Queria saber até quando o populacho imbecil dessa budega de quinta que chamamos de “país” - e aí incluo vocês também, que lêem este blog - vai continuar comprando essa história cretina e escrota de que Hugo Chávez e Fidel Castro são ditadores antidemocráticos, tirânicos e que têm parte com o demônio.
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Uma criança morreu depois de ser arrastada por sete quilômetros. E todos nós ficamos tristes e revoltados, mas não pelos motivos certos. Já somos cínicos e endurecidos o suficiente para não dar a menor bola para a morte de uma criança, ainda que o fato se dê com crueldade suficiente para causar comoção mesmo entre os mais insensíveis agentes da Inquisição Espanhola.
Não ficamos tristes e revoltados porque um menino morreu, ou porque morreu de forma atroz. Ficamos tristes e revoltados porque o Jornal Nacional disse que deveríamos nos sentir assim. Porque William Bonner e Fátima Bernardes, com olhar sombrio e voz pesarosa, deram a notícia em tom de horror, indicando a postura a ser adotada diante desse fato nauseabundo.
E porque, por vários dias, fomos metralhados com todo tipo de narrativa a respeito do menino inocente. Como estava seguindo o inquérito policial. Como ele fora arrastado por 7 km preso no cinto de segurança. O que a mãe dissera aos assaltantes antes que eles arrancassem com o carro, arrastando um menino de 6 anos por 70 hectômetros de asfalto. O que os assaltantes responderam à senhora de classe média ao fugir com o veículo e um garoto pendurado, conduzindo-o contra o solo áspero por 700 decâmetros. Onde o corpo do menino mutilado foi encontrado, sete mil metros além do local do crime.
E demonstramos revolta. E demonstramos tristeza. Mas pelo fato? Ou pela Globo? Pela família? Ou por nosso nicho social? Por solidariedade? Ou porque não tivemos opção?
Na mesma época em que se comentava a morte bárbara do menino de classe média, quantas outras crianças na mesma faixa de idade, mas em diferentes faixas sociais, não foram assassinadas de maneira tão - ou mais, se é que é possível - feroz? E quantos índios de 5, 6 anos não morreram de fome em reservas do centro-oeste e norte do país? E quantos meninos de rua com um ano a mais ou um ano a menos não foram violados, espancados, explorados ou mal-tratados de qualquer maneira?
Nossa revolta não é pela morte de um garoto de 6 anos arrastado preso no cinto de segurança de um carro. Nosso espanto só acontece porque um garoto de classe média foi morto pela miséria que tanto gostaríamos de ignorar. Ninguém vê qualquer problema quando miseráveis matam miseráveis. Quando esfaimados, desnutridos, analfabetos e marginais dão cabo de outros esfaimados, desnutridos, analfabetos e marginais. Quando a polícia do Rio de Janeiro, após uma guerra de gangues, retira os corpos do local em carrinhos de mão, cadê as missas da igreja católica no local do incidente?
E quando menininhas de 6 anos da favela da rocinha são atingidas no estômago por balas perdidas e morrem sangrando a caminho do hospital, onde estão os condoídos que colocam vasinhos de flores simbólicos marcando o ponto culminante da tragédia?
E quando a polícia faz uma batida num bar e mata meninos de 13, 14 anos jogando bola na rua, por que ninguém cria comunidades no orkut?
A classe média não se une, vestida de branco, com cartazes inúteis exibindo nomes de mortos ilustres, nesse tipo de situação. E a classe média não clama por cessar fogo para os que são baleados longe de seus domínios. O que a classe média não aprendeu é que não existe mais domínio. É que não existe mais classe média. Temos os muito ricos, escondidos atrás de suas prisões particulares. E temos os miseráveis, considerando maneiras de chegar até eles. No meio, estamos nós. Pendurados no cheque especial. Imaginando maneiras de parcelar um IPod. Sonhando com um Meriva zero. E os malditos desgraçados que tentamos com tanto empenho murar fora de nossas propriedades insistem em invadi-las. E os pobres famintos e bem-armados que deveriam se restringir a matar outros pobres famintos e bem-armados insistem em atirar contra nós. Recusam-se a morrer em silêncio, como os índios. Recusam-se a dar sossego, a desaparecer, a sofrer seu destino inexorável de esfomeados miseráveis em suas favelas, periferias, guetos, pocilgas.
E eles estão descobrindo que a mesma tenacidade que demonstram para chamar nossa atenção, atazanar nossas vidas, subtrair nossos bens e tomar migalhas do nosso dinheiro, nós demonstramos na hora de ignorar suas mazelas.
Mas nem tudo está perdido. Pelo menos não enquanto ainda tivermos as dondocas de Copacabana para fazer passeatas pedindo paz. Enquanto tivermos florzinhas para colocar no MSN. Enquanto pudermos criar tópicos e comunidades no orkut. Enquanto pudermos discutir maneiras de dar cabo dos miseráveis com a mesma violência com que eles procuram nos aniquilar.
Porque quando percebermos que nada disso adianta, teremos que adotar uma solução que, tal qual a morte do menino João Hélio, será drástica, brutal, chocante e difícil de explicar para as gerações futuras: uma que funcione.
O pacote de isoporitos tá custando R$ 0,99 no Extra. Minha vontade é ir até o lugar com uma nota de R$ 50,00 e comprar tudo dessa porcaria. Quem sabe eu não consigo completar minha coleção de montáveis dos X-Men? Taí uma coisa que me faria feliz…
Aliás, dia desses abri um pacote desses cancerígenos e encontrei não um ou dois, mas SEIS montáveis. E todos diferentes. Fiquei exultante. Sou daqueles idiotas que se comprazem com pouco.
Semana passada conversei com uma pessoa que se recusava a acreditar que não sou português. Acho que foi o melhor elogio que já me fizeram.
Assisti “O Diabo Veste Prada”. Considerações a respeito do mercado de “moda” à parte, sinto-me na obrigação de dizer que a Anne Hathaway é uma versão bonita da Liv Tyler. Bonita e gostosa, aliás, pois me lembro bem dos peitos dela, vistos de relance em Brockeback Mountain (um aparte machista apenas para não deixar em dúvida a caminhoneirice de quem escreve - e também porque, ora bolas, a mulher tem peitos definitivamente muito bonitos, é preciso dar-lhe algum crédito por isso).
Hoje, a caminho do trabalho - e em parte por minha culpa, admito, que andava pela calçada distraído, rindo de panfletos do Alckmin que me foram entregues diante do Pátio Brasil - uma mulher me deu um esbarrão daqueles feios. Quase fui ao chão. Ela foi. Ajudei a moça a se levantar e ela ainda foi extremamente mal-educada. Agora, fosse a vida uma comédia romântica, eu descobriria que ela é minha nova colega de trabalho ao chegar à minha sala. Durante alguns meses ela pensaria que sou um palerma estúpido, enquanto eu iria acha-la uma megera das piores. Com o tempo descobriríamos qualidades um no outro. Ela iria me mostrar um lado dócil e carinhoso e perceberia que há em mim mais inteligência do que o esperado. Mas a vida não é uma comédia romântica, então, após a descortesia da mulher, limitei-me a dizer um desaforo à la “Filme do Batiman” em retorno e seguir meu caminho. Velha mal-educada do caralho!
Comprei um Playstation 2 e descobri o que é a felicidade. 
O Júlio - que vai ali pra barra lateral assim que eu terminar essa porcaria - me intimou a entrar naquele lance de escrever seis tópicos a respeito de si. Eu não sei mais falar a meu respeito tem um bom tempo, a menos que sejam essas baboseiras superficiais aí em cima. Então ficam essas baboseiras superficiais aí em cima como resposta à solicitação do cara. Entenda, mano velho: é o mistério que garante minha fama de mau.
- Os paulistas elegeram Paulo Maluf pra câmara dos deputados. Paulo Maluf! Um notório, convicto, irreparável ladrão. Não digo “corrupto”, porque é abrandar o inabrandável: digo ladrão mesmo, safado, criminoso, mafioso, picareta, pústula, canalha, crápula, facínora, etc, etc, etc.
- Os alagoanos, por sua vez, não querendo ficar atrás da imbecilidade política paulistóide, fizeram questão de alçar Fernando Collor ao senado federal. Fernando Collor! Imagino o que não fariam se Paulo César Farias ainda fosse vivo…
- Mas os paulistas não gostam de ficar pra trás. Em sua infinita arrogância, em seu incontrolável desejo de se afirmar como a população mais QUALQUER COISA que você disser, também deram um cargo a Enéas. E um ao Clodovil. Porque esse povinho bunda, cretino, ridículo, patético e muito digno de ser triturado por PCCs da vida, acha que política é brincadeira. Paulista leva futebol a sério e política na brincadeira. Eles têm mais é que se foder mesmo. E de verde e amarelo, porque são o melhor retrato do Brasil.
- Do Brasil que elegeu QUATRO governadores do PFL. QUATRO. Do Brasil que, levando essa porra toda na sacanagem, como sempre, achando que política é igual samba que é igual a bunda que é igual a uma grande cagada, elegeu José Sarney e sua filha. Elegeu Paulo e Jaqueline Roriz. E elegeu Joaquim Roriz senador.
- Eu queria muito ter moral suficiente pra dizer que vivo no meio de um povo que sabe votar. Não precisava ser num PAÍS que sabe votar: só dizer que minha cidade sabe eleger seus representantes me deixaria feliz. Mas quem será o governador nos próximos 4 anos? Arruda. E seu vice? Paulo Octávio. E quem ficou em segundo lugar? Abadia. E quem foram os deputados federais vencedores? Fraga, Bispo Rodovalho e Tadeu Filippelli.
Vocês merecem se foder um monte.
O governo só reflete a ausência de bom-senso do povo desse país.
O teor do texto abaixo pode chocar os de caráter mais sensível. A esses, não recomendo a leitura.
Mas fica aqui a minha promessa, desde já, de não mais mencionar tais imoralidades. A saber: Paulo Octávio, José Roberto Arruda e PFL.
Grato.
O Gerente.
Não era nova o bastante para ser considerada adolescente, nem tinha idade suficiente para ser uma balzaquiana. Era uma jovem de seus vinte e poucos anos, muito bonita e com inteligência pouco acima da média. Seria desmedido dizer que atraía homens como o mel às formigas, mas também não os afastava.
Assim como seria correto afirmar que era intocada, uma virgem, seria igualmente injusto chamá-la por adjetivos impróprios. Tivera sua dose de relacionamentos infrutíferos. Alguns mais duradouros, outros efêmeros. Era bem vivida, na verdade. Tinha a bagagem que alguém de sua idade deveria ter nos assuntos do amor, do sexo e da convivência. Nem mais, nem menos.
Conheceu-o por acaso, em um jantar na casa de amigos, e foi arrebatada por aquele jeito alheio, o olhar longínquo, o ar sempre distante e o comedimento com tudo. Tudo, menos comer. O homem comia como um tigre faminto. O correto seria compará-lo a um abutre, pois não fazia restrições quando se tratava de culinária, mas tal paralelo soaria grosseiro, então fica como está.
Trocaram telefones e começaram a sair.
Ele levou algum tempo até perceber suas reais intenções, mas percebeu. Ela levou algum tempo até notar que seria necessário dar indiretas que de indiretas não tinham nada para trazê-lo ao encontro de seus anseios, mas notou. Depois de breve período de romance, ele revelou que também a havia notado no dia do jantar, que ficara encantado com sua presença, seus olhos vivos e seus comentários perspicazes.
Ela sabia, graças aos romances passados, que namoros se resumiam a duas coisas: fazer sexo e comer. E sabia que seu namorado era um legítimo bom-garfo e, também por isso, apreciava sua companhia nas refeições. Mas seu grande apetite lembrou-a de certas teorias que diziam que homens muito vorazes à mesa também o eram na cama, e não via a hora de tirar a dúvida.
Certo dia em que seu pai viajou - a mãe vivia alhures -, convidou-o para jantar em casa. Ele aceitou inocentemente, como um bezerro que caminha ingenuamente para o matadouro, sem saber que nas próximas horas tornar-se-á um suculento pedaço de vitela.
Chegou pontualmente e, com os trejeitos tímidos de sempre, sentou-se empertigado no sofá da sala, como um desempregado prestes a enfrentar seu futuro chefe. Recusou copos d’água, cafezinhos, refrigerantes. Por fim, aceitou um tira-gosto e uma taça de um merlot que melhorava na adega havia alguns anos. Assistiram à programação da TV a cabo entre carícias leves, que foram se intensificando até que o controle remoto foi ao chão com estrépito quando ele se levantou e, demonstrando surpreendente força física, ergueu-a pela cintura com um braço, enquanto, ávido, mordia-lhe o pescoço e abria o fecho do sutiã habilmente utilizando apenas três dedos.
Entre beijos, ela sugeriu que fossem para o quarto e ele a levou sem colocá-la no chão, acariciando seus seios com uma das mãos.
As teorias se provaram verdadeiras. O homem era, de fato, um incubus! Ele a deitou na cama com gentileza que não condizia com o modo fremente com o qual os lábios, língua e dentes percorriam seu pescoço, queixo, nuca, boca e orelhas. Retirou sua calça jeans com espantosa velocidade e apenas pedaços de sua calcinha foram encontrados no dia seguinte, espalhados por todo o aposento. A seguir despiu-se com igual velocidade e juntou-se a ela sob os lençóis.
O rapaz alternava carinhos insolentes com carícias de desmedida ternura. A língua dele percorria cada milímetro de seu corpo, suas sensações tão transitórias que era difícil compreender o que acontecia. Mas ela compreendia e adorava. Gemia de agrado quando ele, virando-a de bruços e mordendo-a das nádegas até o pescoço, sussurrava elogios despudorados em seu ouvido. Gemia duas vezes mais quando, no instante seguinte, com um movimento brusco, ele a girava na cama, colocando-a em decúbito dorsal, e trafegava por seu corpo com mãos ágeis apertando, afagando, arranhando e massageando, e com a ansiosa boca beijando, lambendo, chupando e mordendo. Chegava até seu baixo ventre, até seus grandes, gotejantes lábios, e, entre volteios calculados e investidas competentes com a língua, que a faziam estremecer, dizia obscenidades inenarráveis que, somadas à sofreguidão de seus gestos, faziam-na pensar que estava prestes a perder o juízo.
Em um instante lambia-lhe os pés, chupava-lhe os dedos, abocanhava-lhe os calcanhares. No próximo segundo já estava manuseando seus mamilos, mordiscando-lhe o púbis. Não lhe pedia nada, não lhe dava ordens, nada lhe perguntava. Perscrutava seu corpo como se lho pertencesse, e a essa altura do campeonato já pertencia. Ela apenas mordia os lábios, voluptuosa, gemia, urrava, gritava, implorava por mais, arranhava-se, agatanhava-o, raspava as paredes, desalinhava os cabelos, descontrolava-se.
Ele murmurou em seu ouvido, em dado momento, que iria apresentá-la à sensação de descer na maior montanha-russa do mundo e riu o riso sem-vergonha dos devassos. Em seguida jogou as duas pernas dela para cima e, introduzindo-lhe dois dedos, apertou algum botão - até então desconhecido a ela - que causou efeitos imediatos. Após intermináveis segundos que chegaram ao fim mais rápido do que gostaria, seu corpo inteiro convulsionou-se como que tomado por um surto epilético. Sentiu os lençóis encharcados com a torrente de satisfação que escorria entre suas coxas lânguidas.
Depois de tão violento orgasmo, deixou-se desfalecer. Chegou a sentir a vista escurecer e o quarto girar, mas ele, veloz, apertou seu pescoço num gesto agressivo de quem tenta sufocar outrem. O afogamento súbito, em vez de apagá-la de vez, trouxe sua consciência novamente à tona. Resfolegando, olhou para ele.
Os olhos, antes aéreos, pacíficos, estavam completamente diferentes. Fitava-a como um gato que observa a presa encurralada. Não havia nada do ar distraído de outrora, apenas o olhar decidido do agressor sobre a vítima. Tremeu de espanto, mas, mais do que isso, tremeu de prazer. E ele, após assediá-la com nova série de preliminares, penetrou-a com toda a pujança de seu sexo furioso, subversivo e insaciável.
Foi uma longa noite. Fizeram amor, sexo, transaram, foderam, fornicaram… deixaram-se levar pela luxúria. Entre uma rodada e outra da mais pura, feliz e realizada safadeza, atacavam a geladeira. O mesmo apetite que ele manifestava com a comida, dirigia a ela, a seus fluidos, a seus orifícios, a toda sua anatomia. Ela descobriu no próprio corpo algo entre doze a dezessete zonas erógenas, antes desconhecidas.
Passaram a dormir juntos quase todas as noites. O pai dela, um homem instruído, com boa cabeça, razoável, não interferia no direito da filha - maior de idade, responsável, inteligente - de dormir com o namorado. Inclusive lhe agradava a companhia do rapaz. Conversavam sobre esportes, música erudita, livros, notícias, assuntos gerais, enfim. Bebericavam dos bons vinhos da adega. Um semillon para acompanhar foie gras, um cabernet para melhorar a degustação de queijos e outros frios.
A moça ficava feliz em ver o pai se dando tão bem com o namorado, em notar como as conversas rendiam horas e horas de assunto e em ver como o apetite sexual vigoroso de seu parceiro não arrefecia. Era impossível se conter durante as intermináveis maratonas de descaramento e, não tivesse o velho sono tão pesado a ponto de resistir aos próprios roncos, amargaria noites insones ao som das sessões de ode aos prazeres carnais da filha.
Um dia marcaram de se encontrar na rua. Ele iria buscá-la na saída do estágio.
Chegou um pouco atrasado, alegando que perdera a noção do tempo durante uma reunião de membros de seu partido. Trajava uma camiseta do PFL. No vidro do carro, os inconfundíveis adesivos de apoio aos candidatos do partido da frente liberal: Arruda e Paulo Octávio.
Incapaz de tolerar tamanha sem-vergonhice, ela terminou o namoro dois dias depois.
