pés.
And I’m not satisfied
Until I hold you…
Jennifer, tell me where I stand
And who’s that boy
Holdin’ your hand?
Ficou possesso. Então ela esqueceu, assim, de repente, tudo o que ele já havia feito por ela? Bah. Maldita vagabunda. Pois que fosse embora. Ele tinha a bebida, não precisava de mais nada, que dirá de uma piranha promíscua com escova progressiva, que dava pra qualquer imbecil!
Oh, Jennifer, you know I’ve always tried.
Before you say goodbye
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I never liked your hair
Or those people that you lie with
Pensando nisso tudo, ele curte no sofá uma fossa sem tamanho. Porque, por increça que parível, ele ama ferozmente aquela desgraçada. E a quer de volta.
But I’m not satisfied
Until I hold you tight
And I love you endlessly
Darling don’t you see
I can’t be satisfied
Until I hold you tight.
Mas ela não volta, então ele bebe sozinho. E, bêbado, tem um vislumbre de como resolver essa situação. Porque do jeito que está não pode ficar. Ele a ama e não está satisfeito…
Leave the bourbon on the shelf
And I’ll drink it by myself
And I love you endlessly
Darling don’t you see?
I’m not satisfied.
Toca Regina Spektor na novela das 8 da globo!
Regina Spektor, para quem não conhece, é uma cantora cujas letras lembram aquelas abominações musicais da Phoebe Buffay, de Friends, e que se veste igual à Olívia Palito. Aquela, do Popeye.
Regina Spektor também é uma dessas cantoras idolatradas por pessoas alternativas que gostam de músicos que ninguém conhece.
Me diverte ficar imaginando os fãs da moça espumando de ódio, ao ver um de seus ícones sendo apresentados ao grande público. Mais legal que isso, só se ela vier ao Brasil fazer shows e as apresentações ficarem superlotadas de fãs instantâneos!
Sério, que porra é essa última música do Coldplay? O que vem a ser aquilo? Qual o cabimento de uma narrativa sobre a tomada de Jerusalém por um exército de romanos feita por um suposto ex-líder mundial?
Chris Martin sempre beirou a esquizofrenia, mas acredito que ficar ali, na linha do absurdo, cansou o cidadão. Ele resolveu mergulhar de cabeça no profundo abismo dos devaneios com encarnações de personalidades históricas. Qual será o próximo passo? Escrever uma música narrando, sob o ponto de vista de Napoleão, sua infeliz derrocada diante dos ingleses em Waterloo?
A grande discussão a respeito dessa música gira em torno dela ser ou não o plágio de uma canção tão fraquinha - porém grudenta - quanto, composta por uma versão bigoduda do Chris Crocker, ou de uma outra música com a qual, na minha humilde opinião, guarda semelhanças muito maiores, do guitarrista Joe Satriani. Considero falho esse ponto, entretanto. A luz está sendo jogada em aspectos muito pouco importantes. O que deveria de fato ser mencionado, não o é: que tipo de produtor estúpido não só aprova como distrubui, como música de trabalho, uma letra cujo refrão fala de cavalarias romanas, espadas e escudos em cerco a uma cidade medieval?
É como gravar e distribuir, como se fossem coisa séria, as hoedowns e irish drinking songs de Whose Line Is It, Anyway?: fica engraçado em um programa de comédia, mas, fora daquele contexto, é só mais uma porcaria qualquer empurrada goela abaixo da população à base de repetições ad nauseam.
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