Organizava sua salada com a dedicação e o esmero de um amante cuidadoso durante as preliminares de uma foda solene.
Sua técnica para montar o antepasto era, na pior das hipóteses, impecável. Uma sólida base de folhas de sabores, cores e texturas diferentes alternadas com maestria; rodelas rigorosamente selecionadas de tomate, pepino e cebola; pedaços desfiados de palmito e champignons picados com primor; espalhava com cuidado um pouco de cenoura e beterraba raladas e coroava a obra com uma ou outra azeitona, pedaços de tomate seco, tiras finas de frios leves e então, só então, partia para os temperos.
Conhecedor que era de azeites, sabia a dose exata necessária para, de acordo com a constituição de seu prato, realçar o sabor de cada alimento ali presente. A maneira como os dispunha tornava possível que até mesmo a menor quantidade do líquido derramado escorresse igualmente entre as camadas. Salpicava uma estudada porção de orégano e, com aparente displicência, algumas pitadas de sal. Umas gotas de aceto balsâmico e voilá: estava pronta sua obra de engenharia gastronômica.
O resultado de sua imersão - pois seria impossível classificar de outra maneira - nos bufês de verduras e legumes era desejosamente observado mesmo por quem não nutria especial predileção por saladas. Lembrava-se, divertido, do episódio no qual a gerente de um restaurante eximiu-o de pagar a conta caso cedesse seu prato para um fotógrafo de alimentos que se encontrava no local: queria aquela imagem na capa do novo menu. Diante de tão interessante proposta, não pensou duas vezes antes de aceitar e, estimulado pela possibilidade de comer de graça, preparou nova obra, magnífica, que superava com folga a anterior.
Certo dia, em casa, sentado diante do alimento e prestes a consumi-lo, ouviu, na tevê, reportagem sobre como portar-se à mesa. A especialista em etiqueta dizia que folhas de alface não deveriam ser cortadas, mas, com o auxílio de garfo e faca, enroladas como uma trouxinha e, só então, levadas à boca. Tal convenção social lhe pareceu disparatada.
Picotou tudo o que havia em seu prato e devorou às garfadas.

E aí?
decepção esse texto…
eu acho um saco ficar cortando alface. é bem mais simples não consumi-lo.
E daí porra nenhuma, Thaís.
Tu não conhece o conceito de trivial, né? Ignorância é foda.
Perdeu a chance de calar a boca.
“E aí?”…hahahaha!
Decepção mesmo, o cara não pôs nenhum grão de Aji Nomoto…
=)
Depois que eu criei o blog, algumas pessoas colocaram meu link na lista deles. Grande coisa, pensei eu.
Daí um dia, eu vi que o Pedro colocou meu link no blog dele.
- Porra, tem um link meu no Utopia Dilucular!
Corri e contei pra todos meus amigos imaginários que ficaram morrendo de inveja!
Hoje venho humildemente agradecer por ter recebido o link e te pedir pra tirá-lo dali, pois deletei o Segredos. Gosto mais de ler do que escrever e, sinceramente, eu não sei escrever. Voltarei sempre aqui pois, cara, tu é um dos melhores links da minha lista de favoritos, se não o melhor. ;D
OBS: Dobrar o alface no prato e fazer uma trouxinha é mais dificil que fazer origami. Pelo menos pra mim. :P
Eu não sei escrever sobre saladas. Você é um gênio e a primeira linha/ parágrafo é foda!
Caralho…Sem palavras.
A pergunta que me resta é: você começa pela situação, pela personagem ou pelo fim?
Sem um fim eu não consigo começar, cara. A situação eu desenvolvo e os personagens se desenvolvem sozinhos, acho.