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[adult swim]

Não bastasse o sensacional Esquadrão Força Total, agora o [adult swim], do Cartoon Network, também passa Space Ghost de Costa a Costa.

E, sabe, você tem que respeitar um desenho com diálogos assim:

Entrevistada: O Zorak quer que a gente dê um tempo.
Space Ghost: O Zorak pode lamber meu centro de gravidade.

Preciso incorporar essa ao meu repertório.

Caindo no erro

Não trato de política por um sem-número de motivos. O principal deles é por ser um assunto extremamente complexo, sujeito a uma quantidade tal de variáveis e que necessita um nível tão alto de conhecimento para ser discutido propriamente que simplesmente foge ao meu alcance.

Mas existe um certo fator nessa crise atual que me parece tão óbvio, é tão claro, está exposto de maneira tão evidente que não me conformo por não ser discutido de forma mais enfática.

Aliás, não me conformo exatamente porque ele não é discutido, em absoluto.

E, de tão inconformado, vou cair no erro de escrever algo a respeito aqui, mesmo sabendo quanta dor-de-cabeça isso pode me causar. Mas vou, de todo modo, e ciente das conseqüências.

Me refiro a essa conversa que circula muito em mesas de discussão - principalmente naquela palhaçada que o Jô Soares arma às quartas-feiras - sobre “como o PT desencadeou a maior crise política que o Brasil já teve”. De repente parece que o governo atual é o grande responsável por todas as vergonhas já documentadas na história desse país. Do mensalão ao golpe de 64, do impeachment ao tráfico de escravos, dos porões da ditadura aos anões do orçamento.

Não quero eximir o governo de sua culpa, minha intenção não é tapar o sol com a peneira, apenas me pergunto para onde foram todos os arquivos de todos os jornais, revistas e demais periódicos sobre as inúmeras, infindáveis, inegáveis e insondáveis canalhices já realizadas pelos antigos administradores desta grande sacanagem que, por pura persistência e falta de bom-senso, chamamos de país (quando “pocilga” seria um termo muito mais propício).

Como assim “o governo do PT instituiu o mensalão”? Por que não citam o fato DOCUMENTADO, que, pasmem!, chegou até a rodar nos jornais (mas sem muita ênfase, claro), do presidente anterior, aquele lá, da sigla, ter comprado votos de outros políticos para conseguir engatar determinados processos?

Como assim “a maior crise política dos últimos tempos”, sendo que aquelas perpetradas pelo PSDB e pelo PFL de 1994 a 2002 foram convenientemente ABAFADAS pela imprensa em prol de assuntos que mal mereciam uma nota de rodapé num tablóide de terceira categoria, mas que se transformaram em verdadeiras febres, como o tal “bug do millenium”, por exemplo? Não dá pra dizer que essa é a maior dos últimos tempos, já que os jornalistas fizeram o grande favor de não trazer várias outras à tona (sendo que poderiam), nos privando de outras referências para comparação.

Como assim “é uma vergonha o que o PT fez com esse mandato, a situação em que deixou o país”? Quero dizer, sim, é uma vergonha o péssimo aproveitamento que esses caras fizeram com a maior chance que tivemos de mudar alguma coisa, de fato. É uma vergonha que tenham virado a casaca de repente e partido para as políticas econômicas, quando o que realmente precisamos é de políticas sociais decentes e encaradas com seriedade. É uma vergonha que tenham esquecido um dos carros-chefes de seus projetos de governo, que é a reforma agrária e a solução, esperada há 500 anos, pra uma das maiores injustiças que já se viu na história. Isso tudo é uma vergonha, mas calma lá!

Desde quando essa balbúrdia que batizamos de Brasil é um poço de seriedade, comprometimento e decência governamental? Desde quando o PT foi o responsável pela quebra da máquina pública? Desde quanto o PT é o culpado pela venda das estatais? Fica parecendo até que éramos uma potência antes disso tudo que está aí. Falam desse esquema de pilantragem atual como se fosse o primeiro em muitos, muitos anos, como se há dois séculos não tivéssemos conhecimento de qualquer tipo de baixeza arquitetada pelos nossos representantes eleitos.

QUAL É?

Tudo bem que os jornalistas são todos uns vendidos, que a mídia brasileira só não fica mais marrom porque não tem jeito e que os meios de comunicação desse país são claramente reacionários, corruptos e favoráveis ao retorno das coisas como eram antes, já que tudo estava muito mais confortável sem o risco de, repentinamente, alguém minimamente decente chegar ao poder e dar um basta em todas as prevaricações cometidas com a grana pública.

Mas daí a chamar a população INTEIRA de imbecil da forma como vêm fazendo?

Mas daí à população INTEIRA embarcar na onda e colar, com o próprio cuspe, o adesivo de IMBECIL no meio da testa?

Isso supera até as piores previsões do maior dos pessimistas!

Por que ninguém avisa a população que, na verdade, não é que o ACM Neto seja um grande defensor do interesse popular, tampouco são, todos aqueles deputados do PMDB, PSDB e PFL, paladinos que lutam pela justiça a qualquer preço? Por que ninguém avisa a população que o que acontece é que eles não admitem ficar sem sua parcela das maracutaias, que estão denunciando e botando a boca no trombone não por escrúpulos e integridade (coisa que eles nem sabem o que significa, aliás), mas porque se roem de inveja sempre que sabem de alguém do PT tirando um por fora, quando poderiam ser eles?

Antes que os azulões surjam, leiam o texto e venham com discursos inflamados utilizando frases de Olavo de Carvalho, citando colunas do Diogo Mainardi e reportagens da Veja, acho bom deixar algo bem claro: eu não sou petista, tampouco revolucionário, socialista, marxista, qualquer coisa assim. Sou apolítico, assim como sou agnóstico. Não me prendo a partidos e não pretendo defender o PT como o grande salvador da pátria, nem enaltecer o Lula como um profeta ou um encarregado divino de varrer da terra tupiniquim a desvergonha e a canalhice. Nada disso.

Não tenho nada contra a imprensa escarafunchar as desonestidades cometidas pelo governo, mas tenho muita coisa contra esses panos quentes que colocam nas crises passadas, essa propaganda armada pra convencer o povo que é a primeira e última vez (desde que o PT não seja reeleito) que algo assim acontece e que tudo vai ficar muito bem se um crápula como o Alckmin ou um pulha como o Garotinho subirem ao poder. Que vamos viver numa terra de sonhos, onde brota cerveja e cachaça, já que leite e mel é pouco e não dá barato.

De todo modo, prefiro ser taxado de comunista e proto-revolucionário a ser reacionário, e não sei que destino terá um país cuja juventude tem coragem de assumir, sem um pingo de vergonha, sem medo de represálias, de cara limpa, pra quem quiser ouvir, que é, sim, conservadora, “de direita”, que acha que a situação do país estava muito boa do jeito que estava e que não vê nada de errado em apoiar a tucanada que vem exaurindo tudo o que pode há tantos anos. Hoje vi um sujeito citando uma frase do Figueiredo, como se fosse uma grande verdade dita por um grande homem digno de louvor.

O FIGUEIREDO! UM EX-PRESIDENTE DA DITADURA!

Esse barco não vai afundar. Já afundou! E todo mundo tá boiando em alto-mar, à deriva, tomando sol na cabeça e engolindo água salgada há tempo demais. Só pode ser essa a explicação pra tanta alucinação e inconsciência coletiva.

Curtas

Não, não ouvi o novo CD dos Loser Manos. Tentei umas duas músicas, achei umas merdas. Presumi que não tô no clima pro tipo de trabalho que a banda se propõe a fazer (leia-se “ando sem saco pra nêgo choramingando”).

A arte de capa do CD, aliás, só prova uma coisa: além de feio e vesgo, o Amarante só tem talento mesmo pra fazer dancinhas escrotas durante o show e criar boas melodias, já que as letras dele levam o termo “rebuscamento” a um nível completamente novo (o que não é bom, diga-se de passagem).

Vi dia desses os caras sendo entrevistados no Recorte Cultural. Marcelo Camelo sem barba é a cara do Latino! Aliás, minto: é um sósia feio do Latino, que por si só já não é nada belo. Daí você tira a real aparência do sujeito. Agora entendi porque ele cultivava aquela moita. Eu também preferiria parecer um amish ou um assecla do Miojo Bin Lamen.

Um dia eu disse que Doom 3 é assustador. Estava enganado. Doom 3 é aterrorizante.

Assisti a alguns trechos do depoimento daquele dono de restaurante que afirmou pagar propina pro Severino, mas só porque ao lado dele estava sentada uma morena sensacional. Imaginei tratar-se de uma filha dele. Vejam só a minha inocência…

Acho que não tenho mais nada pra dizer, mas sei que pensei em algo realmente interessante ontem que deveria escrever aqui e não consigo me lembrar. Ô situação de merda…

Nota mental (agora uma nota escrita)

Desenvolver:
- As palavras da vez
- Nosso mau-gosto de ontem visto hoje e o de hoje visto amanhã
- O mais recente acústico MTV, intitulado “Bandas Gaúchas” (que eu chamaria de “várias porcarias”).
- O “ou não” e suas aplicações na física quântica.

E antes que vocês perguntem, achei melhor escrever um lembrete para não esquecer dos tópicos e desenvolvê-los depois porque não tive paciência pra redigi-los agora. E quem manda nessa budega (ainda) sou eu.

É isso aí.

::UTOPIA DILUCULAR::
Não é ditadura, é “manutenção da ordem”!

Contos à meia-noite

Descobri ontem um programa sensacional que, incrível!, é transmitido pela TV Nacional (conhecida como TV Cultura em São Paulo e sei lá que outras cidades do país): chama-se, como acusa o título do post, Contos à meia-noite.

Sei que não deveria, mas vou explicar do que se trata: à meia-noite (como parece óbvio) um ator lê um conto. Não posso dizer que todos os contos são bons, ou que a escolha dos atores é digna de nota, nem nada disso. Só assisti o programa uma vez, e foi às 00:00 de hoje, quando Antônio Abujamra (que não me agrada muito, na verdade, mas dessa vez se saiu muito bem) leu um conto intitulado “Uma vela para Dario“, do Dalton Trevisan.

Texto sensacional, preciso ressaltar.

Têm me surpreendido, esses dias, a quantidade de bons programas transmitidos pela TV Nacional (ou Cultura, o nome é o de menos). Eu costumava dizer que o canal era um porre (e é mesmo, a maior parte do tempo), com suas nuances “intelectuais” e suas dinâmicas “culturais”. Mas algumas coisas que tenho visto por lá (a saber: Re-corte Cultural, Zoom e, agora, Contos à meia-noite) estão me fazendo mudar de idéia, em termos. Deixei de achar a programação toda uma merda, agora apenas parte dela não presta. Uns 80%, digamos.

Os outros 20% merecem toda atenção.

O conto de hoje será narrado pela Beatriz Segall. Estarei atento diante da TV, quero ver se o quadro realmente presta ou se eu apenas tive sorte de pegar um episódio muito bom.

Segura, peão!

O grande problema de América, esse folhetim ridículo que a globo tem exibido nos últimos meses, tá longe de ser o incentivo à imigração ilegal. Sou plenamente a favor da imigração. Quem tá a fim de se aventurar na terra do Tio Sam tem todo o direito de fazê-lo! Afinal, existe vida mais legal do que ganhar um salário mínimo em dólares limpando privadas dos outros, amargando uma sub-vida de empregada doméstica? Ou catar os pedaços de sanduíche que os molequinhos anglo-saxões derrubam no chão e passar o dia inteiro batendo papo com um esfregão imundo, trabalhando de servente de fast-food? Que tal curtir um esquema mais narcisista e ficar o tempo todo vendo o próprio reflexo nos sapatos dos figurões das grandes empresas multinacionais, pagando de engraxate? Essa vida de emoções e aventuras não é pra qualquer um. Ou você acha que seria capaz de cruzar o deserto mojave rezando pra não levar um tiro dos guardas da fronteira? Conseguirias tu, ó pobre mortal, caminhar pelos becos de Los Angeles de madrugada com o cu travado de medo de esbarrar em uma meia dúzia de skinheads com sangue nos zóio? Passar meses, anos, quem sabe, numa terra que não te quer, cercado de um povo que te deprecia, com um emprego de merda, sem ter o carinho e o apreço dos seus?

Pois é. Quem quiser passar pela experiência, fique à vontade.
Mas divago.

O grande problema, eu dizia, é o esquema dos rodeios. Aquilo que mata. Porque cria toda uma atenção da mídia em cima desses rituais sádicos de tortura. E da mesma maneira que cria milhares de peões-por-conveniência - quero dizer, gente que nunca foi a um rodeio, mas que internaliza a “cultura” (perdoem-me por usar essa palavra levianamente) country -, também cria uma outra frente, tão ignorante quanto, que é a dos “amantes de animais”.

Todas a ideologias baseadas em cretinice e ignorância aparentemente sofrem desse mal: nascem de alguns pedaços de asno, espalham-se graças a outros pedaços de asno e são imediatamente confrontadas por uma mentalidade IGUAL e contrária. O igual encontra-se em maiúsculas e negrito pra deixar bem claro que a idiotice está presente dos dois lados da moeda, apenas em sentidos opostos. E, na boa, se a falta de inteligência vai pra esquerda ou pra direita, pra cima ou pra baixo, pra cá ou pra acolá, não perde, por isso, seu caráter emburrecedor, ainda merecendo ser lapidada por aqueles que a identificam como tal.

De todo modo, eu falava dos amantes de animais. A primeira coisa que me vem à mente quando encontro essas pessoas é uma frase muito boa que meu cunhado sempre diz. Transcrevo: “Odeio quem trata bicho como gente e gente como bicho”. Assino embaixo.

Esse papinho de “direito dos animais” tá indo cada vez mais longe, principalmente graças à estupidez desenfreada de neo-vegetarianos e outros grupelhos “politicamente corretos” com tendências ideológicas tremendamente questionáveis. Daqui a pouco vão criar a Declaração Universal dos Direitos Humanos dos Quadrúpedes, Bípedes Emplumados, Primatas e Seres Vivos Em Geral e vamos ter que fazer um boletim de ocorrência toda vez que espalharmos veneno de rato pela casa ou passarmos uma pomada contra micose.

E não se ria, minha senhora, porque a coisa caminha exatamente nesse sentido.

Pô, tudo bem você ser contra casacos de peles e putarias semelhantes. Um pobre texugo infeliz nasce no meio do mato, consegue se alimentar e crescer a duras penas, sobreviver aos seus predadores e passar alguns anos sem ser atropelado nas centenas de auto-estradas que cruzam seu habitat, só pra um idiota com uma espingarda lhe estourar os miolos pra fazer um chapéu bonitinho pro filho.

Tomarnocu! Matar um animal que conseguiu sobreviver às péssimas sacadas irônicas da natureza é o cúmulo da falta de consciência. Quer um chapéu de texugo? Crie um. Sério. Arranje um filhote e crie o bicho até ele ter tamanho suficiente. Se, ainda assim, você tiver coragem de matá-lo pra fazer um quepe com rabicho, vá em frente. Pode meter bala, inocular algum veneno potente nas veias dele ou esmagar a cabeça com um porrete rombudo.

Só não maltrata, que aí é sacanagem.

Maltratar animais é o grande problema. Matá-los, não, desde que seja um processo rápido e rasteiro. Pá, pou. Já era, aquele abraço, nos vemos no outro lado, se é que existe e se é que outras espécies vão pra lá.

Se o animal é SEU, então é sua PROPRIEDADE. Você tem todo o direito de acordar um dia, pegar uma pistola e estourar a cabeça do seu cachorro. É seu cachorro, caralho. Você pagou por ele, alimentou, vacinou, pagou as contas do veterinário, etc, etc, etc.

- Ah, então, pela sua linha de pensamento, eu posso fazer o mesmo com um filho? Porque com uma criança é a mesma coisa: eu alimentei, vacinei, paguei colégio, médico, imimimi, imimimi.

NÃO, sua mula, porque um filho não é uma PROPRIEDADE.
É o resultado de uma irresponsabilidade, com o qual você está arcando.

Mas continuando: rodeios são shows de tortura, como falei lá em cima. O que eu sempre digo pra quem curte esse tipo de maluquice é o seguinte: “Vou amarrar uma tira de couro puxando seu saco até o umbigo, subir nas suas costas e furar sua barriga com esporas, vamos ver se você não pula”.

Não veria problema nenhum se um rodeio fosse mais simples. O touro de um lado da arena, o peão do outro. O bovino investe agressivamente. O humano saca uma espingarda e dá um tiro certeiro entre os olhos do animal, que cai morto instantaneamente. Todo mundo come churrasco. Fim.

Isso, sim, seria uma beleza. Nada de bichos sofrendo, nada de crueldade. Apenas humanos exercendo seu direito biológico de devorar outras criaturas.

Porque lei natural é isso aí.