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Contra-guerrilha

Fiz um semestre de publicidade, certa vez.

Espere, não vá embora! Eu me regenerei, juro! Foi apenas um deslize. As pessoas não dizem que nós devemos entender as coisas antes de classificá-las? Pois foi o que tentei fazer. Por qualquer razão, considerei que talvez publicitários não fossem tão ruins quanto eu imaginava, que talvez estivesse sendo preconceituoso ao classificá-los de forma tão baixa, ao ser tão inflexível e intolerante. Talvez eles fossem pessoas legais, até.

Compreenda, eu era jovem, não tinha consciência das coisas, não sabia muito dessa vagabunda, a vida. Ainda havia na minha mente um ou outro foco de rebelião que insistia em pregar a crença nas pessoas e a fé na humanidade. Mas não se preocupe, foram todos silenciados nos seis anos que separam tão degradante episódio dos dias de hoje.

Digo, agora, que sou um novo homem. Minha fé nos seres humanos já não existe, que dirá meu respeito por comunicólogos em geral (jornalistas, publicitários, marketeiros e platelmintos* semelhantes). A lápide demarcando a vala comum onde foi enterrada a minha tolerância por esse tipo de gente foi solenemente instalada pelo Windows Live Messenger e sua barrinha de propagandas pop-up em flash.

Se deus existe, que ele abençoe a mãe do cidadão que teve a idéia de criar aquilo. A pobre velha há de precisar, considerando o número de vezes em que eu a amaldiçoei por parir o corno. Em máquinas cujo processamento já foi bom, mas que hoje fica abaixo da média, como a minha, aquela janela pulando sempre que eu escorrego o cursor do meu mouse da bandeja (aquela barrinha no canto inferior direito, onde ficam o relógio e - na sua máquina - provavelmente uns 15 ícones diferentes) para a lista de contatos causa uma lentidão bastante desagradável. É uma ferramenta do apocalipse e eu facilmente apontaria tal recurso como a gota a entornar o caldo que causaria a guerra final, capaz de aniquilar a sociedade como a conhecemos e vaporizar até mesmo as baratas. Mas estão aí os programadores inteligentes e suas soluções pacíficas para as mazelas que assolam o gênero humano.

Dia desses, emputecido com esse treco exibindo insistentemente uma propaganda de seguros, fiz o que já fizera tantas vezes antes e recorri ao google, na esperança de encontrar uma cura para minha angústria que não envolvesse a ingestão de grandes doses de álcool. Das outras vezes não obtive resultado. Procurando por coisas como “bloquear anúncios no msn” ou “block msn ads”, tudo o que recebia de volta eram informações de como gerenciar sua rede e bloquear o uso do msn por usuários vagabundos que não querem saber de trabalhar, apenas ficar de mimimi online o dia todo (ô saudade da época em que podia ser um desses…). Não era o que eu queria saber (embora tenha deixado uma ou outra página dessas nos meus favoritos, nunca se sabe quando vai ser necessário reconfigurar as iptables).

Nesse dia, entretanto, essa minha obstinação canina rendeu bons resultados e acabei esbarrando com o maravilhoso A-Patch, um programinha criado por uns muçulmanos malucos, cuja causa eu abraço sem pestanejar: acabar com as putarias da microsoft. O A-Patch não remove apenas aquele anúncio xarope, mas tudo o que você quiser tirar do MSN. Até os menus das janelas de chat e os botões de configuração de letras, envio de winks e de pedidos de atenção. Tudo! É possível deixar o programa pelado, cumprindo APENAS sua função mais importante: a de instant messenger.

Você pode baixá-lo no link acima, na área de downloads, e segue um tutorialzinho para te livrar da falta de noção da microsoft, caso queira alguma ajuda.

Vamos começar com as recomendações de segurança:
1) Se o Messenger Plus! está instalado na sua máquina, você é um imbecil. Remova-o agora! Esse programa, além de não adicionar nenhuma utilidade ao msn, ainda é uma porta e tanto para que uma horda de “sponsor ads” e outros programas invasivos com nomes que disfarçam o que eles REALMENTE são (spywares) se instalem na sua máquina. Além do mais, ele pode interferir com o bom funcionamento do A-Patch.

2) Certifique-se de que a versão do A-Patch que você baixou é a adequada para a versão do seu MSN. Para descobrir que versão do Messenger você usa, abra o programa, vá em Ajuda>Sobre o Messenger. Na janelinha que vai abrir, veja que compilação você usa.

Ajuda>Sobre o Messenger
Viu? É isso aí que você tem que olhar!

Eu estou usando a versão 1.40.031, que é a recomendada para a minha versão do MSN (8.5.1302.1018). Imagino que as anteriores não sejam muito diferentes, mas me mande um e-mail (pedroamnunes ARROMBA gmail com) se estiver usando outra distribuição do programa e tiver dúvidas profundas durante essa operação.

Enfim. Cumpridos os requisitos acima, execute o A-Patch. Ele não precisa de instalador. Na primeira janela, a opção Patch Messenger já estará selecionada. O programa aponta pro diretório automático de instalação do MSN, então também não é preciso mudar isso, a menos que você tenha sido estúpido o suficiente pra modificar esse caminho. Vamos torcer para que não seja o caso. Clique em NEXT e chegamos na parte divertida: remover coisas do seu msn.

Apatch

Essa tela, como você há de notar, já tem uma imagem do MSN do lado direito. Cada vez que você clica em um item, uma das funções some. Assim é possível saber exatamente que modificações serão feitas, diminuindo-se o risco da sua inaptidão e falta de bom-senso foderem bonitamente o programa.

Eu não retirei nada dessa janela, mas você é livre para fazer o que quiser. Marque os quadradinhos que correspondem às coisas que te incomodam e clique em NEXT.

Essa segunda janela, a n.º 2/6, é a que nos interessa. Nessa daí eu selecionei os botões Remove Advertisement, responsável pelo maldito banner, e o Remove Search Bar, para tirar aquela barra de procura que ficava no pé do programa. Aquilo nunca me incomodou sobremaneira, mas resolvi que, só por implicância, ia me livrar daquele troço, também.

2 de 6
FREEDOM!

As janelas seguintes têm funções interessantes, também. Na terceira (3/6), é possível remover a foto daquelas janelas pop up que saltam todas as vezes em que alguém da sua lista de contatos entra no msn. Na quarta você mexe na janela de chat, não mais na janela principal do MSN. Se você faz o tipinho inconveniente, que manda mensagem quando as pessoas estão ocupadas ou ausentes, pode tirar aquela barra que avisa que seu contato talvez não responda. Você não usa mesmo, pra quê manter aí? Ao menos assim é possível disfarçar. Em vez de dizer “Mandei mensagem porque sou chato pra caralho”, você poderá dizer “Pô, foi mal, nem vi que você tava ocupado(a), meu msn não avisa!”. Também dá pra tirar o botão de pesquisa da janela de chat (sério, pra que serve essa porra?) e aquele anúncio com um link que fica no pé da conversa.

No more ads!

A janela 5 serve para se proteger de gente chata, ou para aumentar seu potencial de chatice, se você faz parte do grupo dos inconvenientes. É possível desabilitar aquela tremedeira desagradável causada pelos pedidos de atenção, sem ter necessariamente que desativá-los, como fazem as pessoas de bom-senso. Também dá para acabar com o delay entre os pedidos de atenção, ou seja: você não vai ter que esperar 30 segundos pra encher o saco dos outros. Poderá aborrecer as pessoas ininterruptamente. Ah, que maravilha!

Espero que você não seja da minha lista de contatos, ou teremos sérios problemas.

Abordando agora as funções úteis, você pode acabar com a limitação de número de transferências. O MSN permite 3 por vez, mas a última função desta janela te permite aceitar quantas você achar melhor.

A sexta (e última) janela de funções acaba com as propagandas no pé das janelas das pastas de compartilhamento, e te dá a opção - ESTÚPIDA! ESTÚPIDA! NÃO MARQUE A MENOS QUE VOCÊ REALMENTE SAIBA O QUE ESTÁ FAZENDO! - de enviar, receber e abrir arquivos considerados arriscados pelo msn, ou seja: você poderá receber mp3 e abrir direto da janela de conversa, clicando no link “Clique aqui para abrir este arquivo”, sem o risco dele ser mandado pro limbo pelo firewall do windows.

Também te permite abrir mais de um MSN ao mesmo tempo, na mesma máquina, o que é bacana pra quem tem esquizofrenia e/ou sofre de distúrbio de múltiplas personalidades.

6

Depois de foder modificar o seu msn, clique no botão APPLY.

O A-Patch vai solicitar que você rode a aplicação em uma instalação LIMPA do MSN, ou seja, SEM MESSENGER PLUS! Também será necessário que você feche o programa durante as alterações.

Execute tudo direitinho e Alah ungirá você como um dos escolhidos. Em agradecimento, deixe crescer a barba, arranje um turbante e vá explodir um lugar qualquer com doze quilos de dinamite no peito.

Namastê.
Paz e luz.

Meia-Lua+Soco: Maverick Hunter X

Um dos jogos que baixei para o meu PSP - aliás, um dos jogos que me motivou a comprá-lo - foi Mega Man: Maverick Hunter X. Esse jogo nada mais é do que uma nova versão do primeiro Mega Man X, lançado em 1993 pela Capcom para o Super Nintendo. A história trata, portanto, da rebelião do Sigma, o maior dos Maverick Hunters, e do esforço do X para dar cabo do vilão e seus asseclas.

Mega Man: Maverick Hunter X

Qualquer um que conheça, ainda que por alto, a história de Mega Man X sabe mais ou menos o rumo que as coisas tomaram, mas não como ou por quê. Simples cartuchos com limite máximo de 9MBs não eram capazes de armazenar vídeos e diálogos suficientemente explicativos, considerando a complexidade da história. Na verdade, convenhamos, é muito provável que, na época do lançamento do jogo, os desenvolvedores nem tivessem uma história bem-desenvolvida em mãos. Daí aquela explicação nunca dada para a verdadeira origem do X. Simplesmente enfiaram o bicho numa cápsula por alguns anos, botaram o Dr. Cain ali perto pra descobrir o antigo laboratório do Dr. Thomas Light e pronto. O resto é ação e porradaria gratuitas. Suficiente pra agradar o público-alvo da época.

Hoje em dia, entretanto, o público-alvo permanece o mesmo, mas 15 anos mais velho. A maioria dos jogadores dos títulos Mega Man e Mega Man X é formada por saudosistas apegados a seus personagems cibernéticos de infância. Apesar disso, nossa compreensão das coisas evoluiu um pouco (só um pouco!), é justo que nos passem explicações melhores para as histórias que vamos jogar. A Capcom sabe disso, e Maverick Hunter X é muito amplo nesse sentido. Além de acompanhar as fases, lutar com os inimigos - dessa vez com gráficos em 3D e níveis com profundidade (não que isso faça diferença para você, claro, já que o X só se movimenta para a esquerda e para a direita, para cima e para baixo, mas é sempre legal poder ver o background dos cenários como background, de fato, e não como uma imagem estática que está ali para dar um clima) - e curtir as novas versões da sensacional trilha sonora, REALMENTE em estéreo, o jogador ainda é agraciado com diálogos FALADOS, mais informações a respeito do relacionamento de X com seus agora ex-companheiros de equipe e traidores declarados e vídeos de abertura e encerramento espetaculares. Admito que fiquei embasbacado enquanto assistia o encerramento do jogo, ao zerá-lo pela primeira vez.

Mega Man: Maverick Hunter X

Outras mudanças no gameplay são bastante óbvias. A seqüência de fases, agora, começa com a do Flame Mammoth, e não com a do Chill Penguin, já que o upgrade mais importante do jogo, o das pernas, que te permite usar o Dash, fica na Protype Weapons Plant, não mais na Missile Base. A ordem dos upgrades foi totalmente modificada, embora as cápsulas permaneçam mais ou menos nos mesmos lugares, ou seja: você não vai ficar perdido, se já sabia onde elas ficavam antes. O mesmo pode ser dito a respeito dos Heart Tanks e Subtanks. Não fui capaz ainda de pegar o hadouken, Já peguei o hadouken, o upgrade “secreto” mais conhecido do mundo. Até isso a Capcom manteve!

Algumas falhas do original também foram corrigidas. Chefes muito fáceis de matar, dada a simplicidade de seus ataques, passaram a ter golpes novos ou variações mais ameaçadoras dos antigos. Storm Eagle, agora, pode até representar um certo grau de desafio, caso você resolva enfrentá-lo munido apenas de seu X-Buster (mas ainda é possível bohrimiá-lo assim sem suar, diga-se de passagem). Outros, ridiculamente difíceis, tiveram habilidades muito apelonas tolhidas, em parte.

Logicamente, nem tudo são flores. Alguns chefes ficaram fáceis demais, e certos trechos de fases tornaram-se tediosamente simples. Da mesma forma, inimigos menores, desses que qualquer um derrota com um mero tiro do X-Buster, podem se mostrar profundamente irritantes. Para citar um exemplo, Vile foi castrado de seu potencial destrutivo, ao que me parece. Derrotá-lo foi extremamente simples. Não sei se tive tanta facilidade graças a todas as vezes que tive que lutar com o miserável para fazer o detonado do finado Meia-Lua+Soco ou se agora ele de fato é mais simples de encarar do que era em sua versão 2D. Eu esperava mais, de qualquer forma.

Mega Man: Maverick Hunter X

Falando em Vile, essa é mais uma modificação interessante do jogo: agora, após zerar, você pode jogar com ele. É sempre legal poder observar a história sob outros ângulos de visão, e a ótica do arquiinimigo é muito mais interessante do que a dos aliados. Essa afirmação permanece verdadeira neste jogo, e jogar com Vile, talvez por sua história ser inédita, é mais divertido e interessante do que jogar com o X (que o Maverick Hunter me perdoe, mas é verdade).

Outros extras abertos após a finalização do jogo são um modo Boss Rush, que te permite entrar em qualquer fase quantas vezes quiser e percorrê-la à vontade para tornar a encarar o chefão, e um episódio de mais ou menos meia hora que se propõe a explicar - mas acaba não explicando nada - como e por quê o Sigma mudou de lado, abraçando o Maverick-way-of-life. Esse episódio, que eu já conhecia, pode ser visto no youtube, mas assistí-lo na tela do PSP é bem mais legal.

Enfim, se você está se perguntando se vale a pena ou não baixar esse jogo para rodar no seu PSP, sim, vale muito. Principalmente se você for um viciado na série original. Se não for, se nunca foi, então baixe e jogue assim mesmo. Quem sabe você não se torna um? São meros 430mb que podem te entreter por bastante tempo.

As imagens que ilustram este texto foram retiradas do FileFront. Os direitos pertencem a seus respectivos donos.

Dinheiro traz felicidade!

Duas siglas que conduzem à vaga e pueril sensação de grande animação, também conhecida como felicidade:

VGL e PSP
VGL e PSP.

Mas livrai-nos do mal…

Chego em casa da faculdade. Sento diante do computador, abro a apostila da matéria que terei prova amanhã, o Freemind, e começo a fazer meu resumo, na esperança de não esquecer tudo nas próximas 24 horas e me foder bonitamente.

Cinco minutos depois, ouço meu irmão, atrás da porta da sala, perguntando ao meu pai se eu estou aqui dentro. Eu respondo, dizendo que sim. Ele abre a porta e me estende um caixotão, dizendo:

- Ó, chegou meu videogame, mas meu jogo ainda vai levar uns dias. Ele veio com um joguinho de guerra aí, mas tu sabe que eu não curto essas porras, então liga lá na tv do seu quarto pra se divertir até o meu jogo chegar.

O videogame é um PS3.
O “joguinho de guerra aí” é Metal Gear Solid 4.

O sonho de qualquer nerd.

Eu recusei.

Amém.

Nerdice, TV e cinema (por alto)

Àqueles de vocês que não lêem quadrinhos, existem duas grandes empresas nessa indústria, a Marvel e a DC. Não existem SÓ essas duas, mas elas são as maiores, ou ao menos as que detêm os direitos dos super-heróis mais conhecidos. A DC é dona dos mais icônicos, como Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, toda a Liga da Justiça, enfim. A Marvel é responsável pelos mais “modernos” (surgidos de 1960 pra cá, em sua maioria), mas já conhecidos, como o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Capitão América, X-Men, Hulk, Thor, Demolidor, etc, etc.

Não sou lá muito fã da DC. Salvo um ou outro personagem (no momento só consigo me lembrar do Batman, mas estou certo que existem outros), eles nunca conseguiram atrair muito minha atenção. Meu problema com essa editora é que ela não tem heróis, mas franquias. É possível criar pelo menos uns 15 (e estou chutando baixo) títulos mensais só com personagens que carregam aquele S poligonal do Super-Homem no peito. Junte a isso a horda de Batmans e Mulheres Maravilha e dá pra fazer uma editora só com eles. São incontáveis Flashs, toda uma família de Capitães Marvel e INFINITOS Lanternas Verde. Não tenho saco pra essas coisas.

A Marvel é um pouco mais contida nesse sentido. Embora tenha aprendido alguns truques detestáveis com a Distinta Concorrência, como desrespeitar a morte de personagens - substituindo os falecidos por versões mais jovens com os mesmos poderes - ou matá-los só pra levantar grana - despertando-os inexplicavelmente (ou de forma mal explicada, não sei o que é pior) alguns números adiante -, ainda a acho mais “consistente” que sua rival. Além do mais, os personagens da DC são espalhados e über-poderosos demais pra minha cabeça. Na Marvel todo mundo está ali em Nova Iorque e, à exceção das tentativas frustradas da editora de criar sua própria versão do Azulão, o limite de poder dentre os heróis (ao menos entre os da terra) é muito restrito.

É claro que as duas editoras têm sua série de pisadas na bola. A DC, como já disse, gosta de matar os heróis - ou aleijar, como fez com o Batman -, ressuscitá-los com novo uniforme e novos poderes, se arrepende e dá uma remendada medonha para retorná-los ao estado original. A Marvel prefere ampliar ou reduzir os poderes, de acordo com a vontade dos editores, fazer histórias paralelas do mesmo personagem sem explicar por que os acontecimentos de uma não influenciam os da outra, causar catástrofes no título de um herói que passam despercebidas na revista de outro personagem, ainda que os dois morem na mesma cidade - uma cidade que é uma ILHA, ou seja, não tem muito como ignorar os acontecimentos da vizinhança - e apelar para soluções absurdas para suas cagadas editoriais, do tipo “ele fará um trato com o diabo e todo mundo no planeta, inclusive ele, esquecerá que um dia tal e tal coisa aconteceu”. O problema é que os leitores não esquecem, não existe pacto com o demônio que resolva ESSE problema.

Da mesma forma que cada uma tem seus pontos fracos, também tem seus pontos fortes. A Marvel parece ser mais atenta ao que o público gosta de ver no cinema e procura fazer bons filmes - o que geralmente acontece, se você esquecer Elektra, Demolidor, Motoqueiro Fantasma e baboseiras semelhantes -, enquanto a DC, que é uma tristeza na tela grande, sabe muito bem o que o público gosta de ver na TV, lançando animações competentes, como Batman Volume 2, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites. A Marvel falha miseravelmente com seus desenhos animados. Tome como exemplo os dois longas dos Vingadores lançados em 2006 (você não ouviu falar porque quase ninguém ouviu), que, não obstante tenham sido feitos como longa-metragens, parecem ter orçamento menor que o de UM episódio de Liga da Justiça Sem Limites.

Essa regra, entretanto, parece estar começando a mudar. Os últimos lançamentos cinematográficos da Marvel foram de dar pena (o já referido Motoqueiro Fantasma, X-Men 3 e Homem-Aranha 3) e definitivamente caíram MUITO em termos de qualidade, se comparados aos filmes que abriram as franquias. A DC acertou (dadas as devidas proporções, claro) duas vezes, com Batman Begins e Superman Returns (que dá suas derrapadas, mas é um filme válido, ao contrário de Mulher-Gato, por exemplo). E agora a qualidade dos desenhos da DC parece estar caindo. Aparentemente a empresa resolveu entrar numa onda de tentar fazer animes, mas sem a competência dos japoneses pra esse tipo de negócio. A Marvel, por outro lado, atraiu a atenção do público com Quarteto Fantástico (que, apesar de não ser grande coisa, está anos-luz à frente dos últimos desenhos estrelando heróis da editora) e agora aposta em The Spectacular Spider-Man, nova animação do amigão da vizinhança, recém-lançada nos EUA, dia 8 desse mês.

The Spectacular Spider-Man

O traço me pareceu muito clipe-do-Gorillaz, um lance meio Marvel Mangaverso - e isso é uma crítica, e não um elogio. Mas o roteiro me interessou, de todo modo, já que pretendem tratar do começo da carreira de super-herói de Peter Parker, então com meros 16 anos. Também me chamou a atenção o fato de um dos responsáveis pelo desenho ser Greg Weisman, que trabalhou em The Batman (série que naufragou, mas que eu gostei bastante). Infelizmente ainda não há data de exibição prevista para o Brasil, embora a Rede Globo já tenha comprado os direitos (mas os sites de Torrent estão aí pra isso, afinal de contas). Segue o trailer da parada, lançado pela Marvel na San Diego Comic Con:


A confirmação da mudança (ou não) de maré de qualidade entre as duas editoras virá com a disputa, esse ano, entre Iron Man e Batman: The Dark Knight. Pelos trailers, nenhum deles me parece propenso a falhar nas bilheterias, mas o Hulk de Ang Lee também se mostrava uma promessa e tanto, antes de ser lançado em 2003 e atrair o horror da maior parte dos fãs de filmes de quadrinhos. Aguardo ansiosamente pelos dois (e pelo novo Hulk, ainda que eu tenha certeza que o fato da calça do gigante esmeralda não rasgar quando ele mudar de Ed Norton pra animação computadorizada vai causar reclamações entre os espectadores, doidos pra verem uma enorme piroca verde surgindo na tela do cinema).

Até lá, vou assistindo os episódios de The Spectacular Spider-Man baixados na internet (ou verei no Cartoon Network, se a série aportar por lá). Pro caralho com a emissora dos Marinho.

[Atualização]: Vá atrás do desenho AGORA e assista. AGORA. E a música tema é FODÁSTICA (dá pra baixar nesse link).

Divagar

A vida não é justa e o mundo é cheio de gente burra. Hoje acordei com tendência a dizer o óbvio e estão aí as duas afirmativas mais verdadeiras que alguém pode fazer. Repito para os idealistas de plantão: justiça é conversa fiada pra boi dormir, gente inteligente é um negócio raro de encontrar. Nesse blog aqui, por exemplo, duvido que você ache uma. Começando pelo autor. Mas existem piores, então pode ficar, se o grau mediano de limitação intelectual emanado aqui não te aborrece.

Não, você não está enganado(a), esse parágrafo é um dos que começa textos que não têm qualquer assunto em particular, que caminham por tópicos completamente diferentes de forma totalmente aleatória. Bem-vindo(a) ao meu processo ilógico de pensamentos, no geral reclamações. Sua estada aqui será curta e prometo limitar os palavrões o máximo possível, mas quando leio que a Alizée é casada e tem um filho, o que é que me ocorre? CARALHO! É isso que me ocorre. Que tipo de imbecil faz um filho numa mulher daquelas? Um imbecil de sorte, foi o que Eduardo Stigger me disse, e o problema é que o miserável tem razão.

A moça é nova, a moça é linda, a moça é gostosa pra caralho. Por que não comê-la desesperadamente até que a gravidade, os shows, os vícios e o tempo, esse inoxidável (?), façam seu trabalho? Quando começar a rolar a época da decadência, dá-lhe um bucho em pé de guerra, um fedorentinho, e pronto, ela sai de uma função cultural (ser gostosa) pra outra (ser procriadora). Por que as pessoas procriam? Não faço idéia. Não sei nem porque é que se CASAM, pra começo de conversa. Que idéia mais idiota, trocarem anéis e morarem juntos.

Ok, morar junto às vezes nem é uma idéia tão besta assim. Às vezes pode se tornar inviável duas contas de luz, duas contas de água, duas contas de telefone, duas de internet, duas de tv a cabo, dois aluguéis/boletos de cobrança de parcelamento de pagamento de imóvel, enfim. Às vezes é mais barato mesmo juntar os panos de bunda, alugar um apê maior e irem pra essa vida conjunta, que promete torná-los inimigos pro resto da vida. As pessoas têm o direito de se apaixonar umas pelas outras e de odiar umas às outras, também, não se deve impedi-las de levar a vida como acharem melhor.

Mas deve ser aquele troço de desejo mútuo. O pior que pode acontecer é alguém de fora começar a pressionar, um dos dois entrar na onda e o outro resolver aceitar, indo pra essa época complicada da vida só pra alegrar familiares (geralmente os do outro). Porque as pessoas não têm a menor noção e se metem no que não deveriam se meter, fazendo comentários teoricamente engraçadinhos, quando o ideal seria que calassem a boca e cuidassem da própria vida. Eu namoro há quase cinco anos - sim, com a mesma guria - e tô sempre ouvindo idiotices como “E aí, vão se casar?” ou “Tá enrolando a menina?” e coisas assim. Daí, se eu mando tomar no cu, quem é o mal-educado? Eu, logicamente.

Porque se meter na vida dos outros é desagradável, mas não é falta de educação. Sugerir a alguém que inverta o vetor do duto de saída fecal, ah, isso é de uma falta de elegância que beira a barbárie.

O foda é que existe quem se deixe levar por essa pressão. Os pais dela, ou os pais dele, resolvem que estão juntos há tempos demais e que deveriam juntar logo esses trapos, arranjar um buraco qualquer, entrar com a papelada, essas coisas. Devo dizer que geralmente é a mulher que vem com essa conversa mole, principalmente quando a mulher tem um monte de irmãs. Porque mulher em grupo só fala dessas merdas. Quando não conversam sobre as próprias roupas, cabelos, unhas, métodos depilatórios e ph do corrimento vaginal, entram nesse tópico desagradabilíssimo que é a vida conjugal. Pra uma mulher, conseguir colocar uma argola dourada no dedo de um idiota e convencê-lo a morar com ela (ou a deixá-la morar com ele) é como, para um homem, conseguir comer uma gostosa de propaganda de cerveja, com direito a fotos pra mostrar pros amigos. Ou como tirar um Ford Fusion da concessionária sem ajuda dos pais: um sinal de status, uma demonstração de superioridade, uma prova que você é capaz de ser bem-sucedido nessa vida.

Lógico que nem todas as mulheres são assim, nem todos os homens também. Mas que a maioria é, ah, isso é.

Colhões mesmo tem aquele marido da Jennifer Garner em Juno, que resolve mandar pro caralho o surto familiar-psicótico da mulher que cismou que “nasceu pra ser mãe” e vai viver sozinho num loft, com seus quadrinhos, sua guitarra fodona, seus filmes sangrentos de horror e sua tara por adolescentes barrigudinhas. Tá aí um cara que eu respeito. Logicamente, ele é colocado de forma muito depreciativa no filme, porque o roteiro, oras, foi escrito por uma mulher. Fosse um filme do Nick Hornby e a história giraria em torno dele, e ele seria um cara legal pra caralho, tipo o Hugh Grant em Um Grande Garoto. É tudo uma questão de ponto de vista.

Falando em retomar as nerdices, voltei a jogar RPG e, alguns dias depois, morre o Gary Gygax. Veja só se não é o universo dando um berro e dizendo que eu fazia muito melhor ficando afastado desse hobby maldito, dessa coisa demoníaca, desse criadouro de assassinos satanistas que é o RPG. RPG é coisa do diabo, todo mundo sabe. Sempre rolam uns rituais macabros envolvendo sangue de bode, cabeças de galinhas pretas, farofa de macumba e pedaços de cérebros de eleitores do PSDB (esse último item é mais difícil de achar). Tudo isso pra tirar um 20 em um D20, numa jogada com dificuldade 27, onde seu modificador é JUSTAMENTE +7 e que pode definir o curso da missão.

Devo admitir que o mestre come nosso rabo, mas dá beijinho na nuca depois, então fica tudo bem.

Utilizando essa última frase pra sair da nerdice e partir pra viadagem, resolvi deixar o cabelo crescer. Resolvi há seis meses e tá crescendo há seis meses. Atualmente estamos nos dando bem, mas há algum tempo ele teve um período de adolescência que foi realmente difícil de tolerar. Era um tamanho maior do que o costumeiro, mas menor do que o de um cabelo “grande”. Eu não podia mais tratá-lo como se fosse pequeno, também não podia tratá-lo como se fosse grande. Ele se revoltava por pouca coisa e convencê-lo a obedecer, a ser minimamente lógico, era bastante difícil. Foi uma época complicada, mas estamos nos dando bem melhor agora. Acho que nunca mais volto a cortá-lo tão curto. Do tamanho que está, ele não cria esculturas medonhas sempre que tiro um cochilo. É só penteá-lo pra trás e pronto, chega de dor-de-cabeça.

Melhor que isso, só raspando com gilete.

Mas não tenho coragem pra tanto. Já basta fazer isso na minha cara e descobrir (mesmo já conhecendo, mas relembrar é sempre difícil) o que há por baixo. Não quero descobrir que tenho calombos esquisitos no crânio ou marcas medonhas espalhadas pelo couro cabeludo.

Felizmente o gene da carequice não caminha por essas bandas…