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Ghost writer

Não sei se está claro, mas não ando com vontade de escrever ultimamente. Na falta de algo meu para publicar, portanto, deixo aqui um texto que gosto muito, com o qual tive contato, pela primeira vez, há uns 12 anos. É de um sujeito pouco conhecido, um tal de… de… peraí. Preciso verificar novamente o nome do rapaz.

Ah, achei. O cara se chama Alan Moore NEIL GAIMAN (e eu sou uma besta), e essa redaçãozinha simplória dele pode ser lida na biblioteca de SimCity 2000. A tradução é minha, por isso talvez esteja um tanto capenga. E não tinha razão para ser perfeita, também, considerando que nunca fiz cursinho de inglês e tudo o que sei aprendi sozinho, jogando RPGs de Super Nintendo enquanto folheava dicionários Português/Inglês para entender os diálogos.

Segue, enfim:

Cidades não são pessoas. Mas, como pessoas, cidades têm personalidade própria: em alguns casos, uma cidade tem muitas personalidades diferentes - há uma dúzia de Londres, uma multidão de diferentes Nova Iorques.

Uma cidade é uma coleção de vidas e construções e tem identidade e personalidade. Cidades existem em lugares e tempos.

Existem cidades boas - aquelas que te recebem bem, que parecem se preocupar com você, que mostram satisfação por você estar nelas. Há cidades indiferentes - as que honestamente não se importam se você está lá ou não; cidades com suas próprias agendas, aquelas que ignoram pessoas. Há cidades más e há lugares, em cidades outrora saudáveis, tão podres e desprezíveis quanto maçãs estragadas. Existem até cidades que parecem perdidas - parece a algumas, por falta de um centro, que seriam felizes em outro lugar, algum lugar menor, mais fácil de entender.

Algumas cidades se espalham, como cânceres ou monstros gelatinosos de filmes B, devorando tudo em seu caminho, absorvendo municípios e vilas, engolindo divisas e lugarejos, transmutando-se em metrópoles sem fronteiras. Outras cidades encolhem - áreas antes prósperas esvaziam-se e acabam: prédios são abandonados, suas janelas são cobertas, as pessoas partem e, algumas vezes, não sabem sequer te dizer por quê.

Ocasionalmente passo o tempo imaginando como as cidades seriam se fossem pessoas. Manhattan é, para mim, persuasivo, desconfiado e bem-vestido, mas mal-barbeado. Londres é enorme e confusa. Paris é elegante e atraente, e mais velha do que aparenta. São Francisco é louco, mas inofensivo e muito amigável.

É uma brincadeira besta: cidades não são pessoas.

Cidades existem em lugares e existem em tempos. Cidades acumulam suas personalidades com o passar do tempo. Manhattan se lembra de quando era uma roça démodé. Atenas se lembra dos dias em que havia aqueles que se consideravam Atenienses. Há cidades que se lembram de serem vilas. Outras cidades - atualmente sem sal, destituídas de personalidade - estão preparadas para esperar até terem história. Poucas cidades são orgulhosas: elas sabem que existem apenas por um feliz acidente, um golpe de sorte geográfico - um grande porto, um vale montanhoso, a convergência de dois rios.

No momento as cidades ficam onde estão.

Por enquanto as cidades dormem.

Mas há um ribombar. As coisas mudam. E se, amanhã, as cidades despertassem e saíssem para andar? Se Tóquio tragasse sua cidade? Se Viena viesse a passos largos, colina acima, atrás de você? Se a cidade que você habita hoje simplesmente levantasse e partisse e você acordasse amanhã enrolado em um cobertor numa planície vazia, onde antes havia Detroit, ou Sydney, ou Moscou?

Não tome uma cidade como garantida.

Afinal, ela é muito maior do que você; é mais velha; e aprendeu a esperar…

Esse, sim, é um sujeito que sabe escrever.

Cinematócitos

À Procura da Felicidade vai alimentar o sadismo de muita gente que diz que gosta de ver histórias de “superação”, quando na verdade curte mesmo é ver outros seres humanos se fodendo bonitamente sem, contudo, perder a cabeça e chutar o balde.

Babel não me pareceu um filme ruim, mas me abstenho de comentar. E não faço isso porque não gostei, seria simplificar o inexplicável. Mas - já disse e estou repetindo - não quero dizer que não caiu no meu gosto porque é ruim, até porque acho que seria bem virulento da minha parte fazer uma afirmativa tão descabida. Direi o que disse a todo mundo que me perguntou o que eu achei:

- Vá ver e tire suas próprias conclusões. As minhas são inconclusivas.

Mais Estranho Que A Ficção também não é ruim. Mas se não disse que Babel é ruim, esse não ouso dizer que é bom. Tem seus momentos. Até diverte, se você tiver boa vontade. Talvez valha o preço de uma meia entrada em meio de semana. Ou o custo da locação de um DVD, quando for lançado, quem sabe. Pelo menos Will Ferrel convence, o que já é muita coisa (ainda mais para mim, que não vou muito com a cara dele e acredito serem tremendamente questionáveis seus dotes “humorísticos”).

Sobre Casino Royale, preciso me controlar na hora de falar a respeito. Há tempos não me empolgava tanto numa cadeira de cinema. Finalmente o agente 007 conseguiu sair - de forma violenta, diga-se de passagem - da bolha de antipática letargia na qual eu o mantinha desde meu primeiro contato com outros atores que não o velho Sean Connery interpretando o papel. De todo modo, enquanto via Daniel Craig cobrir malfeitores de porrada com a brutalidade de um lutador de vale-tudo, um pensamento me veio à mente: é estranho que em tempos de metrosexualismo e posturas politicamente corretas, personagens assumidamente caminhoneiros façam tanto sucesso. E não digo apenas no cinema. Se nas telas grandes temos o agente James Bond agindo com inesperada incivilidade, nos videogames um dos jogos de maior sucesso atualmente traz como personagem principal um sujeito que ainda irei colocar como símbolo da comunidade Clube Irmão Caminhoneiro Shell: Kratos, de God of War, conseguiu expandir meus conceitos de grosseria a níveis inteiramente novos.

Superman Returns

Eu confio na Electronic Arts.

(Calma lá. Não comece a questionar essa minha afirmação ainda. Continue lendo o texto, deixe para retorquir depois.)

Boa parte dos jogos da EA que conheço são dignos de menção honrosa na minha galeria dos “Meritórios”, quando não na dos indispensáveis. The Sims 1 e 2, os atuais lançamentos da série Need For Speed (underground 2 em especial), Battlefield, Splinter Cell, Half Life 2, Medal of Honor, Command and Conquer, etc, etc, etc. Isso pra não mencionar Sim City, que vem sendo minha menina dos olhos dos games de computador desde meu primeiro contato com um Pentium 166. Põe uma década nisso aí, pelo menos.

Confio na EA Games desde então. Não tinha quaisquer desapontamentos com os lançamentos da empresa até comprar, semana passada, um dos mais recentes jogos produzidos por eles - que esperei ansiosamente, diga-se de passagem, mais até do que o filme: Superman Returns.


Deixe-me ressaltar um ponto que julgo ser importante para tornar essa crítica o mais confiável possível: desde o momento em que tomei conhecimento do jogo (por intermédio de um trailer disponível no site do game, aquele de 20.2mb, o último da lista) minha postura com relação a ele foi de extremo otimismo. Acredito sinceramente que o Super-Homem é um dos heróis com maior potencial pra render um ótimo jogo e tinha esperanças de que a indústria dos videogames FINALMENTE havia percebido o fato. Esperava que pelo menos os caras da EA Games, sempre tão inovadores e criativos - ao contrário do povo da Sierra, cuja especialidade parece ser copiar o trabalho alheio - fossem se dar conta das infindáveis e divertidíssimas possibilidades que o azulão carrega consigo e que, com a tecnologia atual, poderiam ser satisfatoriamente encarnadas em um jogo.

Consigo ouvir Lex Luthor, na voz de Kevin Spacey, rindo da minha inocência e dizendo “Seu tolo crédulo e ingênuo!“. E tem razão, o maldito careca.

Começarei a análise tratando dos dois aspectos favoráveis do jogo. Fiz uma lista aqui na minha caderneta, enquanto jogava e me contorcia de ódio, e admito que não foi fácil pensar em prós, considerando que só os contras me saltavam aos olhos.

A sacada genial do jogo - alguma haveria de ter - é a barra de energia de Metrópolis. Convenhamos: o escoteiro é um dos super-heróis mais apelões de que se tem notícia. Estabelecer um limiar de dano para ele é como fazer um jogo sobre deus e limitar seus poderes. Existem outras maneiras de explorar as fraquezas do personagem e os desenvolvedores da EA games souberam fazer isso muito bem. Você pode tomar quanta porrada quiser, mas é bom ficar de olho nos danos que a cidade está sofrendo, é isso que determina seu sucesso ou fracasso.

Todos os poderes do kriptoniano estão lá: supervelocidade, supersopro, visão de calor, sopro congelante, vôo super-rápido, super-força e por aí vai. Não que a super-força seja lá de grande valia, mas explicarei as razões dessa afirmação mais à frente.

Os gráficos são - como era de se esperar - lindos. Sério, sem eufemismos aqui. São lindos, Metrópolis é absurdamente real com suas ruas, avenidas, arranha-céus, praias, colinas, praças, veículos e cidadãos. O céu é um espetáculo à parte e voar entre os prédios durante o pôr-do-sol é realizador para os pobres mortais que - como eu - sempre acharam que voar ignorando completamente as leis da gravidade era o superpoder mais legal que alguém poderia ter.

O jogo é lindo, enfim. Se o que você quer é exibir beleza, se você quer um game pra andar de mão dada no shopping e God of War e Shadow of The Colossus não estiverem disponíveis, leve Superman Returns e ele não vai te decepcionar.

Quando mencionei que meu sonho é experimentar a sensação de voar à vontade, sem empecilhos, não estava brincando e era o mínimo que esperava. Até nisso, entretanto, ele me decepcionou. Em primeiro lugar porque a jogabilidade não está um lixo, mas é bem ruim. Vai levar um bom tempo até que você consiga voar de forma competente por dentro da cidade. Se é que vai conseguir, com todos os incidentes se sucedendo interminavelmente. Exatamente: você é escravo do jogo. As missões vão surgindo uma depois da outra, sem te dar tempo para respirar, apagar veículos incendiados ou socorrer cidadãos feridos.

Esse é, aliás, um dos pontos que mais me irritou: não sei quanto a vocês, mas o bom-senso me diz que se alguém for fazer um jogo tridimensional com uma enorme cidade à disposição para ser explorada, nada mais justo do que dar ao jogador TEMPO para explorá-la, enchê-la de side quests e deixar os gatilhos à disposição do personagem. Ele decide se quer acioná-los ou não. De que vale criar becos, vielas, avenidas, ruas, cruzamentos e edifícios e impedir o personagem de esmiuçá-los? Mais importante ainda, pra quê fazer tudo isso se a interatividade com o cenário for, na melhor das hipóteses, NULA?

Não existe nada a se fazer no jogo além de seguir a história. Aliás, minto: existe, sim. Você pode sair caçando os 100 gatos escondidos pelo mapa. E só. Também pode pegar pedestres, postes, carros, o globo no topo do Planeta Diário e garotos-propaganda gigantes no topo de lanchonetes. Por isso sua super-força é inútil. Nada disso tem qualquer relevância para o jogo, porém. Serve só pra te distrair do fato de que não há nada pra ser feito no jogo além de descer a porrada em vilões.

Ah, é. Os vilões. O primeiro que você enfrenta, por um período que parece interminável, é o Metallo. Quando ele não está presente e a batalha é apenas contra os capangas é preciso uma boa dose de paciência. Todas as missões parecem ser a mesma. A variedade de adversários é ínfima. Quando Metallo finalmente aparece, vira-e-mexe exala uma aura de kriptonita que o torna invencível. Nesses momentos é impossível atingí-lo de qualquer forma: visão de calor, supersopro, carros arremessados… É preciso esperar que o jogo desligue esse recurso altamente apelativo para poder retomar a batalha contra o vilão. Enquanto isso você tem que voar pela cidade, deixando a segurança de Metrópolis ao deus-dará. E a barra de energia da cidade não dura muita coisa.

Ainda não cheguei a zerar Superman Returns simplesmente porque jogá-lo me força a fazer uso de toda a minha (baixa) reserva de paciência. Me contorço de raiva ao ver que todo o potencial do personagem, somado ao dos desenvolvedores da EA, rendeu apenas isso: um game tão bonito quanto tedioso, cuja única possibilidade é cumprir missões repetitivas contra inimigos repetitivos.

Apesar de tudo, ainda confio na Electronic Arts.
Mas com ressalvas.

Se você viu o filme - outra porcaria, aliás -, deve se lembrar de Jor-El dizendo “Eles podem ser um grande povo, Kal-El. Eles querem ser”. Com esse jogo é mais ou menos a mesma coisa. Eles poderiam ter feito um grande game. Queriam fazer.

Infelizmente, para os fãs, faltou capacidade pra tanto.

Vício!

- Oi, meu nome é Pedro e estou viciado em Dragon Ball Z Budokai 3 há quase um mês!

Videogamices

Àqueles que também passam pelo Meia-lua + Soco: que conste nos autos - a meu favor, claro - que a debulhação de Megaman X está em andamento. A demora dos textos se deve ao fato do meu cacetinho da felicidade de Playstation 1 adaptado pro computador ter parado de funcionar sem razão aparente (além das centenas de quedas que levou nos últimos dias, já que meu irmão é um filho da puta que não toma o menor cuidado ao entrar na sala do computador). E jogar Megaman X no teclado é castigo que eu só desejaria ao mais sórdido dos filhos da puta (no caso, acho que sou eu).

De todo modo, o texto está caminhando. A passos de uma tartaruga meio bêbada que aguarda uma lesma andando de ré cruzar na frente dela. Mas está.

Daquelas nem tanto…

O pacote de isoporitos tá custando R$ 0,99 no Extra. Minha vontade é ir até o lugar com uma nota de R$ 50,00 e comprar tudo dessa porcaria. Quem sabe eu não consigo completar minha coleção de montáveis dos X-Men? Taí uma coisa que me faria feliz…

Aliás, dia desses abri um pacote desses cancerígenos e encontrei não um ou dois, mas SEIS montáveis. E todos diferentes. Fiquei exultante. Sou daqueles idiotas que se comprazem com pouco.

Semana passada conversei com uma pessoa que se recusava a acreditar que não sou português. Acho que foi o melhor elogio que já me fizeram.

Assisti “O Diabo Veste Prada”. Considerações a respeito do mercado de “moda” à parte, sinto-me na obrigação de dizer que a Anne Hathaway é uma versão bonita da Liv Tyler. Bonita e gostosa, aliás, pois me lembro bem dos peitos dela, vistos de relance em Brockeback Mountain (um aparte machista apenas para não deixar em dúvida a caminhoneirice de quem escreve - e também porque, ora bolas, a mulher tem peitos definitivamente muito bonitos, é preciso dar-lhe algum crédito por isso).

Hoje, a caminho do trabalho - e em parte por minha culpa, admito, que andava pela calçada distraído, rindo de panfletos do Alckmin que me foram entregues diante do Pátio Brasil - uma mulher me deu um esbarrão daqueles feios. Quase fui ao chão. Ela foi. Ajudei a moça a se levantar e ela ainda foi extremamente mal-educada. Agora, fosse a vida uma comédia romântica, eu descobriria que ela é minha nova colega de trabalho ao chegar à minha sala. Durante alguns meses ela pensaria que sou um palerma estúpido, enquanto eu iria acha-la uma megera das piores. Com o tempo descobriríamos qualidades um no outro. Ela iria me mostrar um lado dócil e carinhoso e perceberia que há em mim mais inteligência do que o esperado. Mas a vida não é uma comédia romântica, então, após a descortesia da mulher, limitei-me a dizer um desaforo à la “Filme do Batiman” em retorno e seguir meu caminho. Velha mal-educada do caralho!

Comprei um Playstation 2 e descobri o que é a felicidade.

O Júlio - que vai ali pra barra lateral assim que eu terminar essa porcaria - me intimou a entrar naquele lance de escrever seis tópicos a respeito de si. Eu não sei mais falar a meu respeito tem um bom tempo, a menos que sejam essas baboseiras superficiais aí em cima. Então ficam essas baboseiras superficiais aí em cima como resposta à solicitação do cara. Entenda, mano velho: é o mistério que garante minha fama de mau.