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	<title>::Utopia Dilucular::</title>
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	<description>Senta que lá vem a história.</description>
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		<title>Do proselitismo nosso de cada dia</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 00:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aí nêgo compartilha a imagem de um aleijado malhando e a pergunta que traz em si a censura e a acusação: &#8220;E agora, qual é sua desculpa (sedentário)?&#8221;. Ou repassa o vídeo de um velhote correndo, puxando ferro, pedalando, nadando, quase um maratonista &#8211; ou até mais do que isso, se considerarmos o esforço necessário [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Aí nêgo compartilha a imagem de um aleijado malhando e a pergunta que traz em si a censura e a acusação: &#8220;E agora, qual é sua desculpa (sedentário)?&#8221;. Ou repassa o vídeo de um velhote correndo, puxando ferro, pedalando, nadando, quase um maratonista &#8211; ou até mais do que isso, se considerarmos o esforço necessário -, e novamente o dedo na cara: &#8220;E você, qual é sua desculpa (indolente)?&#8221;. Ou mostra o antes e o depois do gordo que emagreceu sei lá quantos quinhentos quilos em três meses e agora tem uma barriga onde se enxerga com plena nitidez os gomos da musculatura, e, surpresa nenhuma, aqui vamos, as tochas, a inquisição: &#8220;E agora, qual é a tua desculpa (preguiçoso)?&#8221;.</p>
<p>Minha desculpa é que eu não tô a fim, prosélito. E é apenas essa. Não dou valor ao que, para você, parece ser tão importante. Tenho outras prioridades para meu tempo, meu dinheiro, meu empenho e minha escassa força de vontade. Entenda: quer ser marombeiro, azar o seu, sectário; quer ficar saudável, foda-se, faccioso; quer prolongar sua existência, divirta-se, masoquista. Já participei dessa brincadeira em algumas ocasiões. Hoje prefiro me abandonar aos prazeres da alimentação desregrada, da vida sem disciplina, do sono além da hora, da cerveja sem culpa. Aceito as conseqüências: a pele flácida, a camada de tecido adiposo, não ser o homem mais atraente sem camisa em um raio de duzentos quilômetros. Nem em um raio de um metro e meio! Posso viver sabendo não ser digno da capa da Men&#8217;s Health. Explicando melhor: o que não admito é pagar o preço necessário para isso. Prefiro minha casa, minha cama, meu marasmo e minha quietude. Meus livros e meus pensamentos. E, com sorte, uma vida breve em decorrência de um coração fraco.</p>
<p>Pro inferno com seu ambiente rescendendo a sudorese; a música repetitiva em um remix pobre feita com o sampler do sampler do sampler de um plágio de uma cópia; seus suplementos, seus anabolizantes e seus apetrechos de tortura moderna; suas conversas sobre padrões de beleza inatingíveis; sua tara em mapas da anatomia humana, seu tesão em se olhar no espelho e ver, a olho nu, as estruturas musculares fibrosas e hipertrofiadas. Não é meu objetivo de vida, não é minha meta. Fico feliz que seja a sua, mas saiba: é tão vazia, inútil e sem propósito quanto qualquer outra. Todas são.</p>
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		<title>Das questões seculares</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Mar 2013 22:04:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não tem problema você ter fé. Você tem seus amigos imaginários, conversa com eles, que te confortam em momentos difíceis, isso é lindo, parabéns. Eu também tenho vozes na minha cabeça, mas acho que é um princípio de esquizofrenia. Atribuo essas coisas que ouço a um desequilíbrio químico ou psicológico qualquer. É mais caro comprar [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Não tem problema você ter fé. Você tem seus amigos imaginários, conversa com eles, que te confortam em momentos difíceis, isso é lindo, parabéns. Eu também tenho vozes na minha cabeça, mas acho que é um princípio de esquizofrenia. Atribuo essas coisas que ouço a um desequilíbrio químico ou psicológico qualquer. É mais caro comprar remédios do que ir à igreja, mas ao menos não corro o risco de alguém me currar. A emoção é parte da vida, de todo modo, não estou aqui para enfiar goela abaixo meus imperativos categóricos. Ou talvez esteja, vejamos.</p>
<p>De todo modo, isso não vem ao caso, porque a questão aqui não é fé, a questão é religião. Religião é um desvio moral da fé, como o ciúme é um desvio moral do amor. É uma manifestação pequena &#8211; não me refiro a tamanho, o termo aqui vem como sinônimo de mesquinhez, mas num sentido mais amplo &#8211; relacionada a uma coisa grandiosa. É algo que converte todo o poder de uma solução em um grande e insolucionável problema. Trazendo isso pra um campo teológico, de modo que os senhores entendam bem, se a fé vem de deus, a religião é, por definição, uma coisa do diabo.</p>
<p>Vai daí o fato de que todo representante religioso &#8211; pastor, rabino, padre/freira e variáveis, reverendo, pai-de-santo, médium, não interessa o nome, qualquer um que tenha na religião seu meio de vida exclusivo &#8211; é apenas e tão-somente um vagabundo. É um inútil, um sanguessuga, um biltre. É um entrevero ao progresso. É quase um mendigo, mas sem querer ofender o mendigo, que ao menos é sincero em sua baixeza. E não é danoso, porque, ao contrário desses seres nojentos que infestam os templos, igrejas, sinagogas, mesquitas, centros espíritas, terreiros de candomblé/umbanda, etc, as pessoas não se reúnem de boa fé e bom grado para ouvir o mendigo, acreditando que suas palavras vêm de um &#8220;poder maior&#8221;. O único &#8220;poder maior&#8221; que guia um mendigo é o da miséria humana, dos vícios, dos maus hábitos, da desgraça inexorável, e disso ninguém quer ouvir falar, a essas coisas fechamos os ouvidos e principalmente os olhos.</p>
<p>Mas não ao &#8220;representante de/dos deus/deuses&#8221;. Ele é um ser humano que vive na nossa sociedade e não só não contribui com absolutamente nada como ainda gera um processo de retrocesso mental absurdo. E a eles damos todo o crédito e prestamos as maiores honrarias.</p>
<p>E são, todos, acima de tudo, charlatões. TODOS. Porque se o Papa acreditasse mesmo nessa merda de &#8220;seja feita a vossa vontade&#8221; não andaria num carro à prova de balas.</p>
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		<title>Desvio</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2013 20:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E lá vai o Enrique dizer o que eu deveria ter dito. O que eu queria ter dito, mas não tenho tanta capacidade, nem a elegância, nem a paciência. O começo do post, o título, parece comigo: traz um palavrão, começa mandando um foda-se. Até aí eu chegaria, mas iria além. Nos palavrões, digo. O [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisasgeek.com.br/2013/02/foda-se-cuba-e-a-blogueira/" target="_blank">E lá vai o Enrique dizer o que eu deveria ter dito</a>. O que eu queria ter dito, mas não tenho tanta capacidade, nem a elegância, nem a paciência. O começo do post, o título, parece comigo: traz um palavrão, começa mandando um foda-se. Até aí eu chegaria, mas iria além. Nos palavrões, digo. O Enrique só solta o palavrão para estabelecer a toada, a partir daí segue, como de costume, com bom-senso e tranquilidade. Sem sarcasmo, cara, sem cinismo. Que inveja tenho de gente sem cinismo! Sinto uma inveja orgulhosa desse filho da puta!</p>
<p>Vai ler o texto do Enrique, porque ele está certo.</p>
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		<title>Das imposturas</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Feb 2013 20:14:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As pessoas curtem compartilhar frases do José Saramago, da Clarice Lispector, do Nietzsche, do Mário Quintana, da Cecília Meireles, do Gabriel Garcia Marquez, do Fernando Pessoa, do Carlos Drummond de Andrade, do Manuel Bandeira, mas ninguém quer se dar o trabalho de ler qualquer um desses autores. Estão todos ocupados demais lendo sobre tons de [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas curtem compartilhar frases do José Saramago, da Clarice Lispector, do Nietzsche, do Mário Quintana, da Cecília Meireles, do Gabriel Garcia Marquez, do Fernando Pessoa, do Carlos Drummond de Andrade, do Manuel Bandeira, mas ninguém quer se dar o trabalho de ler qualquer um desses autores. Estão todos ocupados demais lendo sobre tons de cinza, lendo Nicholas Sparks, uma das inúmeras trilogias que são lançadas atualmente (ninguém mais consegue contar uma história em um só livro?), livros espíritas e auto-ajudas vagabundas, ou não lendo nada, em absoluto.</p>
<p>Mas querem citar os grandes autores! Não pode ser qualquer um, precisam ser os conhecidos, os respeitados, os clássicos. Não estão interessados no conhecimento que a leitura traz, só querem mostrar tê-lo. Querem parecer leitores, porque quem lê é culto e ser culto é legal. As pessoas te respeitam, gostam de você, ouvem sua opinião, certo? Ninguém quer sentar durante duas horas para ler um livro, todos os dias &#8211; mesmo que seja no ônibus, período no qual você não faz nada além de deixar seu cérebro vagar a esmo por crises existenciais que talvez não tenham a profundiade de uma colher de chá, ou no almoço, quando você procura matar o tempo, após devorar seu alimento apressadamente, ruminando sobre velhas mensagens no celular ou devorando amenidades em alguma rede social. </p>
<p>Não! Ninguém quer ler alguma coisa mais complexa, alguma idéia que faça você se sentir uma besta porque não dá para absorvê-la de primeira, porque é preciso voltar para a mesma página uma vez, depois outra, às vezes uma terceira, para entender o conceito, a linguagem do autor, a referência, o raciocínio&#8230; Ninguém quer ter que estudar as referências contidas no começo do livro, tentar captar qual o contexto histórico, para então chegar aos personagens, compreendê-los como criaturas pensantes, seres complexos, desdobramentos da mente do autor, e aí, sim, depois de 100 páginas de ambientação, depois de 300 páginas de história e diálogos, chegar a uma daquelas conclusões às quais o escritor te conduz e que cabem tão bem numa apresentação em powerpoint ou numa imagem em preto-e-branco no facebook.</p>
<p>Poucos querem isso. A maioria só quer mesmo a imagem no facebook, a frase do autor, o respeito e a admiração que isso traz. &#8220;Nossa, ele citou Neruda&#8221;. Ele lê Neruda? Ninguém pergunta. Quem foi o Neruda mesmo? Ninguém quer saber. Sabemos que o Neruda é conhecido e é respeitado, isso nos basta. As pessoas querem parecer leitoras &#8211; coisa que não são &#8211; porque acham que isso é, de alguma maneira, admirável (não é, é só mais uma atividade, tão vazia de sentido e significado quanto qualquer outra). Mas acabam compartilhando um monte de porcarias, e é isso que não sabem: que cada frase bacana na internet colhida em um livro genial e/ou atribuída a um autor respeitado, quando não é alguma asneira escrita por um desconhecido de mentalidade limitada e falsamente assinada por alguém de renome &#8211; numa tentativa de legitimar a estupidez -, traz consigo, via de regra, mais duas linhas (às vezes até mais de um parágrafo) de observações inseridas ali por algum ignorante fã de auto-ajuda que achou válido retirar, daquele texto, sua &#8220;lição de vida&#8221;, sua &#8220;moral&#8221;.</p>
<p>Para este, sem essa conclusão facilitada, o texto perde seu valor. Ele não quer que a idéia seja algo subjetivo, que cada um tenha seu entendimento sobre o que foi lido e adeque ou não às suas experiências, à sua bagagem. Não! Ele quer te dizer o que a frase quer dizer. Ele quer que você saiba qual é a profundidade, do que ela trata, até onde ela vai. E ele não vai hesitar em te contar, em te conduzir à conclusão. Você não precisa pensar por si mesmo: ele vai mastigar a idéia e vomitar os restos na sua boca, você só tem que engolir e repassar.</p>
<p>E você vai curtir. Vai compartilhar. E vai deixar claro para quem realmente lê os livros, conhece os autores, para quem tem algum conhecimento sobre o assunto, o que você é: não um leitor, que dirá um literato. Você é um ignorante. É o pior tipo de analfabeto: o que sabe ler, mas não lê. E ainda por cima é um impostor, tentando arrotar uma erudição que não tem.</p>
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		<title>Das reações incompreensíveis</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2013 14:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Então mais uma vez alguém, nos Estados Unidos, resolveu abrir fogo em uma instituição de ensino. Não fui atrás das notícias, não pesquisei o assunto e sequer sei o nome do assassino. Cheguei à conclusão que não adianta mais ler sobre essas coisas, elas não trarão qualquer entendimento sobre o acontecido. É como ler sobre [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Então mais uma vez alguém, nos Estados Unidos, resolveu abrir fogo em uma instituição de ensino. Não fui atrás das notícias, não pesquisei o assunto e sequer sei o nome do assassino. Cheguei à conclusão que não adianta mais ler sobre essas coisas, elas não trarão qualquer entendimento sobre o acontecido. É como ler sobre ressaca querendo entender por que as pessoas bebem: não há explicação alguma se você tomar os fatos nesse sentido. Também não sei se a questão da proibição das armas é relevante, neste ponto. É lógico que se esses malucos não tivessem acesso a armas, não fariam essas coisas, mas existem tantos outros países que facilitam o acesso de seus cidadãos a armas de fogo, e nem por nos presenteiam com esse fenômeno social tão tipicamente americano. Infelizmente esses eventos já estão associados ao tio Sam. O McDonalds e o Colt. A Ford e a Magnum. Hollywood e a Smith &#038; Wesson.</p>
<p>Minha dúvida é basicamente essa! O que existe na sociedade americana que gera tantos desses desajustados? Qual é a química social que desencadeia essa reação específica? Por que nos Estados Unidos, e não na Inglaterra (onde as crianças também passam por maus bocados nas escolas, nas mãos dos &#8220;bullies&#8221; &#8211; palavra da moda que agora explica a razão de qualquer distúrbio social, aparentemente)? Por que nos Estados Unidos, e não no Canadá, onde a liberdade civil também é respeitada e o acesso a armas de fogo não é dos mais difíceis? Por que nos Estados Unidos, e não em tantos outros países onde o homem machão que resolve seus problemas atirando em quem o incomoda também é cultuado?</p>
<p>Li em alguns fóruns gringos, no youtube e no facebook várias manifestações de americanos relativas ao acontecimento. E parece haver uma cegueira &#8211; não sei se intencional ou não &#8211; por parte deles quanto a esse tipo de rompante. Muitos culpam o assassino &#8211; que tem culpa, é lógico, mas não deve ser tomado como um evento isolado, porque não é -, existem os que culpam os pais do assassino &#8211; que talvez tenham sua parcela de culpa, e talvez não, mas não acho válido apontarmos o dedo para essas pessoas, que podem estar tão chocadas e aterrorizadas quanto todo mundo. E deve haver algum estudo sociológico que fale sobre isso, que traga alguma luz para o assunto. Deve haver alguma resposta não para o por quê, mas por que lá? E sem dúvida a resposta não é proibir armas de fogo, ou proibir filmes e jogos violentos, ou proibir músicas desse ou daquele tipo, por mais que as soluções imediatas trazidas por essas atitudes drásticas pareçam, num primeiro momento, surtir o efeito desejado. A verdade é que enquanto alguém não enfiar o dedo na ferida com força e com raiva, e desencavar do fundo do senso-comum norte-americano o aspecto que precisa ser mudado na cultura deles, e enquanto essa mudança não for levada a sério e trabalhada com afinco, com vistas a uma alteração brutal a médio/longo prazo, ano a ano seremos brindados com esses tiroteios incompreensíveis.</p>
<p>O problema é que eles &#8211; como nós &#8211; são tão acomodados que a maioria das pessoas vai preferir arcar com a morte de algumas dezenas de inocentes, a cada 2 anos, a tentar pensar diferente e alterar a estrutura social. Deus abençoe a América, os bodes expiatórios e as soluções fáceis.</p>
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		<title>Das resoluções de ano-novo</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Dec 2012 01:20:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olá, amiguinhos. Já na iminência do ano-novo, gostaria de sugerir aos senhores um pequeno exercício de autocrítica. Comecemos lendo os trechos de relatórios abaixo, todos retirados da página de relatório de transparência do google, onde são informados ao público os pedidos para remoção de resultados de pesquisas. &#8220;Em resposta a um mandado, removemos oito resultados [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, amiguinhos. Já na iminência do ano-novo, gostaria de sugerir aos senhores um pequeno exercício de autocrítica. Comecemos lendo os trechos de relatórios abaixo, todos retirados da página de relatório de transparência do google, onde são informados ao público os pedidos para remoção de resultados de pesquisas.</p>
<blockquote><p>&#8220;Em resposta a um mandado, removemos oito resultados de pesquisa por direcionarem a sites que, supostamente, estavam difamando a esposa de um político.&#8221;</p>
<p>&#8220;Recebemos uma solicitação de uma agência governamental estadual para remover um vídeo do YouTube com declarações contra agentes da lei. Não removemos o vídeo.&#8221;</p>
<p>&#8220;Recebemos uma solicitação de uma agência local de aplicação da lei para remover sete postagens de blog por supostamente difamarem a honra de um prefeito, juiz e chefe de polícia. Não atendemos a essa solicitação.&#8221;</p>
<p>&#8220;O número de solicitações de remoção de conteúdo que recebemos cresceu 140% em comparação com o período de relatório anterior.&#8221;</p>
<p>&#8220;Recebemos cinco solicitações e um mandado para remover sete vídeos do YouTube por criticarem agências governamentais locais e estaduais, autoridades policiais ou funcionários públicos. Não atendemos a essas solicitações.&#8221;</p>
<p>&#8220;Recebemos uma solicitação do gabinete de um prefeito para remover cinco blogs por criticarem o prefeito. Não removemos o conteúdo em resposta a esse pedido.&#8221;</p>
<p>&#8220;Recebemos uma solicitação do representante legal de um ex-político para remover uma postagem de blog que, supostamente, difama-o ao explicar suas conexões com o lobby farmacêutico. Não removemos conteúdo em resposta a esse pedido.&#8221;</p></blockquote>
<p>Após ler todos os trechos, tente identificar quantos e quais se referem ao Brasil, quantos são dos Estados Unidos, quantos são, sei lá&#8230; de Cuba. Pode chutar o país que achar melhor, ou atribuir todos eles a um país só. Vá em frente, é sua cabeça. Demonize os governos que preferir. </p>
<p>Por fim, entre <a href="http://www.google.com/transparencyreport/removals/government/" target="_blank">neste link</a>. Agora veja se só o Brasil sofre com o problema de ter representantes do governo solicitando que conteúdo seja removido das pesquisas do Google, ou se esta é uma questão global.</p>
<p>A partir daí, reflita: quanta merda você já falou sobre o assunto?</p>
<p>Façamos uma campanha sincera para que as pessoas falem menos merda em 2013. Comecemos por nós mesmos.</p>
<p>Feliz 2013.</p>
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		<title>Das escolhas profícuas</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Dec 2012 16:46:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Não quero ser acusado de não reconhecer ou valorizar as coisas boas que acontecem, então permitam-me dizer que tive sorte ao adotar meu gato, o Boris. Passei anos reproduzindo o discurso padrão dos anti-felinos: que são animais ariscos, pouco confiáveis, sem qualquer princípio de companheirismo, que não dão valor aos donos, etc. E o Boris [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Não quero ser acusado de não reconhecer ou valorizar as coisas boas que acontecem, então permitam-me dizer que tive sorte ao adotar meu gato, o Boris.</p>
<p><a href="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2012/12/IMG_1157.jpg" rel="lightbox[1753]"><img src="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2012/12/IMG_1157-224x300.jpg" title="Boriushka" width="224" height="300" class="aligncenter size-medium wp-image-1754" /></a></p>
<p>Passei anos reproduzindo o discurso padrão dos anti-felinos: que são animais ariscos, pouco confiáveis, sem qualquer princípio de companheirismo, que não dão valor aos donos, etc. E o Boris faz questão de comprovar estarem erradas todas essas afirmações.</p>
<p>Tá certo que ele tem lá seus surtos de maluquice, se mete a fazer zona, fica elétrico e atacado com bastante regularidade, é meio desobediente e muito, muito catarrento, mas eu não poderia querer um animal melhor. O bicho é extremamente bonzinho, é carinhoso comigo e com a Fernanda &#8211; da forma meio doida dele, de subir no meu colo e morder meu nariz ou abocanhar nossas canelas quando passamos pelo corredor, mas é -, aceita as reuniões sociais em casa com a maior tranqüilidade do mundo. Não se isola, não foge das visitas, não recusa carinho nem destrata ninguém, e olha que ele tinha tudo para ser desconfiado: a falta de um pedaço do rabo deixa claro que o infeliz já passou por maus bocados na vida. Mas ele não liga para nada disso! </p>
<p><a href="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2012/12/IMG_0968.jpg" rel="lightbox[1753]"><img src="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2012/12/IMG_0968-224x300.jpg" alt="estressado com o novo apartamento, primeiro dia" title="Boris" width="224" height="300" class="aligncenter size-medium wp-image-1755" /></a></p>
<p>É um animal dócil e de ótima índole, e mesmo quando me irrita e eu o escrotizo, imobilizando-o e escovando-o longamente (coisa que ele ODEIA), é incapaz de me atacar. Reclama, mia, debate-se, até morde, mas nunca para arrancar sangue. As poucas vezes em que me machucou de verdade, de deixar cortes e arranhões nas minhas mãos, dedos e/ou braços, nós estávamos brincando e ele se empolgou. E até aí um labrador também já me machucou algumas vezes, então isso não é exclusividade dessa ou daquela espécie!</p>
<p>Ele já se adaptou à gente e já é parte da casa, já é um membro da família e nossas decisões já o levam em consideração. Parte do orçamento é para a ração do Boris, parte do tempo é para dar atenção ao Boris e viagens só são possíveis se houver como levá-lo com a gente ou providenciar para que cuidem dele. A vantagem é que ele não é um animal territorialista ou anti-social, então largá-lo em uma casa com outros gatos só é problema para os outros gatos. Para ele, não há tempo ruim. Vivo lendo textos de pessoas falando sobre como desestressar um gato após uma mudança, após uma faxina, após levá-lo ao veterinário&#8230; e nada disso é necessário com o Boris. Também nunca precisei educá-lo para não mexer na minha comida &#8211; ele respeita isso naturalmente -, ou ensiná-lo a identificar onde está a caixa de areia &#8211; ele a encontra, mesmo quando somos obrigados a mudá-la de lugar.</p>
<p><a href="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2012/12/boris.jpg" rel="lightbox[1753]"><img src="http://www.utops.com.br/wp-content/uploads/2012/12/boris-224x300.jpg" alt="Ainda estressado, um mês depois" title="boris" width="224" height="300" class="aligncenter size-medium wp-image-1757" /></a></p>
<p>Escolhemos esse gato do jeito errado. A Fernanda viu uma foto do bicho, achou lindo e resolveu que era o que ela queria. Mas, por sorte, acabamos encontrando o animal certo. A pessoa que se desfez dele, largando-o no canteiro de uma via expressa, não faz idéia do bom companheiro que perdeu, mas foi esse ato impensado, desumano e cruel que acabou fazendo com que ele fosse parar na minha casa. Então obrigado, seu trouxa.</p>
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		<title>Da sociedade (imbecil) nossa de cada dia</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Dec 2012 18:16:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje saiu uma notícia falando sobre uma surra aplicada por dois sujeitos em um outro cidadão, homossexual, dois dias atrás. A matéria é tão genial que preciso comentar! Mas vou começar fazendo um aparte: não acho que a agressão tenha qualquer coisa a ver com o cara ser estudante da USP e/ou militante gay (diferente [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje saiu <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,estudante-da-usp-e-militante-gay-e--espancado-na-henrique-schaumann-,969407,0.htm" target="_blank">uma notícia</a> falando sobre uma surra aplicada por dois sujeitos em um outro cidadão, homossexual, dois dias atrás. A matéria é tão genial que preciso comentar! Mas vou começar fazendo um aparte: não acho que a agressão tenha qualquer coisa a ver com o cara ser estudante da USP e/ou <strong>militante</strong> gay (diferente de dizer que não tem relação com ele ser gay, é sempre bom frisar!). Essa é uma informação totalmente irrelevante para a chamada da matéria. Não sei se foi inserida com a finalidade de atrair atenção para a notícia e trazer mais uma vez a discussão sobre homofobia para a pauta, ou se apenas para chamar atenção e vender mais. </p>
<p>Acredito que seja a segunda opção, porque logo no primeiro parágrafo já temos uma passagem genial, de quem não entende porra nenhuma da discussão sobre homofobia, dizendo que o agressor ofendia a vítima &#8220;por sua opção sexual&#8221;. Viu só, maricón? Quem mandou ESCOLHER ser gay? Tenta escolher gostar de mulheres, agora. Porque essas coisas a gente escolhe, viadinho!</p>
<p>Depois, um dos caras que bateu no sujeito diz que ele &#8220;Apanhou de besta (&#8230;) se tivesse seguido o caminho dele, não teria apanhado.&#8221;, e é isso mesmo! Que merda é essa de parar pra retrucar só porque tem alguém te ofendendo na rua? Abaixa a cabeça e passa calado, bichinha de merda!</p>
<p>Depois disso, temos a irmã desse adorável cidadão da manifestação acima que diz que o irmão dela é do bem. Lógico que é! Pessoas do bem saem de carro com amigos e páram para ofender transeuntes. Depois dão porrada quando eles reclamam. É isso que pessoas do bem fazem! Além do mais, como ela alegou: &#8220;O menino está vivo&#8221;. Logo, foi apenas uma surrinha com fins sócio-educativos. Que pessoa do bem, o irmão dela! Que rapaz de boa índole!</p>
<p>Já o advogado dos dois agressores diz que o sujeito deu dedo pros caras porque eles pararam em cima da faixa de pedestres. Olha só que baitola abusado! Tem mais é que apanhar!</p>
<p>Ah, Bartleby! Ah, humanidade!</p>
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		<title>Interlúdio &#8211; Insónia</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2012 06:11:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[desclassificados]]></category>

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		<description><![CDATA[Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo, E o meu sentimento é um pensamento vazio. Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam — Todas aquelas de que me arrependo e me culpo —; Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam — Todas aquelas de que me arrependo e me culpo —; Passam por [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,<br />
E o meu sentimento é um pensamento vazio.<br />
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam —<br />
Todas aquelas de que me arrependo e me culpo —;<br />
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam —<br />
Todas aquelas de que me arrependo e me culpo —;<br />
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,<br />
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.</p>
<p>Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.<br />
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.<br />
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.<br />
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,<br />
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.<br />
</em></p>
<p>&#8211; Álvaro de Campos</p>
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		<title>&#8216;Til Kingdom Come</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Oct 2012 13:56:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[musica]]></category>
		<category><![CDATA[youtube]]></category>

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		<title>Das prioridades na vida</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Sep 2012 17:41:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[burrice]]></category>
		<category><![CDATA[divagacoes]]></category>
		<category><![CDATA[misantropia]]></category>

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		<description><![CDATA[Houve aquela época em que eu acreditava que, sobre todas as coisas, era necessário respeitar o sofrimento das pessoas. Se buscar pela internet sem dúvida encontrarei resquícios desse período, em ferramentas que desencavam coisas esquecidas de blogs já inexistentes, resíduos daqueles momentos onde éramos mais jovens, as certezas pareciam definitivas e a vida, uma tragédia [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Houve aquela época em que eu acreditava que, sobre todas as coisas, era necessário respeitar o sofrimento das pessoas. Se buscar pela internet sem dúvida encontrarei resquícios desse período, em ferramentas que desencavam coisas esquecidas de blogs já inexistentes, resíduos daqueles momentos onde éramos mais jovens, as certezas pareciam definitivas e a vida, uma tragédia &#8211; ainda que não houvesse nada de tangível, de palpável nessa dita &#8220;tragédia&#8221; que a acusasse como tal.</p>
<p>Não buscarei demonstrações das alegações do parágrafo acima, por terror ao ridículo. Fique à vontade, se quiser, mas não recomendo. De todo modo, o sofrimento alheio me parecia algo importante, algo a ser respeitado. E se havia sofrimento, deveria haver compaixão. A mão estendida, o tapinha nas costas e a palavra amiga. Não me custava nada. Tudo bem se eu não entendia a razão de alguém estar triste, com raiva ou amargurado, e não fazia diferença se a razão primordial me parecia pequena e ridícula, por mais que me explicassem: meu não-entendimento não era sinal de inexistência. Era um drama pessoal e, por mais que me parecesse pequeno, recusava-me a julgá-lo. Ninguém sabe o tamanho da dor alheia &#8211; caminhava por aí, minha lógica &#8211; então minimizá-la seria desumano, para dizer o mínimo. Além do mais, eu carregava comigo minha parcela de angústias, e ver outras pessoas fazendo pouco do que me mantinha acordado à noite e deprimido durante o dia bastava para me tirar do sério. Os conselhos que me davam pareciam bastante simplistas, diante da suposta gravidade dos meus problemas, e me soava ofensivo que alguém se dignasse a me sugerir soluções tão insuportavelmente práticas para agruras que, no final das contas, pareciam insolúveis ao meu entendimento pueril.</p>
<p>Muitos daqueles conselhos, adianto logo, estavam perfeitamente corretos, conforme demonstraram o tempo, a experiência e o senso prático que os últimos 10 anos me trouxeram, junto com os quilos a mais, os &#8211; ainda pouco notáveis, felizmente &#8211; cabelos brancos e os olhos fundos.</p>
<p>Em algum momento, entretanto, toda essa sensibilidade, todo esse respeito para com os problemas dos outros foram substituídos por um nível de cinismo muito difícil de controlar. Toda a atenção que eu seria capaz de dedicar a alguém que por horas, dias ou mesmo meses lamentasse sofrimentos decorrentes de uma paixão não-correspondida, por exemplo, hoje em dia se resumem a meros 5 ou 10 minutos, após os quais a situação pinta-se clara como um contrato de serviço, na minha mente:</p>
<p>&#8220;Seus termos são X, Y e Z, os termos dele(a) são A, B e C. Os seus termos e os da outra pessoa são incompatíveis e ele(a) se mostra irredutível. Cabe a você avaliar se quer 1) abandonar seus termos, aceitando os dele(a) ou 2) abandonar esse relacionamento e partir para outro.&#8221;</p>
<p>Fim da questão. Qualquer outra coisa que seja dita além disso vai me conduzir à única conclusão que consigo chegar atualmente: qualquer problema que você tenha que não envolva alguém morto, morrendo ou seriamente debilitado, alguma doença terrível e incurável, um ente querido envolvido com drogas, sofrendo alguma injustiça ou vítima de alguma violência, é um problema idiota. É um problema menor. Não é uma tragédia: é você sendo cretino, fazendo drama e floreando o facilmente solucionável, por falta de algo realmente sério com o qual se preocupar. A antiga noção de que &#8220;se é importante para você, é importante para mim&#8221; foi substituída por uma noção clara de que &#8220;se é importante para você, mas não é importante, então você precisa urgentemente de um problema sério para ocupar essa sua cabeça&#8221;.</p>
<p>Você terminou seu namoro de 4 anos? Chuif, chuif, agora vai lavar essa merda dessa cara e vai fornicar! Puxa vida, seu casamento acabou? Existem filhos envolvidos na questão, briga na justiça pela guarda das crianças, coisas assim? Não? Então grandsmerda, meu amigo. Era só um namoro com um nome bonito. Oh, deus, você precisa mudar de apartamento? MUDE! Fim do problema. Seus problemas são idiotas. Seus problemas são irrelevantes. A maioria dos meus problemas também é, e por isso passei a dar a eles a importância que merecem. Enterrar uma irmã de 30 anos e visitar um irmão na penitenciária para contar que estamos com uma vaga em aberto na família te ajuda a colocar as coisas em perspectiva! Se o fato de você ter ganhado 5 kg e suas calças não servirem mais, se o fato do seu namorado ter te traído, se o fato de você ter batido o carro e agora precisar andar de ônibus são dramas TÃO grandes na sua vida&#8230; acho que está na hora de você perder uma perna, um braço ou um irmão.</p>
<p>Talvez isso te ajude a ver o que é importante e a cagar pro que não é.</p>
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		<title>Das cornwellnices</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jul 2012 13:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[divagacoes]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Os duendes seqüestraram meu The Man in The High Castle, do Felipe K. Piroca. Então tive que adotar um livro paralelo para ler (para o quê? PARALELO!) enquanto as negociações com os criminosos, empreendidas pela faxineira, não retornavam a vítima sã e salva às minhas mãos. Para isso, resolvi pegar um livro bem besta, cuja [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Os duendes seqüestraram meu The Man in The High Castle, do Felipe K. Piroca. Então tive que adotar um livro paralelo para ler (para o quê? PARALELO!) enquanto as negociações com os criminosos, empreendidas pela faxineira, não retornavam a vítima sã e salva às minhas mãos. Para isso, resolvi pegar um livro bem besta, cuja densidade fosse próxima a zero.</p>
<p>- Tipo Paulo Coelho?</p>
<p>Falei &#8220;próxima a zero&#8221;, não falei NEGATIVA. Pois bem, peguei um do Cornwell. As Crônicas Saxônicas, volume 1: O Último Reino. Já li duas trilogias do Cornwell (As Crônicas de Artur e A Busca do Graal) e um livro avulso (Stonehenge). Tenho, para ler, pelo menos mais uns 18 livros do sujeito (nove deles só das aventuras de Sharpe, seis das crônicas saxônicas, Azincourt, O Forte &#8211; primeiro livro dele a se passar em território americano, durante a guerra civil dos Estados Unidos &#8211; e O Condenado). Coisa pra caralho. E eu até recomendo a leitura do Cornwell, assim como te recomendo ler&#8230; sei lá&#8230; Watchmen, ou assistir Game of Thrones. É entretenimento, e é só entretenimento. <strong>NÃO</strong> traz conteúdo intelectual! <strong>NÃO</strong> é literatura! É subliteratura. É mero entretenimento. Se você ler algo dessa natureza e esse livro mudar sua vida, seu entendimento do universo, sua compreensão da sociedade, te fizer repensar qualquer coisa além das suas idéias a respeito da vida na Europa medieval, você é um ser humano vazio e eu te recomendo aumentar o nível das suas leituras.</p>
<p>O Cornwell é um autor tão pobre que esses 7 livros que já li do sujeito são meio&#8230; repetitivos. O começo das três histórias segue um padrão. O personagem principal geralmente é um jovem que sonha ser um guerreiro. Ele é filho de um líder, ou ao menos é apadrinhado de um. Em algum momento ele se apaixona por uma moça e rola um romance, mas as coisas de repente dão terrivelmente errado: a moça por quem ele se apaixona é estuprada (sempre) e ele tem que vagar pela terra com ela, porque o grupo/vilarejo do qual faziam parte foi morto ou porque ele fez alguma merda e agora não pode retornar, senão irão matá-lo. Em um certo momento ele vai lavar os cabelos da mulher e alimentá-la, e eles &#8220;farão amor&#8221; e mimimi, haja viadagem! Então eles vão se separar, mas encontrar-se-ão diversas vezes durante a história após isso, mas nunca mais como amantes, porque ele terá se casado com outra mulher (sem a metade do carisma da primeira), e ela terá se tornado uma inimiga ou coisa parecida.</p>
<p>Se as crônicas saxônicas seguirem nesta mesma toada, acho que vou mandar uma carta pro Cornwell explicando que ele podia parar de fazer pesquisas históricas pra começar a pensar em um novo tipo de desenvolvimento de relação entre personagens, já que aparentemente Hollywood não está interessada no modelo de par romântico no qual ele vem insistindo.</p>
<p>Porque é assim que eu rolo: ensino autores a escrever seus livros.</p>
<p>(ou talvez eu só desista desse idiota repetitivo e parta pra outra leitura)</p>
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