Cinematócitos

À Procura da Felicidade vai alimentar o sadismo de muita gente que diz que gosta de ver histórias de “superação”, quando na verdade curte mesmo é ver outros seres humanos se fodendo bonitamente sem, contudo, perder a cabeça e chutar o balde.

Babel não me pareceu um filme ruim, mas me abstenho de comentar. E não faço isso porque não gostei, seria simplificar o inexplicável. Mas - já disse e estou repetindo - não quero dizer que não caiu no meu gosto porque é ruim, até porque acho que seria bem virulento da minha parte fazer uma afirmativa tão descabida. Direi o que disse a todo mundo que me perguntou o que eu achei:

- Vá ver e tire suas próprias conclusões. As minhas são inconclusivas.

Mais Estranho Que A Ficção também não é ruim. Mas se não disse que Babel é ruim, esse não ouso dizer que é bom. Tem seus momentos. Até diverte, se você tiver boa vontade. Talvez valha o preço de uma meia entrada em meio de semana. Ou o custo da locação de um DVD, quando for lançado, quem sabe. Pelo menos Will Ferrel convence, o que já é muita coisa (ainda mais para mim, que não vou muito com a cara dele e acredito serem tremendamente questionáveis seus dotes “humorísticos”).

Sobre Casino Royale, preciso me controlar na hora de falar a respeito. Há tempos não me empolgava tanto numa cadeira de cinema. Finalmente o agente 007 conseguiu sair - de forma violenta, diga-se de passagem - da bolha de antipática letargia na qual eu o mantinha desde meu primeiro contato com outros atores que não o velho Sean Connery interpretando o papel. De todo modo, enquanto via Daniel Craig cobrir malfeitores de porrada com a brutalidade de um lutador de vale-tudo, um pensamento me veio à mente: é estranho que em tempos de metrosexualismo e posturas politicamente corretas, personagens assumidamente caminhoneiros façam tanto sucesso. E não digo apenas no cinema. Se nas telas grandes temos o agente James Bond agindo com inesperada incivilidade, nos videogames um dos jogos de maior sucesso atualmente traz como personagem principal um sujeito que ainda irei colocar como símbolo da comunidade Clube Irmão Caminhoneiro Shell: Kratos, de God of War, conseguiu expandir meus conceitos de grosseria a níveis inteiramente novos.

7 Responses to “Cinematócitos”


  1. 1 daniel

    eu vi “Volver” ontem, e achei incrível como o almodóvar consegue criar tramas paralelas suficientes para suprimir a história principal até se perder e terminar o filme sem explicar quase nada.
    só tiro o chapéu pro nível técnico do filme, que é foda. e pros peitos da penélope cruz, obviamente.

  2. 2 Gabi

    vcs abriram inscrição pro cursinho de Irmão Caminhoneiro? pq juro, tá na moda.

  3. 3 Sr. Catavento

    Três palavras:
    Kratos é foda.

  4. 4 Felipe

    Concordo,.Também é a primeira vez que um filme da série 007 consegue me empolgar.Que se dane a crítica dizendo que o filme apela para a pancadaria barata!O filme está muito show!
    Até.

  5. 5 Arno Anderson

    Saiu Gods of War 2 e achei legal o começo da história quando Kratos na posição de deus quer botar pra fuder com tudo, numa tremenda inversão de papéis.
    James Bond ficou foda, mas o que eu estou esperando é 300. Dizem que vai ser do caralho.

  6. 6 Pedro

    Gabi, me respeite.
    Eu sou um irmão caminhoneiro graduado.

  7. 7 Koelho

    O Kratos é estilo o Chuck Norris. Só que mais bonzinho.
    Cinema que nada, legal é videogame.

Leave a Reply