- Qual é seu nome mesmo?
- Eu sou Sancho.
- Olha, eu recebo candidatos pra testes o tempo todo. O que faz você pensar que é bom o bastante pra pornografia?
- Eu sou Sancho.
- Isso é ótimo, mas… o que você faz?
- O que eu faço? Eu sou Sancho!
- E…?
- E existem muitos Jeffs no mundo, e muitos Toms, também. Mas eu… sou Sancho!
- E…?
- Você é Sancho? Não, não é. Tampouco Scott Baio é Sancho. Frank Gifford não é Sancho. Mas eu…
- Você… é Sancho!
- Exatamente!
- Ok, está contratado!
- É claro!
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Jules: You read the Bible, Ringo?
Ringo: Not regularly, no.
Jules: Well, there’s this passage I got memorized, Ezekiel 25:17:
“The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness. For he is truly his brother’s keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers. And you will know I am the Lord when I lay my vengeance upon you.”
I’ve been sayin that shit for years. And if you heard it, that meant your ass. I never gave much thought to what it meant. I just thought it was some cold-blooded shit to say to a motherfucker before I popped a cap in his ass. But I saw some shit this morning that made me think twice. See, now I’m thinkin… maybe it means you’re the evil man, and I’m the righteous man. And Mr. 9mm here, he’s the shepherd protecting my righteous ass in the valley of darkness. Or it could mean, you’re the righteous man, and I’m the shepherd, and it’s the world that’s evil and selfish. I’d like that.
But that shit ain’t the truth. The truth is: you’re the weak. And I am the tyranny of evil men. But I’m trying, Ringo. I’m trying REAL HARD to be the shepherd.
Não interessa quantas merdas o Samuel L. Jackson faça na vida, quantos Swats, Triplos X’s, Snakes On A Plane ele cometa em sua carreira: esse filme, essa cena, esse diálogo sempre será razão mais do que suficiente para perdoá-lo e tornar a dizer que não existe Bad Motherfucker mais fodão do que ele no cinema atualmente.
E eu, que já publiquei a parte do monólogo aqui, em português, agora coloco em inglês e com direito a vídeo. Sem legendas. Assiste quem quiser (o trecho sensacional transcrito acima começa aos 7m15s).
No trophy, no flowers, no flashbulbs, no line
He’s haunted by something he cannot define
Bowels shaking earthquakes of doubt and remorse
Assail him, impale him with monster truck force
In his mind he’s still driving, still making the grade
She’s hoping in time that her memories will fade
Cause he’s racing and pacing and plotting the course
He’s fighting and biting and riding on his horse
The sun has gone down and the moon has come up
And long ago somebody left with the cup
But he’s striving and driving and hugging the turns
And thinking of someone for whom he still burns
Cause he’s going the distance
He’s going for speed
She’s all alone (all alone)
Alone in her time of need
Because he’s racing and pacing and plotting the course
He’s fighting and biting and riding on his horse
He’s racing and pacing and plotting the course
He’s fighting and biting and riding on his horse
He’s going the distance
He’s going for speed
He’s going the distance
The good old days, the honest man
The restless heart, the Promised Land
A subtle kiss that no one sees
A broken wrist and a big trapeze
Oh well, I don’t mind if you don’t mind
‘Cause I don’t shine if you don’t shine
Before you go, can you read my mind?
It’s funny how you just break down
Waiting on some sign
I pull up to the front of your driveway
With magic soaking my spine
Can you read my mind?
Can you read my mind?
Porque nada define Cowboy Bebop melhor do que esse comecinho de Asteroid Blues (bom, talvez o final de The Real Folk Blues II, mas aí já é spoilear a parada…)
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
“Uma visita”, eu me disse, “está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais.”
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu’ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P’ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo:
“É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais.”
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
“Senhor”, eu disse, “ou senhora, de certo me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo
Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi…” E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
“Por certo”, disse eu, “aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
É o vento, e nada mais.”
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um Corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nenhum momento,
Mas com ar sereno e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
“Tens o aspecto tosquiado”, disse eu, “mas de nobre e ousado,
Ó velho Corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome “Nunca mais”.
Mas o Corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento,
Perdido murmurei lento. “Amigos, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais.”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
“Por certo”, disse eu, “são estas suas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entorno da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp’rança de seu canto cheio de ais
Era este “Nunca mais”.
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu’ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele “Nunca mais”.
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
“Maldito”, a mim disse, “deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!”
Disse o Corvo, “nunca mais”.
“Profeta”, disse eu, “profeta - ou demônio ou ave preta! -
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, e esta noite e este segredo
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
“Profeta”, disse eu, “profeta - ou demônio ou ave preta! -
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida, se no Éden de outra vida,
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
“Que esse grito nos aparte, ave ou diabo”, eu disse. “Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!”
Disse o Corvo, “Nunca mais”.
E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda,
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais.
E a minh’alma dessa sombra que no chão há de mais e mais,
Libertar-se-á… nunca mais!
De Edgar Allan Poe
Tradução de Fernando Pessoa (1924)
E - de lambuja - o texto original, narrado por ninguém menos que Christopher Walken:
