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Passa gelol que passa!

Olá. Olá, você, que lê este blog sabendo com o que vai se deparar, sabendo que uma opinião que contrarie a tua te espera no próximo texto. Olá.

Senta aí um minuto, deixa eu te explicar um negócio. Tendo tempo suficiente aqui, você já leu isso algumas várias vezes e eu poderia apenas linkar ou republicar um desses textos que dizem o mesmo que será dito agora, mas por que perder a chance de exercitar minha verve, repetir o óbvio, “redizer” - e se o termo não existia, acabo de assinar seu decreto de criação - o que já foi exaustivamente dito? Vamos, deixa eu falar. Sentou aí? Tá confortável? Tá felizinho? Tá? Bicha!

Pois o caso é o seguinte: existem duas maneiras de ofender alguém: uma delas é você ofender a pessoa. A outra é a pessoa se ofender com você. E são coisas diferentes. Explico:

Você está usando um óculos wayfarer. Eu te abordo e digo “Ei! Ei! Por que tu usa isso, hein? É feio pra caralho, sério. Já se viu no espelho com essa porra? Já? Mesmo? E achou bonito? Certeza que não era daqueles espelhos que distorcem as coisas? Porque, cara… cara, olha só isso. Isso é feio pra caralho, cara. Tu acha mesmo isso bonito? De verdade? E merda, você come?”. Eu estou te ofendendo.

Eu, quieto no meu canto, ou ao ter minha opinião solicitada, digo que acho óculos wayfarer feio pra caralho. Que os anos 70 vão ligar e pedir o apetrecho de volta pra quem tá usando. Você se ofende. Você está se ofendendo.

No primeiro caso, qualquer aborrecimento é natural e justificável. Eu inclusive mereço levar um murro na cara por bancar a Annoying Orange. No segundo você está sendo uma bicha fresca do caralho e chilicando porque não acho bonita essa merda que vossa senhoria insiste em colocar na cara. Está alegando que emitir um juízo negativo sobre o que você usa é, sob algum aspecto absurdo e deturpado, uma maneira de te tolher, te impedir de ser feliz do seu jeito. Pois saiba: eu APÓIO o seu mau gosto. SEJA FELIZ sendo ridículo, se é o que te apraz. Ninguém, nem mesmo eu, tem o direito de te impedir de usar o que você quiser usar, vestir o que quiser vestir, andar com quem quiser andar. É seu direito e juro que sairia na porrada por ele, se necessário fosse.

Da mesma maneira, não há no mundo quem diga que não posso me manifestar negativamente a respeito das coisas. Uma crítica não é uma proibição, uma afronta ou uma ofensa, e é uma pena que qualquer um se sinta assim, porque esse é um sintoma de um defeito intolerável, grave, particularmente brasileiro: o melindre. Gente melindrada é aquela com quem você precisa pisar em ovos, ou eles pisam nos seus. É gente que tá sempre em carne viva, se deixa ferir por qualquer fagulha e não agüenta ser contrariada. Gente sem auto-estima, incapaz de fincar o pé no que acredita e dizer, ao ouvir tuas opiniões ruins: FODA-SE. Saber tocar um foda-se direito é essencial. Saber ignorar a opinião dos outros sobre o que você pensa, porra, isso é uma arte.

Eu ouço trocentas bandas criticadas duramente por 99% das pessoas que conheço. E ouço mesmo, e canto as músicas e tudo. Estão no meu last.fm e mando tomar no cu sempre que alguém vem encher meu saco por gostar daquilo. Mas não vou xingar quem, sem me dirigir a palavra, fala mal da parada. Sério, NO QUE isso afeta a minha vida? POR QUE DIABOS eu consideraria isso uma afronta? Qual a diferença, no plano geral das coisas? Que grande alteração na minha existência tem a opinião, a respeito do que escuto, de um camarada que mora na esquina da puta que pariu com a casa do caralho? MEU VIZINHO pode não gostar do que ouço e isso não muda em nada o fato de eu ouvir ou não.

Pra mim, minha opinião é superior. Meu gosto é superior. Você, se discorda, é um imbecil e tem mau-gosto. Não sabe de nada e eu sou o dono da razão. POR FAVOR, sinta-se da mesma maneira a meu respeito! Considere-me um imbecil e ESQUEÇA o que eu disse, se o que eu disse te contraria. Não vai me ofender ou me incomodar, juro. Isso não impede nossa convivência pacífica, isso não inviabiliza um diálogo amigável, ainda que cheio de provocações e piadas!

Mas não me venha cobrar satisfações, demonstrar magoazinhas ou querer mudar minhas idéias. Não tente. Gente melhor já falhou nessa empreitada. Você é um bosta e não vai conseguir. Me deixe em paz e prometo que não vou importuná-lo. Não esfrego opiniões na cara de ninguém, sequer ofereço. Solicita quem quer. E freqüentemente nego, inclusive.

Então, se tua opinião tá apoiada em palitos, se teus gostos são um castelinho de cartas e qualquer soprada mais forte joga tudo ao chão, se você precisa reafirmar suas razões de ouvir o que ouve, ler o que lê, assistir o que assiste, gostar de quem gosta, e etc, etc, etc, fica longe de mim. É mais saudável pra sua cabecinha. Vai se cercar dos seus amiguinhos que vão te aplaudir, invariavelmente. Se tranca na sua bolha e seja feliz.

Mas se tu güenta o tranco, se suas opiniões estão apoiadas em pilares e não se abalam com qualquer pancadinha, se você sabe que o que eu penso a respeito do que você curte é irrelevante, chega mais. É desse tipo de gente que eu gosto: de quem não toma as coisas pra si e entende que democracia não é eu não poder falar mal do que você acha bonito, mas o contrário. É você ter o direito de gostar do que eu não gosto e vice-versa.

Advogando pelo diabo

Podia até existir alguma tolerância, da parte do altíssimo, em relação à humanidade. Até podia, ok? Não acho que esse seja um argumento que eu possa refutar desde sua criação, em sabe-se lá quando antes do JC nascer, crescer, virar hippie, surfar sem prancha e empacotar. Acredito que, até um certo ponto da nossa evolução, se deus existe, e se ele presta alguma atenção ao que fazemos - duas afirmações questionáveis, cada uma a seu modo, e por razões diferentes, mas aceitemos a hipótese de serem reais -, ele podia ter um certo carinho pelos homens.

“Sabe, são uns filhos da puta do caralho, traiçoeiros como poucas criaturas, mas olhe só que bonitinhos eles são, navegando nos fiordes.”
Deus, uma mulherzinha jogando SimCity.

O problema é que nós, seres humanos - e você, aí, que despreza a humanidade, TAMBÉM está incluído -, não sabemos quando parar. Criar a igreja e associar o pobre criador àquela atrocidade não foi o suficiente. Inventamos o café descafeinado, o leite sem lactose. Ofendemos o todo-poderoso uma vez atrás da outra. E ignoramos o alerta, quando Krakatoa foi pro vinagre. O sujeito explodir uma ilha inteira, como retaliação por qualquer merda, não nos desmotivou. Claro que não.

Insistindo em nosso comportamento suicida, em afrontar Javé, tínhamos que fazer o impensável, tínhamos que criar o Ades de Manga com Laranja.

A Face da Besta

Ok, aí está você, meneando a cabeça e resmungando “Você está exagerando, Pedrones” (pra não mencionar todas as ofensas à minha mãe, alusões pouco educadas ao meu brioco e idéias semelhantes). Mas na verdade não estou. Pensa aqui comigo: cê sabe QUANTAS frutas existem? TROCENTAS! Você tem idéia da dificuldade que deve ter sido criar cada uma delas? Você acha que teria sido capaz de pensar na jaca? Na sirigüela? No kiwi? Na fruta do conde? No caqui? Pensa na trabalheira do caralho que foi o processo de criação.

Aí uma criatura um dia acorda e diz “Foda-se isso tudo”. E, cagando pro trabalho de deus, pega a soja - SOJA!-, mói e faz um caldo. Joga ali algum produto químico escroto pra simular um gosto que não seja o gosto da soja - que, se fosse boa MESMO, não era comida de VACA - e chama de suco.

(O demônio, que nesse momento ocupava-se de alguma maldade menor, como a fome na África ou a guerra no Oriente Médio, sentiu um abalo na força, ouviu o berro da indignação divina estraçalhando as vidraças nos limites do universo, observou atentamente a última criação da humanidade e pensou “Caralho, como eu sou n00b!”. Entre lágrimas, escreveu sua carta de demissão, botou o tridente numa sacola e o rabo entre as pernas e mudou-se pra uma comunidade de hippies isolados em algum lugar na califórnia, onde espera pelo juízo final. True story!)

O Ades, por si só, é, como a cirurgia de redução de peitos, um desavergonhado tapa na cara de deus. E uma entidade que tem “O Senhor dos Exércitos” entre suas alcunhas claramente não é grande fã do perdão.

Essa nojeira feita de soja foi a pá de cal nas relações entre nós, pobres seres derivados de carbono, e o gerente desta birosca. Pense aí em todas as misérias que poderiam ter sido evitadas, fôssemos menos cretinos e, para fazer SUCO, espremêssemos FRUTAS em vez de moer grãos, seguindo o plano divino.

Rebolation, terremoto no Haiti, morte da Dercy Gonçalves… deus está pegando mais e mais pesado a cada dia que passa. Como o Joselito Original que é, YHWH não sabe brincar. E agora que provocamos o cara, quem terá piedade de nossas almas? Estamos fodidos.

Espero que, ao beber essa coisa asquerosa da próxima vez, você consiga pensar “Esta merda vale o sacrifício deste plano de realidade!”.

Do Crepúsculo (da literatura, da cinematografia, dos critérios)

As grandes tragédias se aproximam sem aviso prévio. É impossível vê-las chegando. Vão se acercando de você silenciosamente, como feras atrás de uma presa distraída. Quando a pobre vítima dá por si, o bote já está em curso e não existe mais pra onde correr. O negócio é agüentar a bordoada no peito e torcer para que os danos sejam mínimos (ou ao menos por uma morte rápida e indolor).

Infelizmente não recebi clemência. Tive que passar por doses homéricas de sofrimento, náusea, torpor mental, convulsões e espasmos de riso nervoso intercalados com mergulhos profundos em abismos de vergonha alheia.

Assisti Crepúsculo.

Que porra é essa?
- Caralho, foderam minha lenda!
- É trágico, Vlad, é trágico!

Sim, foi uma decisão consciente. Estúpida, porém consciente. Gostaria de poder dizer que não estava em posse de minhas faculdades mentais ao tomar tal decisão, mas seria mentira. Não tinha idéia, entretanto, do erro que cometia ao levar tal plano a cabo. A história me fará justiça! Acompanhe a cadeia de acontecimentos e note como fui atraído para uma armadilha que deixou severas cicatrizes no meu córtex:

Há cerca de duas semanas, ouvi uma música de uma banda desconhecida numa rádio qualquer. Gostei. Anotei mentalmente um pedaço da letra e fui atrás assim que pude botar as mãos em um computador com acesso ao google. Descobri que a canção se chamava Decode e que o nome da banda era Paramore. Baixei a mp3, coloquei no celular. Como a voz da cantora muito me agradou, fui atrás do clipe (precisava conferir se a aparência da moça fazia jus ao que eu imaginava). O clipe tinha lampejos de um filme no qual um cara parava uma van desgovernada com as mãos.

Pois é. Me deixei levar por tão pouco. Imaginei que pudesse ver ao menos boas cenas de ação vindas de um filme desses. Ah, a ingenuidade…

Não existe NADA em Crepúsculo que justifique o filme. Nem o roteiro, os diálogos ou os efeitos especiais. A presença da Kristen Stewart, apesar de tudo, é incapaz de tornar a experiência menos desagradável. E para as fãs do Robert Pattinson, ele TAMBÉM não colabora, ok? Em 90% do filme você fica se perguntando por que caralhos o sujeito usa tanta maquiagem a ponto de parecer que contrataram um pedreiro pra aplicar uma demão de argamassa na cara dele. Nos raros momentos em que as sete toneladas de pó-de-arroz do cidadão não gritam “ALGUÉM NOS TIRE DESSE ROTEIRO HORROROSO!”, a atuação dele é tão deplorável que faz qualquer um com ganas de trabalhar em Hollywood pensar “Véio, eu preciso contratar o agente DESSE cara!” Essa pessoa faz milagres! Quem consegue encaixar alguém tão despreparado como protagonista num filme*, caro shakespeariano wannabe, arranja um papel pra qualquer um! (qualquer um que se disponha a fazer a sobrancelha e passar batom, claro)

Crepusculo
- Bee, você usa maquiagem demais e esse batom não valoriza seus olhos!

Mas vamos por partes, porque se é pra convencer vocês a não verem o filme* (ou ao menos a não verem aquilo levando a sério), precisamos ir um pouco mais fundo nos aspectos falhos. Ah, deus, tanta coisa pra tratar e tão pouco tempo…

Comecemos do começo. Pegue seu saco de vômito, pois estamos prestes a analisar a obra* de Stephenie Meyer.

O roteiro*

A jovem Bella Swan (Kristen Stewart <3) vai morar com o pai em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. No colégio conhece o jovem Edward Cullen. Estabelece-se um romance e ela descobre que ele é um vampiro.

...

Não, espera. Colocando dessa forma, fica parecendo que a história tem alguma linearidade, quando isso definitivamente não é verdade. Faltam alguns detalhes aí. Vamos de novo:

A jovem Bella Swan vai morar com o pai porque a mãe e o atual marido viajam demais e não têm tempo pra ficar pajeando uma guria de 17 anos. O pai é policial em uma cidadezinha do interior dos EUA que mais parece estar localizada no interior da Inglaterra, pois é tomada por uma névoa profunda o ano inteiro. Chegando lá conhece os amigos índios do pai, que não têm NENHUMA relevância na história, mas deixam um desagradável gancho para um segundo filme, o que soa muito mais como ameaça do que como esperança. No primeiro dia de aula a moça, carne nova e civilizada no pedaço caipira, vira a tauba de tiro ao Álvaro de qualquer um no colégio que aprecie um par de peitos, causando ciúme nas outras gurias (algumas delas bem mais gostosas, é preciso admitir), mas não é hostilizada como se esperaria. A única pessoa que a trata mal - e digo TERRIVELMENTE mal, do tipo "Saia de perto de mim, mulher, você faz meu café da manhã de ontem tentar escalar meu esôfago como sir Edmund Hillary ao Monte Everest!" - é um rapaz que usa quilos de maquiagem e tem um cabelo tremendamente escroto: Edward Cullen.

Vinte minutos depois eles já estão profundamente apaixonados, e não existe razão nenhuma pra isso, sinceramente.

Com o tempo, o comportamento, a aparência e certos fatos escrotos sobre o sr Cullen - como a habilidade de parar vans desgovernadas com as mãos, percorrer distâncias assombrosas em um piscar de olhos e ler os pensamentos de todo mundo ao redor - deixam a menina desconfiada. É quando o filme tenta criar um clima de suspense. E não consegue, mas cria um clima soporífero que é muito agradável. Insones, assistam! É melhor que aqueles leilões de jóias que passam na TV a cabo!

Pesquisando no Google, ela descobre que ele na verdade é um vampiro. Que a família toda dele é formada por vampiros. Enquanto isso, pessoas na cidade começam a ser atacadas por vampiros. E eu repeti o termo vampiros vezes demais em um parágrafo só. Ficou até cacofônico, tantos vampiros juntos. Parece a convenção dos vampiros. Não agüento mais escrever vampiros. Porra, vamos em frente!

Vocês percebam que nossa heróica Stephenie Meyer é uma pessoa muito criativa e não precisa se prender a arquétipos e padrões criados por escritores* menores, como Bram Stoker. Seguindo a linha iniciada por Anne Rice, piorada pelos jogos recentes de Castlevania, mas levando o conceito* muito, muito além, essa moça conseguiu a proeza de transformar uma das lendas mais interessantes do século XIX em uma das coisas mais intoleráveis e abicholadas dos tempos modernos: emos. Os vampemos, diferentemente de suas versões transilvanescas, BRILHAM sob o sol. Não morrem: BRILHAM. Imagine alguém coberto por purpurina. Essa é a aparência que eles têm quando ficam expostos ao astro-rei. Considerando o grau de viadagem e aquela regra que diz que bicha não morre, vira purpurina, alguém até poderia dizer de um deles: "Ele está morrendo!". Mas se é verdade, então o processo é bem demorado, o suficiente pra não causar o alívio imediato de ver aquelas bichas de cabelo escroto desintegrando-se sob raios UV.

A partir do momento em que a verdade sobre Edward Cullen vem à tona - porque até então era um GRANDE mistério! -, o suposto suspense ganha ares de comédia romântica adolescente. Daí temos direito a cenas dos dois indo à casa dele para que ela possa conhecer a simpática família vampira que, em uma obra decente, tentaria transformá-la em jantar; dos dois saltitando por árvores na floresta; de ambos deitados sobre a relva, olhando-se embevecidamente. Até mesmo um jogo de beisebol entre a vampirada acontece - e é o único momento em que o nababesco orçamento de 37 milhões de dólares se justifica.

Esse tempo todo e tudo o que o jovem Cullen faz com a curvilínea Bella é observá-la com indecisão, sem saber se deve comê-la num sentido literal ou lúdico. É feio brincar com a comida, vocês sabem.

Mas aí, pra não deixar tudo muito mamão-com-açúcar (como se fosse possível reverter tal efeito a essa altura do campeonato), surgem os outros vampemos, os que andaram matando pessoas pela cidade nos últimos dias. Daí temos sanguessugas saindo na porrada e o filme, até nisso, mostra uma total incapacidade de ter alguma graça.

Os efeitos especiais*:

“Isso” - você pensa - “deve ser legal. Com os recursos que os estúdios têm à mão hoje em dia e com TRINTA E SETE MALDITOS MILHÕES DE DÓLARES os efeitos devem ser respeitáveis!”. Porra nenhuma. Só faltou deixarem as cordinhas expostas nas cenas dos saltos. E os momentos em que os vampiros usam sua “supervelocidade” são tão bons quanto aqueles cortes de câmera usados em Chaves & Chapolin para fazer algo aparecer/desaparecer.

A maquiagem, como eu não canso de falar, é horrível. Todos os desmortos lembram fãs do Teatro Mágico. Em certos momentos a barba do Robert Pattinson surge sob a grossa camada de pó-de-arroz e ele mais parece um travesti relapso do que um vampiro. Na cena em que Bella diz a Ed que já sabe o que ele é, inclusive, esse teria sido o diálogo capaz de tornar o filme interessante:

Bella: Eu sei o que você é.
Edward: Diga.
Bella:
Edward: Em voz alta.
Bella:
Edward: Diga.
Bella: Um traveco!

A visionária Stephenye Meyer infelizmente não é tão visionária assim.

Miss Meyers
Miss Meyers, entre dois fags espadaúdos, os vampiros de seu próximo livro.

Enfim. Se você é dessa geração de mente podre, que cresceu achando que Harry Potter é literatura, Senhor dos Anéis é um clássico, Power Rangers é tokusatsu e Naruto é um bom anime, Crepúsculo foi feito pra você. Leia os livros, veja os filmes, seja feliz. Se qualquer merda te agrada, isso não vai ser diferente. Mas se você é dessas aberrações que gostam de roteiros bem-amarrados, curtem boas justificativa pra existência dos personagens, apreciam diálogos minimamente lógicos e acham que o vilão merece aparecer no filme por mais de 15 minutos, em vez de surgir no fim da história com o único objetivo de ser desmembrado e morto, não veja Crepúsculo.

Se realmente fizer questão de acompanhar uma trama adolescente à lá Malhação, com mocinhas de olhar assustado e protagonistas machões superpoderosos, atormentados por sua natureza super-humana, ignore Crepúsculo e veja Smallville. Super-Homem é bem mais legal que vampiros emos, até porque não usa tanta maquiagem.

Trinta e seis milhões de dólares que poderiam ter sido usados pra alimentar trocentas criancinhas na África durante um porrilhão de anos jogados fora, que tragédia. Eu sei que poderia ser pior e o dinheiro poderia ter caído nas mãos de Uwe Boll. Sou grato por não ter sido esse o destino da verba. Mas todo o celulóide usado pra filmar esta bomba seria melhor aproveitado se fosse dado aos meus desafetos para ser usado como papel higiênico. Seriam eles a sofrer e eu a me divertir, e não o contrário.

O fato é que até duas semanas atrás eu não sabia que esse filme existia ou quem era Stephenye Meyer. Eu era mais feliz há duas semanas.

*Os termos marcados com um asterisco estão sendo usados com bastante liberdade poética, embora o texto esteja em prosa, e só foram empregados na falta de nome melhor.

Notas:

Gabi e Leonardo, nos comentários do post abaixo, parecem acreditar que é possível agir de forma amotinada impunemente nesta baiúca (notem o acento - chupa, reforma ortográfica!). Num dia normal eu consideraria com prazer a idéia (impraticável, principalmente pela distância) de deslocar quatro ou cinco juntas desses vermes e deixá-los curtindo a sensação de ter vidro moído entre as articulações. Hoje é um dia normal. Mas a idéia, já disse, é impraticável. Portanto vou me resignar a rebater as baboseiras ditas, só por esporte: os feeds não eram regulados para que alguém viesse até aqui ver o layout do blog, até porque uma pessoa que adiciona esta porcaria em seu agregador (nota mental: usar isso como analogia para mandar alguém introduzir algo em algum orifício) precisa, antes, passar aqui e ver a aparência. E a aparência nunca foi o forte desta página - em um claro reflexo de quem escreve -, o que interessa aqui é o… o… hm. Então. O que interessa aqui é a… aquele… o… essa…

Bom, nada, eu acho.

Continuando. A limitação dos feeds era, além de uma forma divertida de incomodar os leitores e mostrar quem manda nesta porra - hábito que alimento desde meu primeiro blog, o bom (figura de linguagem, apenas) e velho (interneticamente falando, claro) Butequim -, também um jeito de mantê-los coerentes.

A meu ver, a incoerência em relação a feeds é que as pessoas dizem usar esse recurso para “poupar tempo”. Dentro da minha percepção das coisas, você precisa administrar seu tempo de forma produtiva e agilizar suas atividades diárias quando - e apenas quando - tem uma agenda tão apertada que não pode perder 5 minutos da sua existência navegando a esmo por uma página, buscando o texto que quer ler. Uma pessoa ocupada a tal ponto, sinceramente, sequer deveria estar lendo blogs. Ainda mais ESTE blog, que não tem qualquer relevância na Meritocracia Informal da Internet®. Logo, nenhum dos meus leitores é TÃO ocupado, e tamanha resistência a clicar em um link pra ler o texto completo é apenas um sintoma do mal secular ao qual dá-se o nome de preguiça.

Meu uso de feeds é meramente para fins organizacionais. Não me preocupo com tempo, mas tenho memória de peixe e sei que esqueço de verificar páginas com regularidade. Então uso o Google Reader pela praticidade de chegar em casa à noite, depois do trabalho, e saber quem atualizou o quê. A partir daí, abro todos os links em abas e leio cada blog em sua respectiva página. Por isso o corte no rss do utops: para forçar todo mundo a agir da mesma forma que eu. É ditatorial, eu sei, mas se você não tem tempo para clicar em um link e ler com cuidado, não leia. Vá fazer outra coisa com seu preciosíssimo tempo e sua ocupadíssima vida. Juro que não vou chorar sua ausência.

Em suma: não dou a mínima pra contadores, pra aparência do blog, pra nada disso. Meu prazer é incomodar vocês.

Jaime avisa que atualizará essa joça. Jaime sabe o que faz, portanto não me meto, deixo as decisões a critério dele. O que faço aqui é escrever, apenas, portanto escrevo. O layout deste blog não é importante (tampouco os textos, mas não consideremos isto), já que vocês curtem um feedzinho babaca, bando de preguiçosos que são. Mas aviso apenas para os que se surpreenderem ao esbarrar com mudanças por aqui: não se surpreendam, pois. O K2 - esse layout (não a segunda maior montanha do mundo, no Himalaia, com 8.611 metros de altura) - é bacanudo em sua organização e tal, mas tem que sair, porque é totalmente psicótico e neurastênico (combinamos, eu sei) e surta com tudo.

Sério que alguém ainda acha essa coisa nojenta chamada de “tiopês” minimamente engraçada? Alguém ainda ri de “pegael”, “meldels” ou da batidíssima “comofas”? Alguém mais aí enxerga que isso é “humor” (perdoem pelo uso leviano do termo) de Praça É Nossa, que são chavões sem nenhuma graça repetidos ad nauseam por gente que não sabe ser espontânea, mas não se conforma? Vai ser preciso alguém criar um personagem no Zorra Total que fale “q”, “brinks” e assemelhados pra vocês se darem conta do quanto suas risadas espasmódicas são deploráveis e forçadas?

Mulheres, pelo amor de deus, PAREM de falar como os viados! Parem de usar gírias de viados, de usar expressões como “Mara!”, chamar umas às outras de “bee” ou se referir a homens como “bofe”! Ok, o time masculino vem diminuindo consideravelmente nos últimos anos, muitos dos nossos membros passaram a integrar o lado róseo da força recentemente, outros tantos estão encaminhados. Entendo esse esforço que vocês fazem, procurando parecer interessantes a quem já está com um pé do outro lado da linha, mas lembrem-se que muitos ainda estão aqui, honrando a camisa e mantendo um legítimo e intenso interesse no sexo OPOSTO. E quando o sexo oposto começa a falar e se portar como as criaturas do mesmo sexo, qual é a graça? Se querem imitar os gays em alguma coisa, comecem a dar a bunda com desenvoltura. O resto, por favor, é assunto deles.

Tópicos (3)

As primeiras coisas primeiro: estreou, esta semana, o blog da H.O.M.E.M. - Honrada Organização Mundial dos Especialistas em Mulheres. Não me perguntem a razão, pois não a conheço, mas estou lá, integrando as fileiras dos que tentam construir uma ponte, montar uma tirolesa, alinhar uma catapulta, traçar um atalho, fazer qualquer coisa, enfim, numa tentativa - vã, se me permitem dizer - de cruzar esse milenar abismo que separa os sexos.

Imaginei que deixar meu cabelo crescer iria torná-lo mais comportado. Conclusão à qual cheguei seguindo aquela minha teoria que diz que cabelos, como pessoas, têm infância, adolescência e idade adulta. Ledo engano. Embora adulto ele se comporte melhor, o miserável ainda é um revolucionário. Um subversivo. Um maldito comunista. Cheio de vontades e exigências. Se é pra viver um inferno capilar, considerei cortá-lo, voltar a ter cabelos curtos (raspá-los, nunca, me falta a coragem). Então esse é meu dilema atual. Peço às mulheres que porventura leiam esse blog que opinem: devo deixá-los compridos, como estão? Ou curtos? Para ajudar na formação de uma opinião mais ponderada, seguem fotos minhas antes e depois de deixar o cabelo crescer.

Curto:
Antes
Comprido:
Depois
Queria entender que poder é esse que o sax tem de tornar qualquer música absurdamente, profundamente, indescritivelmente BREGA. Você pegue, por exemplo, o tema de amor de Cinema Paradiso, que é das coisas mais lindas do mundo, de deixar com lágrimas nos olhos mesmo o mais furioso espancador de mulheres. Toque em um violão e é uma música sensacional. Toque ao piano e é espetacular. Toque ao violino e não esqueça de distribuir lenços à platéia. Toque em um sax… e me arranje um saco de vômito!

Falando nisso, onde eu estava em março desse ano, que não ouvi falar que o Ennio Morricone vinha fazer um concerto no Brasil? E agora, quando vou ter outra oportunidade de ver o velhinho tocando ao vivo? Não vou me perdoar se o maestro for pra cova antes que eu tenha visto uma apresentação dele!

Estudei feito um corno nos últimos dois meses, na esperança de conseguir nota para me livrar de duas matérias da faculdade nas quais estava meio pendurado (precisando tirar acima de 9 na segunda parcial, de modo a não ficar para a prova final e entrar de férias mais cedo). Consegui. Por outro lado, retirei da minha lista de prioridades as outras três matérias, porque tive boas notas nelas na primeira parte do semestre. Resultado? Lógica de Programação - que me rendeu um 9,5 na primeira parcial - me enrabou com força, com vontade, com areia e limalha de ferro nessa segunda fase. Que bonito, que beleza.

A faculdade chama essas parciais de “bimestre”. Mas, em primeiro lugar, um período de faculdade é um semestre, então deveria ser dividido em dois trimestres. E, em segundo lugar, bimestre é coisa de ensino fundamental/médio. Chamo de parciais, etapas, fases, aquelas-merdas-de-períodos-intermináveis-de-avaliações e etc.

Saiu CD novo do Keane, Perfect Symmetry (do qual já falei) e também do Killers, Day & Age, do qual falo agora: o que há com esses caras, afinal de contas? A cada novo CD, eles parecem retornar mais e mais para meados dos anos 80. Por deus, eu vi os revivals dos anos 70 durante minha adolescência e já me causaram sofrimento suficiente. Temos MESMO que fazer isso? Relembrar e tentar retornar às décadas anteriores? Não podemos simplesmente seguir em frente? O único empreendimento humano a retornar aos anos 80 da forma correta foi GTA Vice City (e sua versão PSPística, da qual eu pretendo falar qualquer dia, Vice City Stories), e por uma razão bem simples: porque não levou a sério nada daquela merda, ridicularizando-a sempre que possível.

Perdi 8kg nas últimas semanas, descendo de 79kg para 71kg. Não foi nada planejado, simplesmente aconteceu. Ao contrário da crença comum, entretanto, perder peso quando você é ocioso não queima as gorduras, tornando sua antes incipiente barriga em um notável bucho. Só o exercício pode acabar com sua pochetona. Com isso em mente, utilizei meu 13º em uma importante aquisição: cumprimentem Libertina (Tina, para os íntimos).

LiberTina
Quase uma década após a morte de Clementina, minha bicicleta anterior, deixei para trás meu luto e arranjei nova companheira. Agora só me falta um MP3 Player (o meu, vejam que trágico!, voou contra a parede de forma inexplicável!) e o eixão do lazer será meu habitat aos domingos.

Me assusta a absurda quantidade de blogs falando da vida dos outros que existem e fazem sucesso. Me refiro a páginas como a “te dou um dado?”, “papelpop” e assemelhados. Não entendo como uma pessoa pode ser tão limitada a ponto de não só criar um blog com o objetivo específico de ser uma variante online da Contigo!, mas ainda levar essa abordagem a um nível completamente novo: não basta falar da vida das pessoas, é preciso fazer isso de forma estupidamente cruel e escarninha. É um termo que evito a todo custo usar, mas tal despeito me leva a crer que o verdadeiro combustível dessas pessoas é a inveja, pura e simples. Diante da impossibilidade de chegar àquele lugar, por que não cuspir em quem se encontra ali? O fato dos “escritores” - se é que o termo se aplica - desses blogs serem gays e mulheres feias em sua maioria só torna maior a plausibilidade (opa!) da minha teoria. Mas ainda preciso considerar a questão com maior cuidado.

Em tempo: sou completamente contra esse mercado de jornalismo fofoqueiro, cujo produto a ser vendido é a vida dos outros. Os defensores dessa palhaçada argumentam que muitos dos que estão na posição de “celebridade” contratam fotógrafos para segui-los e vender as imagens, conseguindo, assim, um lugar melhor sob os holofotes. Não me interessa. Como não me interessa o outro argumento muito usado nesses casos: “as pessoas querem saber”. As pessoas querem um monte de coisas que a lei proíbe, simplesmente porque as pessoas querem mesmo é ver o ôco. O fato de haver demanda não significa que deva haver o serviço! Esse é um dos que ainda não foram proibidos, mas serão, se a humanidade de fato estiver ficando mais sábia com o passar do tempo. Coisa que eu duvido, ou seja, essa merda ainda vai crescer muito até alguém perceber que é preciso dar cabo de tanto desrespeito e cretinice de uma vez por todas. Daí os viados e as mocréias vão ter que arranjar outro passatempo. Quem sabe não experimentem tornar suas próprias vidas menos patéticas? Ah, a esperança. Não é à toa que este blog tem “utopia” no nome…

Revival

Então.

Em 2002 eu ganhei uma camiseta que, durante um tempo, era praticamente meu uniforme de Pedro Nunes. Era só vestir o troço e “Olha lá o Pedro Nunes”. Sério! Fui reconhecido na rua e em um show por causa daquela parada.

Era uma bela camiseta azul, com o símbolo do metrô de Londres estampado no peito. Alternativona, vai dizer? E não tinha costuras laterais, sacumé? O troço era um tubo de pano com mangas, gola e o símbolo do metrô de Londres. Uma maravilha.

Só que, como toda camiseta que a gente gosta, ela acabou bem rápido. Provavelmente porque era só aparecer no armário pra eu colocar no corpo. Lavagem após lavagem, ela foi desbotando, perdendo a estampa, ficando velha. E eu fiquei sem minha camiseta SUPERSONIC-STYLE-INDIE-UNDERGROUND:

SUPERSONICSTYLEINDIEUNDERGROUND

Na verdade ela ainda existe, mas num estado bem precário, com direito a furos nos suvacos e coisas assim. É uma daquelas roupas boas de dormir e ficar em casa, mas não é adequada pra sair na rua, a menos que você vá sentar na frente da igreja pra pedir dinheiro, trocando centavos por doses de desencargo de consciência com os cristãos hipócritas.

Pois Ney Hayashi, o japonês lendário, em visita à Inglaterra teve a gentileza de me trazer OUTRA!

Agora, sim. As coisas voltarão a ser como eram antigamente:

O texto da foto diz tudo

Quero dizer, não é pra tanto. Eu teria que perder quase 20kg e voltar a me relacionar com determinadas personas non gratas das quais é melhor manter distância. Naquela época eu era jovem, havia uma desculpa para a falta de critérios ao escolher meus amigos. Atualmente seria mais difícil explicar, caso fosse flagrado em companhia de alguns desses retardados. É melhor limitar esse flashback apenas à camiseta.




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