Googleiros

Entraram aqui procurando por “O que quer dizer grifar?“. Admito que me permiti sentir certa simpatia pelo responsável pela pergunta, pois essa é uma daquelas questões sem resposta que vêm acompanhando a humanidade há séculos.

Os primeiros registros do assunto remontam às academias gregas, onde jovens helenos iam para puxar ferro e azarar outros apolos (pederastia que, devo ressaltar, não era mal-vista pela sociedade da época). Um longo trecho dos diálogos de Platão, justamente um tutorial meticulosamente detalhado, sob o título “o que é grifar?”, foi impiedosamente deletado do fórum de discussões que o jovem filósofo então freqüentava, sob a alegação de ser deveras maçante, dado seu nível de virtuose técnica (além de ter sido postado como off-topic).

Alguns argumentam que foi isso que levou Platão a se rebelar e fundar uma República, onde qualquer um poderia publicar suas obras no tópico que quisesse. Na Constituição da República de Platão - que ficava ao norte do território atualmente pertencente a Dudinka, dominada por sete exércitos azuis - é muito claro o trecho que diz que as discussões sobre a essência do grifar podem e devem ser amplamente divulgadas (este documento, todo escrito em papiro amarelo gema-e-clara off-set 45g, pode ser lido integralmente no museu de Tchita - cidade que, há alguns anos, foi surpreendentemente tomada pelo exército preto, em sua missão de acabar com toda a invasão vermelha ou dominar 35 territórios à sua escolha).

Após estabelecer sua república, fazendo uso de seus poderes executivo e legislativo, Platão pôde, finalmente, divulgar sua teoria sobre o que é grifar e a detalhada explicação de como fazê-lo. Segundo ele e sua Escola de Grifagem, que permanece até os dias de hoje, para grifar é necessário esfregar um grifo repetidas vezes contra uma folha de papel. Atividade, portanto, humanamente impossível.

Um grifo.
Um grifo.

Um Grifo é uma criatura com corpo de leão, cabeça de águia e asas de águia grandes o suficiente para erguer um corpo de leão no ar. Por definição, não é um animal pequeno. É possível abatê-lo atualmente, graças ao poderio da indústria bélica moderna. Mas, na época de Platão, vou te dizer: matar um grifo era um serviço de corno!

Já velho, consta que Platão chorava copiosamente todos os dias, ao cair da tarde, devido a sua grande frustração por nunca ter grifado nada.

Por muitos séculos, pensou-se que grifar fosse um ato impossível. Até que, em fevereiro de 1985, um grupo de japoneses, antigos estudiosos do assunto, percebeu que grifar não tinha nada a ver com pegar grifos e esfregá-los em folhas de papel e que a teoria platônica não passava de uma enorme bobagem. Para provar que qualquer um poderia grifar, criaram um programa de televisão onde um sujeito fazia isso frequentemente diante dos olhos de milhares de telespectadores. Grifar tornou-se uma diversão para as crianças, assim como outras atividades semelhantes.

Changeman
O rapaz de preto está grifando.

Grifar, para os japoneses, têm - como é de praxe na filosofia oriental - implicações muito mais intrínsecas ao ser humano. Para grifar não é preciso um grifo. Você pode muito bem tornar-se o grifo. Você é o grifo e o grifo é você. Para comprovar a teoria, está aí Change Gryphon (o cidadão de roupa preta de lycra). O programa também demonstrou que é possível manifestar outros tótens animalescos, desde que você tenha um capacete irado e um colante bacana.

Com a expansão das filosorias orientais no ocidente, passou a ser senso comum que, para grifar, basta despertar o grifo dentro de você (tipo slogan de sucrilhos, manja?). Por isso grifar é, hoje, uma atividade mundana, corriqueira, trivial que qualquer um é capaz de executar com maestria.

Há quem diga também que grifar é apenas marcar - com lápis, lapiseira, caneta, giz de cêra, marca-texto, carvão ou qualquer coisa capaz de escrever - uma linha sob um determinado trecho de texto que se quer ressaltar. Mas essas pessoas são idiotas, não é prudente levá-las em consideração.

17 Responses to “Googleiros”


  1. 1 daniel, o bastos

    a grifologia, hoje, não admite mais a utilização de grifos para tal, pois estão em extinção. o governo estuda a proposta de criação de clonatórios especiais para a salvação da espécie, e futura reutilização destas belas bestas em grifolarias ao redor do mundo.

  2. 2 Pedro

    Oras, seu embusteiro! Não me venha com essas suas informações deturpadas para tentar fazer com que meus leitores incorram no erro!

  3. 3 daniel, o bastos

    informo apenas os fatos, nada mais.

  4. 4 André

    Você ainda está insistindo nesse lance de pederastia grega? Aceite os fatos, é um livro gay…

  5. 5 Carol Bocage

    Senti um quê de RPG…

  6. 6 _g

    Chegaram no meu blog via “msn da puta que sabe” e “significado da garrafa de shiva”

    Mestre, devo discorrer sobre essa porra?

    ps: tem um grifo em casa.. posso sair grifando?

  7. 7 Thais

    hm. J.K.Rowling cita Hipogrifos. Agora sei a origem. Obrigada, Pedro, você é mais que cultura!

  8. 8 beats

    Qual seria então a diferença entre um grifo e um hipogrifo, ó mestre grifador?

  9. 9 Pedro

    Hipogrifo é o resultado do cruzamento de um grifo e uma égua, rapazote.

  10. 10 daniel, o bastos

    Isto inclusive, senhor Pedro, deu origem à expressão “filho de uma égua”, que após etimologia secular, perdeu o sentido original de “hipogrifo”. podemos perceber mais nitidamente na tradução literal da personagem em “Harry Potter”.

  11. 11 Pedro

    Basta, Bastos, bastardo!!
    Beixe a bola! Bradando baboseiras aos beócios do blog…

    Bah! Bobão!

  12. 12 Paula Groff

    Ficaria divino na Desciclopédia. Fazia tempo que eu não me divertia tanto.

  13. 13 daniel, o bastos

    Nunes, nunca negue a nictalgia nefasta que neutraliza a natureza niilista dos nanocéfalos.

    Nunca!

  14. 14 Big_DJouse

    Pelo menos entram no teu blog procurando por grifos. E no meu, que entram procurando por caralhos?

  15. 15 Michel

    Nossa, o Daniel é dos tempos pré-históricos dos blogs nacionais. Eu não o lia muito na época, e vejo que perdi muita coisa por causa disso (hei de recuperar o tepo perdido). Aquela época vai deixar saudade; ninguém precisava entulhar o blog de videozinhos e widgets pra tentar chamar a atenção. Ainda havia gente que se incomodava com o que os blogs tinham o que dizer. Mas me bateu uma dúvida agora: ele ainda escreve em blogs ou largou dessa ‘vida’? =p

  16. 16 Pedro

    Michel, ele tá com um blog, atualmente, mas escreve de forma tão sazonal que se você aparecer por lá uma vez a cada seis meses, é possível acompanhar tranqüilamente.

    Não tenho o endereço, entretanto. Mas acho que tá na lista de links do Jesus, Me Chicoteia.

  17. 17 wladimy lins de medeiros

    Que bobera meu deuz

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