Das coisas que começo (e não termino nunca) - I

Simone tinha olhos castanhos, de um castanho claro amarelado, uma cor que lembrava âmbar e parecia refletir a luz de forma ímpar, diferente de qualquer outra coisa que você já tivesse visto. Sentava-se meio de lado, cruzava as pernas e jogava por sobre os ombros, para seus interlocutores, aquele olhar capaz de corar até mesmo o mais desavergonhado cafajeste. Não fazia toda essa pose ritahayworthiana por querer, era algo involuntário. Tinha um charme que entornava em cada gesto. Não conseguiria contê-lo nem se quisesse.

Simone me fazia entender como era possível um homem se apaixonar por uma mulher de burka.

(Pra onde caralhos vai um texto que começa assim? Se não virar um romance - no sentido amoroso da coisa, não editorial -, torna-se uma tragédia. No meu caso, sempre tende para o segundo tipo de história.)

2 Responses to “Das coisas que começo (e não termino nunca) - I”


  1. 1 Any Valette

    sempre pode virar um pornô, quem sabe.

    Ah, eu sou especialista em escrever roteiro pra filme pornô. E pra filme de ação. Violência e sexo são as duas coisas mais fáceis de colocar em qualquer história, porque não existe justificativa que valide qualquer uma das duas, então é só jogar no contexto e ver tudo ir pro caralho (em um dos casos, literalmente).

  2. 2 Amanda Ourofino

    Pode virar mtas coisas… eu diria que qualquer coisa que vc quiser… Até terror… hahahhahah

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