Archive for the 'nerdice' Category

Das mudanças (e assuntos menos - ou nada - relacionados)

Pois então, mudei-me. Não falei disso por aqui ainda porque, como parece evidente, isto não é um diarinho. Menciono pouco da minha vida neste recôndito imundo e me sinto mais confortável assim. Mas, para fins de explicação do assunto a seguir, tal informação pessoal vem a calhar. Pois retornemos, então: mudei-me. Morava antes em um confortável apartamento de primeiro andar no meio da civilização. Caminhava 50 metros, estava na Subway. Se andasse 100, chegaria a um Carrefour Bairro. Ao lado dele havia uma Domino’s e um Bob’s, próximos a um Itaú, um Banco do Brasil e um Santander. A parada de ônibus mais próxima ficava a 3 minutos a pé e havia um posto policial ao alcance da vista. Todas as instituições sociais - mesmo as mais desagradáveis - ficavam ali, ao imediato alcance das minhas pernas. Nunca senti necessidade de ter um carro ou qualquer vontade de ter carteira. O negócio é que me mudei…

Agora vivo em um condomínio que fica a 20 minutos - de carro - das fronteiras do mundo civilizado. De ônibus, coloque aí uns 30 ou 40. Até existe uma padaria próxima à minha casa, mas vai ver a qualidade! E tem um mercadinho também, e o INHO que sucede o termo não é meramente ilustrativo, em verdade, em verdade vos digo. Vivo em um lugar aprazível, cheio de pássaros, em uma adorável casa com piscina (logo, logo), próxima a um bosque (não tô zoando, tem um bosque MESMO) que oculta a nascente de um regato e até - vejam que belo! - algumas cachoeiras. Um lugar bucólico!

A sucursal do inferno para um homem urbano que curte caminhar de madrugada. Meu caso.

Então agora terei que tirar carteira, porque da porta do meu condomínio até minha casa são - subida acima - 13 minutos de caminhada. No meu passo de oficial da SS a caminho da execução de judeus, claro. No passo de uma pessoa normal - e pessoas normais caminham como judeus indo para a câmara de gás, para manter a analogia dentro do mesmo evento histórico - vão bem uns 20 minutos. A vantagem disso é que poderei ter um cachorro. A desvantagem é que terei que tirar carteira. E ter um carro.

Agora vem a parte curiosa, que funciona assim desde meus 18 anos: todo mundo que faz essa idade pensa “Legal, poderei tirar carteira e ter um carro” e fica feliz feito pinto no lixo. Essas pessoas pensam na idéia de ter uma CNH e possuir um veículo e vêem nisso um porrilhão de vantagens. Ok, eu até sei que existem as vantagens, mas tudo o que me ocorre são as desvantagens. Diga-me que terei um carro e tudo o que consigo pensar é em custo de seguro, preço de IPVA, anos de prestações para quitar o veículo, desembolsar grana pra gasolina, ter que me sujeitar à encheção de saco do Detran, aturar blitzes, encarar trânsito, procurar vagas em estacionamentos, ter aborrecimentos inenarráveis com batidas estúpidas, atropelar bêbados que surgem repentinamente vindos das sombras… Pessimista, eu?

E, dirigindo, quando é que me ocorreria a idéia que se abateu sobre mim ontem? Subia eu a rua que conduz à minha atual residência, acompanhem-me nessa. Logo antes da esquina em que viro pra chegar à minha casa, há esse terreno onde um sujeito construiu um caixote. É uma casa retangular, tipo 20m x 5m, de 2 andares. Arquitetonicamente falando, é uma caixa feita de concreto. Não tem uma varanda, um telhado que se projete da fachada, nada. Apenas as 4 paredes, um número padrão de janelas e uma porta.

A questão é: não existe UMA entrada/saída da casa além da porta que lhe adorna a frente. Isso quer dizer que no caso de um cataclisma de zumbis, é o lugar mais protegido para se estar naquele condomínio. Talvez na cidade toda. A porta é de metal, as janelas idem, e gradeadas. É uma fortaleza inexpugnável contra criaturas semi-inteligentes, incapazes de apelar para ferramentas. Com um bom estoque de alimentos não-perecíveis dentro daquela caixa de concreto, amigo, é possível viver por ANOS. Não sei o que o arquiteto que desenhou aquele lugar tinha em mente, mas se era a sobrevivência a um holocausto de desmortos, temos aí um gênio ao qual devemos certo respeito. Pergunte-me para onde correrei no dia em que os mortos caminharem sobre a terra e direi, sem pestanejar: “Para o próximo quarteirão, levando comigo um saco de mantimentos e algo para esmigalhar crânios pelo caminho.”

O negócio é chegar lá sem ser mordido, mas qualquer coisa eu sacrifico o cachorro, se a situação ficar crítica. Funcionou com o Will Smith, funcionará comigo.

Das Relações Análogas

Boa parte das mulheres olha para um controle de Playstation e não vê nada além de um aparelho eletrônico cheio de botões, utilizado para inserir comandos - freqüentemente complexos - em um jogo difícil de compreender. Na cabeça delas não faz o menor sentido as diferenças e sutilezas dos controles de um Street Fighter da vida, por exemplo. Como assim meia lua pra frente e X solta um Hadouken mais lento e meia lua pra trás e bola solta um tetsurugen mais rápido? Que negócio é esse de combo médio e combo forte? Por que às vezes ele pula só um pouquinho e de vez em quando ele salta como se não existisse mais gravidade?

Os homens, por outro lado, têm maior facilidade com esses sistemas de diferenciação de comandos por pura convivência. Mulheres são exatamente assim: cheias de botões - alguns em locais improváveis e de difícil acesso, qual um controle de Nintendo 64 -, e reagem de forma diferente dependendo da seqüência, freqüência e intensidade com a qual eles são pressionados. Existem as “cheatadas”, nas quais tudo o que é preciso fazer é mandar ver um R2+L2 pra soltar um especial e pronto, mas a maior parte exige um pouco mais de controle digital, coordenação motora e atenção do jogador, caso ele se interesse em estabelecer uma pontuação realmente alta de modo a deixar seu nome marcado no hall da fama. O fato é que depois que você aprende a manusear uma mulher de forma eficiente, vai por mim, não existe King of Fighters da vida que seja suficientemente desafiador.

É por isso que as fêmeas, em geral, sentem falta do bom e velho Atari. Apenas mexer um cacetinho de um lado pro outro e com isso controlar completamente um sistema faz muito mais sentido na cabeça delas…

Dos compartilhamentos

É o seguinte: eu tenho essa collector’s account no Rapidshare, que criei pra poder upar a trilha sonora de Cowboy Bebop pra um amigo, há alguns meses (quando fiz aquele post falando a respeito da atrocidade que o Keanu Reeves tem em mente e tal).

O negócio é que o Rapidshare, apesar de toda a praticidade que trouxe à vida de quem quer compartilhar arquivos com um porrilhão de gente, também tem lá suas limitações. Não posso simplesmente colocar um link pra minha conta aqui e deixar que quem quiser vá lá conferir os últimos uploads, por exemplo. Tenho que sair distribuindo links a torto e a direito, e é esse o objetivo deste post. Colocarei uma série de links pra coisas que tive que colocar lá, por diversos motivos. Meu msn de viadagem com envios, arquivos de tamanhos absolutamente intoleráveis pra uma transferência online via instant messenger, etc.

Vocês vão notar que só compartilhei links de mp3, porque é o que eu mais tenho lá. As outras porcarias (legendas pra episódios específicos de séries, os episódios em si e etc) são muito pontuais. De que adianta eu distribuir um link pro quarto episódio da segunda temporada de Spectacular Spider-man pra quem não viu todos os outros 16 capítulos da série (13 da primeira temporada e os outros 3 da segunda)? Oras.

A bitrate da maior parte das músicas é 128kbps, salvo aquelas que escaparam ao meu crivo. Música “em alta definição” é viadagem. Não vou gastar mais 40, 50 mega de espaço por CD no meu HD graças a uma suposta “maior qualidade”, totalmente imperceptível a ouvidos humanos. Se for pra baixar música pro seu cachorro, daí eu até sugiro que você procure por algo em 320kbps. Do contrário, deixa de ser fresco.

Pois chega de conversa fiada, tomem aí:

Cowboy Bebop - OST 1

01 - Tank!
02 - Rush
03 - Spokey Dokey
04 - Bad dog, no biscuits
05 - Cat blues
06 - Cosmos
07 - Space lion
08 - Waltz for Zizi
09 - Piano black
10 - Pot city
11 - Too good, too bad
12 - Car 24
13 - The egg and I
14 - Felt tip pen
15 - Rain
16 - Digging my potato
17 - Memory

Cowboy Bebop - OST 2: No Disc

01 - American money
02 - Fantaisie sign
03 - Don’t bother none
05 - Live in Baghdad
07 - Want it all back
08 - Bindy
09 - You make me cool
11 - Green bird
12 - ELM
14 - Gateway
15 - The singing sea
16 - The egg and you
17 - Forever broke
18 - Power of kung-food

Cowboy Bebop OST 3: Blue

01 - Blue
02 - Words that we couldn’t Say
03 - Autumn in Ganymede
04 - Mushroom hunting
05 - Go go cactus man
06 - Chicken bone
07 - The real man
08 - N.Y. Rush
09 - Adieu
10 - Call me, call me
11 - Ave Maria
12 - Stella by moor
13 - Flying teapot
14 - Wo qui non coin
15 - Road to the west
16 - Farewell blues
17 - See you space cowboy

Cowboy Bebop - Knockin’ On Heaven’s Door OST - Future Blues

01 - 24hours OPEN
02 - Pushing the sky
03 - Time to know~Be waltz
04 - Clutch
05 - Musawe
06 - Yo pumpkin head
07 - Diggin’
08 - 3.14
09 - What planet is this?!
10 - 7minutes
11 - Fingers
12 - Powder
13 - Butterfly
14 - No reply
15 - Dijurido
16 - Gotta knock a little harder
18 - Rain (demo ver.)

Ask DNA / Cowgirl Ed / Vitaminless (são 3 cds pequenos, coloquei todos no mesmo pacote)

Vitaminless:
01 - The real folk blues
02 - Odd ones
03 - Doggy dog
05 - Spy
07 - Piano Bar I
08 - Black coffee

Cowgirl Ed:
01 - Goodnight Julia
02 - Papa plastic
03 - Telephone shopping
04 - Kabutoga ni kodai no sakana
05 - Slipper sleaze
06 - 23 hanashi

Ask DNA:
01 - What Planet Is This?
02 - Ask Dna
03 - Cosmic Dare (Pretty With A Pistol)
04 - Hamduche
05 - Is It Real?

Cowboy Bebop Special CD Box:

CD 1
CD 2
CD 3
CD 4

Não vou listar as músicas por CD, é coisa pra cacete. Basta saber que o CD 1 tem algumas inéditas e algumas versões de outras já lançadas (a versão pra TV de Tank!, versões alternativas de Spokey Dokey e Diggin My Potato, etc). O CD 2 mantém a política de versões alternativas, mas é composto quase inteiramente por diálogos, que eu fiz questão de suprimir. O CD 3 tem versões prolongadas de algumas músicas, alternativas de outras e algumas inéditas. E o CD 4 vem com versões ao vivo, gravadas em shows dos Seatbelts.

São fodões, baixe todos.

Algumas músicas soltas, que foram pro rapidshare graças a surtos de viadagem do meu MSN:
Tommy Dorsey - On the sunny side of the street
Avenue Q - The internet is for porn
M. Ward - Chinese translation

A primeira é uma daquelas antigaças, onde dá pra ouvir até mesmo o chiado da vitrola. Mas é boa de se ouvir, se você tiver um espírito octogenário, como o meu. A segunda eu conheci graças a um vídeo de World of Warcraft (NERD ALERT! NERD ALERT!) e ri tanto que fui atrás pra baixar. A terceira… porra, a terceira é fodaça e merecia ser distribuída só por isso. E se você curtir M. Ward, fiz um apanhado de algumas outras dele - minhas preferidas, logicamente - pra mandar pra uma amiga. Tá aqui.

Também tenho dois arquivos com as minhas favoritas do Cake. Se quiser saber quais são, baixe e ouça.

E a discografia completa do Killers:

Hot Fuss
Sam’s Town
Sawdust
Day & Age

É, por enquanto é isso. Quem quiser, sinta-se livre para arrombar sua taxa de transferência. E se quiser discutir gosto musical, questionar por que eu botei a músixa X do Cake, que você considera fraca, e não botei a Y, que você considera foda, ou por que eu te fiz perder tempo baixando isso ou aquilo, que você achou uma merda… meu msn e e-mail estão por aí. Procure e vamos bater boca amistosamente, há de ser divertido.

Beijundas.

Dos princípios quânticos aplicados

- Oi.
- Oi.
- Poxa, tava lembrando agora daquela nossa conversa de ontem.
- Lembrando do quê?
- Da conversa. Foi ótima.
- Ué, foi igual às que tivemos nos outros dias.
- É, foi, mas foi… sei lá, foi diferente.
- Não pode ter sido igual e diferente.
- Ah, ontem foi tão legal!
- Então nos outros dias foi um saco?
- Não, é que ontem… ontem foi diferente, pô.
- Desenvolva.
- Eu não sei explicar.
- Você sabe. Não quer. Mas sabe. Eu desenvolvo, então.
- Então desenvolve.
- Você achou que ontem foi tão legal porque está irresistivelmente atraída por mim.
- …
- Não é?
- Quem disse isso?
- Eu disse, agorinha mesmo. Acabei de dizer.
- E de onde você tirou essa idéia?
- Não era uma idéia.
- Não?
- Não.
- O que era?
- Uma sugestão.
- Não tô entendendo.
- É o princípio da incerteza.
- Entendi menos ainda.
- Você conhece o princípio da incerteza?
- Hm… não.
- É uma teoria da física quântica que diz - e essa é uma explicação a grosso modo - que, ao determinar a posição de um elétron, por exemplo, o instrumento de medida usado para definir essa posição irá alterar a posição ou velocidade do elétron.
- Você… você tem idéia do quanto isso não faz sentido aqui?
- Faz, sim. É que você não tá pensando de forma análoga.
- Eu ainda nem entendi o que você quer dizer!
- O que eu quero dizer é que quanto mais precisa for a medida de um fato, maior a chance de você obter não um resultado exato e atual, mas um resultado exato de como as coisas eram ANTES da sua intervenção para descobrir como as coisas eram. A partir do momento em que você intervém, você sabe como elas eram, mas não como elas são. E você precisa se lembrar que somos constituídos de partículas subatômicas, o que significa que, em algum grau, o princípio da incerteza também se aplica a nós.
- E onde entra sua sugestão, nisso tudo?
- Bom, isso já foi algum trabalho de dedução da minha parte. Você nunca disse que NÃO queria ficar comigo ou que NÃO estava atraída, e eu presumi, ao te ver me tratando dessa forma tão desembaraçada, que: 1) você nunca parou pra considerar a idéia de me ver interpretando o que você sente por mim como atração e reagindo positivamente a respeito, ou 2) você já considerou e era exatamente sua intenção. Como não te acho uma criatura dissimulada, do contrário nem perderia meu tempo falando com você, vou descartar a segunda hipótese. Tá acompanhando?
- Tô. E isso até que faz sentido.
- Então, se você nunca parou pra pensar em como reagiria caso eu achasse que você está dando em cima de mim, você ainda não tinha estabelecido, dentro da sua cabeça, que a idéia de ficar comigo é repulsiva. Do contrário, agiria de maneira mais contida, de forma a não nos conduzir a uma situação desagradável. A menos, claro, que você seja totalmente inconseqüente, o que significa ser bastante estúpida, coisa que eu sei que você não é. Matamos aí essa possibilidade, portanto.
- Sei.
- Ou seja: você pode nunca ter pensado “É, eu quero ficar com ele”, mas também nunca pensou “Eu NÃO QUERO ficar com ele”. É aí que entra o princípio da incerteza.
- Como assim?
- Ao sugerir que você estava atraída por mim, tudo o que eu fiz foi sondar com absoluta precisão a sua posição em relação a esse assunto. Tinha uma idéia de onde você estava, mas nada cientificamente comprovado. Agora confirmei. Entretanto, graças a isso você está fatalmente se movendo pra outra posição, porque meu instrumento de análise interferiu significativamente com a situação.
- Nossa, agora até que faz sentido todo esse monte de absurdos científicos que você disse.
- E, como você ainda não disse que NÃO, se não estava atraída por mim ANTES, está ficando AGORA.
- Você é descomunalmente nerd!
- E você não resiste a isso.

TANK!

Porque nada define Cowboy Bebop melhor do que esse comecinho de Asteroid Blues (bom, talvez o final de The Real Folk Blues II, mas aí já é spoilear a parada…)

The Matrix Bebopped

Você sabe que um dia não pode ser muito bom quando lê, logo pela manhã, uma notícia dizendo que Keanu Reeves está envolvido em um projeto - logicamente americano - para levar Cowboy Bebop para os cinemas, com o ator no papel de Spike Spiegel.

Cowboy Bebop

Keanu Reeves informou que o projeto pretende expandir o primeiro episódio da série, Asteroid Blues, em um filme de duas horas. As palavras do ator foram “Nós temos os direitos e temos um escritor já demarcando as cenas. Estamos tentando fazer isso”. Devo admitir que as palavras “blasfêmia” e “ultraje” me vieram à mente.

Veja só. Hollywood tem como fazer um filme de ficção espacial? Sim. Um filme de faroeste? Sim. Um filme noir? Sim. Tudo isso junto? Nunca. As limitações de roteiro às quais os produtores americanos se submetem jamais permitiriam que um filme decente de Bebop fosse produzido. Eles vão querer um romance, vão precisar de uma lição de moral. Vão dar a Spike um propósito ou coisa que o valha! Vão minimizar a presença do Jet. Deus sabe o que farão com a Faye… torná-la par romântico do Spike, provavelmente, com direito a uma cena de beijos dentro da Swordfish, devidamente pintada de azul ou preto, porque hollywood jamais daria a um protagonista uma nave rosa (se der, haverá uma piadinha, uma punchline completamente sexista e dispensável).

E Keanu Reeves como Spike… Keanu Fucking Reeves! Inaceitável é o mínimo que se pode dizer a respeito! É difícil explicar quem é o Spike pra quem nunca viu Cowboy Bebop, mas esse vídeo dá uma boa idéia. O cara é… é… porra, ele é o cara mais desencanado do universo e ao redor dele. “Desencanado” é exatamente o termo. Ele tem tendências suicidas, mãos de prestigitador, luta jet kun do como poucos e atira tão rápido e bem quanto o homem sem nome. Misture aí Bruce Lee, Humphrey Bogart e Clint Eastwood e você ainda não chega ao Spike. Ele é barra pesada E PILOTA UMA NAVE ROSA, CARALHO!

Spike Spiegel
Você consegue ver Keanu Reeves desencanado assim? Nem eu!

Keanu Reeves não tem como ser Spike Spiegel. Ele não tem o charme, ele não tem o jeito, o mojo, a malemolência, o ziriguidum, o balacobaco, chame como quiser. Ele nem sabe atuar, cacete! O cara é monocórdico! Ele pode aprender o jeito de lutar, mas a forma desleixada de pegar um cigarro? Duvido, e esse é o gesto que faz Spike ser quem é: a forma como ele enfia a mão dentro do paletó pra sacar a carteira de palitinhos de nicotina.

Além do mais, antes de enfiar os personagens naquele contexto - uma nave flutuando no espaço, com Jet cozinhando um curry e Spike treinando golpes na gravidade zero - os produtores definitivamente vão querer “ambientar” o público, explicar o que houve com a Terra, quem são aquelas pessoas e como elas chegaram ali. Vão precisar de um vilãozão pra morrer no final (deus queira que não usem o Vicious, seria um desperdício impensável!), vão trocar os blues e bebops e boogie woogies e jazzes por raps de pseudo-gangstas como As Ervilha dos Zóio Preto ou merda parecida. Vão cagar tudo, minha nossa, vão cagar tudo…

The Bebop Crew

Antes que essa descaracterização vá ao ar, faça-se um favor: baixe Cowboy Bebop e assista. Ao menos o primeiro episódio, Asteroid Blues. Se você não gostar, tudo bem, azar o seu. Se gostar, bom, bem-vindo ao clube!




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