Em progressão geométrica…

As pessoas, em geral, são cretinas. Nelson Rodrigues já sabia disso, muito tempo antes de eu nascer. Num tempo em que os sistemas de informação eram bem mais lentos. Num tempo em que a televisão não era tão podre e muitos dos péssimos programas atuais nem sonhavam em existir. Num tempo em que o número de pessoas que ele conhecia para poder afirmar isso era bem restrito.

E estava certo, o filho da puta. Se tivesse vivido hoje em dia, na era da internet, provavelmente teria uma síncope toda vez que recebesse um e-mail com propaganda, corrente, pedido de ajuda para menininhas cancerosas do Gabão ou arquivo .pps de cunho religioso ou com lição de moral.

Morreria de úlcera bem cedo se vivesse nos dias de hoje, o pobre Nelson Rodrigues.

Só porque as pessoas são cretinas. Fato incontestável. Aprenda a viver com isso ou dê um jeito de se suicidar. E cuidado: a cretinice delas é tamanha que há o risco das suas fotos pós-morte irem parar na Internet.

Esse, aliás, é o único problema da rede mundial de computadores: as pessoas. Sartre já disse que o inferno são os outros. E no mundo virtual isso é mais verdadeiro do que nunca. Não houvesse ninguém online, seria uma maravilha. As empresas de acesso à internet deviam fazer uma triagem de seus clientes. Uma análise psicológica apurada em todos eles. Quem tivesse tendência a se mostrar um pé-no-saco seria banido eternamente do convívio cibernético. Implantariam um chip na pessoa que derrubaria qualquer conexão assim que ela colocasse a mão no mouse. Isso, sim, seria uma utopia.

Veja o Orkut, por exemplo. O novo ponto de encontro pra todo mundo que não tem um pingo de bom-senso e se dá o direito de atazanar os outros por se achar muito engraçado, inteligente ou por não ter um pingo de semancol mesmo. A moda lá, agora, é ir ao scrapbook alheio pra deixar recadinhos de natal/ano-novo cheios de desenhinhos e frescurites do gênero. Sintoma clássico de uma doença que assola a humanidade desde seus primórdios: paunocuzice crônica.

Como eu disse, é preciso aprender a lidar com a paunocuzice alheia. Você um dia pode ter a sua, quem é que sabe? Paciência é a chave para lidar com os paunocu. O que eu faço, quando um deles se manifesta no meu profile, é deletar a bela mensagem e ir até o scrap do pobre adoentado deixar uma resposta singela:

“Eu desejo que seu natal e ano-novo sejam repletos de bom-senso, e que você perceba que esses desenhinhos de scrapbook são de uma cafonice sem igual. Além de serem irritantes pra caralho.

Bicotas.”

Uma leve injeção de bom-senso talvez possa levá-los a repensar seus atos estúpidos. Isso, claro, é o que diriam os crédulos. Como sou um orgulhoso representante da Escola Cética, duvido muito. Cuspo bom-senso nesses insetos apenas porque é divertido. Eles costumam te taxar de mau-educado quando você faz isso.

Como se fossem a fina flor da educação, invadindo o seu espaço com modismos esdrúxulos…

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