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Questões alimentares

Pretendia escrever um texto enorme aqui a respeito de um movimento ao qual resolvi aderir: o boicote à Nestlé.

Mas não vou ficar apontando as canalhices de uma empresa inescrupulosa. Existem muitas pessoas fazendo isso pela internet, pelo mundo afora. Deixo aqui apenas esta notícia, na esperança que alguém fique tão indignado quanto eu e aprenda, além de nunca votar no PFL, vulgo DEM, a parar de consumir produtos da corja de crápulas que forma a Nestlé.

As opções existem, agora tudo depende do seu bom-senso. Porque se a gente for esperar que eles, lucrando como lucram, resolvam abandonar essa postura demoníaca, vamos esperar pra sempre.

Lembre-se que boicote nenhum funciona apenas com meia-dúzia de gatos pingados. E lembre-se que a empresa só existe e só tem dinheiro para fazer um lobby tão pesado porque VOCÊ compra os produtos que ela lança no mercado.

Saudação às boas novas

Como a vida não é feita apenas de notícias ruins, ACM está esperando o elevador que vai conduzi-lo, sem sombra de dúvida, ao andar de baixo.

Consta que o canalha está implorando aos médicos para que não o deixem morrer. Provavelmente está ciente de seu destino: ir pro inferno lamber o saco do capeta.

O ditado já diz, entretanto, que vaso ruim não quebra. Para colocar tal afirmação à prova, no melhor estilo Mythbusters, acho que seria prudente ir ao Incor, munido de uma marreta, para aliviar o crápula de seu sofrimento (e garantir que toda minha esperança não seja em vão)…

[Atualização]: HAHAHAHAHAH MORREU!!!
Porra! Isso que é presente de aniversário!!

Fogo cerrado

Hoje um motoqueiro quase me atropelou na calçada e fiquei me perguntando se seria possível, caso tivesse sido atingido, jogar a culpa no Governo. No Lula, mais especificamente, porque o presidente é o governo e o governo é o presidente e vice-versa.

Da mesma maneira, tenho absoluta convicção que aquele avião caiu graças às atitudes do governo brasileiro, i.e., do Lula. Tivéssemos nós bombardeado a porcaria da Bolívia e imposto àqueles bugres nossos conceitos civilizados de grande nação soberana; tivéssemos crucificado Renan Calheiros em praça pública; tivéssemos arrancado a cabeça do Lula com um ancinho e colocado numa estaca defronte o Palácio do Planalto, com uma placa com os dizeres “Deixai toda esperança, vós que entrais”; tivéssemos arrastado por 1 km de asfalto fumegante aqueles criminosos que mataram o garoto no começo do ano; tivéssemos, diante da “crise da aviação”, fechado todos os aeroportos e aceitado de bom grado viajar de ônibus; se tivéssemos, enfim, sido suficientemente decentes para eleger Geraldo Alckmin nas últimas eleições, nenhum acidente aconteceria jamais em nosso maravilhoso espaço aéreo. Uma revoada de tucanos teria ajudado o piloto do airbus da Tam em sua tentativa de arremeter em Congonhas, no último dia 17.

O fato do piloto ter entrado na pista com muito mais velocidade do que deveria não há de ser relevante neste caso. Disse e repito: é culpa do Lula, que não foi, ele mesmo, ferramentas em punho, como o proletário que é - uma vez proletário, sempre proletário -, fazer as malditas ranhuras no asfalto da pista de pouso.

Mas, a essa altura, Inês é morta.
Ela e mais umas 200 pessoas.

Vão com as outras…

Queria saber até quando o populacho imbecil dessa budega de quinta que chamamos de “país” - e aí incluo vocês também, que lêem este blog - vai continuar comprando essa história cretina e escrota de que Hugo Chávez e Fidel Castro são ditadores antidemocráticos, tirânicos e que têm parte com o demônio.

Das soluções difíceis

Uma criança morreu depois de ser arrastada por sete quilômetros. E todos nós ficamos tristes e revoltados, mas não pelos motivos certos. Já somos cínicos e endurecidos o suficiente para não dar a menor bola para a morte de uma criança, ainda que o fato se dê com crueldade suficiente para causar comoção mesmo entre os mais insensíveis agentes da Inquisição Espanhola.

Não ficamos tristes e revoltados porque um menino morreu, ou porque morreu de forma atroz. Ficamos tristes e revoltados porque o Jornal Nacional disse que deveríamos nos sentir assim. Porque William Bonner e Fátima Bernardes, com olhar sombrio e voz pesarosa, deram a notícia em tom de horror, indicando a postura a ser adotada diante desse fato nauseabundo.

E porque, por vários dias, fomos metralhados com todo tipo de narrativa a respeito do menino inocente. Como estava seguindo o inquérito policial. Como ele fora arrastado por 7 km preso no cinto de segurança. O que a mãe dissera aos assaltantes antes que eles arrancassem com o carro, arrastando um menino de 6 anos por 70 hectômetros de asfalto. O que os assaltantes responderam à senhora de classe média ao fugir com o veículo e um garoto pendurado, conduzindo-o contra o solo áspero por 700 decâmetros. Onde o corpo do menino mutilado foi encontrado, sete mil metros além do local do crime.

E demonstramos revolta. E demonstramos tristeza. Mas pelo fato? Ou pela Globo? Pela família? Ou por nosso nicho social? Por solidariedade? Ou porque não tivemos opção?

Na mesma época em que se comentava a morte bárbara do menino de classe média, quantas outras crianças na mesma faixa de idade, mas em diferentes faixas sociais, não foram assassinadas de maneira tão - ou mais, se é que é possível - feroz? E quantos índios de 5, 6 anos não morreram de fome em reservas do centro-oeste e norte do país? E quantos meninos de rua com um ano a mais ou um ano a menos não foram violados, espancados, explorados ou mal-tratados de qualquer maneira?

Nossa revolta não é pela morte de um garoto de 6 anos arrastado preso no cinto de segurança de um carro. Nosso espanto só acontece porque um garoto de classe média foi morto pela miséria que tanto gostaríamos de ignorar. Ninguém vê qualquer problema quando miseráveis matam miseráveis. Quando esfaimados, desnutridos, analfabetos e marginais dão cabo de outros esfaimados, desnutridos, analfabetos e marginais. Quando a polícia do Rio de Janeiro, após uma guerra de gangues, retira os corpos do local em carrinhos de mão, cadê as missas da igreja católica no local do incidente?

E quando menininhas de 6 anos da favela da rocinha são atingidas no estômago por balas perdidas e morrem sangrando a caminho do hospital, onde estão os condoídos que colocam vasinhos de flores simbólicos marcando o ponto culminante da tragédia?

E quando a polícia faz uma batida num bar e mata meninos de 13, 14 anos jogando bola na rua, por que ninguém cria comunidades no orkut?

A classe média não se une, vestida de branco, com cartazes inúteis exibindo nomes de mortos ilustres, nesse tipo de situação. E a classe média não clama por cessar fogo para os que são baleados longe de seus domínios. O que a classe média não aprendeu é que não existe mais domínio. É que não existe mais classe média. Temos os muito ricos, escondidos atrás de suas prisões particulares. E temos os miseráveis, considerando maneiras de chegar até eles. No meio, estamos nós. Pendurados no cheque especial. Imaginando maneiras de parcelar um IPod. Sonhando com um Meriva zero. E os malditos desgraçados que tentamos com tanto empenho murar fora de nossas propriedades insistem em invadi-las. E os pobres famintos e bem-armados que deveriam se restringir a matar outros pobres famintos e bem-armados insistem em atirar contra nós. Recusam-se a morrer em silêncio, como os índios. Recusam-se a dar sossego, a desaparecer, a sofrer seu destino inexorável de esfomeados miseráveis em suas favelas, periferias, guetos, pocilgas.

E eles estão descobrindo que a mesma tenacidade que demonstram para chamar nossa atenção, atazanar nossas vidas, subtrair nossos bens e tomar migalhas do nosso dinheiro, nós demonstramos na hora de ignorar suas mazelas.

Mas nem tudo está perdido. Pelo menos não enquanto ainda tivermos as dondocas de Copacabana para fazer passeatas pedindo paz. Enquanto tivermos florzinhas para colocar no MSN. Enquanto pudermos criar tópicos e comunidades no orkut. Enquanto pudermos discutir maneiras de dar cabo dos miseráveis com a mesma violência com que eles procuram nos aniquilar.

Porque quando percebermos que nada disso adianta, teremos que adotar uma solução que, tal qual a morte do menino João Hélio, será drástica, brutal, chocante e difícil de explicar para as gerações futuras: uma que funcione.

Daquelas nem tanto…

O pacote de isoporitos tá custando R$ 0,99 no Extra. Minha vontade é ir até o lugar com uma nota de R$ 50,00 e comprar tudo dessa porcaria. Quem sabe eu não consigo completar minha coleção de montáveis dos X-Men? Taí uma coisa que me faria feliz…

Aliás, dia desses abri um pacote desses cancerígenos e encontrei não um ou dois, mas SEIS montáveis. E todos diferentes. Fiquei exultante. Sou daqueles idiotas que se comprazem com pouco.

Semana passada conversei com uma pessoa que se recusava a acreditar que não sou português. Acho que foi o melhor elogio que já me fizeram.

Assisti “O Diabo Veste Prada”. Considerações a respeito do mercado de “moda” à parte, sinto-me na obrigação de dizer que a Anne Hathaway é uma versão bonita da Liv Tyler. Bonita e gostosa, aliás, pois me lembro bem dos peitos dela, vistos de relance em Brockeback Mountain (um aparte machista apenas para não deixar em dúvida a caminhoneirice de quem escreve - e também porque, ora bolas, a mulher tem peitos definitivamente muito bonitos, é preciso dar-lhe algum crédito por isso).

Hoje, a caminho do trabalho - e em parte por minha culpa, admito, que andava pela calçada distraído, rindo de panfletos do Alckmin que me foram entregues diante do Pátio Brasil - uma mulher me deu um esbarrão daqueles feios. Quase fui ao chão. Ela foi. Ajudei a moça a se levantar e ela ainda foi extremamente mal-educada. Agora, fosse a vida uma comédia romântica, eu descobriria que ela é minha nova colega de trabalho ao chegar à minha sala. Durante alguns meses ela pensaria que sou um palerma estúpido, enquanto eu iria acha-la uma megera das piores. Com o tempo descobriríamos qualidades um no outro. Ela iria me mostrar um lado dócil e carinhoso e perceberia que há em mim mais inteligência do que o esperado. Mas a vida não é uma comédia romântica, então, após a descortesia da mulher, limitei-me a dizer um desaforo à la “Filme do Batiman” em retorno e seguir meu caminho. Velha mal-educada do caralho!

Comprei um Playstation 2 e descobri o que é a felicidade.

O Júlio - que vai ali pra barra lateral assim que eu terminar essa porcaria - me intimou a entrar naquele lance de escrever seis tópicos a respeito de si. Eu não sei mais falar a meu respeito tem um bom tempo, a menos que sejam essas baboseiras superficiais aí em cima. Então ficam essas baboseiras superficiais aí em cima como resposta à solicitação do cara. Entenda, mano velho: é o mistério que garante minha fama de mau.