Não resisti e desfibrilei o Reimplicantes.
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Ele era pesquisador de música. Sua especialidade era o início do século 20, o teatro de revista, a era do rádio, as marchinhas de carnaval. Conhecia a fundo nomes que vão gradativamente sumindo do conhecimento popular, principalmente Lamartine Babo. Cantarolava as coisas mais inusitadas, que te faziam imaginar que eram composições dele, retiradas ali, no momento, daquela cabeça de pensamentos vagos, aéreos, insondáveis. Não eram. Eram boas músicas antigas que caíram no esquecimento.
Ela trabalhava com música. Tinha um projeto grande de ensino de música a crianças de comunidades carentes. Formou uma orquestra só de meninos e meninas de famílias de baixa renda que aprenderam, a duras penas, a tocar instrumentos de sopro. Carregava-os pra cima e pra baixo, se apresentaram em vários lugares do país e fora dele. Falava dos meninos dela com a paixão de quem vê em ajudar as pessoas o objetivo mais agradável, divertido e nobre que existe.
Formavam o casal mais legal que já conheci, mas ele foi embora em 2006. Ela - saudades, talvez? - foi agora, em 2008.
A vida é uma coisa tão besta…
Minha irmã fala sobre a Tina com muito mais propriedade do que eu, até porque eram mais próximas.
