Arquivo da categoria 'quadrinhos'
Por volta de 1995 (ou talvez fosse 1994… hm…), como um prelúdio para o que viria a seguir, como um aviso de “vejam só, vamos naufragar com esta merda, a indústria de quadrinhos está prestes a ir ao fundo do poço e cavar mais 30 metros”, o pessoal da DC Comics resolveu que seria uma boa matar o Super-Homem. Claro que era querer demais que eles, já que iriam partir para tal cretinice, simplesmente usassem um inimigo já existente, como Lex Luthor ou Brainiac ou qualquer outro sujeito desses. Não.
Se iam fazer merda, tinham que fazer direito. E aà criaram um sujeito novo. Apocalipse.

Claro que, pros padrões do Super, foram grandes histórias.
O fato é que ficamos sabendo depois, nessa terceira história, da caracterÃstica mais interessante a respeito do Apocalipse: ele “não podia” ser morto (na DC NINGUÉM pode, até que o editor-chefe prove o contrário, mas enfim). Ele podia levar um sacode servido, cair aparentemente morto por meses, anos, talvez, mas iria se recuperar e voltar a sair por aà matando tudo o que se movesse, com um diferencial: seria imune a tudo aquilo que tivesse conseguido a proeza de feri-lo em sua “última morte”.
Bom, é a DC. Temos que relevar.
Uma habilidade notável, essa de se imunizar contra o que já te feriu antes. O tipo de coisa que é preciso desenvolver. Claro que isso não significa, em absoluto, que alguém que tenha sido atropelado por uma betoneira - e sobrevivido, já que milagres acontecem - deve sair por aà ignorando o tráfego e caminhando pelo asfalto como se fosse invencÃvel. Mas acho que desilusões e mágoas criam uma certa capa protetora em torno das pessoas que as impedem de viver aquele sentimento de desgraça final que se tem diante de alguns fatos particularmente desagradáveis.
Não é bem o lance do Nietzsche de “o que não me mata me torna mais forte” (frase da qual eu discordo, em parte graças ao exemplo do caminhão), mas também não deixa de ser.
É interessante ver que, apesar de estar longe do ideal, alcancei um grau de isolamento e abstração, com relação a determinados problemas, que beira o zen. Óbvio que não foi à toa: o ano passado foi especialmente severo comigo em alguns pontos e esse começo de 2005 também não deu muita trégua. De todo modo, cheio de cicatrizes e hematomas, pisoteado, cuspido e ainda com lama até o pescoço, toco o barco adiante e ligo o botão de foda-se.
Os problemas, afinal, servem pra isso: são a bateria mais eficiente que existe para o campo de foda-se natural que todo ser humano tem (mas que poucos sabem, de fato, ligar). Se, depois de algum tempo, você consegue ver os murros na cara do passado como um tapinha nas costas, um “vai por ali, ó, que é o caminho certo”, parabéns!
Seu foda-se está ligado e funcionando a contento.
Claro que isso não funciona para murros na cara REAIS, ok? Eles SEMPRE vão quebrar seu nariz, não existe imunidade a isso. Só achei que devia ressaltar.
Moveu-se rápido como um raio. Não, essa não é a melhor comparação. Moveu-se MAIS rápido que um raio, e sem deixar cair sequer um dos 8 civis inocentes que carregava nos braços. Suas asas batiam com força enquanto fazia um rasante pela avenida mais movimentada da cidade. Atrás dele, seu arquiinimigo disparava temÃveis rajadas laser, enquanto, entre risadas maléficas, expunha seu complexo plano para contaminar o reservatório de água da cidade.
Mas os ataques não eram suficientes para atingi-lo, assim como o falatório não bastou para livrar o vilão da justiça.
Mais uma vez, ganhara do prefeito a chave da cidade. Voltava voando para o trabalho, pronto a reassumir sua identidade secreta, quando uma sirene soou.
Acordou chorando pela terceira vez na semana, num misto de tristeza e fúria com aquele rádio relógio que insistia em trazer-lhe ao mundo real. Chegando em casa depois do trabalho, queimou toda a coleção de quadrinhos.
Fez uma assinatura do jornal local.
Esses sonhos de super-heróis estavam tornando frustrante sua vida.
* Odeio esse termo.
Vagabond vai deixar de ser publicada só por alguns meses, segundo a Conrad. Mas eu sou macaco velho com essas coisas e, via de regra, quando uma revista pára de ser publicada, geralmente não volta mais às bancas. Acho que a única exceção que eu vi a isso foi Yuyu Hakusho.
Espero que o Takehiko Inoue continue o que começou. Apesar dessa parada ser boa - desde que seja momentânea - pro meu bolso, já que serão R$ 6,30 a menos nos meus gastos mensais, lamento profundamente que uma das duas revistas que me fizeram retomar o gosto pelos quadrinhos deixe o mercado.
Na verdade, na verdade MESMO, eu tô é doido pra ver o Kojiro descer o sarrafo no Ito Ittosai, o Musashi baixar o cacete nos Yoshiokas, os dois saÃrem na porrada e o Matahachi se foder bonitamente*.
Maldita ansiedade.
Na época em que comecei a colecionar revistas em quadrinhos (ali pelo final da década de 80, quando aprendi a ler por pura insistência), eu não dava a menor pelota pra situação em que ficavam os meus gibis. Eram todos da turma da Mônica, já que eu achava os da Disney um porre e não gostava dos quadrinhos “adultos” (maneira como eu classificava as revistas de super-heróis) porque achava os balões grandes demais.
Quando troquei Mônica por Conan e este por Homem-Aranha, continuei seguindo a mesma linha de pensamento: “Foda-se a situação das revistas, desde que dê pra ler, tá valendo”.
Um dos gestos que eu cometia na época, e que hoje julgo uma heresia, era o de arrancar a orelha da página que estava lendo - não me perguntem por quê - e ficar brincando com ela entre os dedos até passar à página seguinte. Então arrancava a orelha seguinte e ia assim até terminar a revista (e as orelhas). Também dobrava a revista no meio, sabe como é? Quando você segura com apenas uma mão, botando uma página para trás. E era tão desorganizado que muitas edições que comprei sumiram de lá pra cá (inclusive minhas Marvels, que pretendo comprar de alguém no Mercado Livre assim que tiver grana). Outras ficaram tão detonadas que tive que substituir.
Enfim. Eu era um esmeril com as minhas revistas, a verdade é essa.
De um tempo pra cá, entretanto, passei a ser mais cuidadoso. Briguei um bocado aqui em casa pra ficar com o espaço central do guarda-roupas do meu quarto, de modo que pudesse armazenar minha coleção de maneira mais cuidadosa. Passei a manter as edições organizadas por tÃtulo, editora, nhé nhé nhé nhé, imimimi.
Uma viadagem que só vendo.
Isso não era muito trabalhoso. Tudo o que eu tinha que fazer era colocar a revista na pilha correta quando terminasse de ler. Simples. Fácil.
Pois não era o suficiente. Eu me odeio e adoro me sacanear. Então fui à Brassaco e comprei um pacote de plásticos com 20 e alguma coisa x 10 e algo cm. Pra embalar minhas revistas, impedir que fiquem empoeiradas, sabe como é. Pois comprei e é uma baita mão de obra embalar essas porcarias. Porque, você sabe, não é só colocar a revista dentro do plástico e pronto: é preciso dobrar o saco direitinho, colocar durex pra impedir que ele abra, depois empilhar as revistas de maneira que não amassem e tal.
Há toda uma metodologia envolvida, compreenda.
Mas, por pior que pareça, ainda não era suficiente. Não. Eu tinha que me punir MAIS. Tinha que me dar mais trabalho. Resolvi baixar o Comic Collector e gostei da interface do programa. Daà a decidir catalogar TODA a minha coleção foi um pulo. E isso tá me dando um trabalho do caralho, porque, além de desocupado, eu sou perfeccionista, e essa é minha ruÃna. Então não basta colocar o n.º da edição e o tÃtulo. É preciso colocar o nº da edição, o tÃtulo , o roteirista, o desenhista e o arte-finalista de cada história, a editora original, a editora que publicou aqui no Brasil, quando a revista foi lançada, o preço de capa, em que qualidade ela se encontra, que personagens aparecem nas histórias com um resumo de cada uma, escanear capa e contracapa… enfim. Um porre.
Na boa, tô achando que meu hobby tá virando obsessão. Preciso arranjar rapidamente alguma coisa pra fazer!
* Coloquei esse tÃtulo no post porque tava ouvindo essa mp3 quando comecei a escrever. E porque me deu vontade.
Sabe qual é o grande problema da DC Comics? Ela não se leva nem um pouco a sério. E, por conseqüência, caga e anda - com toda solenidade que tal ato permite - para seus leitores. É triste, mas é verdade.
Desde 1999 que a Marvel vem investindo pesado em cinema. X-Men, Hulk, Demolidor, Homem-Aranha e Justiceiro já saÃram nos cinemas com produções respeitáveis. Quarteto Fantástico, Homem de Ferro e Namor estão por vir. E os executivos da empresa responsáveis pelas licenças cinematográficas sabem que o público desses filmes não é formado por criancinhas de 5 a 10 anos, mas por adolescentes e adultos também, daà a exigência de que as produções tenham roteiros bem traçados (na medida do possÃvel), diálogos minimamente inteligentes, personagens com alguma profundidade. Enfim, a Marvel respeita seus leitores e os leigos em quadrinhos que resolvem assistir os filmes apenas por interesse nos heróis.
A DC, como eu já disse, caga solenemente nesse sentido. Parece que só se preocupa com os desenhos animados que cria (que deixam os da Marvel no chinelo, tenho que admitir), com a grana de seus produtos e em fazer algum dinheiro com filmes ridÃculos. McG foi seriamente cogitado para dirigir o filme do Super-Homem (e se você não sabe quem é McG é porque não viu “As Panteras”, nem “As Panteras: Detonando”, e por isso deveria dar-se por feliz), mas felizmente não emplacou, sendo sabiamente substituÃdo por Bryan Singer (diretor de X-Men e X2); Mulher-Gato, a estrear em agosto, está fadado a ser uma bosta colossal; e eu não apostaria minhas fichas em Batman, apesar do bom cast selecionado para o filme e de todas as fotos empolgantes já divulgadas, porque odeio me decepcionar. Agora, só para que possamos dizer “só me faltava essa”, Jack Black vai interpretar o Lanterna Verde numa COMÉDIA à lá O Máskara! Triste, triste.
A venda de quadrinhos da Marvel apenas cresce, não só nos EUA, mas em todos os paÃses em que são licenciados. A DC, entretanto, não aparenta temer sua inevitável derrocada e cada vez mais dirige-se para o limbo. Porque se eles pensam que Smallville ajuda a vender quadrinhos, estão seriamente enganados. É melhor levarem mais a sério seu público, ou correm o risco de perdê-los para os filhos do Stan Lee.
