Façamos, pois, a felicidade dos ímpios

Compreendam que meu sumiço não foi premeditado, tampouco partiu da minha vontade. Meu humor não anda dos melhores e, antes que pensem que se trata de uma crise, um chilique, um piti, esperem eu terminar o texto.

Sou das poucas pessoas da minha idade que conheço que ainda têm uma bisavó. A mãe da mãe da minha mãe ainda é viva e tem 90 anos. Nasceu em 1914! Infelizmente, entretanto, está na UTI esses dias, o que tem deixado minha vó muito, muito deprimida. Minha atenção, logicamente, está voltada a ela - minha vó, já que, pela minha bisa, não tenho muito o que fazer no momento.

Fazendo uso de todas as minhas forças e evocando até as últimas gotas do meu parco autocontrole, tenho procurado ficar na maciota e não discutir nem contrariar minha vó. Não preciso explicar que isso está longe de me tornar o homem mais bem-humorado do mundo, preciso? Não? Ótimo.

Pois bem. Prefiro me manter calado a ser rude, por increça que parível. Então é o que tenho feito. Claro que o fato de estar passando pouco tempo em casa esses dias, somado ao meu esquema atual de trabalho - agora sou um homem possuidor, invejem-me -, me impede de pensar em textos, que dirá de escrever.

Agora é esperar a maré baixar.

Hein? Se eu ando triste? Ah, isso são outros quinhentos.

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