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	<title>::Utopia Dilucular::</title>
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	<description>Senta que lá vem a história.</description>
	<pubDate>Thu, 17 May 2012 02:56:46 +0000</pubDate>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 02:56:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Helmer Rawlins</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O mundo é um moinho e até um membro da mais elevada aristocracia intelectual precisa defender uns trocados pra pagar os carnês no fim do mês. Assim, volto a este recanto para ministrar os ensinamentos da vida em nome dos valores da democracia e do depósito em conta corrente. Manual de sobrevivência, lição 2: TRABALHO (I). Certas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo é um moinho e até um membro da mais elevada aristocracia intelectual precisa defender uns trocados pra pagar os carnês no fim do mês. Assim, volto a este recanto para ministrar os ensinamentos da vida em nome dos valores da democracia e do depósito em conta corrente.</p>
<p><strong>Manual de sobrevivência, lição 2: TRABALHO (I).</strong></p>
<p>Certas pessoas nunca precisarão passar por esse desconforto na vida. Desconsiderarei qualquer chance de que você seja o herdeiro perdido do Roberto Justus e vou presumir que, em algum momento desse instável intervalo que chamam de vida, o mundo do trabalho atravessará a sua carcaça. Vender a força de trabalho em troca de uns cascalhos do mesmo jeito que o velho Marx descreveu século e meio atrás em um livro grosso que ninguém leu (embora muita gente tenha mentido a respeito).</p>
<p>Acho que ninguém captou direito esse lance. No duro. Os cientistas econômicos não entenderam. Os médicos do trabalho não entenderam. Aqueles sujeitos que cursaram um MBA à distância para poderem contar de peito estufado que estão fazendo uma pós não entenderam (eu não sei que nome dar a essas pessoas; até pensei em chamar de &#8220;estudantes&#8221;, mas não gosto de trair a etmologia).</p>
<p>Acompanhe: &#8220;venda de força de trabalho&#8221; significa que alguém paga - embora esse &#8220;alguém&#8221; seja uma abstração. Pode ser um comprador, uma firma, o governo, o chefe da boca de fumo, os robôs do google, o raio que o parta. Trata-se de uma posição circunstancialmente definida. De onde vem a grana aparece é algo que varia bastante; logo, não nos interessa muito por enquanto. O mesmo vale para o pagamento - não pelo valor envolvido, mas porque trata-se de outra abstração: a economia mundial baseia-se em valores especulativos e, em última análise, inexistentes. É certo que, se um dos acionistas majoritários do Facebook tentar sacar a sua parte das ações em cash, o mercado mundial vira um strogonoff.</p>
<p>Sobra-nos a venda, pequeno gafanhoto. O que quase ninguém informa é que a mercadoria é seu próprio corpo. Foi isso que você colocou na prateleira quando entrou nesse jogo, embalado em um currículo pomposo. Sua carne, seus nervos, cada célula da mucosa gástrica que você incinera com doses cavalares de café para manter a agenda em dia. &#8220;Mas então não há saída?&#8221;, pergunta você. Não, mas tem escolha: a profissão escolhida determinará quais órgãos se deteriorarão primeiro, por exemplo. E talvez se possa também incrementar o produto para obter um preço melhor. Mas a estrutura da coisa não muda. No mundo capitalista, todos nós somos <a href="http://desciclopedia.ws/wiki/Tia_do_Batman" target="_blank">putas pagas</a> - e seguir levando no toba não é opcional.</p>
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		<title>Interlúdio (3)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 02:44:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[A movimentação concentrada, que começou pela manhã no quartel-general dos imperadores e impulsionou toda a movimentação posterior, era semelhante ao primeiro movimento da roda central de um grande relógio de torre. Lentamente, moveu-se uma roda, uma outra girou, e uma terceira, e cada vez mais rápido as rodas, as roldanas, as engrenagens começaram a girar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A movimentação concentrada, que começou pela manhã no quartel-general dos imperadores e impulsionou toda a movimentação posterior, era semelhante ao primeiro movimento da roda central de um grande relógio de torre. Lentamente, moveu-se uma roda, uma outra girou, e uma terceira, e cada vez mais rápido as rodas, as roldanas, as engrenagens começaram a girar, os carrilhões começaram a tocar, os bonecos começaram a pular, e os ponteiros começaram a mover-se de modo ritmado, mostrando o resultado daquela movimentação.</p>
<p>Como no mecanismo de um relógio, também no mecanismo da atividade militar, uma vez começado um movimento, ele segue de modo irresistível até o resultado final, e também permanecem imóveis e indiferentes, até o momento da transmissão do movimento, as partes do mecanismo ainda não alcançadas por aquele impulso. As rodas rangem nos eixos, os dentes agarram, as roldanas chiam por causa da velocidade em que giram, e no entanto uma roda contígua permanece quieta e imóvel, como se estivesse disposta a ficar centenas de anos nessa imobilidade; mas chega a hora - uma alavanca engata e, obedecendo ao movimento, a roda estala ao mexer-se e se une também à mesma ação, cujo resultado e propósito ela não entende.</p>
<p>Tal como num relógio o resultado do movimento complexo de inúmeras rodas e roldanas diferentes é apenas o movimento vagaroso e regular dos ponteiros que marcam o tempo, assim também o resultado de todos os complexos movimentos humanos daqueles cento e sessenta mil russos e franceses - todas as paixões, desejos, arrependimentos, humilhações, sofrimentos, acessos de orgulho, de medo, de entusiasmo daquela gente - foi apenas a derrota na batalha de Austerlitz, chamada de a batalha dos três imperadores, ou seja, o vagaroso deslocamento do ponteiro da história mundial no mostrador da história da humanidade.</p></blockquote>
<p>Trecho de Guerra e Paz.</p>
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		<title>Do que não aprendemos nos livros (de auto-ajuda)</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2012 16:06:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[saudade]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia me disseram que eu &#8220;ainda não superei&#8221;, e não foi a primeira vez. E todas as vezes em que ouço isso, fico sem entender o que querem dizer. O que é esse &#8220;superar&#8221;? Não que eu não saiba o que &#8220;superar&#8221; significa, não me subestimem! Conheço a definição do termo. Os três fonemas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia me disseram que eu &#8220;ainda não superei&#8221;, e não foi a primeira vez. E todas as vezes em que ouço isso, fico sem entender o que querem dizer. O que é esse &#8220;superar&#8221;? Não que eu não saiba o que &#8220;superar&#8221; significa, não me subestimem! Conheço a definição do termo. Os três fonemas, navegando ondas sonoras na atmosfera que nos cerca após serem pronunciadas com um breve fôlego que passou por quaisquer cordas vocais, fazem vibrar meu ouvido interno e são imediatamente reconhecidos e processados em meu teleencéfalo altamente desenvolvido. Assim como também consigo juntar as letras para formar a palavra e identificá-la como aquilo que ela é, foneticamente, e como o que representa, ideologicamente. O verbete traz em si um sentido. Conheço este sentido. Conheço quando é usado como verbo (superar) e quando é usado como substantivo (superação). E ainda assim não entendo o que alguém poderia sugerir ao dizer que eu deveria &#8220;ter superado&#8221;.</p>
<p>Se dois amigos brigam por qualquer razão, passam um período sem se falar - que pode ser breve ou prolongado, é indiferente -, e então um dia se encontram, conversam, entendem-se e fazem as pazes, ambos superaram a desavença. Se você, apesar de qualquer deficiência física que deveria impedi-lo de realizar alguma tarefa, de acordo com o senso comum, ainda assim a realiza, e o faz com habilidade acima do comum, ou se é diagnosticado com uma doença teoricamente incurável ou cuja cura é bastante improvável, mas mesmo assim sobrevive às piores previsões da medicina, temos histórias de superação. Superação é isso, e é um termo que vem sendo levianamente usado nesta nossa sociedade sedenta por histórias &#8220;edificantes&#8221;, &#8220;lições de vida&#8221;, enfim, coisas que você pode colocar num arquivo powerpoint com uma música cretina da Celine Dion (olha o pleonasmo) e enviar por e-mail para aqueles seus conhecidos que se emocionam com qualquer porcaria.</p>
<p>Superar é passar por cima de um problema, deixando de identificá-lo como tal. Seja porque, com o tempo e a perspectiva que ele traz, o problema perde importância, seja porque você é capaz de contorná-lo com uma alternativa viável. Não existe isso de &#8220;superar&#8221; em determinados casos. E o caso ao qual me refiro aqui, especificamente, é a morte da minha irmã. Não existe &#8220;superação&#8221; em relação à morte. Não existe olhar para trás, para um acontecimento dessa natureza, incontornável, absoluto, definitivo, e dizer que eu &#8220;superei&#8221;. É para eu parar de me importar? É para deixar de ficar triste? É para não sentir falta? Isso não seria &#8220;superar&#8221;, isso seria desrespeitar a memória da Janaína. Isso seria ignorar a importância da minha irmãzinha.</p>
<p>Não acho válido e sinceramente não levo a sério pessoas que sofrem profundamente durante anos pela perda dos pais ou dos avós que faleceram em idade avançada. Por mais doído que seja, vamos enterrar pai e mãe, vamos enterrar nossos tios e nossos avós. É um fardo com o qual precisamos viver. Terrível é quando são eles os responsáveis por colocar uma pedra na nossa sepultura. Injusto é ver descer o caixão da sua irmã de 30 anos em companhia dos seus pais e dos seus avós.</p>
<p>Não vou me afundar numa depressão irremediável, cair de cama e torcer para morrer junto. Isso seria um exagero, e seria levar o problema a uma magnitude que ele não precisa ter. Ao mesmo tempo, também não vou agir como se isso não me incomodasse, como se não pensasse nisso diariamente, como se fosse algo trivial e sem significado na minha vida. Não vou agir como se aquele 25 de julho de 2009 não tivesse se tornado um divisor de &#8220;antes&#8221; e &#8220;depois&#8221;. Se minha eventual tristeza é &#8220;repetitiva&#8221;, se minha postura diante do fato é, sob qualquer ponto de vista, &#8220;incômoda&#8221;, se tocar nesse assunto é um &#8220;aborrecimento&#8221;&#8230; nossa, que chato pra você! Desculpe por isso, hein?</p>
<p>Não me conformo com o fato de pessoas gostarem de comer peixe cru. Não me conformo com o fato de haver quem ache que colocar piercing é bonito! Não é com a idéia de que minha irmã está morta que vou me esforçar para conviver harmoniosamente. Não existe o que possa ser feito em relação a isso, então permitam-me ao menos ficar triste quando me der na veneta.</p>
<p>Agradeço desde já!</p>
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		<title>Um prólogo de prólogos</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 03:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Helmer Rawlins</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Apresentação: eu sou o novo colunista desta honrosa birosca. Meu contrato - não que seja do interesse de ninguém - prevê 20 toalhas brancas novas, sete concubinas de etnias diversas, uma caixa de canudinhos, um roadie que saiba afinar corretamente minha cítara, uma remuneração polpuda todo dia 05 e carta branca para atormentar a sociedade. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apresentação: eu sou o novo colunista desta honrosa birosca. Meu contrato - não que seja do interesse de ninguém - prevê 20 toalhas brancas novas, sete concubinas de etnias diversas, uma caixa de canudinhos, um roadie que saiba afinar corretamente minha cítara, uma remuneração polpuda todo dia 05 e carta branca para atormentar a sociedade.</p>
<p>Embora saiba que para começar bem seria necessário enfocar um tema de relevo na agenda política - qualquer coisa envolvendo cachorros e aplicativos de adolescentes ricos -, tomarei algo de menor quilate.</p>
<p><strong>Manual de sobrevivência, lição 1: ABORTO.</strong></p>
<p>Primeiro, esqueça esse engodo pseudo-teológico que a galera finge discutir só pra animar os almoços de família. Essa discussão foi encerrada há décadas, quando a sociedade acertadamente legitimou a doação de órgãos de sujeitos com morte cerebral diagnosticada. Isso significa que, em última análise, vida é mais do que um corpo. Ponto. Ressaltar os direitos do embrião é manobra diversionista.</p>
<p>Segundo, descarte também o discursinho moralista sobre as supostas irresponsabilidades dos sujeitos na hora do sexo e da penalização do bebê-por-vir. Aborto não é um remédio milagroso e inócuo. É algo complicado e doloroso por si próprio; agregar a isso o dedo acusador me parece um pequeno exercício de sadismo travestido, nada mais.</p>
<p>Terceiro, aí vão uns dados:</p>
<p>a) existem clínicas de aborto em toda metrópole.</p>
<p>b) elas cobram caro.</p>
<p>Então, cara, a coisa funciona mais ou menos assim: se a filha adolescente de classe média engravida sem querer, papai raspa a poupança e a história vai para o armário de segredos da família, junto com o alcoolismo do mano e o pequeno <em>affair </em>da mamãe com o pastor. Mas com a garota da favela é diferente: na impossibilidade de arcar com os altos custos do procedimento, ela receberá uma lição superficial sobre métodos contraceptivos e uma boca a mais para alimentar. Ou o final alternativo: não tem aborto pelo SUS, mas uma tia conhece um chá infalível.</p>
<p>A essa altura, jovem gafanhoto, você deve ter vislumbrado o tamanho da encrenca. Presumo que também percebeu que o debate sobre a legalidade do aborto não tem porra nenhuma a ver com ideologia, crença religiosa, evidência biológica, posição ético-existencial, nada disso. É um problema de saúde pública - oferecer ou não à população um serviço ao qual os ricos sempre tiveram acesso - e apenas nessa dimensão a discussão tem sentido. O resto é moralismo de cueca e fiscalização de pica.</p>
<p>Até.</p>
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		<title>Trechos do livro que não escreverei nunca (3)</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 18:55:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[curtos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por fim, já enfastiado de tanto discutir, sugeriu à ex-namorada - que tornara sua vida um inferno - que tatuasse no baixo ventre, sobre o pequeno triângulo castanho que lhe adereçava o púbis: &#8220;Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!&#8221;. (porque algumas idiotices que eu publico no Facebook merecem vir pra cá)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por fim, já enfastiado de tanto discutir, sugeriu à ex-namorada - que tornara sua vida um inferno - que tatuasse no baixo ventre, sobre o pequeno triângulo castanho que lhe adereçava o púbis: &#8220;Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!&#8221;.</p>
<p>(porque algumas idiotices que eu publico no Facebook merecem vir pra cá)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Das definições</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 02:34:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[curtos]]></category>

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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

		<category><![CDATA[misantropia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu poderia colar aqui uma letra do Matanza. Já fiz isso. Não quero ser repetitivo, vulgarmente direto. Serei elegante, porém breve, indo com um trecho de Lisbon Revisited, do Fernando Pessoa. Não me macem, por amor de Deus! Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu poderia colar aqui uma letra do Matanza. Já fiz isso. Não quero ser repetitivo, vulgarmente direto. Serei elegante, porém breve, indo com um trecho de Lisbon Revisited, do Fernando Pessoa.</p>
<p><em>Não me macem, por amor de Deus! </p>
<p>Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?<br />
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?<br />
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.<br />
Assim, como sou, tenham paciência!<br />
Vão para o diabo sem mim,<br />
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!<br />
Para que havemos de ir juntos? </p>
<p>Não me peguem no braço!<br />
Não gosto que me peguem no braço.  Quero ser sozinho.<br />
Já disse que sou sozinho!<br />
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!</em></p>
<p>E ficamos com isso.</p>
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		<title>An Irish Airman Foresees His Death</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 08:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[I know that I shall meet my fate Somewhere among the clouds above; Those that I fight I do not hate, Those that I guard I do not love; My country is Kiltartan Cross, My countrymen Kiltartan&#8217;s poor, No likely end could bring them loss Or leave them happier than before. Nor law, nor duty [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>I know that I shall meet my fate<br />
Somewhere among the clouds above;<br />
Those that I fight I do not hate,<br />
Those that I guard I do not love;<br />
My country is Kiltartan Cross,<br />
My countrymen Kiltartan&#8217;s poor,<br />
No likely end could bring them loss<br />
Or leave them happier than before.</p>
<p>Nor law, nor duty bade me fight,<br />
Nor public men, nor cheering crowds,<br />
A lonely impulse of delight<br />
Drove to this tumult in the clouds;<br />
I balanced all, brought all to mind,<br />
The years to come seemed waste of breath,<br />
A waste of breath the years behind<br />
In balance with this life, this death.</p>
<p><em>— William Butler Yeats, 1919</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Das certezas que não deveríamos ter</title>
		<link>http://www.utops.com.br/das-certezas-que-nao-deveriamos-ter/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 05:56:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[burrice]]></category>

		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

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		<description><![CDATA[Flagro-me envolto com determinismos. Com a certeza inabalável de que existe apenas uma maneira de se dizer as coisas. Munido desta convicção, passo a elaborar mentalmente um texto para colocar aqui. Grande coisa! A elaboração metódica e mental de contos, histórias, comentários, observações, críticas, analogias, dissertações, ensaios e até - veja só! - poemas é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Flagro-me envolto com determinismos. Com a certeza inabalável de que existe apenas uma maneira de se dizer as coisas. Munido desta convicção, passo a elaborar mentalmente um texto para colocar aqui.</p>
<p>Grande coisa! A elaboração metódica e mental de contos, histórias, comentários, observações, críticas, analogias, dissertações, ensaios e até - veja só! - poemas é um vício que tenho há quase dez anos, desde que escrever tornou-se uma rotina (considerando a baixíssima freqüência com que toda essa produção pseudo-literária de fato escoa para esta inamistosa tela em branco, o termo &#8220;rotina&#8221; aqui é utilizado com certa licença poética). O problema não foi dar-me conta do processo criativo em ebulição no meu cérebro em plena três e meia da madrugada, mas, conforme já disse, sentenciar que a exposição de idéias só pode ser realizada <strong>corretamente</strong> de <em>uma</em> maneira.</p>
<p>Porque, note, não me refiro apenas à língua portuguesa. Essa teoria, que lapidei descuidadamente enquanto folheava livros do Sabino, abrange todos os idiomas e dialetos, falados e escritos. Tanto os mortos quanto os vivos. Os já extintos, e os que ainda não fizeram vibrar cordas vocais, tampouco chegaram a ouvidos de gente. Não bastasse o determinismo ser um dos piores venenos que pode vitimar a mente de quem se propõe a escrever qualquer coisa que fuja do rigor científico, surge com este conceito: um martelo que, batido, simplifica e reduz, a uma fórmula praticamente matemática, toda a gama de possibilidades que faz com que lingüistas e poetas percam o sono.</p>
<p>É um erro. E não pode ser qualquer outra coisa.</p>
<p>Uma teoria desta natureza demonstra tanta falta de noção do ridículo, tamanha arrogância que, fosse eu dado a tais crises de consciência, sentiria vergonha. Não sinto. E talvez seja essa uma falha que torna minha tirania ainda mais grave: a certeza de que, emboras as gramáticas, os trovadores, os romances, as poesias, Shakespeare e Camões, Fernando Pessoa e Homero, todos atestem de forma inquestionável para o fato de que estou errado&#8230; ainda assim tenho a sensação de estar certo.</p>
<p>E quem sabe esteja.<br />
(Sei que não, isso me ajuda a dormir mais tranqüilo.)</p>
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		<title>Das doenças como política e da política quanto às doenças</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 04:44:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[burrice]]></category>

		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>

		<category><![CDATA[politica]]></category>

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		<description><![CDATA[Sai notícia de que o Lula está com câncer na laringe e vai fazer tratamento em São Paulo. Não demora muito tempo, começam os banners no facebook, em tom de &#8220;brincadeirinha&#8221;, sugerindo ao ex-presidente que vá fazer tratamento no SUS. Pouco depois - como já era de se esperar -, a galera do politicamente correto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sai notícia de que o Lula está com câncer na laringe e vai fazer tratamento em São Paulo. Não demora muito tempo, começam os banners no facebook, em tom de &#8220;brincadeirinha&#8221;, sugerindo ao ex-presidente que vá fazer tratamento no SUS. Pouco depois - como já era de se esperar -, a galera do politicamente correto responde raivosamente, dizendo que com câncer não se brinca, que doença é coisa séria, e todos aqueles lugares-comuns da mentalidade moralmente certinha e pão-com-ovo que infesta a sociedade moderna.</p>
<p>Resta a dúvida: quem, nessa questão, está errado?<br />
Ambos, eu respondo.</p>
<p>Os primeiros, os humoristas que se valem da enfermidade de uma figura pública para partir para uma crítica de teor político-social espertinho, lançam mão não de um senso de humor afiado, mas de uma falta de humanidade (falha menor, explico logo adiante) e de uma falta de coerência que - esta, sim - considero muito séria!</p>
<p>Falta de humanidade não pelo Lula em si, já que desejar que alguém se trate - seja no SUS ou no Sírio-Libanês - é, de certa forma, um desejo de melhora. A falha que menciono vem da constatação de que indicar o SUS como a alternativa que o ex-presidente deve utilizar em seu tratamento deixa implícita uma total descrença no sistema de saúde pública do país.</p>
<p>Longe de mim achar que devemos nos ufanar e arrotar uma superioridade que não temos, mas alguém, antes de publicar uma crítica dessa natureza, perdeu trinta segundos considerando o impacto que algo assim pode ter na crença de cura de um paciente que esteja, de fato, se tratando pelo SUS? Ao bradar &#8220;Ei, Lula, trate-se no SUS&#8221;, querendo dizer &#8220;&#8230;para ver a ineficiência do sistema público de saúde brasileiro, antes de sofrer e morrer, que será seu destino inevitável se depender dos cuidados do governo&#8221; - como se isso não fosse suficientemente baixo -, vocês estão dizendo a mesma coisa para todas as pessoas que estão prestes a utilizar o SUS por uma questão de necessidade. É um belo golpe na autoconfiança de quem já tem problemas suficientes sem sua ajuda.</p>
<p>A falha mais grave, entretanto, sequer é essa. É a falta de coerência. Outras personalidades públicas passaram e passam por tumores, e com relação a esses não são feitos comentários depreciativos, sequer engraçadinhos. Gianecchini dá uma entrevista no Fantástico que pode conduzir centenas de doentes a adotar métodos &#8220;alternativos&#8221; de cura, colocando em xeque a vida de outras pessoas, mas sobre isso não se comenta.</p>
<p>- Mas, Pedrones, o Gianecchini não é político, não podemos acusá-lo pelas falhas do governo!</p>
<p>Ok. Aceito o argumento. Mas ninguém fez comentários semelhantes quando o então vice-presidente José Alencar estava hospitalizado (no Sírio-Libanês, só para lembrar). Ninguém gracejou quando Antônio Carlos Magalhães estava hospitalizado. Ninguém ousou tecer piadinhas quando a mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava hospitalizada. Nem com o tratamento da Dilma fizeram chacota! É apenas com o Lula que fazemos brincadeiras? Vamos demonizar UM homem por falhas de um sistema de saúde anterior a ele?</p>
<p>Vocês deveriam se envergonhar é por isso: por se deixarem pegar pela mão, por uma mídia revanchista, a um ponto tal que se mostrem capazes de canalizar em apenas um homem toda a frustração política de um grupo social em nome desse mesmo grupo social, que não toma a responsabilidade por nada. Não é que vocês tenham péssimo senso de humor e um timing terrível, a falha é outra: vocês são burros e manipuláveis!</p>
<p>Quanto ao pessoal do &#8220;com câncer não se brinca&#8221;, calem a boca também! A vida, por si, já pressupõe a inevitabilidade da tristeza. Todos nós vamos, em algum momento futuro, contrair ou desenvolver algum mal que dará cabo de nossa existência após um período de sofrimento, que pode ser breve ou prolongado - em termos absolutos, porque, para quem está sofrendo, só existe longo e infinito.</p>
<p>Se não for assim, será o acesso súbito de algum mal repentino que nos levará imediatamente do convívio de nossos pares, qual a foice da indesejável. Isso para não mencionar a possibilidade de algum acidente ou ato de violência urbana que nos transformem em mártires do barbarismo social.</p>
<p>Qualquer que seja o formato, a verdade é que há um mal definitivo agendado para cada pessoa. E contra isso temos apenas duas alternativas: a primeira é o suicídio, nada além de uma tentativa de tirar do acaso o mérito por nossa morte, tomando-a nas próprias mãos. A outra é o humor. É rir dos males do próximo, sabendo que o próximo próximo pode ser você. E, quando sua hora chegar, saber rir dela também. O humor é nossa única opção para tornar esta existência menos miserável, então abandonemos o suposto ar de seriedade. Tal gravidade fingida apenas depõe contra a inteligência de vocês.</p>
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		<title>Das comidas bizarras e bizarrices comestíveis</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 20:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Então. Vamos começar isso aqui falando do que é importante, do que importa e do que, acima de tudo, tem importância: um dos mais proeminentes irmãos caminhoneiros deste (suposto) terceiro pedaço de rocha a orbitar nossa carismática estrela anã, Guto Senra, junto com 3 amigos que também são da turma da boléia, heroicamente deu a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então.</p>
<p>Vamos começar isso aqui falando do que é importante, do que importa e do que, acima de tudo, tem importância: um dos mais proeminentes irmãos caminhoneiros deste (suposto) terceiro pedaço de rocha a orbitar nossa carismática estrela anã, <a href="http://gutosenra.blogspot.com/" target="_blank">Guto Senra</a>, junto com 3 amigos que também são da turma da boléia, heroicamente deu a garfada inicial em uma série de &#8220;webisódios&#8221; (odeio esse termo, mas existe alternativa? Aceito indicações!) sugestivamente intitulada Ogrostronomia. Pra você que quer aprender a fazer comida simples, palatável e pra homem - vai que seu namorado curte, mano? -, dá um like <a href="https://www.facebook.com/ogrostronomia" target="_blank">na página dos caras no facebook</a> e/ou assina <a href="http://www.youtube.com/user/Ogrostronomia" target="_blank">o canal deles no youtube</a>. A primeira aula da autêntica culinária dos filhos, netos e bisnetos de camponeses foi sobre como fazer churrasco. E os filhos da puta não só não me chamaram pra provar o resultado, como o Jimmy ainda linkou a página do Utopia em uma foto constrangedora no facebook.</p>
<p>(Quando abrir a garrafa de Blue Label não vou chamar ninguém pra beber, em retaliação!)</p>
<p>Ainda falando de comida, e sem dúvida descendo vários degraus em direção ao anárquico reino da bizarrice (é anarquia ou monarquia, cazzo?), se você não foi bombardeado com links e referências, há algumas semanas, do vídeo nada eufemisticamente intitulado &#8220;Sanduíche de Buceta&#8221;, então parabéns. Não sei em que recôndito esquecido deste plano de realidade o senhor foi se enfurnar, mas sugiro que, agora que está de volta à convivência com os bons, não vá atrás da pérola. Acredite: não vale a pena nem por seu caráter nonsense.</p>
<p>Trata-se de um vídeo amador de uma moça - que nem maior de idade me pareceu, a bem da verdade - que besunta suas já mencionadas partes com condimentos (a saber: maionese, MUITA maionese), esfrega em outros ingredientes, tais como pães, presunto e queijo, e, imagino eu, come tudo ao fim do processo. Digo &#8220;imagino eu&#8221; porque não tive disposição para assistir a peça até o final. Espera-se, de um vídeo com tal mistura de absurdo, culinária e putaria, que seja excitante, desperte a fome ou faça rir. E não obtive nenhuma das três reações. Mas, ao contrário da maioria das pessoas que assistiram ao vídeo e cujas reações tive o (des)prazer de presenciar, também não fui tomado por horror ou nojo, seja pela &#8220;falta de higiene&#8221; da menina, seja por sua exposição voluntária.</p>
<p>Em primeiro lugar, não vejo problemas de higiene na questão. Não existe NADA naquele vídeo que as pessoas não coloquem na boca com regularidade: pães, maionese, presunto, queijo ou órgãos genitais de moças libidinosas. Ok, admito que a mistura de tudo isso é inesperada. Nem por isso vejo por que causar asco, se não por algum tipo de moralismo cristão que sobrevive em nossa mente e associa sexo a sujeira. O que nos leva ao segundo ponto: minha surpresa em ver o despudor da moça sendo tratado de forma tão furiosa. Sério, ainda há quem se surpreenda diante do fato de que mulheres - sejam elas moças, mulheres, coroas ou velhas - <b>também</b> curtem uma sacanagem? Quantas mulheres mais precisarão dar entrevistas &#8220;bombásticas&#8221; informando que, sim, aceitam a idéia de sentir &#8220;prazer anal&#8221; (Sandy, não estou falando de você, estou falando de outra mulher que deu uma entrevista afirmando a mesma coisa, claro), quantas mulheres precisarão ser &#8220;flagradas&#8221; em atitudes lascivas, quantas mulheres terão que aderir à indústria pornográfica ou mostrar satisfação com práticas sexuais &#8220;pouco ortodoxas&#8221;, até que aceitemos o fato de que, vejam só, essas criaturas também sentem prazer e desejo sexual?</p>
<p>Isso não tem nada a ver com a criação, com o caráter, com algum tipo de carência afetiva ou coisa que o valha. Pensamentos dessa natureza são fruto desse nosso ranço machista. &#8220;Mas o que o pai dela vai pensar?&#8221;, ou &#8220;E se fosse sua irmã?&#8221; são questões que só passam pela cabeça de quem ainda vê mulheres como propriedade, ainda que de forma bastante vaga. Esse raciocínio nos leva a concluir que não interessa se ELA está à vontade com isso, mas se o pai, o irmão ou o marido dela sabem tolerar esse comportamento. Logo, ela é uma demente, incapaz de pensar por si mesma, e precisa que um homem - essa criatura inteligente e racional - use seu teleencéfalo altamente desenvolvido para guiar a ensandecida criatura pelo caminho da moral e dos bons costumes!</p>
<p>Se você diz que não namoraria ou contrataria uma mulher dessas para a sua empresa, a falha não é dela, tampouco é dela a postura repreensível: ambas são suas. Só não vou dizer a você para assumir sua hipocrisia porque isso seria um contrasenso. A hipocrisia, tal e qual a humildade, é daquelas características que pressupõem uma atitude pouco reflexiva, portanto só duram até o momento em que são percebidas.</p>
<p>A verdade é que mulheres criadas em famílias equilibradas (existe isso?), em ambientes &#8220;normais&#8221; (defina &#8220;normal&#8221;), com papai e mamãe e colégio particular e telefone celular e roupinhas da moda e irmãozinhos e avós e Temperatura Máxima aos domingos com a família ao redor de uma bela macarronada TAMBÉM vão querer trepar - e vão curtir, e vão querer mais - em algum momento da vida. Algumas vão se satisfazer com um papai-e-mamãe bem comportado à meia luz. Outras vão querer ser besuntadas em azeite e lambidas por cinco homens, ou passar condimentos nas partes, ou tentar orifícios ditos &#8220;pecaminosos&#8221; em suas práticas sexuais. Deixemos todas elas em paz e vamos nos preocupar com coisas mais importantes: quando será que o Discovery Channel vai descobrir a genialidade dos caras do <a href="http://www.cracked.com" target="_blank">cracked.com</a> e dar a eles uma série no canal?</p>
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		<title>Salve!</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 00:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Olá, amigos! Hoje faz um mês que eu não escrevo nada aqui. Vejam só que relapso! Já tivemos até comentários com ataques de pelanca. Vejam só que coisa triste! Igual chuva na fila, es mucho troco, etc.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, amigos!</p>
<p>Hoje faz um mês que eu não escrevo nada aqui. Vejam só que relapso! Já tivemos até comentários com ataques de pelanca.</p>
<p>Vejam só que coisa triste! Igual chuva na fila, es mucho troco, etc.</p>
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		<title>Das desculpas</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 15:32:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[amor]]></category>

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		<description><![CDATA[Nossa postura diante da morte é ignorá-la. O máximo possível. Até o limite do aceitável. Agimos diante da indesejável como se a própria menção da verdade de que podemos morrer a qualquer momento transformasse a inevitabilidade distante em uma possibilidade palpável. Mencioná-la é atraí-la. A morte é o Besouro Suco. Venho notando isso de dois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nossa postura diante da morte é ignorá-la. O máximo possível. Até o limite do aceitável. Agimos diante da indesejável como se a própria menção da verdade de que podemos morrer a qualquer momento transformasse a inevitabilidade distante em uma possibilidade palpável. Mencioná-la é atraí-la. A morte é o Besouro Suco.</p>
<p>Venho notando isso de dois anos pra cá. Sempre que menciono que minha irmã morreu, geralmente respondendo a alguma pergunta relacionada a ela, recebo, como resposta, um pedido de desculpas.</p>
<p>Interpreto esse &#8220;Ah, desculpe&#8221; como um &#8220;Ah, desculpe-me por te fazer lembrar desse assunto desagradável&#8221;. Porque na verdade eu nunca penso nisso, no fato de que minha irmã está morta. Não é como se eu me lembrasse, todos os dias, assim que acordo, do fato de que não, não posso ligar pra Janaína. Não é como se, depois de sonhar com ela, e logo ao acordar, eu passasse alguns milésimos de segundo pensando &#8220;Ei, a Jana ia gostar de saber desse sonho, vou ligar pra ela e&#8230;OHWAIT&#8221;. Não, eu nunca me peguei tentando lembrar do dia em que a Janaína e a Fernanda se conheceram, por um breve instante, só pra me lembrar que na verdade elas não se conheceram, e não vão se conhecer nunca, porque quando uma chegou a outra já tinha ido. Não pense você que eu sinto falta dos e-mails que ela mandava, dos recados que deixava no orkut e que fico triste ao perceber que o facebook tem um campo SISTER, que é o lugar dela, mas que ela nunca vai ocupar. Não, amigo, eu quase nunca lembro da Janaína, e nunca, nunca me peguei pensando - de forma surpreendentemente mórbida - em como será que está o cadáver dela naquela sepultura, próximo aos restos do meu avô, se já é apenas um esqueletinho de peruca, e como deve estar hilário, e em como ela iria rir se eu comentasse isso com ela. E eu não sinto, todo maldito dia, uma saudade que não tem fim da risada dela, que eu QUASE consigo ouvir, mas não consigo, ao mesmo tempo, e minha vida agora nem é essa sucessão de retornos bruscos à realidade, e eu não vejo, todos os dias, alguma guria que me lembra ela, e as irmãs da Fernanda também não me trazem a Janaína à memória, e eu não vivo me perguntando o que ela acharia da minha vida agora, da minha presença no Rio, e se ela já teria vindo me ver, e como a gente se divertiria quando eu contasse pra ela dos ratos e tudo mais, e quantas coisas constrangedoras da minha infância ela ia contar pra Fernanda, e eu não me lembro, com pesar, que nós um dia marcamos de ficar bêbados juntos, mas nunca ficamos, porque eu praticamente não bebia naquela época.</p>
<p>Não, eu não me lembro da Janaína quase nunca, tem razão, foi apenas você surgir, com o gancho para esse assunto funesto, que ela me veio à mente. Que vergonha, meu amigo, que vergonha. Mas deixe pra lá, está perdoado, que essas coisas acontecem. Só não faça de novo, por favor, e vamos mudar de assunto e falar de coisas mais felizes. Que importância tem uma irmã morta, afinal?</p>
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