Arquivo da categoria 'televisao'

Clipando

Tava vendo o clipe novo da Cristina (Christina?) Aguilera (Aguillera?) na MIX TV anteontem. A música, como de costume, não vale nada, mas aquela mulher mudou um bocado. De onde vieram aqueles peitos espetaculares? E aquelas pernas grossas? Desde quando ela tem pernas grossas e peitos, aliás?

Mas vamos combinar: aquele cabelo não deu, né?

Tops

TOP 5 MÚSICAS MAIS LEGAIS QUE CONHECI NOS ÚLTIMOS TEMPOS:

1 - Arctic Monkeys - A Certain Romance
2 - The Cardigans - I Need Some Fine Wine, And You, You Need To Be Nicer
3 - L’Arc~en~Ciel - New World (Hydeless Version)
4 - Mogwai - R U Still In 2 it?
5 - Mc Leozinho - Se Ela Dança Eu Danço

TOP 5 MELHORES DESENHOS DO [adult swim]:

1 - Frango Robô
1 - Aquateen: O Esquadrão Força Total
1 - Space Ghost de Costa a Costa
1 - Laboratório Submarino 2021
2 - Harvey, O Advogado

(Com exceção do último, não estão em ordem de preferência)

Não é um apoio. Tampouco uma crucificação.

Agora que já se passou algum tempo - embora não muito - da onda de atentados comandados pelo PCC em São Paulo, acredito que seja necessário fazer algumas considerações. Qualquer um que interprete este texto como um apoio - ainda que longínquo - aos crimes está vendo as coisas de forma muito passional para raciocinar direito.

Minha intenção não é demonstrar apoio a qualquer facção criminosa. Não que seja exatamente um entusiasta do sistema legal brasileiro, mas tampouco sou afeito a causas que se manifestam de forma tão distorcida a ponto de assassinar e aterrorizar cidadãos que não são diretamente responsáveis por essa baiúca em que moramos ser o que é.

Feitas as devidas ressalvas, devo dizer que não antipatizo completamente com os atos perpetrados pelos criminosos paulistas. Acho mesmo que é uma sacanagem das grandes tocar fogo em ônibus e matar bombeiros. Mas, por outro lado, é interessante ver que em um país que sofre até hoje com as seqüelas deixadas por mais de 30 anos de ditadura militar, justamente a polícia militar perdeu - mesmo que apenas por poucas horas - sua posição de impositora da força para se transformar em mais uma vítima desse redemoinho de insegurança e caos em que vive o povo brasileiro.

Quando a polícia se vê entrincheirada e assustada a ponto do governo do Estado mais rico do país ter que fazer acordos com líderes criminosos para que tudo volte à sua normalidade, fica claro que o governo perdeu irremediavelmente as rédeas da situação.

Quando a polícia, tão eficaz na hora de falar grosso com contribuintes honestos e sentar a porrada em populares reclamando direitos, baixa a cabeça e fala fino diante do crime organizado, cresce em mim a esperança de que um dia, talvez, uma parcela - ainda que pequena - do povo se reúna em prol de uma causa nobre, crie uma milícia organizada e torne a queimar delegacias, depredar agências bancárias, casas de políticos, juízes e outras “autoridades” - com as referidas “autoridades” dentro - para finalmente dar um basta nessa sensação que os “poderosos” têm de que podem nos pressionar contra a parede o quanto quiserem.

Reprimiram os repressores. E ainda que a manifestação do poder popular tenha se dado por um grupo que, preferíamos, não existisse e por razões pouco dignas, deixa entrever que não é tarefa das mais árduas.

Esse é o pequeno aspecto que me deixa feliz na história toda. Contraposto a todos os que me entristecem, é totalmente irrisório. Mas de todos esses, o pior é o tratamento dado pela mídia e, por conseqüência, o entendimento dos cidadãos dos acontecimentos. Sim, temos presídios superlotados e boa parte do nosso dinheiro de impostos é convertido em alimento e moradia aos membros rejeitados da sociedade. Sim, essa é uma verdade difícil de engolir.

E um meio extremamente simplista de “acabar” com o problema é, obviamente, explodindo as penitenciárias com os internos dentro. Mas - e digo isso sabendo que leitores mais afoitos vão me chamar de “simpatizante” dos bandidos - essa solução, além de não ser nem um pouco humanitária, é burra.

Burra porque alimentar a ilusão que matar esses pobres-coitados vai resolver o problema é como tentar matar uma hidra cortando-se uma cabeça: para cada uma que vai, duas nascem no lugar.

Burra porque os presídios superlotados e o aumento da criminalidade não são causas dos ataques do PCC, só sintomas - como o PCC em si - da situação absurda em que vive a população de baixa renda desse país. É óbvio que existe gente safada, canalha, cruel, violenta e mau-caráter por natureza, mas é claro que comportamentos socialmente inaceitáveis são externados à medida em que cresce a crença na impunidade. E é óbvio que existe quem roube, seqüestre e mate porque são meios muito simples de se fazer dinheiro, mas é claro que boa parte das pessoas que se envolvem nessas atividades só o fazem por total falta de opção na vida.

Nossa carga tributária é maior do que a de países altamente desenvolvidos, onde o cidadão paga taxas absurdas mas vê todo o dinheiro retornar na forma de ótimas escolas, faculdades excepcionalmente boas, sistema de saúde eficiente, amparo aos desabrigados, diversas opções de lazer à disposição de todos e vários outros benefícios. Nós pagamos valores obscenos de impostos e não temos retorno NENHUM! Uma parcela ínfima da população pode enfiar seus filhinhos em colégios particulares, trancar-se atrás de muros de 4 metros com cercas eletrificadas e assistir o Jornal Nacional numa TV tela plana de trocentas polegadas comendo do bom e do melhor e exercitando a cumplicidade com tudo isso que acontece.

A esmagadora maioria vive um dia-a-dia de Brasil Urgente!, saindo de casa todos os dias à procura de um subemprego qualquer e voltando com uma mão na frente e a outra atrás, dando graças a deus por ainda vestir a roupa do corpo e ter onde dormir. Gente que só tem a atenção dos poderosos em época de eleições, que só recebe palavras de conforto dos asseclas do bispo Macedo.

E a molecada que nasce desses desinformados cresce descalça, doente e desnutrida na rua, vendo a garotada da Malhação - aos olhos deles um bando de alienígenas, com seus padrões de vida de classe média-alta - pagando uma rodada de suco pra galera e se inspirando em adolescentes que, entre uma cheirada e outra, caminham displicentemente portando armamento pesado soviético e vendendo papelotes de cocaína.

As causas da alta criminalidade, do PCC e dos ataques à população de São Paulo não são o PT, não é o Lula, não é o governo federal. Nem são, especificamente, o Geraldo Alckmin, o Cláudio Lembo e o PSDB - embora estes tenham muito mais culpa no cartório do que aqueles.

A causa da criminalidade no país inteiro é todo esse governo que aí está, somado a todos os que já tivemos antes, tudo isso multiplicado pela nossa incapacidade de demonstrar um mícron de compaixão e solidariedade com aqueles que afundam cada vez mais porque quem está por cima não se cansa de subir usando como apoio as costas de quem não tem como se defender.

A criminalidade, repito, é apenas um sintoma.
E a doença é nossa incapacidade de mudar.

O Civil Virtuoso

Em 1998 a Abril lançou uma mini-série sensacional chamada Batman Preto e Branco. Quatro edições, cada uma contendo quatro histórias curtas do morcego desenhadas/ilustradas por grandes nomes dos quadrinhos, como Neil Gaiman, Joe Kubert, Matt Wagner, Chuck Dixon, Archie Goodwin, Richard Corben, Bruce Timm, Klaus Janson, Dennis O’Neil e Katsuhiro Otomo.

Dentre as 16 histórias brilhantes que tive o imenso prazer de conhecer, uma em particular merece menção. Chama-se “crimes triviais” e trata exatamente sobre isso: um cidadão de Gotham que se autodenomina “O Civil Virtuoso”, sai pela cidade - armado de uma pistola e uma forte noção de regras de conduta - assassinando pessoas que não seguem os princípios mais básicos da vida em sociedade, como um sujeito que não limpa a sujeira de seu cachorro da calçada ou dois moleques inconvenientes que insistem em conversar dentro do cinema.

Por mais que essa opção seja extremamente sedutora - deus (se é que ele existe) sabe como eu acordo querendo uma metralhadora só pra ter o prazer de passar fogo nos miseráveis que entram na minha quadra às 3 da manhã cantando pneu - é claramente errada. A partir do momento em que aceitamos viver em sociedade, cercados por outros seres humanos, admitimos a possibilidade de alguns (muitos, na verdade) deles sofrerem da gravíssima doença que é a total falta de bom-senso, e é necessário tolerar isso - claro que guardadas as devidas proporções.

Baseado nesse princípio do respeito mútuo para com as falhas alheias - e sabendo que falar é muito bonito, mas fazer é que são elas, e que determinados indivíduos jamais colocariam isso em prática sem uma “leve” prensa da maioria - um dia alguém teve a idéia de criar um sistema de leis (o que é uma boa coisa, por um lado, mas acabou gerando os advogados, por outro, e isso definitivamente é uma desgraça das grandes), e acredito que uma das mais básicas sempre foi a máxima do “não matarás”. Não só é uma lei, prevista no código penal de - acredito eu, e corrijam-me se estiver errado - todos os países do mundo, mas também um preceito moral - e cristão, diga-se de passagem - muito forte. Matar alguém é, moralmente falando, uma falha gravíssima, principalmente de acordo com o cristianismo.

Todo o princípio das religiões cristãs é contra a mera contemplação da possibilidade de tirar a vida de alguém. E sendo o cristianismo a religião vigente nessa nossa sociedadezinha muquiça, nossa sociedadezinha muquiça deveria ser contra assassinato, certo? Deveríamos todos nutrir sentimentos altruístas de amor ao próximo, de tolerância e respeito com as falhas alheias, de boa-vontade para com os necessitados e todas essas coisas muito bacanas que o tio hippie das extremidades furadas fazia tanta questão de passar adiante que até mandou os lac… ehr… apóstolos dele escreverem num livro, de modo que aquelas mensagens legais estivessem disponíveis para a humanidade até o fim dos tempos.

Sabia o que tava fazendo, o Jotacê!

Nós não sabemos.

A maior prova disso poderia ser a absolvição dada ao coronel Ubiratan Guimarães pelo massacre dos 111 presos do Carandiru. Poderia, mas não é.

A maior prova disso é o coro de uma grande parcela da população que apóia tal decisão. Como assim “o cara não fez nada errado”? Como assim “bandido bom é bandido morto”? Por que é que eu, um maldito herege que acha o cristianismo uma piada de péssimo gosto e tem uma visão muito mais frívola sobre o valor da vida humana, acho isso um barbarismo sem tamanho e os pretensos cristãos, aqueles que dão a outra face e amam seu próximo, apóiam tal comportamento?

Talvez porque eu concorde com o bordão do Civil Virtuoso: o colapso da civilidade é o colapso da civilização. E por civilidade compreenda-se, dentre muitas outras coisas, tratar de forma humanitária até o mais depravado dentre os párias. E por civilidade compreenda-se também ser justo e dar às vítimas, se não o direito à vida, pelo menos chance de defesa.

Invadir uma casa de detenção cheia de presidiários desarmados com um batalhão de operações especiais carregando armas de fogo pesado e com ordens para matar foi, além de desumano, covardia.

E se pra ser cristão é preciso compactuar com isso, acho que vou fundar uma seita satânica.

El Condado Laranja

Um tema que eu sempre abordei aqui - porque sempre me surpreendeu - é a incoerência das pessoas, em especial da juventude de classe média a alta (até porque esses idiotas freqüentam mais ou menos os mesmos lugares que eu, ou, vai saber, sou eu que freqüento mais ou menos os mesmos lugares que esses idiotas). O que me impressiona desde sempre é como os valores mudam abruptamente, às vezes da noite pro dia. É como nêgo senta em cima do rabo pra rir do rabo dos outros.

O que anda me intrigando atualmente é aquela série estúpida que passa no Warner Channel (acho que no SBT também): The OC.

Parei dia desses pra ver um episódio daquele negócio e não é nem um pouco diferente das novelas mexicanas. Produções que são apedrejadas pelo mesmo público que adora OC. Me surpreendeu. Quero dizer, eu já assisti uns pedaços de Dawson’s Creek, Days Of Our Lives e Beverly Hills 90210 (vulgo “Barrados no Baile”), as conhecidas Soapoperas americanas, tão ruins - ou até piores - quanto as produções panamenhas recheadas de personagens com nomes duplos (Pedro Augusto, Maria Joaquina, Cláudio Arquimedes, Claudionora Josefa, Hermenegildo Suetônio, etc, etc, etc). E, embora pareçam muito diferentes, são todas iguais. Sério. Perceba. Vendo três ou quatro capítulos de uma você logo saca a fórmula, e aí é só aplicar às outras.

Uma constante nesse tipo de produção é a ineficiência de laços amorosos. Parece que todo aquele dramalhão superficial e rasteiro é apenas pano de fundo pra perpetuação do amor livre hippie. No fim das contas, os produtores só criam essas séries pra botar todo mundo comendo todo mundo, individualmente e/ou em grupo.

Mas o que mata são as tentativas de criar identificação do público com o personagem principal por meio de situações de suposto cunho dramático. Sério, 90% daqueles problemas de relacionamentos existentes entre os personagens seriam facilmente superáveis se todo mundo não fosse tão recalcado, reaça e estereotipado. Por que o protagonista não pode, só de vez em quando, largar aquele negócio de “estou em pleno crescimento pessoal, então preciso tentar agir de forma madura” e mandar alguém tomar no cu? Cara, mandar as pessoas tomarem no cu te priva de tanta dor de cabeça que isso deveria ser uma das primeiras recomendações de todos os pediatras para seus jovens pacientes:

- Lembre-se, meu filho: seus pais, professores, colegas de classe e demais conhecidos merecem, de tempos em tempos, que você os mande tomar no cu. Isso vai criar neles um senso de humildade e impedi-los de levar até você problemas que não são seus!

Mandar os outros tomarem no cu é terapêutico. Já mandou alguém tomar no cu hoje? Não?
Bom, então vai tomar no cu e faz logo isso.

Mas o que eu dizia é o seguinte: OC é ruim pra caralho. Dramalhão rasteiro, tenha dó! Quando será que vão parar com essas coisas? Será que cinco ou seis temporadas de Dawson’s Creek não foi castigo suficiente? O que fizemos para as redes de TV, afinal? Se é pra ver seriados com personagens arquetípicos cujas interpretações são tão ruins quanto um chute no saco seguido de sete tratamentos de canal sem anestesia, é melhor partir logo pras mexicanadas cheias de mulheres bigodudas do SBT, que pelo menos não emanam aquela aura de “nossos produtores REALMENTE levam isso aqui a sério, ok?”.

Já que é pra fazer algo ruim de doer, você precisa primeiro aprender a rir de si mesmo.

Sério. Este blog me ensinou isso.

[adult swim]

Não bastasse o sensacional Esquadrão Força Total, agora o [adult swim], do Cartoon Network, também passa Space Ghost de Costa a Costa.

E, sabe, você tem que respeitar um desenho com diálogos assim:

Entrevistada: O Zorak quer que a gente dê um tempo.
Space Ghost: O Zorak pode lamber meu centro de gravidade.

Preciso incorporar essa ao meu repertório.