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	<title>::Utopia Dilucular::</title>
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	<description>Senta que lá vem a história.</description>
	<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 18:48:21 +0000</pubDate>
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		<title>Das respostas possíveis (e impraticáveis)</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 20:31:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O problema em ser homem é que existe essa demanda para que você esteja com o pau na mão o tempo inteiro. Surgiu a oportunidade, a piroca deve entrar em ação. Não existe isso de &#8220;não quero&#8221;! Você não pode não querer! Abriram o chamado? Pau na máquina.
(duplo sentido acidental)
Se você é homem e cai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O problema em ser homem é que existe essa demanda para que você esteja com o pau na mão o tempo inteiro. Surgiu a oportunidade, a piroca deve entrar em ação. Não existe isso de &#8220;não quero&#8221;! Você não pode não querer! Abriram o chamado? Pau na máquina.</p>
<p>(duplo sentido acidental)</p>
<p>Se você é homem e cai no erro de ser seletivo, se nem toda guria que te aponta o glorioso e úmido vale após o gramado da felicidade (ou, em alguns casos, a floresta da perdição) recebe de você o golpe vigoroso do vingador paudurescente, camarada&#8230; há algo errado contigo. Ou ao menos é o que dirão. E na verdade não há.</p>
<p>O que me levou a pensar nisso foi a responsável por um supermercado que atendia, até algum tempo atrás. Certo dia lá fui resolver algo simples. Compareci munido de todo o bom-humor que me é peculiar e da afabilidade que me faz notório, e a moça me aborda com uma chamada na xinxa suave, porém perceptível. E se eu, bundão declarado e convicto que sou, notei a forçada de barra, qualquer um notaria.</p>
<p>Fiquei na minha e sorri, ignorando e dando continuidade ao meu trabalho. Alguns minutos depois, fui pegar informações com ela, e a mulher retorna à carga com ímpeto redobrado. Ri, deixei passar batido. Na terceira ela foi de all-in, faltando só puxar meu colarinho e apertar minha bunda. Dessa vez gargalhei alto e respondi com evasivas.</p>
<p>Aparentemente, foi demais para o orgulho da pobre senhora. Você deduziria que uma mulher em seus 40 e - muitos - algos, cuja aparência já não é mais grande coisa (e pode até ter sido um dia, mas duvido bastante), teria algum fair play e saberia receber um [NÃO INTERESSADO] em letras garrafais com certa elegância. Infelizmente não é como funciona a vida, amigo. Talvez com a idade venha uma certa queda na auto-estima e, com isso, aproxime-se do nosso pescoço o bafo quente do desespero, nos impelindo a atitudes antes impensáveis. Talvez ela tenha achado que eu, tendo aparência que tenho, sendo a pessoa que sou, não cometeria o erro de recusar suas gracinhas. Quem mais daria pra mim, afinal? Qualquer que tenha sido a lógica interna que alimentou o aborrecimento subseqüente, a verdade é que a mulher - que até então imaginei estar brincando - tomou um ar sinceramente ofendido e me fez exatamente estas perguntas:</p>
<p>- Você não gosta de mulher, não? Você é viado?</p>
<p>Uma questão dessas, colocada dessa forma, nesse contexto, abre tantas possibilidades de resposta que algumas são até covardia. É como um bêbado que tenta trocar uns sopapos com um pugilista profissional no auge de sua forma: o pobre alcoolizado não tem a menor noção de como armar a guarda e se oferece para levar um direto no meio da cara. Para o adversário, esse golpe parece a melhor escolha, mas é moralmente questionável. A voz da consciência avisa que tal manobra, apesar de merecida, equivale a chutar cachorro caído; o bom-senso berra seu nome e te dá um tapão nas costas, mostrando que não admite ser ignorado nessa questão. E apesar de seu cérebro enfileirar duzentas e doze ótimas respostas que tornariam a história épica, a ser contada em todas as mesas de bares às quais você se sentasse, esses dois, consciência e bom-senso, berram &#8220;COMPORTE-SE, ANIMAL! VOCÊ VAI PERDER SEU EMPREGO!&#8221;. Cara, como eles gritam alto!</p>
<p>Então, diante daquela maravilhosa pergunta da gerente do mercado, praticamente um &#8220;Ei! Ei! Chute meu pâncreas, ele serve pra isso!&#8221;, fui contido e civilizado. Poderia ter dito &#8220;De mulher? Gosto muito, mas só das que têm 46 cromossomos&#8221;. Ou &#8220;Claro que gosto, mas é um nicho biológico do qual a senhora não faz parte&#8221;. Talvez pudesse responder &#8220;Olha, eu gosto bastante, mas sinto dizer que sua carteirinha de sócia dessa categoria foi revogada duas eras glaciais atrás&#8221;.</p>
<p>Em vez disso, o que eu disse? O quê? Com a cara mais séria, o olhar vítreo, sem demonstrar emoção, respondi apenas:</p>
<p>- Sim, eu sou viado.</p>
<p>E tive paz pelo resto do dia.</p>
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		<title>Das sagas intermináveis</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 15:22:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[burrice]]></category>

		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

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		<description><![CDATA[Aviso antecipado pros molequinhos criados com vó, que soltavam pipa no ventilador e jogavam bola de gude no carpete: Esse é um post grande. Se não agüenta, não desce pro play, filhote.
Em outubro do ano passado, meu celular, um Sony Ericsson W380, sofreu uma queda com o flip aberto e ficou ligeiramente desconjuntado. Posterguei o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size=1>Aviso antecipado pros molequinhos criados com vó, que soltavam pipa no ventilador e jogavam bola de gude no carpete: Esse é um post grande. Se não agüenta, não desce pro play, filhote.</font></p>
<p>Em outubro do ano passado, meu celular, um Sony Ericsson W380, sofreu uma queda com o flip aberto e ficou ligeiramente desconjuntado. Posterguei o conserto em virtude da viagem que fiz e o resultado foi que o infeliz, ao cabo de algumas semanas, começou a se desfazer a olhos vistos. Liguei para a Vivo, minha operadora, até então, e solicitei a retirada de um novo aparelho de celular. Disseram-me &#8220;Vá a uma loja, senhor&#8221;. A uma loja, senhor, eu fui.</p>
<p>Aliás, fui a mais de uma. Em todas elas não consegui encontrar UM aparelho da Nokia que fosse ligeiramente avançado. Não me refiro a um maldito N95, sabe, mas a um simples Nokia 5310. Era o que me bastava, juro. Porque, veja, eu uso celular para três atividades primordiais:<br />
1) fazer e atender ligações, 95% delas relacionadas a trabalho, no período compreendido entre 9h e 18h.<br />
2) Enviar sms pra jogar conversa fora (uso INTENSO desse recurso).<br />
3) Ouvir música via fones de ouvido - sempre, pois não sou escroto a ponto de enfiar meu gosto musical refinado goela abaixo de ninguém - e, assim, ignorar as pessoas com maior facilidade.</p>
<p>Não se faz necessário ter um aparelho muito cabuloso, portanto. Eu me manteria com os Sony-Ericsson, de verdade, mas existe essa conjunção astronômica que coloca Vênus na casa de Urano enquanto Júpiter dá um rolé pelas quebradas plutônicas - agora bastante decaídas -, ignorando a sacanagem que se arma às suas costas, arquitetada por seu primo Marte e seus sidekicks Phobo e Deimos, e toda essa putaria astrológica, enfim, faz com que o signo do sinal da Vivo e dos celulares da Sony não se batam.</p>
<p>Mas, como dizia, não encontrei o aparelho da Nokia que eu queria. A Tim, por outro lado, tinha o aparelho à mão. Pra entrega IMEDIATA. E exigia tão pouca documentação, e meu pai, minha mãe, minha vó, minha sobrinha, meu cunhado e diversos amigos meus têm celular da Tim. E eu nunca vi essas pessoas terem problemas. E eu portei meu número para outra empresa.</p>
<p>E eu estava errado.</p>
<p>E chega de frase com e.</p>
<p>A Vivo até tentou me demover da idéia. Como uma ex-namorada recém-abandonada, que percebe que perde um bom homem para uma vagabunda rampeira, ela me ligou, mandou mensagem, fez propostas, implorou. Fui um idiota e ignorei. Levei meu projeto a cabo. E agora me fodo, porque quem é burro que peça a deus que o mate e ao diabo que o carregue.</p>
<p>Eu devia ter previsto. Vejam só isso: meu plano da Vivo era de 350 minutos + algumas bonificações (sms&#8217;s extras, dados pra navegação, coisa do gênero). A Tim tem o Tim Infinity 300, que é quase a mesma merda, e foi o que eu escolhi. Mas foi negado!</p>
<p>- Hein? Como assim, negado?</p>
<p>NEGADO, amigo. Quer dizer que pod&#8217;naum, já diria o porteiro do meu ex-colégio. De acordo com o vendedor, a Tim trabalha com um sistema de pontuação e blá blá blá, e pra poder fazer o plano de 300 minutos eu precisaria ter X pontos e etc. Ou, em outras palavras, a Tim exige um período de avaliação ANTES de te prestar um serviço. Ela não considera que o cliente é confiável de imediato.</p>
<p>Sendo assim, tive que me contentar com um plano de 80 minutos. &#8220;Vou extrapolar essa porra&#8221;, disse eu ao vendedor, &#8220;pois meu uso de celular no trabalho é intenso e eu gasto PELO MENOS 160 minutos por mês, em um mês fraco&#8221;. Eu trabalho prestando suporte em supermercados. Era dezembro. Para supermercados, dezembro não é um mês fraco. Para mim, portanto, dezembro é o inferno na terra. Não é mês da vinda do salvador, mas o mês em que a Cascavel das Sete Ventas caminha entre os mundanos.</p>
<p>E eu sabia que ia passar da cota, mas ok. O que fosse além, eu bancava. No mês seguinte mudava meu plano e estava tudo resolvido. Ah, que simples! Que bonitinho!</p>
<p>Mas estava <b>ERRADO!</b></p>
<p>Leis BÁSICAS de Murphy, gafanhotos: <strong>NADA</strong> é tão fácil quanto parece; <strong>TUDO</strong> leva mais tempo do que se pensa; <strong>TODA</strong> solução cria novos problemas. Mantenham isso em mente pelo decorrer deste texto, será importante.</p>
<p>No final do mês de dezembro (no final MESMO, na manhã do dia 31) fui fazer uma ligação. Foi redirecionada para o SAC da Tim. O diálogo foi mais ou menos nessa linha:</p>
<p>- Central de Relacionamentos Tim, bom dia, em que posso ajudar?<br />
- Não sei. Você pode me dizer por que diabos eu fiz uma ligação e ela foi direcionada pra você. Esse seria um bom começo.<br />
- Senhor, confirme alguns dados, por segurança.<br />
- Eu calço 42 e tenho olhos castanhos.<br />
- Ok, senhor. Consta no nosso sistema um excesso de uso do telefone, senhor.<br />
- Excesso de uso? Se eu conheço o suficiente da língua portuguesa, e acho que sou até razoável nessa área, cê tá me dizendo que vocês cortaram meu telefone porque eu uso demais?<br />
- Precisamente, senhor.<br />
- A Tim agora é minha mãe, é isso? Quantos anos eu tenho? Oito?<br />
- Como, senhor?<br />
- Vocês me deram um celular pra eu usar com parcimônia e agora estão tomando porque eu não fui responsável o suficiente? Tô me sentindo uma criança que abusou de um privilégio. Só que eu não sou criança e esse não é um privilégio. Eu pago por esta porra, cacete!<br />
- Não, senhor, mas está previsto em contrato que um consumo [yadda yadda yadda, baboseiras técnicas de atendente de telemarketing], senhor.<br />
- Ou, em outras palavras, se eu usar o celular mais do que vocês acham que devo, minha linha é cortada, pra eu aprender a me comportar. Que bonito! Muito didático da sua parte, mas preciso do meu celular funcionando, e não é capricho de quem quer marcar churras com a galera da facul, ok? Eu uso essa porcaria pra trabalhar. Quem eu tenho que matar pra ele voltar a operar?<br />
- Vai ser preciso pagar um adiantamento da conta.<br />
- Péra. Você quer que eu pague um pedaço da minha conta que vai vencer em 25 de janeiro?<br />
- Isso, senhor. Quer que eu envie o código de barras por SMS?<br />
- Sério, o que acontece aí? Vocês estão precisando de dinheiro desesperadamente pra comprar um peru pro reveillon hoje? Eu tenho um no meu freezer e garanto que não vou precisar, pode mandar alguém vir aqui buscar. Agora. Libera. A. Porra. Do. Meu. Telefone!<br />
- O senhor precisa primeiro pagar o adiantamento, senhor.<br />
- Então vocês estão me coagindo a ampliar meu plano, em outras palavras. Ou pago a mais, ou vocês cortam minha linha todo mês. Muito bonito!<br />
- Não é isso, senhor, está prev&#8230;<br />
- Estar previsto em contrato não torna menor o gesto de coerção. Qual o próximo passo? Me fazer uma proposta que eu não poderei recusar? Os Corleone ligaram e eles querem a famiglia de volta.<br />
- &#8230;<br />
- Manda esse código de barras logo.<br />
- Ok, senhor.</p>
<p>Dia 6 de janeiro paguei a tal taxa. Até lá, meu celular foi apenas um mp3 player mais bonitinho. E com Zombie Infection. Passei pra moça os dados da transferência bancária e ela disse que estava liberando minha linha &#8220;em caráter de confiança&#8221;, vejam que gracinha. É como me chamar de safado, sem-vergonha e inadimplente, mas me dando um voto de confiança. Putos.</p>
<p>Infelizmente a confiança não durou. Dia 11 meu telefone foi cortado novamente. Liguei lá e a atendente informou - inclusive com bastante agressividade, que devolvi na mesma moeda (ela não sabia que tava entrando na minha quebrada quando resolveu falar grosso) - que a liberação havia sido feita confiando no meu pagamento e que, como o pagamento não tinha sido identificado, foi revogada.</p>
<p>E foi mais ou menos nessa hora que eles abriram a brecha pro processo que levarão no lombo, mas desse eu falo depois.</p>
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		<title>Cake - End of the movie</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 03:30:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[musica]]></category>

		<category><![CDATA[youtube]]></category>

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		<description><![CDATA[
People you love
Will turn their backs on you
You&#8217;ll lose your hair
Your teeth
Your knife will fall out of its sheath
But you still don&#8217;t like to leave before the end of the movie
People you hate
Will get their hooks into you
They&#8217;ll pull you down
You&#8217;ll frown
They&#8217;ll tar you and drag you through town
But you still don&#8217;t like to leave [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><object width="320" height="265"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y72L7YAAmXA&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Y72L7YAAmXA&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="320" height="265"></embed></object></center></p>
<p>People you love<br />
Will turn their backs on you<br />
You&#8217;ll lose your hair<br />
Your teeth<br />
Your knife will fall out of its sheath<br />
But you still don&#8217;t like to leave before the end of the movie</p>
<p>People you hate<br />
Will get their hooks into you<br />
They&#8217;ll pull you down<br />
You&#8217;ll frown<br />
They&#8217;ll tar you and drag you through town<br />
But you still don&#8217;t like to leave before the end of the movie<br />
No, you still don&#8217;t like to leave before the end of the show</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Do que não cicatriza</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 03:38:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[amor]]></category>

		<category><![CDATA[saudade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Hoje vão seis meses desde a última vez em que vi a Jana com vida. Era uma quinta-feira e eu tava atrasado pra faculdade, mas passei no hospital pra ficar um pouquinho com ela. Como fiz todos os dias anteriores. Como não fiz no dia seguinte. 
Ela tinha sido internada novamente depois de 9 dias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><img src="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2010/01/jana.jpg" alt="Janaína" title="jana" width="154" height="266" class="size-full wp-image-1156" /></center></p>
<p>Hoje vão seis meses desde a última vez em que vi a Jana com vida. Era uma quinta-feira e eu tava atrasado pra faculdade, mas passei no hospital pra ficar um pouquinho com ela. Como fiz todos os dias anteriores. Como não fiz no dia seguinte. </p>
<p>Ela tinha sido internada novamente depois de 9 dias em casa, porque a quimioterapia rendeu-lhe uma bela duma hepatite medicamentosa. E tava num desconforto sem tamanho! Toda inchada, com dores, uma agulha enfiada no braço 24/7, hematomas em várias partes dos braços, graças às agulhadas para transfusões e injeções e soro e quimios, a pele amarelada, graças à doença&#8230; tava mau estado, a minha irmãzinha.</p>
<p>Foi a primeira vez em que eu a vi chorar mesmo, desde o diagnóstico. Todas aquelas agulhadas e remédios e privação de sono e paladar alterado e internações e altas e novas internações finalmente derrubaram o ânimo dela. E, apesar de me lembrar dela como era, com seu sorriso lindo e sua risada deliciosa, nesse dia me a visão que tenho é da Jana sentada na beira da cama, com dor, sono e fome, chorando e dizendo que preferia morrer a passar por aquilo. E eu de pé, próximo, meio abraçado a ela, lhe fazendo um carinho nas costas e dizendo pra calar a boca e parar de falar besteira.</p>
<p>Fiz o inferno com aquela maldita cama, logo em seguida. Subi e desci os lados daquela merda até minha irmã me dizer que tinha encontrado uma boa posição. E quando se cansou dessa, tornei a girar as manivelas como se fossem curar a leucemia dela, até deixá-la novamente confortável. Fiz isso três ou quatro vezes até a hora de ir embora. E quando a deixei foi com um beijo na testa, um cafuné e dizendo eu te amo. &#8220;Eu te amo, não desanima, não&#8221;, pra ser exato. E foi a última coisa que disse pra Jana. E é uma boa maneira de se despedir de alguém.</p>
<p>Se me dissessem que era minha despedida definitiva dela, talvez não tivesse tido metade dessa eloqüência.</p>
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		<title>Das ironias da justiça</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 06:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[burrice]]></category>

		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

		<category><![CDATA[religiao]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante um certo período da minha vida, fui um ateu fervoroso cuja grande diversão, ao conversar com teístas, era apontar erros em suas certezas (de preferência fazendo com que parecessem idiotas por ter fé naquilo e coisa e tal). Com o tempo e uma boa dose de sabedoria - que FELIZMENTE veio com o tempo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante um certo período da minha vida, fui um ateu fervoroso cuja grande diversão, ao conversar com teístas, era apontar erros em suas certezas (de preferência fazendo com que parecessem idiotas por ter fé naquilo e coisa e tal). Com o tempo e uma boa dose de sabedoria - que FELIZMENTE veio com o tempo, e é das únicas coisas boas que ele traz, junto com a velhice, as doenças, a degradação física e moral e um realismo cínico -, acabei percebendo que o ateísmo que eu praticava de forma tão religiosa era exatamente isso: uma religião. E envolvia muita fé na minha crença - tão carente de embasamento quanto a de qualquer teísta - de que deus não existe, e que não passamos de poeira galáctica com delírios de autoimportância.</p>
<p>Vem daí que atualmente sou um agnóstico. Não existe arcabouço lógico que permita a qualquer um negar <b>OU</b> afirmar a existência de um gerente nesta birosca. Sem dúvida é perfeitamente possível discutir com cristãos, por exemplo, e questionar suas afirmações disparatadas a respeito da &#8220;vontade divina&#8221;, dos meios adotados pelo criador para atingir seus objetivos. É possível inclusive questionar a idéia de que deus, se existe, tem qualquer objetivo. Você pode dizer que eles estão errados, por exemplo, ao afirmar peremptoriamente que o velho Javé não gosta de brincadeiras. Existe um forte argumento contra isso, chamado ORNITORRINCO. Também pode rir quando eles dizem que o todo-poderoso é um cara bacana. Existe outro forte argumento contra isso, e chama-se JAQUEIRA. Um cara sem senso de humor não cria um bicho escroto como o ornitorrinco, um cara legal não colocaria uma fruta de 5 kg no topo de uma árvore de 10 metros, enquanto morangos nascem ao rés-do-chão.</p>
<p>Ou seja, EXISTEM argumentos contra as afirmações dos teístas em relação aos desígnios divinos. Até mesmo em relação à natureza de deus. Porra, deus sabe (opa!) que existem argumentos até mesmo em relação ao modus operandi deles ao lidar com o criador.</p>
<p>Mas não existe um argumento consistente a respeito da inexistência divina. Ou da existência, também. É tudo uma grande interrogação. Uma pergunta daquelas para as quais nós não temos resposta. Nosso conhecimento não atingiu tal magnitude ainda, e cientistas que se aprofundam em suas áreas de conhecimento chegam a um beco sem saída. Alguns, nesse ponto, partem para o estudo e a criação de novas teorias. Outros, apesar de continuarem estudando, fazem referência a algo como &#8220;uma força maior&#8221;.</p>
<p>Um cientista sem muito talento para a ciência - que é, essencialmente, a curiosidade humana se manifestando com método - bate naquele ponto, resolve que não existe explicação lógica e vai cuidar de outro assunto.</p>
<p>Mas enfim. Voltando aqui aos ateus, é triste que não percebam, do alto de sua fúria &#8220;racional&#8221;, de seu apego raivoso a uma certeza que não podem provar - porque não se pode provar a inexistência de algo, como parece evidente -, o quanto são ridículos e fundamentalistas. Mais do que muitos dos cristãos proselitistas, que tanto os irritam. Mas em relação a um ponto, preciso dar razão a eles: não existe grupo mais desrespeitado do que o das pessoas que não acreditam em deus.</p>
<p>E não falo dos que NEGAM deus. Falo dos que negam e dos que, como eu, não perdem tempo tentando criar argumentos - fracos, via de regra - a respeito desse assunto.</p>
<p>Uma pesquisa recente mostrou que só os usuários de drogas recebem tanta repulsa/ódio da população em geral quanto os ateus. Acha que eu tô exagerando? Confere aí:</p>
<p><center><a href="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2010/01/pesquisaateismo.jpg" rel="lightbox"><img src="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2010/01/pesquisaateismo-300x206.jpg" alt="pesquisa" title="pesquisa" width="300" height="206"></a><br />
<font size=1>Clica aí pra ver maior, filho.</font></center></p>
<p><i>- Mas você não é um ateu, Pedrones, vem negando isso desde o começo do texto.</i></p>
<p>Tô ciente, gafanhoto. Mas pra maioria do populacho teísta, infelizmente profundamente ignorante sobre a natureza da fé e das religiões, só existem duas vertentes: ateus e GENTE BOA. Agnósticos definitivamente não estão no segundo grupo. O que significa que, em matéria de opróbrio, é necessário juntar um aidético, um traveco e um ex-presidiário pra competir comigo.</p>
<p>Esse desrespeito pelo não-teísmo, qualquer que seja a forma que tome, é muito claro e começa com aquela piadinha que associa ateu a à-toa, mas não pára aí. Sempre que alguém questiona seus valores morais, ou demonstra pena diante de sua descrença; sempre que dizem &#8220;um dia você vai enxergar deus&#8221; ou dão a entender que essa é apenas uma &#8220;fase de rebeldia&#8221;; sempre que sua postura religiosa é colocada em xeque, enfim, não com argumentos e tentativas de entender sua compreensão do maquinário que move esse plano de realidade, mas com demonstrações de superioridade e/ou troça: essa é uma forma de desrespeito. É você sendo tratado como o que é: um pária.</p>
<p>Agora vem o X da questão, que me conduziu a todo esse raciocínio: ateus nessa situação encontram-se numa sinuca de bico. Porque, veja só, amigo ateu que se sente desrespeitado em sua descrença: a lei lhe ampara! Você pode processar aquele que te constranger, baseado no art. 208 do Código Penal.</p>
<p>MAS - e aqui está o pulo do gato - para isso é preciso alegar que sua CRENÇA RELIGIOSA foi menosprezada. Que aquilo em que você ACREDITA, aquilo no que CRÊ, a idéia na qual deposita sua FÉ foi vilipendiada.</p>
<p>Basicamente, precisará alegar que, sendo ateu, tem uma crença. Que não acreditar em deus é sua religião. Vai ser preciso admitir que o escárnio foi direcionado não aos seus argumentos, mas à sua fé.</p>
<p>Em suma, ateuzinho raivoso, a lei te ajuda, mas você precisa se contradizer. Diz aí: cê tem bagos pra tanto?</p>
<p>Duvido.</p>
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		<title>Das mudanças (e assuntos menos - ou nada - relacionados)</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 08:26:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Pois então, mudei-me. Não falei disso por aqui ainda porque, como parece evidente, isto não é um diarinho. Menciono pouco da minha vida neste recôndito imundo e me sinto mais confortável assim. Mas, para fins de explicação do assunto a seguir, tal informação pessoal vem a calhar. Pois retornemos, então: mudei-me. Morava antes em um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois então, mudei-me. Não falei disso por aqui ainda porque, como parece evidente, isto não é um diarinho. Menciono pouco da minha vida neste recôndito imundo e me sinto mais confortável assim. Mas, para fins de explicação do assunto a seguir, tal informação pessoal vem a calhar. Pois retornemos, então: mudei-me. Morava antes em um confortável apartamento de primeiro andar no meio da civilização. Caminhava 50 metros, estava na Subway. Se andasse 100, chegaria a um Carrefour Bairro. Ao lado dele havia uma Domino&#8217;s e um Bob&#8217;s, próximos a um Itaú, um Banco do Brasil e um Santander. A parada de ônibus mais próxima ficava a 3 minutos a pé e havia um posto policial ao alcance da vista. Todas as instituições sociais - mesmo as mais desagradáveis - ficavam ali, ao imediato alcance das minhas pernas. Nunca senti necessidade de ter um carro ou qualquer vontade de ter carteira. O negócio é que me mudei&#8230;</p>
<p>Agora vivo em um condomínio que fica a 20 minutos - de carro - das fronteiras do mundo civilizado. De ônibus, coloque aí uns 30 ou 40. Até existe uma padaria próxima à minha casa, mas vai ver a qualidade! E tem um mercadinho também, e o INHO que sucede o termo não é meramente ilustrativo, em verdade, em verdade vos digo. Vivo em um lugar aprazível, cheio de pássaros, em uma adorável casa com piscina (logo, logo), próxima a um bosque (não tô zoando, tem um bosque MESMO) que oculta a nascente de um regato e até - vejam que belo! - algumas cachoeiras. Um lugar bucólico!</p>
<p>A sucursal do inferno para um homem urbano que curte caminhar de madrugada. Meu caso.</p>
<p>Então agora terei que tirar carteira, porque da porta do meu condomínio até minha casa são - subida acima - 13 minutos de caminhada. No meu passo de oficial da SS a caminho da execução de judeus, claro. No passo de uma pessoa normal - e pessoas normais caminham como judeus indo para a câmara de gás, para manter a analogia dentro do mesmo evento histórico - vão bem uns 20 minutos. A vantagem disso é que poderei ter um cachorro. A desvantagem é que terei que tirar carteira. E ter um carro.</p>
<p>Agora vem a parte curiosa, que funciona assim desde meus 18 anos: todo mundo que faz essa idade pensa &#8220;Legal, poderei tirar carteira e ter um carro&#8221; e fica feliz feito pinto no lixo. Essas pessoas pensam na idéia de ter uma CNH e possuir um veículo e vêem nisso um porrilhão de vantagens. Ok, eu até sei que existem as vantagens, mas tudo o que me ocorre são as <b>des</b>vantagens. Diga-me que terei um carro e tudo o que consigo pensar é em custo de seguro, preço de IPVA, anos de prestações para quitar o veículo, desembolsar grana pra gasolina, ter que me sujeitar à encheção de saco do Detran, aturar blitzes, encarar trânsito, procurar vagas em estacionamentos, ter aborrecimentos inenarráveis com batidas estúpidas, atropelar bêbados que surgem repentinamente vindos das sombras&#8230; Pessimista, eu? </p>
<p>E, dirigindo, quando é que me ocorreria a idéia que se abateu sobre mim ontem? Subia eu a rua que conduz à minha atual residência, acompanhem-me nessa. Logo antes da esquina em que viro pra chegar à minha casa, há esse terreno onde um sujeito construiu um caixote. É uma casa retangular, tipo 20m x 5m, de 2 andares. Arquitetonicamente falando, é uma caixa feita de concreto. Não tem uma varanda, um telhado que se projete da fachada, nada. Apenas as 4 paredes, um número padrão de janelas e uma porta.</p>
<p>A questão é: não existe UMA entrada/saída da casa além da porta que lhe adorna a frente. Isso quer dizer que no caso de um cataclisma de zumbis, é o lugar mais protegido para se estar naquele condomínio. Talvez na cidade toda. A porta é de metal, as janelas idem, e gradeadas. É uma fortaleza inexpugnável contra criaturas semi-inteligentes, incapazes de apelar para ferramentas. Com um bom estoque de alimentos não-perecíveis dentro daquela caixa de concreto, amigo, é possível viver por ANOS. Não sei o que o arquiteto que desenhou aquele lugar tinha em mente, mas se era a sobrevivência a um holocausto de desmortos, temos aí um gênio ao qual devemos certo respeito. Pergunte-me para onde correrei no dia em que os mortos caminharem sobre a terra e direi, sem pestanejar: &#8220;Para o próximo quarteirão, levando comigo um saco de mantimentos e algo para esmigalhar crânios pelo caminho.&#8221;</p>
<p>O negócio é chegar lá sem ser mordido, mas qualquer coisa eu sacrifico o cachorro, se a situação ficar crítica. Funcionou com o Will Smith, funcionará comigo.</p>
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		<title>Das semelhanças (e diferenças) genéticas</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 14:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[burrice]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha sobrinha de 5 anos, tentando escovar os dentes, não foi capaz de colocar pasta na escova, porque aqui na casa da minha mãe as pessoas apertam o tubo pelo meio, e não pelo final, como seria lógico. Remediei o estrago como possível e, enquanto isso, fui explicando pra pequenininha as vantagens de se apertar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha sobrinha de 5 anos, tentando escovar os dentes, não foi capaz de colocar pasta na escova, porque aqui na casa da minha mãe as pessoas apertam o tubo pelo meio, e não pelo final, como seria lógico. Remediei o estrago como possível e, enquanto isso, fui explicando pra pequenininha as vantagens de se apertar o tubo de pasta do final pro começo, enquanto classificava a doutrina dos apertadores de meio de tubo com termos como &#8220;idiotice&#8221;, &#8220;burrice&#8221; e etc.</p>
<p>Ao fim da explicação, minha mãe me chamou.</p>
<p>- Meu filho, apertar o tubo pelo meio não é exatamente burrice.<br />
- Claro que é. É óbvio que pressionar pelo final é muito mais prático a médio/longo prazo. Quem aperta no meio claramente é imediatista e não tem um pingo de visão.<br />
- Mas não é necessariamente burrice. Burrice é uma deficiência. Às vezes a pessoa é inteligente, mas nunca pensou nisso por preguiça mental.<br />
- O que é igual a burrice.<br />
- Não é!<br />
- Claro que é, mãe! Pensa comigo: eu te dou um pedaço de madeira com um parafuso bem preso nele, uma chave de fenda e um alicate. Daí digo &#8220;Tire este parafuso pra mim&#8221;. Você pega o alicate e começa a puxar o parafuso, ignorando a chave de fenda. O que é isso?<br />
- Burrice.<br />
- Exato. Então chegamos à conclusão de que burrice equivale a ter uma ferramenta e não utilizar. Certo?<br />
- Certo.<br />
- Então se você tem um cérebro inteligente <b><u>E</u></b> não usa, isso é&#8230;?<br />
- &#8230;<br />
- &#8230;<br />
- Teu cu.</p>
<p>Mamãe é tão fina.</p>
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		<title>Wish You Were Here</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 12:26:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[curtos]]></category>

		<category><![CDATA[musica]]></category>

		<category><![CDATA[saudade]]></category>

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		<description><![CDATA[
So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><embed src="http://www.4shared.com/embed/88024425/1072d41" width="420" height="250" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></center></p>
<p>So,<br />
So you think you can tell<br />
Heaven from Hell,<br />
Blue skies from pain<br />
Can you tell a green field<br />
From a cold steel rail?<br />
A smile from a veil?<br />
Do you think you can tell?</p>
<p>Did they get you to trade<br />
Your heroes for ghosts?<br />
Hot ashes for trees?<br />
Hot air for a cool breeze?<br />
Cold comfort for change?<br />
Did you exchange<br />
A walk on part in the war<br />
For a lead role in a cage?</p>
<p>How I wish, how I wish you were here<br />
We&#8217;re just two lost souls<br />
Swimming in a fish bowl,<br />
Year after year<br />
Running over the same old ground.<br />
What have we found?<br />
The same old fears<br />
Wish you were here</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dos aniversários</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 01:49:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[curtos]]></category>

		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

		<category><![CDATA[saudade]]></category>

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		<description><![CDATA[No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Tive o que fazer no 12 de dezembro durante 28 anos.
Quando não ocorria um evento no dia, acontecia alguns dias depois ou antes. A princípio eram festas com balões, brigadeiro, mirinda, bolo, primos, tios, avós e balão mágico ou trem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><font size=1>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos<br />
Eu era feliz e ninguém estava morto.</font></p>
<p>Tive o que fazer no 12 de dezembro durante 28 anos.</p>
<p>Quando não ocorria um evento no dia, acontecia alguns dias depois ou antes. A princípio eram festas com balões, brigadeiro, mirinda, bolo, primos, tios, avós e balão mágico ou trem da alegria tocando ao fundo. Com o tempo o teor foi mudando e passou, dessa farra infantil, para a típica comemoração adolescente, com música alta varando a madrugada e casaizinhos transbordando hormônios se pegando pelos cantos. Nos últimos anos os acontecimentos eram mais calmos, geralmente almoços ou jantares em família. Ano passado foi uma festa grande num sábado à tarde, com minha vó preparando uma tremenda feijoada para trocentos convidados que comeram até não poder mais. Foi divertido.</p>
<p>Esse ano terei o que fazer no 12 de dezembro, mas sem música e sem farra. Meu evento do dia 12 será diante de uma sepultura, com a inevitabilidade das coisas me pesando nos ombros e atos falhos me cutucando a consciência. O primeiro 12 de dezembro em 28 anos sem ouvir a voz da minha irmã.</p>
<p>Sei lá se isso vai soar como eu gostaria que soasse, mas sinceramente espero que seja o primeiro de poucos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Das infrações espontâneas</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 20:23:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

		<category><![CDATA[misantropia]]></category>

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		<description><![CDATA[É curioso que exista quem diga por aí que as pessoas têm o direito à felicidade. Que merecem ser felizes como acharem melhor. Direito à felicidade todo mundo tem, de fato. O que não se tem direito é à infelicidade.
Ninguém pode ser infeliz. Ser infeliz é uma afronta. Falar pouco, não querer conversar, permanecer cabisbaixo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É curioso que exista quem diga por aí que as pessoas têm o direito à felicidade. Que merecem ser felizes como acharem melhor. Direito à felicidade todo mundo tem, de fato. O que não se tem direito é à infelicidade.</p>
<p>Ninguém pode ser infeliz. Ser infeliz é uma afronta. Falar pouco, não querer conversar, permanecer cabisbaixo, se sentir miserável&#8230; isso não pode. É acintoso, é contra as regras, é imoral. Há de ser ilegal, qualquer dia. Se estiver disposto a adotar tal comportamento, prepare-se para as críticas.</p>
<p>Ninguém gosta de tristonhos. Ficar assim é repreensível, ser triste é inaceitável. Não é que você POSSA ser feliz: você DEVE.</p>
<p>E eu sei, existem alguns infelizes intoleráveis por aí. Gente que adora derramar suas lamúrias em cima dos outros, que vai atrás de conhecidos e desconhecidos para se queixar de suas desventuras na vida, que usa a infelicidade como desculpa para todas as cagadas que faz, todas as imprudências que comete. Que esses sejam considerados inconvenientes é perfeitamente compreensível. Mas há os que não se manifestam, que se isolam, permanecem calados, embora mantenham-se cumpridores de suas responsabilidades. Não demonstram ânimo ao fazer nada e tudo é executado a duras penas, mas o que importa é que os resultados são obtidos! Não se desfazem em queixumes nem quando são questionados. Se reclamam é lá, no canto deles. Quem fica pra ouvir é porque foi atrás.</p>
<p>E desses ainda é cobrada alegria e jovialidade. Ao que me parece, todos temos que correr sorridentes pela rua, cantando canções da noviça rebelde e agindo como coadjuvantes do filme da Mary Poppins. Devemos ser Pollyanas e manter uma postura otimista e uma visão esperançosa. Não se pode baixar a cabeça. Daqui a uns dias o governo vai começar a colocar antidepressivos na nossa água. Ser infeliz é traição.</p>
<p>E quem dera a traição fosse punida com a morte. Antes isso a toda essa encheção de saco que sofre quem não procura nada além de ficar sozinho e ser deixado em paz&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Do fim de semana cinéfilo</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 04:45:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

		<category><![CDATA[filmes]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse foi um fim de semana bastante prolífico em matéria de filmes. Fiz o impensável para um pirateador imundo como eu - de acordo com o que pregam as agências antipirataria  -: fui a uma locadora e aluguei títulos que vinha enrolando há eras pra assistir. Seguem minhas impressões dos filmes. Vagas, superficiais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse foi um fim de semana bastante prolífico em matéria de filmes. Fiz o impensável para um pirateador imundo como eu - de acordo com o que pregam as agências antipirataria  -: fui a uma locadora e aluguei títulos que vinha enrolando há eras pra assistir. Seguem minhas impressões dos filmes. Vagas, superficiais e que não devem ser levadas em consideração, por uma série de motivos que não vêm ao caso.</p>
<p><strong>SIM, SENHOR!</strong>:</p>
<p>Em primeiro lugar, finalmente consegui ver na Zooey Deschanel (ainda que brevemente) o que tanta gente parece ver o tempo todo: toda a beleza irretocável, o charme irresistível e etc. Até então a achava bastante sem-graça. Furável, apenas. Ainda acho que cantando ela é tão legal quanto um coice de asno no testículo esquerdo, e seria preferível que o diretor tivesse o bom-senso de não utilizar &#8220;músicas&#8221; dela na trilha sonora. Nesse sentido sou muito mais a irmã-gêmea-separada-no-nascimento dela, Katy Perry (não gosto das músicas de nenhuma das duas, mas entendo por que a carreira musical da Katy Perry deslancha, enquanto a da Zooey não sai do lugar. Acho que só a Zooey não entende, o que mostra que ela precisa de amigos mais sinceros). Mas, em matéria de beleza e capacidade de atuação, ela já não deixa mais tanto a desejar.</p>
<p>Jim Carrey, por outro lado, faz nesse filme o tipo de papel que faz melhor: o tipo espasmódico. Parece que tem eletrodos ligados nos bagos e, por isso, não consegue manter suas expressões faciais dentro de um limite civilizado, executando caretas impensáveis a cada dezessete segundos e meio. Tudo bem, ele é um bom ator e pode fazer papéis normais, sem surtos repentinos freqüentes, como em Cine Majestic, por exemplo (filme que tem uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi, a qual nunca consegui encontrar, uma das minhas maiores frustrações nos amplos reinos da Infernete). Mas são filmes como O Máskara e Ace Ventura (e depois roteiros com potecial mal-desenvolvido, como O Mentiroso e Todo-Poderoso) que o tornaram famoso.</p>
<p>Sim, Senhor quase vai pra mesma categoria desses últimos. Mas não achei o roteiro mal-desenvolvido e toda aquela pieguice envolvida nos outros filmes foi espertamente ignorada. Eles têm o Danny Masterson com um bigodão respeitável, o que é legal, mas também há uma cena totalmente dispensável com uma velha, então esses dois aspectos bacanas meio que se anulam. Entretanto, tocam DUAS músicas do The Eels, sendo uma delas minha preferida (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=V1ED9ky-ojQ" target="_blank">Your Lucky Day In Hell</a>). Então leva aí sessenta cabritos, numa avaliação final.</p>
<p><strong>GRAN TORINO:</strong></p>
<p>Perdão pela obviedade, mas Clint Eastwood é Clint Eastwood, e por isso já tenho respeito suficiente. Clint Eastwood bancando uma versão velha do Dirty Harry é meu herói, indubitavelmente. Sou um grande fã do House, mas o médico manco, perto de Walter Kowalsky, é uma bichinha. Greg House choraria copiosamente depois de conversar por três minutos com o veterano da guerra da Coréia. Mas além da boa atuação do velho Clint existem as ótimas revelações do filme, como aquela chinesinha engraçada parecida com o Zacarias, e a relação dele com a matriarca dos vizinhos hmong. Sem contar os diálogos sensacionais, o tipo de coisa capaz de fazer alguém que escreve se morder de inveja. A história, apesar de partir pra um viés imaginativo, se mostra muito mais real do que qualquer um esperaria. E por isso pode desagradar os mais inventivos. Os cínicos por natureza, de todo modo, vão aproveitar, sem dúvida.</p>
<p>Enfim, ainda não assisti um filme dirigido pelo Homem Sem Nome que fizesse eu me arrepender pelo tempo gasto, todos me deixaram satisfeito ao final. Esse não foi diferente. Classifico facilmente como digno de quatro mil caramujos.</p>
<p><strong>X-MEN ORIGENS: WOLVERINE:</strong></p>
<p>Não sou um grande fã do Carcaju. Até entendo o valor exagerado que a Marvel dá a ele: vem de toda a babação que os fãs de quadrinho devotam ao personagem. Deve haver algo de encantador em um nanico canadense peludo com garras de metal retráteis, caninos e péssima atitude, mas não sei apontar o quê. Sei que se tem algo sobre o Wolverine que deve ser respeitado é seu cinismo. Nenhum dos filmes dos X-Men respeita muito isso. Origens foi o primeiro a levar isso - ainda que remotamente - em consideração. Sério, expliquem pra mim qual o problema que Hollywood tem em dar a seus protagonistas uma boa dose de sarcasmo. Vejam o velho Kowalsky! Ele é muito pouco afável, e ainda assim é perfeitamente possível simpatizar com ele. Custa fazer o mesmo com o carcaju? Não custa.</p>
<p>Além do mais, é uma regra simples: enfie personagens demais em um blockbuster que preza mais pelas cenas de ação do que pelos diálogos e você terá vários personagens mal-desenvolvidos. Wade Wilson - que ganhou meu respeito com o passar dos anos - podia render um personagem tão legal&#8230; e no fim virou aquela&#8230; aquele&#8230; aquilo! A relação com o Dentes-de-Sabre ficou superficial e mal-explicada. A passagem pelas guerras merecia muito mais do que apenas os créditos do filme. Gambit sem sotaque cajun é nhé. Toda a história com a Arma X foi afável demais. Chris Claremont deve estar se revirando no túmulo!</p>
<p>Ok, ele não morreu, e isso torna tudo pior: podiam ter consultado o cara.</p>
<p>As cenas de ação são legais, ao menos. As lutas são moderadamente bem coreografadas. O excesso de cromaqui me incomodou. Aquela moça que faz o papel de mulher do Logan parece ser bonita, mas é feia. O filme não é bom, mas é divertido. Ah, quer saber? Dou a esse treze jabuticabas. Sendo generoso!</p>
<p><strong>007 - QUANTUM OF SOLACE:</strong></p>
<p>Que me perdoem os puristas, longe de mim fazer pouco do personagem em sua melhor encarnação (e me refiro a Sean Connery), mas essa versão brucutu do agente inglês é sensacional. Daniel Craig merecia uma medalha de irmão caminhoneiro por esse papel: total falta de sutileza, gadgets são para mocinhas mimadas, o que não se pode resolver no charme vai na porrada mesmo - e pouquíssimas coisas são resolvidas no charme.</p>
<p>E, apesar de toda a brutalidade, grosseria e falta de parcimônia, o sujeito é extremamente inteligente e pensa muito, muito rápido (se assim não fosse, morreria rapidamente no ramo de negócio que resolveu seguir). Judi Dench não me agradava como M. nos filmes com o Pierce Brosnan - na verdade, nada me agradava nos filmes do 007 com o Pierce Brosnan -, mas agora tenho bastante simpatia por ela.</p>
<p>PORÉM - aqui há um porém, que em relação a Casino Royale não havia - o roteiro é bastante confuso e não dá pra saber exatamente atrás de quem ou o quê James Bond está seguindo. A princípio é uma organização, depois é só um cara, e depois é uma organização de novo, que torna a ser apenas um sujeito. Além do mais, é difícil identificar se o que ele busca é vingança ou completar um serviço. E eu entendo que o roteiro faça isso intencionalmente, até porque alguns personagens do filme precisam ficar em dúvida quanto às motivações do 007. Mas uma coisa é confundir personagens. Confundir a platéia - sem depois explicar direito o que houve e amarrar as pontas soltas - são outros quinhentos. Num apanhado geral o filme é bom, diálogos legais, porradarias que lembram muito a trilogia Bourne, além de boas cenas de ação e acidentes de carro sem explosões (coisa que respeito). Duzentos e cinqüenta torrones pra ele.</p>
<p><strong>MARCAS DA VIOLÊNCIA:</strong></p>
<p>Eu disse que vinha enrolando há eras pra ver alguns dos filmes. No caso me referia a esse, de 2005. A única coisa que já vi com o Virgo Mortensen foi Senhor dos Anéis, que não me agrada muito, mas não é minha intenção caçar briga com fãs do Tolkien aqui. Isso pode ficar pra depois.</p>
<p>A história parte de uma idéia que ninguém poderia chamar de original. Já foi desenvolvida antes em diversas ocasiões. É o mesmo conceito do qual parte Os Miseráveis, por exemplo, ou Cowboy Bebop, ou Estrada Para Perdição. Apesar de ser um assunto já trabalhado, ainda pode render abordagens originais, como é o caso aqui. Toda essa idéia de que um homem não pode se livrar de seu passado, ainda que queira, de que sempre vai aparecer alguém que te conheceu numa outra etapa da sua vida e tentar te levar de volta àquilo, de que é impossível deixar claro para essas pessoas que você agora as ignora, que rompeu com elas, que elas representam algo que você era e não quer tornar a ser&#8230; Jean Valjean sabe o que é isso. Michael Sullivan sabe o que é isso. Spike Spiegel sabe o que é isso. Tom Stall também sabe.</p>
<p>Há momentos desnecessários no filme, e há aqueles brilhantes, pelo apego aos detalhes. Mas é a história e seu desenvolvimento que chamam mais a minha atenção. É a idéia de que talvez seja impossível seguir com sua vida, quando há ao seu redor gente querendo te lembrar daquilo que é preciso esquecer pra ir adiante. E às vezes é preciso romper com essas pessoas de forma brutal, quando não dá para levar esse processo de maneira sutil. Quando elas se recusam a te deixar em paz.</p>
<p>Pra esse vão cento e vinte maçaricos e meio, mas admito que pode haver aí um certo puxa-saquismo da minha parte, já que gosto do David Cronenberg e de seu apego por detalhes aparentemente irrelevantes (e também de ver a Maria Bello pagando peitinho).</p>
<p>Por fim, deixo claro que essas são MINHAS impressões, não suas. Crie as suas, ignore as minhas. Não seja um influenciavelzinho de merda. E gosto se discute, sim. Então fiquem à vontade pra apedrejar, se sentirem necessidade.</p>
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		<title>Top 5 Louis Armstrong</title>
		<link>http://www.utops.com.br/top-5-louis-armstrong/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 12:12:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[antiguidades]]></category>

		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

		<category><![CDATA[musica]]></category>

		<category><![CDATA[youtube]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou um octogenário em relação a diversas coisas, como já deve ter ficado óbvio para qualquer um que freqüente este blog com certa assiduidade. Minha velhice precoce se manifesta mais intensamente, entretanto, em relação a música. Apesar de apreciar certas mudernidades - como The Killers e suas afetações neo-oitentistas, por exemplo -, nada me dá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou um octogenário em relação a diversas coisas, como já deve ter ficado óbvio para qualquer um que freqüente este blog com certa assiduidade. Minha velhice precoce se manifesta mais intensamente, entretanto, em relação a música. Apesar de apreciar certas <em>mudernidades</em> - como The Killers e suas afetações neo-oitentistas, por exemplo -, nada me dá mais satisfação do que sentar para ouvir algo antigo. Algo REALMENTE antigo! Se houver chiados característicos de gravações da época do gramofone, meu ouvido é imediatamente fisgado. Pensando agora, foi assim que The Strokes ganhou minha atenção! A primeira vez que escutei Last Nite, de madrugada na Transamérica FM (acredite se puder!), imaginei se tratar de alguma banda antiga, contemporânea de Creedence Clearwater Revival, e tomei gosto imediato. Só depois fui saber que era apenas um bando de moleques mal-penteados de Nova Iorque, mas aí já era tarde e Is This It já havia se tornado meu CD favorito da época.</p>
<p>De todo modo, das velharias que curto, provavelmente Louis Armstrong figura no topo dos instrumentistas. Acho uma obscenidade o que aquele sujeito fazia com o trompete. Que mundo é esse em que alguém sopra um instrumento usado para impelir soldados à guerra e arranca de algo tão inamistoso um som tão espantosamente suave? Inaceitável! Ultrajante! Maravilhoso!</p>
<p>Faço, então, meu Top 5 músicas preferidas do Louis Armstrong, com direito a vídeos do Youtube para ilustrar. Dessa maneira, quem não conhecia antes, se tiver interesse, fica conhecendo agora. Se não tiver&#8230; bom, gosto não se discute, se lamenta.</p>
<p><strong>5. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VQk2LtK680w">What a Wonderful World</a></strong></p>
<p>Clichezão total, eu sei. Mas é espetacular, tem uma das letras mais bonitas já escritas, que casa perfeitamente com o vozeirão roufenho do Satchmo, e foi uma forma muito dura e muito sutil, ao mesmo tempo, de protestar contra toda a situação esdrúxula racial que se desenrolava nos Estados Unidos na década de 60. Não mostra muito do velho Armstrong como trompetista, mas vai assim mesmo. E de brinde em um vídeo com cenas de Good Morning, Vietnam!</p>
<p>Pra quem gosta, claro!</p>
<p><center><object width="350" height="288"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VQk2LtK680w&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/VQk2LtK680w&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="350" height="288"></embed></object></center></p>
<p><strong>4. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=wqc209-rwNI">Blue Yodel #9 (Standing In The Corner)</a></strong></p>
<p>&#8220;Pára, véio! Essa nem é do Armstrong, é do Jimmie Rodgers!&#8221;. Certo, a gravação mais conhecida dessa música é do Rodgers. Mas quem você acha que tocava aquele trompete que transformou essa beleza de uma antepassada da música country em uma antepassada do jazz? Louis Armstrong estava lá, mas não foi creditado. Uma injustiça sem tamanho. Como retaliação, em vez da versão original (que tem os chiados gramofônicos que eu tanto gosto), coloco aqui uma muito, muito melhor, tocada por Johnny Cash - que merecia um top 5 só dele - junto com o Satchmo, em outubro de 1970. Diz aí se não dá vontade de ripar e transformar em mp3?</p>
<p><center><object width="350" height="288"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wqc209-rwNI&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/wqc209-rwNI&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="350" height="288"></embed></object></center></p>
<p><strong>3. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=soF3t7cFPoc&#038;feature=related">A Kiss To Build A Dream On</a></strong></p>
<p>A Kiss To Build A Dream On tem a letra apaixonada mais apaixonante que conheço - figura entre minhas preferidas de todos os tempos desde 2002, quando tive contato com ela pela primeira vez graças a Fallout 2 - e essa, sim, chuta o balde em matéria de trompetagem cabulosa, com direito a um solo notável no meio da canção. Foi a primeira do Louis Armstrong que ouvi depois de What a Wonderful World, e agradeço imensamente ao gênio da Black Isle que teve a idéia de usar essa música na abertura do jogo. Não gosto das versões ao vivo, então coloco uma em estúdio mesmo, com uma imagem de Fallout 2 ao fundo, de bônus.</p>
<p><center><object width="350" height="288"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/soF3t7cFPoc&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/soF3t7cFPoc&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="350" height="288"></embed></object></center></p>
<p><strong>2. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=8IJzYAda1wA">La Vie En Rose</a></strong></p>
<p>Edith Piaf que me perdoe, mas não tenho saco pra música em francês, o que me faz considerar a do Louis Armstrong a versão definitiva pra essa canção. Manifesta-se, em relação a essa música, meu lado reacionário: deixo de lado tudo o que veio antes, não me interessa o que veio depois. Toca em Wall-E, aliás, atestando o ótimo gosto dos caras da Pixar pra trilhas sonoras. É sempre bom lembrar que coisas como &#8220;When you press me to your heart I&#8217;m in a world apart, a world where roses bloom&#8221; derretem qualquer guria, meu caro. Mantenha isso em mente!</p>
<p><center><object width="350" height="288"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8IJzYAda1wA&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/8IJzYAda1wA&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="350" height="288"></embed></object></center></p>
<p><strong>1. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=hLIrS5dtTZI">Mack The Knife</a></strong></p>
<p>Mack The Knife é uma música bastante conhecida nos EUA. Já foi executada por Frank Sinatra, Bobby Darin, The Doors e mais uma porrada de gente. Só fui conhecer a versão do Satchmo em 2007, após comprar um conjunto de 3 CDs dele com a Ella Fitzgerald (que também já gravou essa canção).</p>
<p>Ao contrário das outras nesse top 5, essa não tem nada de bonitinho, já que fala de um facínora, um assassino chamado MacHeath, vulgo Mack &#8220;The Knife&#8221;. Mas é divertidíssima! É como uma versão em jazz sobre um bandido americano de um samba do Cartola sobre um bandido carioca: ações absurdas são narradas como se não fossem nada.</p>
<p>Curioso é saber que a música é, na verdade, a tradução da abertura de um musical alemão e a letra original é do Bertolt Brecht. Em um dos trechos, aliás, a letra segue pelos nomes das vítimas do assassino, e uma das moças citadas pelo Louis Armstrong chama-se Lotte Lenya, que foi a estrela da produção original alemã, em 1928. Ele na verdade colocou o nome dela na música durante a gravação, como uma homenagem surpresa ao vê-la no estúdio.</p>
<p><center><object width="350" height="288"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hLIrS5dtTZI&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/hLIrS5dtTZI&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="350" height="288"></embed></object></center></p>
<p>É lógico que uma infinidade de grandes músicas ficou de fora da lista. &#8220;Hello, Dolly&#8221;, &#8220;Cheek to Cheek&#8221;, &#8220;Saint Louis Blues&#8221;, &#8220;On The Sunny Side Of The Street&#8221;, &#8220;When The Saints Go Marching In&#8221;&#8230; Ao escolher apenas 5 músicas de alguém com um currículo musical tão genial e extenso quanto o Satchmo, não dá pra evitar a grosseria de deixar de fora alguma outra canção genial. Por outro lado, sobra material pra outro top 5 dele qualquer hora dessas, se bater uma indignação diante de qualquer injustiça.</p>
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