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Infidelity

Toca Regina Spektor na novela das 8 da globo!

Regina Spektor, para quem não conhece, é uma cantora cujas letras lembram aquelas abominações musicais da Phoebe Buffay, de Friends, e que se veste igual à Olívia Palito. Aquela, do Popeye.

Regina Spektor também é uma dessas cantoras idolatradas por pessoas alternativas que gostam de músicos que ninguém conhece.

Me diverte ficar imaginando os fãs da moça espumando de ódio, ao ver um de seus ícones sendo apresentados ao grande público. Mais legal que isso, só se ela vier ao Brasil fazer shows e as apresentações ficarem superlotadas de fãs instantâneos!

Nerdice, TV e cinema (por alto)

Àqueles de vocês que não lêem quadrinhos, existem duas grandes empresas nessa indústria, a Marvel e a DC. Não existem SÓ essas duas, mas elas são as maiores, ou ao menos as que detêm os direitos dos super-heróis mais conhecidos. A DC é dona dos mais icônicos, como Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, toda a Liga da Justiça, enfim. A Marvel é responsável pelos mais “modernos” (surgidos de 1960 pra cá, em sua maioria), mas já conhecidos, como o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Capitão América, X-Men, Hulk, Thor, Demolidor, etc, etc.

Não sou lá muito fã da DC. Salvo um ou outro personagem (no momento só consigo me lembrar do Batman, mas estou certo que existem outros), eles nunca conseguiram atrair muito minha atenção. Meu problema com essa editora é que ela não tem heróis, mas franquias. É possível criar pelo menos uns 15 (e estou chutando baixo) títulos mensais só com personagens que carregam aquele S poligonal do Super-Homem no peito. Junte a isso a horda de Batmans e Mulheres Maravilha e dá pra fazer uma editora só com eles. São incontáveis Flashs, toda uma família de Capitães Marvel e INFINITOS Lanternas Verde. Não tenho saco pra essas coisas.

A Marvel é um pouco mais contida nesse sentido. Embora tenha aprendido alguns truques detestáveis com a Distinta Concorrência, como desrespeitar a morte de personagens - substituindo os falecidos por versões mais jovens com os mesmos poderes - ou matá-los só pra levantar grana - despertando-os inexplicavelmente (ou de forma mal explicada, não sei o que é pior) alguns números adiante -, ainda a acho mais “consistente” que sua rival. Além do mais, os personagens da DC são espalhados e über-poderosos demais pra minha cabeça. Na Marvel todo mundo está ali em Nova Iorque e, à exceção das tentativas frustradas da editora de criar sua própria versão do Azulão, o limite de poder dentre os heróis (ao menos entre os da terra) é muito restrito.

É claro que as duas editoras têm sua série de pisadas na bola. A DC, como já disse, gosta de matar os heróis - ou aleijar, como fez com o Batman -, ressuscitá-los com novo uniforme e novos poderes, se arrepende e dá uma remendada medonha para retorná-los ao estado original. A Marvel prefere ampliar ou reduzir os poderes, de acordo com a vontade dos editores, fazer histórias paralelas do mesmo personagem sem explicar por que os acontecimentos de uma não influenciam os da outra, causar catástrofes no título de um herói que passam despercebidas na revista de outro personagem, ainda que os dois morem na mesma cidade - uma cidade que é uma ILHA, ou seja, não tem muito como ignorar os acontecimentos da vizinhança - e apelar para soluções absurdas para suas cagadas editoriais, do tipo “ele fará um trato com o diabo e todo mundo no planeta, inclusive ele, esquecerá que um dia tal e tal coisa aconteceu”. O problema é que os leitores não esquecem, não existe pacto com o demônio que resolva ESSE problema.

Da mesma forma que cada uma tem seus pontos fracos, também tem seus pontos fortes. A Marvel parece ser mais atenta ao que o público gosta de ver no cinema e procura fazer bons filmes - o que geralmente acontece, se você esquecer Elektra, Demolidor, Motoqueiro Fantasma e baboseiras semelhantes -, enquanto a DC, que é uma tristeza na tela grande, sabe muito bem o que o público gosta de ver na TV, lançando animações competentes, como Batman Volume 2, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites. A Marvel falha miseravelmente com seus desenhos animados. Tome como exemplo os dois longas dos Vingadores lançados em 2006 (você não ouviu falar porque quase ninguém ouviu), que, não obstante tenham sido feitos como longa-metragens, parecem ter orçamento menor que o de UM episódio de Liga da Justiça Sem Limites.

Essa regra, entretanto, parece estar começando a mudar. Os últimos lançamentos cinematográficos da Marvel foram de dar pena (o já referido Motoqueiro Fantasma, X-Men 3 e Homem-Aranha 3) e definitivamente caíram MUITO em termos de qualidade, se comparados aos filmes que abriram as franquias. A DC acertou (dadas as devidas proporções, claro) duas vezes, com Batman Begins e Superman Returns (que dá suas derrapadas, mas é um filme válido, ao contrário de Mulher-Gato, por exemplo). E agora a qualidade dos desenhos da DC parece estar caindo. Aparentemente a empresa resolveu entrar numa onda de tentar fazer animes, mas sem a competência dos japoneses pra esse tipo de negócio. A Marvel, por outro lado, atraiu a atenção do público com Quarteto Fantástico (que, apesar de não ser grande coisa, está anos-luz à frente dos últimos desenhos estrelando heróis da editora) e agora aposta em The Spectacular Spider-Man, nova animação do amigão da vizinhança, recém-lançada nos EUA, dia 8 desse mês.

The Spectacular Spider-Man

O traço me pareceu muito clipe-do-Gorillaz, um lance meio Marvel Mangaverso - e isso é uma crítica, e não um elogio. Mas o roteiro me interessou, de todo modo, já que pretendem tratar do começo da carreira de super-herói de Peter Parker, então com meros 16 anos. Também me chamou a atenção o fato de um dos responsáveis pelo desenho ser Greg Weisman, que trabalhou em The Batman (série que naufragou, mas que eu gostei bastante). Infelizmente ainda não há data de exibição prevista para o Brasil, embora a Rede Globo já tenha comprado os direitos (mas os sites de Torrent estão aí pra isso, afinal de contas). Segue o trailer da parada, lançado pela Marvel na San Diego Comic Con:


A confirmação da mudança (ou não) de maré de qualidade entre as duas editoras virá com a disputa, esse ano, entre Iron Man e Batman: The Dark Knight. Pelos trailers, nenhum deles me parece propenso a falhar nas bilheterias, mas o Hulk de Ang Lee também se mostrava uma promessa e tanto, antes de ser lançado em 2003 e atrair o horror da maior parte dos fãs de filmes de quadrinhos. Aguardo ansiosamente pelos dois (e pelo novo Hulk, ainda que eu tenha certeza que o fato da calça do gigante esmeralda não rasgar quando ele mudar de Ed Norton pra animação computadorizada vai causar reclamações entre os espectadores, doidos pra verem uma enorme piroca verde surgindo na tela do cinema).

Até lá, vou assistindo os episódios de The Spectacular Spider-Man baixados na internet (ou verei no Cartoon Network, se a série aportar por lá). Pro caralho com a emissora dos Marinho.

[Atualização]: Vá atrás do desenho AGORA e assista. AGORA. E a música tema é FODÁSTICA (dá pra baixar nesse link).

Aviso:

Hoje tem Mano Brown no Roda Viva, na TV Cultura, às 22h40m.
Quem quiser pode mandar perguntas pelo site do programa.

Essa entrevista vai ser memorável…

Das soluções difíceis

Uma criança morreu depois de ser arrastada por sete quilômetros. E todos nós ficamos tristes e revoltados, mas não pelos motivos certos. Já somos cínicos e endurecidos o suficiente para não dar a menor bola para a morte de uma criança, ainda que o fato se dê com crueldade suficiente para causar comoção mesmo entre os mais insensíveis agentes da Inquisição Espanhola.

Não ficamos tristes e revoltados porque um menino morreu, ou porque morreu de forma atroz. Ficamos tristes e revoltados porque o Jornal Nacional disse que deveríamos nos sentir assim. Porque William Bonner e Fátima Bernardes, com olhar sombrio e voz pesarosa, deram a notícia em tom de horror, indicando a postura a ser adotada diante desse fato nauseabundo.

E porque, por vários dias, fomos metralhados com todo tipo de narrativa a respeito do menino inocente. Como estava seguindo o inquérito policial. Como ele fora arrastado por 7 km preso no cinto de segurança. O que a mãe dissera aos assaltantes antes que eles arrancassem com o carro, arrastando um menino de 6 anos por 70 hectômetros de asfalto. O que os assaltantes responderam à senhora de classe média ao fugir com o veículo e um garoto pendurado, conduzindo-o contra o solo áspero por 700 decâmetros. Onde o corpo do menino mutilado foi encontrado, sete mil metros além do local do crime.

E demonstramos revolta. E demonstramos tristeza. Mas pelo fato? Ou pela Globo? Pela família? Ou por nosso nicho social? Por solidariedade? Ou porque não tivemos opção?

Na mesma época em que se comentava a morte bárbara do menino de classe média, quantas outras crianças na mesma faixa de idade, mas em diferentes faixas sociais, não foram assassinadas de maneira tão - ou mais, se é que é possível - feroz? E quantos índios de 5, 6 anos não morreram de fome em reservas do centro-oeste e norte do país? E quantos meninos de rua com um ano a mais ou um ano a menos não foram violados, espancados, explorados ou mal-tratados de qualquer maneira?

Nossa revolta não é pela morte de um garoto de 6 anos arrastado preso no cinto de segurança de um carro. Nosso espanto só acontece porque um garoto de classe média foi morto pela miséria que tanto gostaríamos de ignorar. Ninguém vê qualquer problema quando miseráveis matam miseráveis. Quando esfaimados, desnutridos, analfabetos e marginais dão cabo de outros esfaimados, desnutridos, analfabetos e marginais. Quando a polícia do Rio de Janeiro, após uma guerra de gangues, retira os corpos do local em carrinhos de mão, cadê as missas da igreja católica no local do incidente?

E quando menininhas de 6 anos da favela da rocinha são atingidas no estômago por balas perdidas e morrem sangrando a caminho do hospital, onde estão os condoídos que colocam vasinhos de flores simbólicos marcando o ponto culminante da tragédia?

E quando a polícia faz uma batida num bar e mata meninos de 13, 14 anos jogando bola na rua, por que ninguém cria comunidades no orkut?

A classe média não se une, vestida de branco, com cartazes inúteis exibindo nomes de mortos ilustres, nesse tipo de situação. E a classe média não clama por cessar fogo para os que são baleados longe de seus domínios. O que a classe média não aprendeu é que não existe mais domínio. É que não existe mais classe média. Temos os muito ricos, escondidos atrás de suas prisões particulares. E temos os miseráveis, considerando maneiras de chegar até eles. No meio, estamos nós. Pendurados no cheque especial. Imaginando maneiras de parcelar um IPod. Sonhando com um Meriva zero. E os malditos desgraçados que tentamos com tanto empenho murar fora de nossas propriedades insistem em invadi-las. E os pobres famintos e bem-armados que deveriam se restringir a matar outros pobres famintos e bem-armados insistem em atirar contra nós. Recusam-se a morrer em silêncio, como os índios. Recusam-se a dar sossego, a desaparecer, a sofrer seu destino inexorável de esfomeados miseráveis em suas favelas, periferias, guetos, pocilgas.

E eles estão descobrindo que a mesma tenacidade que demonstram para chamar nossa atenção, atazanar nossas vidas, subtrair nossos bens e tomar migalhas do nosso dinheiro, nós demonstramos na hora de ignorar suas mazelas.

Mas nem tudo está perdido. Pelo menos não enquanto ainda tivermos as dondocas de Copacabana para fazer passeatas pedindo paz. Enquanto tivermos florzinhas para colocar no MSN. Enquanto pudermos criar tópicos e comunidades no orkut. Enquanto pudermos discutir maneiras de dar cabo dos miseráveis com a mesma violência com que eles procuram nos aniquilar.

Porque quando percebermos que nada disso adianta, teremos que adotar uma solução que, tal qual a morte do menino João Hélio, será drástica, brutal, chocante e difícil de explicar para as gerações futuras: uma que funcione.

ARE YOU THREATENING ME?

Quero uma camiseta com o Beavis bancando o Cornholio no peito e essa fala nas costas:

- You can take me, but you cannot take my bunghole!

Planeta Terra

Estou acostumado a ser mal-interpretado. E não, não culpo os leitores por esse tipo de problema. Meus textos muitas vezes necessitam mais clareza. É lógico que às vezes o leitor simplesmente não presta atenção no que está escrito ou interpreta de forma errônea por manter certas idéias pre-concebidas que vão de encontro ao que está dito, mas prefiro achar que esses casos são minoria.

Uma das coisas que eu faço desde antes desse blog existir, quando ele desexistia e também quando existia antes da desexistência (???), é reclamar que as pessoas são burras. Que as pessoas não pensam, que não se informam, que não se mobilizam, etc e tal. Todo esse papo que pode soar hipócrita (não faço parte de qualquer ong, não leio jornais diariamente, não fico de olho nas atualidades políticas…), mas na verdade não é. Não espero que ninguém vire um ativista por qualquer coisa que seja, até porque isso TAMBÉM é idiotice. Quando digo essas coisas na verdade estou reclamando de quem diz coisas impensadas. De quem comete imposturas. Ou, como diz o livro do Harry G. Frankfurt, de quem “fala merda”.

Meu problema é com ESSAS pessoas: as que falam merda. Porque uma coisa é você não correr atrás de informação, não ser um leitor assíduo das folhas do país, não se manter ligado nos movimentos da política, não ajudar as obras sociais do seu bairro, da sua cidade, do seu estado, do seu país, não colaborar com nada e ficar na sua. É um direito seu. Bom pra você. Parabéns, seja feliz.

Outra coisa é agir como exemplificado no parágrafo acima e ainda assim sair por aí dizendo um monte de merdas, como se soubesse tudo de tudo e fosse o ser humano mais consciente da atualidade.

Mas o ponto onde queria chegar, na verdade, é que não sou um “infólatra”. Não troco um episódio de As Aventuras de Billy & Mandy por meia hora de Discovery Channel, por exemplo.

A menos que esteja passando Planeta Terra.

É difícil explicar o que essa série de documentários tem de mais. Bom, na verdade não é, não. Difícil é saber por onde começar, então vou logo para o ponto mais chamativo: as imagens. Não sei se dão oscars para produções televisivas - acredito que não -, mas essa merecia. Merecia muito. Porque as imagens são cinematográficas. Tudo em todas as cenas parece ter sido programado de antemão pra deixar o telespectador boquiaberto. As cores, os movimentos, os cenários, tudo. Como se um cenógrafo tivesse ido aos lugares antes do cinegrafista para organizar os elementos na tela.

A narrativa é boa! A NARRATIVA! Não existe nada mais enfadonho do que narrativa de documentário televisivo e finalmente temos uma série que rompe tal limitação, acabando com uma tradição que dura gerações. Vai por mim: seus pais viram documentários cuja narrativa dava sono no colégio. Você viu. E seus filhos verão, a menos que assistam Planeta Terra.

Sendo sincero, não sei se é o texto que é realmente bom ou se é porque as imagens são tão magníficas que qualquer merda dita pelo narrador simplesmente não fará diferença. Ele poderia ler o resultado de um exame de sangue enquanto a câmera focaliza quadro a quadro - quadro a quadro MESMO - um gavião morcegueiro caçando morcegos em Bornéu e ainda assim você sentiria um arrepio na espinha. Porque tudo na tela é tão assombrosamente bonito que a série é capaz de transformar o mais empedernido capitalista poluidor da natureza em um ferrenho militante do Green Peace.

E se tudo o que já foi dito a respeito não for convincente o suficiente pra você sentar a bunda diante da televisão por uma hora, todas as terças, às 22h, aqui vai o que eu consideraria o argumento supremo:

A música de abertura é do Sigur Rós.
Eu ODEIO Sigur Rós.

E não consigo parar de ouvir Hoppipolla há três dias.
Sério, assista.