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Dos compartilhamentos

É o seguinte: eu tenho essa collector’s account no Rapidshare, que criei pra poder upar a trilha sonora de Cowboy Bebop pra um amigo, há alguns meses (quando fiz aquele post falando a respeito da atrocidade que o Keanu Reeves tem em mente e tal).

O negócio é que o Rapidshare, apesar de toda a praticidade que trouxe à vida de quem quer compartilhar arquivos com um porrilhão de gente, também tem lá suas limitações. Não posso simplesmente colocar um link pra minha conta aqui e deixar que quem quiser vá lá conferir os últimos uploads, por exemplo. Tenho que sair distribuindo links a torto e a direito, e é esse o objetivo deste post. Colocarei uma série de links pra coisas que tive que colocar lá, por diversos motivos. Meu msn de viadagem com envios, arquivos de tamanhos absolutamente intoleráveis pra uma transferência online via instant messenger, etc.

Vocês vão notar que só compartilhei links de mp3, porque é o que eu mais tenho lá. As outras porcarias (legendas pra episódios específicos de séries, os episódios em si e etc) são muito pontuais. De que adianta eu distribuir um link pro quarto episódio da segunda temporada de Spectacular Spider-man pra quem não viu todos os outros 16 capítulos da série (13 da primeira temporada e os outros 3 da segunda)? Oras.

A bitrate da maior parte das músicas é 128kbps, salvo aquelas que escaparam ao meu crivo. Música “em alta definição” é viadagem. Não vou gastar mais 40, 50 mega de espaço por CD no meu HD graças a uma suposta “maior qualidade”, totalmente imperceptível a ouvidos humanos. Se for pra baixar música pro seu cachorro, daí eu até sugiro que você procure por algo em 320kbps. Do contrário, deixa de ser fresco.

Pois chega de conversa fiada, tomem aí:

Cowboy Bebop - OST 1

01 - Tank!
02 - Rush
03 - Spokey Dokey
04 - Bad dog, no biscuits
05 - Cat blues
06 - Cosmos
07 - Space lion
08 - Waltz for Zizi
09 - Piano black
10 - Pot city
11 - Too good, too bad
12 - Car 24
13 - The egg and I
14 - Felt tip pen
15 - Rain
16 - Digging my potato
17 - Memory

Cowboy Bebop - OST 2: No Disc

01 - American money
02 - Fantaisie sign
03 - Don’t bother none
05 - Live in Baghdad
07 - Want it all back
08 - Bindy
09 - You make me cool
11 - Green bird
12 - ELM
14 - Gateway
15 - The singing sea
16 - The egg and you
17 - Forever broke
18 - Power of kung-food

Cowboy Bebop OST 3: Blue

01 - Blue
02 - Words that we couldn’t Say
03 - Autumn in Ganymede
04 - Mushroom hunting
05 - Go go cactus man
06 - Chicken bone
07 - The real man
08 - N.Y. Rush
09 - Adieu
10 - Call me, call me
11 - Ave Maria
12 - Stella by moor
13 - Flying teapot
14 - Wo qui non coin
15 - Road to the west
16 - Farewell blues
17 - See you space cowboy

Cowboy Bebop - Knockin’ On Heaven’s Door OST - Future Blues

01 - 24hours OPEN
02 - Pushing the sky
03 - Time to know~Be waltz
04 - Clutch
05 - Musawe
06 - Yo pumpkin head
07 - Diggin’
08 - 3.14
09 - What planet is this?!
10 - 7minutes
11 - Fingers
12 - Powder
13 - Butterfly
14 - No reply
15 - Dijurido
16 - Gotta knock a little harder
18 - Rain (demo ver.)

Ask DNA / Cowgirl Ed / Vitaminless (são 3 cds pequenos, coloquei todos no mesmo pacote)

Vitaminless:
01 - The real folk blues
02 - Odd ones
03 - Doggy dog
05 - Spy
07 - Piano Bar I
08 - Black coffee

Cowgirl Ed:
01 - Goodnight Julia
02 - Papa plastic
03 - Telephone shopping
04 - Kabutoga ni kodai no sakana
05 - Slipper sleaze
06 - 23 hanashi

Ask DNA:
01 - What Planet Is This?
02 - Ask Dna
03 - Cosmic Dare (Pretty With A Pistol)
04 - Hamduche
05 - Is It Real?

Cowboy Bebop Special CD Box:

CD 1
CD 2
CD 3
CD 4

Não vou listar as músicas por CD, é coisa pra cacete. Basta saber que o CD 1 tem algumas inéditas e algumas versões de outras já lançadas (a versão pra TV de Tank!, versões alternativas de Spokey Dokey e Diggin My Potato, etc). O CD 2 mantém a política de versões alternativas, mas é composto quase inteiramente por diálogos, que eu fiz questão de suprimir. O CD 3 tem versões prolongadas de algumas músicas, alternativas de outras e algumas inéditas. E o CD 4 vem com versões ao vivo, gravadas em shows dos Seatbelts.

São fodões, baixe todos.

Algumas músicas soltas, que foram pro rapidshare graças a surtos de viadagem do meu MSN:
Tommy Dorsey - On the sunny side of the street
Avenue Q - The internet is for porn
M. Ward - Chinese translation

A primeira é uma daquelas antigaças, onde dá pra ouvir até mesmo o chiado da vitrola. Mas é boa de se ouvir, se você tiver um espírito octogenário, como o meu. A segunda eu conheci graças a um vídeo de World of Warcraft (NERD ALERT! NERD ALERT!) e ri tanto que fui atrás pra baixar. A terceira… porra, a terceira é fodaça e merecia ser distribuída só por isso. E se você curtir M. Ward, fiz um apanhado de algumas outras dele - minhas preferidas, logicamente - pra mandar pra uma amiga. Tá aqui.

Também tenho dois arquivos com as minhas favoritas do Cake. Se quiser saber quais são, baixe e ouça.

E a discografia completa do Killers:

Hot Fuss
Sam’s Town
Sawdust
Day & Age

É, por enquanto é isso. Quem quiser, sinta-se livre para arrombar sua taxa de transferência. E se quiser discutir gosto musical, questionar por que eu botei a músixa X do Cake, que você considera fraca, e não botei a Y, que você considera foda, ou por que eu te fiz perder tempo baixando isso ou aquilo, que você achou uma merda… meu msn e e-mail estão por aí. Procure e vamos bater boca amistosamente, há de ser divertido.

Beijundas.

Dos princípios quânticos aplicados

- Oi.
- Oi.
- Poxa, tava lembrando agora daquela nossa conversa de ontem.
- Lembrando do quê?
- Da conversa. Foi ótima.
- Ué, foi igual às que tivemos nos outros dias.
- É, foi, mas foi… sei lá, foi diferente.
- Não pode ter sido igual e diferente.
- Ah, ontem foi tão legal!
- Então nos outros dias foi um saco?
- Não, é que ontem… ontem foi diferente, pô.
- Desenvolva.
- Eu não sei explicar.
- Você sabe. Não quer. Mas sabe. Eu desenvolvo, então.
- Então desenvolve.
- Você achou que ontem foi tão legal porque está irresistivelmente atraída por mim.
- …
- Não é?
- Quem disse isso?
- Eu disse, agorinha mesmo. Acabei de dizer.
- E de onde você tirou essa idéia?
- Não era uma idéia.
- Não?
- Não.
- O que era?
- Uma sugestão.
- Não tô entendendo.
- É o princípio da incerteza.
- Entendi menos ainda.
- Você conhece o princípio da incerteza?
- Hm… não.
- É uma teoria da física quântica que diz - e essa é uma explicação a grosso modo - que, ao determinar a posição de um elétron, por exemplo, o instrumento de medida usado para definir essa posição irá alterar a posição ou velocidade do elétron.
- Você… você tem idéia do quanto isso não faz sentido aqui?
- Faz, sim. É que você não tá pensando de forma análoga.
- Eu ainda nem entendi o que você quer dizer!
- O que eu quero dizer é que quanto mais precisa for a medida de um fato, maior a chance de você obter não um resultado exato e atual, mas um resultado exato de como as coisas eram ANTES da sua intervenção para descobrir como as coisas eram. A partir do momento em que você intervém, você sabe como elas eram, mas não como elas são. E você precisa se lembrar que somos constituídos de partículas subatômicas, o que significa que, em algum grau, o princípio da incerteza também se aplica a nós.
- E onde entra sua sugestão, nisso tudo?
- Bom, isso já foi algum trabalho de dedução da minha parte. Você nunca disse que NÃO queria ficar comigo ou que NÃO estava atraída, e eu presumi, ao te ver me tratando dessa forma tão desembaraçada, que: 1) você nunca parou pra considerar a idéia de me ver interpretando o que você sente por mim como atração e reagindo positivamente a respeito, ou 2) você já considerou e era exatamente sua intenção. Como não te acho uma criatura dissimulada, do contrário nem perderia meu tempo falando com você, vou descartar a segunda hipótese. Tá acompanhando?
- Tô. E isso até que faz sentido.
- Então, se você nunca parou pra pensar em como reagiria caso eu achasse que você está dando em cima de mim, você ainda não tinha estabelecido, dentro da sua cabeça, que a idéia de ficar comigo é repulsiva. Do contrário, agiria de maneira mais contida, de forma a não nos conduzir a uma situação desagradável. A menos, claro, que você seja totalmente inconseqüente, o que significa ser bastante estúpida, coisa que eu sei que você não é. Matamos aí essa possibilidade, portanto.
- Sei.
- Ou seja: você pode nunca ter pensado “É, eu quero ficar com ele”, mas também nunca pensou “Eu NÃO QUERO ficar com ele”. É aí que entra o princípio da incerteza.
- Como assim?
- Ao sugerir que você estava atraída por mim, tudo o que eu fiz foi sondar com absoluta precisão a sua posição em relação a esse assunto. Tinha uma idéia de onde você estava, mas nada cientificamente comprovado. Agora confirmei. Entretanto, graças a isso você está fatalmente se movendo pra outra posição, porque meu instrumento de análise interferiu significativamente com a situação.
- Nossa, agora até que faz sentido todo esse monte de absurdos científicos que você disse.
- E, como você ainda não disse que NÃO, se não estava atraída por mim ANTES, está ficando AGORA.
- Você é descomunalmente nerd!
- E você não resiste a isso.

TANK!

Porque nada define Cowboy Bebop melhor do que esse comecinho de Asteroid Blues (bom, talvez o final de The Real Folk Blues II, mas aí já é spoilear a parada…)

The Matrix Bebopped

Você sabe que um dia não pode ser muito bom quando lê, logo pela manhã, uma notícia dizendo que Keanu Reeves está envolvido em um projeto - logicamente americano - para levar Cowboy Bebop para os cinemas, com o ator no papel de Spike Spiegel.

Cowboy Bebop

Keanu Reeves informou que o projeto pretende expandir o primeiro episódio da série, Asteroid Blues, em um filme de duas horas. As palavras do ator foram “Nós temos os direitos e temos um escritor já demarcando as cenas. Estamos tentando fazer isso”. Devo admitir que as palavras “blasfêmia” e “ultraje” me vieram à mente.

Veja só. Hollywood tem como fazer um filme de ficção espacial? Sim. Um filme de faroeste? Sim. Um filme noir? Sim. Tudo isso junto? Nunca. As limitações de roteiro às quais os produtores americanos se submetem jamais permitiriam que um filme decente de Bebop fosse produzido. Eles vão querer um romance, vão precisar de uma lição de moral. Vão dar a Spike um propósito ou coisa que o valha! Vão minimizar a presença do Jet. Deus sabe o que farão com a Faye… torná-la par romântico do Spike, provavelmente, com direito a uma cena de beijos dentro da Swordfish, devidamente pintada de azul ou preto, porque hollywood jamais daria a um protagonista uma nave rosa (se der, haverá uma piadinha, uma punchline completamente sexista e dispensável).

E Keanu Reeves como Spike… Keanu Fucking Reeves! Inaceitável é o mínimo que se pode dizer a respeito! É difícil explicar quem é o Spike pra quem nunca viu Cowboy Bebop, mas esse vídeo dá uma boa idéia. O cara é… é… porra, ele é o cara mais desencanado do universo e ao redor dele. “Desencanado” é exatamente o termo. Ele tem tendências suicidas, mãos de prestigitador, luta jet kun do como poucos e atira tão rápido e bem quanto o homem sem nome. Misture aí Bruce Lee, Humphrey Bogart e Clint Eastwood e você ainda não chega ao Spike. Ele é barra pesada E PILOTA UMA NAVE ROSA, CARALHO!

Spike Spiegel
Você consegue ver Keanu Reeves desencanado assim? Nem eu!

Keanu Reeves não tem como ser Spike Spiegel. Ele não tem o charme, ele não tem o jeito, o mojo, a malemolência, o ziriguidum, o balacobaco, chame como quiser. Ele nem sabe atuar, cacete! O cara é monocórdico! Ele pode aprender o jeito de lutar, mas a forma desleixada de pegar um cigarro? Duvido, e esse é o gesto que faz Spike ser quem é: a forma como ele enfia a mão dentro do paletó pra sacar a carteira de palitinhos de nicotina.

Além do mais, antes de enfiar os personagens naquele contexto - uma nave flutuando no espaço, com Jet cozinhando um curry e Spike treinando golpes na gravidade zero - os produtores definitivamente vão querer “ambientar” o público, explicar o que houve com a Terra, quem são aquelas pessoas e como elas chegaram ali. Vão precisar de um vilãozão pra morrer no final (deus queira que não usem o Vicious, seria um desperdício impensável!), vão trocar os blues e bebops e boogie woogies e jazzes por raps de pseudo-gangstas como As Ervilha dos Zóio Preto ou merda parecida. Vão cagar tudo, minha nossa, vão cagar tudo…

The Bebop Crew

Antes que essa descaracterização vá ao ar, faça-se um favor: baixe Cowboy Bebop e assista. Ao menos o primeiro episódio, Asteroid Blues. Se você não gostar, tudo bem, azar o seu. Se gostar, bom, bem-vindo ao clube!

Notavel!

Voces vejam so o que e a tecnologia: escrevo este post (e publico-o! Pasmem!) diretamente do meu PSP (dai a falta de acentos, perdoem).

Meia-Lua+Soco: Dragon Ball Z Shin Budokai

Dragon Ball Z Shin Budokai

Lançado em 2006, Dragon Ball Z Shin Budokai foi a primeira aparição de Goku e cia no PSP. Seguindo a linha da já consagrada série Dragon Ball Z Budokai (e Budokai Tenkaichi) lançada para seu irmão maior, o Playstation 2, os comandos são bastante semelhantes. Com gigantescas explosões de energia, ataques a velocidades desconcertantes, contra-ataques inesperados e movimentos retirados diretamente do anime, esse trocentésimo jogo de luta baseado nos maiores consumidores de água oxigenada da TV disponibiliza 18 personagens, cinco diferentes modalidades de jogo e a possibilidade de desafiar conhecidos através da conexão wi-fi do console.

Mas calma lá, porque o jogo, embora mereça elogios, está longe de ser infalível. Apesar de ser bastante fiel às suas raízes fortemente cravadas no Playstation 2, a transição para o portátil - sem contar a mistura entre Budokai e Tenkaichi - cobrou seu preço. Vamos por partes.

Gráficos:
Dragon Ball Z Shin Budokai chega muito, muito perto de ser impecável nessa categoria, mas falha em alguns detalhes. E é nos detalhes que está o diabo. Os cenários de luta são bastante completos, com uma bela vista dos horizontes e ótima renderização. Infelizmente o termo “cenário” é levado bastante a sério, não sendo possível interagir com elementos da tela, como arremessar seu adversário contra uma parede ou pedregulho, por exemplo. Os mais ferrenhos defensores do jogo podem dizer que é uma cobrança descabida que eu faço, esperar que um console tão modesto, se comparado ao PS2, tenha os mesmos recursos. A esses eu adianto que não estou cobrando igualdade de recursos, mas convenhamos: se até o bom (bom!) e velho (VELHO!!!) Street Fighter 2, com todas as suas restrições tecnológicas, podia ter elementos em tela para serem quebrados durante a briga, por que não esse jogo?

Além do mais, tal ressalva não é causado apenas por essa leve falha de interação personagens/fundo de tela, mas por outro aspecto que levo muito mais a sério: a ausência de um vídeo de abertura no jogo. Ao contrário de seus predecessores, como Dragon Ball Z Final Bout e os títulos Budokai/Tenkaichi, Shin Budokai não apresenta uma seqüência frenética de abertura com personagens da série trocando porrada sem qualquer razão aparente, ao som de um j-rock cantado pelo Hironobu Kageyama. Com tradição não se brinca, porra!

Dragon Ball Z Shin Budokai

De todo modo, ainda é melhor não ter vídeo nenhum do que ter uma daquelas aberrações 3D utilizadas nos títulos Tenkaichi. Argh. Akira Toriyama revirar-se-ia no túmulo, se mas ainda está vivo e isso deve ter rendido muita grana a ele, que dorme o sono dos injustos porém ricos toda noite.

Som:
Se você já jogou Budokai 3, vai ter um ligeiro déjà vu ao ouvir as músicas de Shin Budokai. Não porque sejam muito parecidas, mas porque, em geral, são as mesmas. Felizmente a trilha sonora do primo rico era suficientemente boa para não causar engulhos aos jogadores do primo pobre (é a regra do time que está ganhando). A tela inicial até tem - vejam só! - um tema próprio, que poderia perfeitamente ter servido de fundo àquele vídeo de abertura que não foi feito.

A falha do jogo consiste apenas na ausência de vozes nos diálogos. As lutas do modo Dragon Road têm diálogos na abertura e no encerramento, mas apenas escritos. Embora durante a pancadaria, propriamente dita, os personagens gritem os nomes dos golpes (pra quê, mesmo?) e se mostrem bastante bravateiros (qual o sentido em bancar o machão depois de levar um violento murro no meio da cara?), faz falta ouvir as falas das conversas que antecedem o pega-pra-capar. Na tela de opções é possível configurar as vozes durante o combate para o idioma japonês (o que é bastante inútil se você não entende patavinas dessa língua).

Jogabilidade:
A maior qualidade de Dragon Ball Z Shin Budokai é que o sistema de luta desenvolvido pra esse jogo é inovador, diferente do padrão estabelecido.

O maior defeito de Dragon Ball Z Shin Budokai, entretanto, é que o sistema de luta desenvolvido pra esse jogo é inovador, diferente do padrão estabelecido.

São várias as vantagens dessa mudança. Começando pela simplicidade: comparado com outros jogos de porradaria, os controles são bastante simples. Com cada botão tendo uma finalidade específica, os combos e magias ficam muito mais ágeis. Você pode focar sua atenção na luta em si, em vez de decorar complicadas seqüências de movimentos e botões para soltar golpes e especiais. E ver que um determinado combo ou ataque não funcionou torna-se muito mais frustrante.

Dragon Ball Z Shin Budokai

Dá pra entender por que um ataque do tipo trás, baixo-trás, baixo, baixo-frente, frente, soco forte+chute forte não funcionou: em algum ponto você se embananou e detonou a seqüência de movimentos. Mas por que diabos um movimento tão simples quanto frente+bola não vai? Ah, os mistérios da vida…

Além do mais, sendo este um sistema novo de jogabilidade, qualquer desenvolvedor, por mais incompetente que fosse, compreenderia de cara que os jogadores não sabem como ele funciona. Passamos anos e anos comprando jogos de luta com três botões de soco, três de chute e ataques que, para serem executados, exigiam que o direcional fosse esfregado freneticamente em todas as direções. Tudo bem mudar essa regra, longe de mim considerar isso um problema, mas custava colocar um tutorial no jogo, dizendo como os controles funcionam, como a engine de ataques responde, qual é a hierarquia de forças entre os golpes, quais os critérios usados pelo sistema para definir as notas dadas ao fim das lutas?

Não, não custava. Ou talvez até custasse, por isso os responsáveis pelo jogo preferiram considerar que você é um exímio jogador dos títulos Budokai pro PS2 (esses vêm com tutoriais extremamente explicativos) e, portanto, já sabe tudo o que precisa saber.

Consultando a lista de movimentos, é possível aprender o básico, como as seqüências de combos ou a lançar poderes e especiais, mas você vai ralar um pouco até sacar como fazer uma sequência de ataques em corrente, por exemplo, ou até perceber quais são as circunstâncias que permitem que você se teleporte para trás do seu adversário, a fim de golpeá-lo pelas costas (no amor e na guerra tudo é válido, nem vem!).

E, ainda que você domine bem os comandos do jogo, certas lutas dão aquela ligeira impressão ao jogador de que a máquina lê seus comandos (não o movimento do seu personagem na tela, o que é perfeitamente aceitável, mas a combinação de botões pressionada no console) e reage em antecipação. Seus especiais são confrontados pelos especiais do computador (que entram antes, ainda que você tenha executado o comando primeiro), seus deslocamentos mostram-se inúteis diante de um adversário que sabe EXATAMENTE onde você vai parar, seus ataques são invariavelmente bloqueados, seus balões são sempre previstos, etc. É como jogar pôquer com alguém que vê suas cartas. Pode até ser desafiador, a princípio, mas perde a graça depois da quarta ou quinta derrota pelo mesmo motivo: a desigualdade de potencial é um abismo. Alguns combates exigem do jogador capacidades que beiram a precognição.

Veja bem: eu sou obstinado. Teimoso como uma mula. Inflexível, qual um Ratzinger. Contumaz. Renitente. Se um jogo de videogame me faz largar o controle, puto da vida, dizendo “Desisto. É impossível!”, vai por mim, há uma falha de jogabilidade. A dificuldade está acima do aceitável. E o Shin Budokai não te permite fazer mudanças nisso, ao menos não no modo história. Em certas lutas, a máquina simplesmente não erra. Ela tem o ataque perfeito para a defesa que você utilizou, desvia-se de golpes que você NUNCA consegue evitar (mesmo que o movimento executado seja o mesmo, o dela funciona, ao contrário do seu), tem um ki mais duradouro e é mais rápida ao se recuperar de um golpe.

Considerando que alguns itens do jogo só podem ser abertos se os adversários forem derrotados de forma rápida e eficaz (ou seja, você não pode perder muito tempo ou muito life), o nível de desafio atinge graus sobre-humanos. Se você faz alguma outra coisa além de jogar (como estudar, trabalhar, sair de casa, viver, enfim), desista da idéia de abrir o jogo em 100%.

Outra grande falha é não poder escolher seus personagens no modo história. Você é obrigado a jogar com o que o sistema te dá, o que te coloca em situações bastante complicadas, como tentar matar um Gohan SSJ2 com cinco ou seis barras de life usando apenas o Goku com Kaioken e duas ou três barras de life.

Dragon Ball Z Shin Budokai

Como eu disse no começo, o sistema é único, ágil e inovador. Aí estão suas qualidades, aí estão seus defeitos.

Extras:
DBZ Shin Budokai é bem carola nesse ponto. Praticamente um bispo da igreja católica, de tão ortodoxo. Além do modo história, o jogador pode testar suas habilidades nos modos Arcade - contra inimigos aleatórios, escolhendo o lutador que pretende utilizar, o grau de dificuldade, quantos rounds por luta, quanto tempo por round -, Survival, Time Attack, Network Battle e Training, onde você pode espancar seu adversário à vontade ou configurá-lo de modo a te dar uma surra inesquecível. Vai de acordo com o seu fetiche, filho.

Uma opção bastante inútil é o menu Profile Card, onde você pode “criar” uma carta para o seu perfil do jogo, e trocá-la com seus adversários, caso seus amigos também tenham PSPs e vocês joguem juntos. A única coisa realmente interessante nesse menu é a opção Battle Data, onde você pode verificar seu tempo de jogo, sua taxa de sucesso em combates, seus ranks e outras informações que dirão que você é um merda.

Além de destruir sua auto-estima e construir seu caráter, não servirá para muita coisa, aviso logo.

Por fim, DBZ Shin Budokai é um jogo interessante e divertido, mas talvez te deixe meio emputecido eventualmente. Pra quem gosta de desafios quase insuperáveis, é um prato cheio. E consome meros 214mb do seu cartão de memória, o que o torna válido como entretenimento.

Gráficos:
Som:
Jogabilidade:
Extras:
Geral:

As imagens que ilustram este texto foram retiradas dos sites Gamespot.com e IGN. Os direitos pertencem a seus respectivos donos.