Sofro do que costumo chamar de Síndrome de McFly.
Notei o problema da primeira vez que um desconhecido, em troca de pecúnia, solicitou minha mão-de-obra barata para resolver um problema informático qualquer. Um driver que apresentava defeito, uma impressora que fazia todo tipo de ruído antes de não imprimir, um programa que se recusava a rodar de forma correta, uma conexão que não funcionava nem com reza braba, qualquer porcaria dessas, não me lembro especificamente qual.
Ainda hoje a sensação se manifesta. Toda vez que um cliente (esse é o nome que recebem os desconhecidos - ou não - que solicitam serviços em troca de dinheiro) me liga, toda vez que me chamam para uma entrevista de emprego ou estou prestes a começar em um novo trabalho, lá está o velho George McFly de 1985, com seu penteado de 30 anos atrás, a camisa engomadinha abotoada até o pescoço, canetas e calculadoras presas ao bolso, na altura do peito, óculos de fundo de garrafa mal-arrumados sobre o rosto, em sua postura retraída e a típica voz desajeitada e hesitante de quem levou pescotapas demais na escola, me dizendo “Mas… mas e se não gostarem? E se me disserem que eu não sou bom? Não sei se posso agüentar esse tipo de rejeição!”.
Sou capaz de me sentar aqui, diante dessa tela em branco, e escrever estupidezes (?) absurdas. Uma legião de desconhecidos sem rosto pode passar pelos comentários e retorquir, de maneira totalmente justificada, com todos os desaforos possíveis e imagináveis. Tenho absoluta convicção que tal manifestação de repúdio sequer vai arranhar minha bolha de “foda-se”. Coloque dinheiro na equação e todo esse alheamento vai pelo ralo. Se alguém que está me pagando - ou pretende pagar - para escrever critica o mesmo texto, isso provavelmente me deixará chateado por algumas semanas, talvez meses. Pode me fazer parar de escrever, de verdade.
Por isso admiro essas pessoas que dizem gostar de desafios. Não entendo como isso é possível. Desafios me aterrorizam! O desprendimento de quem tem coragem de reunir um calhamaço de textos, chamar aquilo de “livro” e enviar cópias para editoras me parece louvável. Sobre-humano, até. Digo o mesmo das pessoas que gravam fitas demo e enviam para gravadoras, ainda mais quando são composições próprias.
Esse povo que não se preocupa com a qualidade do resultado, que não dedica um segundo pensamento aos frutos do trabalho, apenas sente a urgência de fazer e faz… esse povo tem meu respeito incondicional só pela atitude abnegada de se sujeitar à avaliação alheia.
Porque segunda-feira começo no meu novo emprego e, nesse exato momento, o velho McFly me dá tapinhas no ombro com a expressão condescendente de quem sabe exatamente como me sinto.

Emprego novo? Devo deduzir que você não ganhou na mega sena de novo, né?
Não, não. Depois da terceira vez, ganhar aquele prêmio perde a graça, sabe como é. Além do mais, preciso dar chance às outras pessoas também, senão é sacanagem.
Que tu faz da vida afinal? Fiquei bem curioso agora.
Também sou da área e tenho esse mesmo problema. Somando-se ao fato de que se ao fazer meu trabalho e não escuto uma palavra de reconhecimento, passo a ter insegurança quanto a minha competência. E sabe qual a quantidade de reconhecimento que o pessoal da informática costuma receber, né?
relaxa e goza (que agora tá na moda), na primeira sexta-feira você já sai mais tranquilo.
Trabalho com informática, Dael.
Gerenciamento de redes, especificamente.
E tu nem avisa quando muda o blog de endereço, hein, seu porra?
Boa sorte no novo emprego. Acabo de perceber que o nome do seu blog é um anagrama de “putos”…
“Putos”? Como pode ser? Não tem “s” no nome do blog.
Will se referia ao endereço da página, Pedro…”Utops”…seuquenciando em 4-1-2-3-5, temos “PUTOS”
Bem notado…
Como não percebi isso?
Porra!
Como é que EU nunca notei, em 5 anos de blog???
Tvz vc não tenha uma mente tão suja, ou pervertida!
hahaha
Huahuahuahua.
Pedro Nunes, chutando traseiros há 5 anos, até mesmo em nível subconsciente.
\o/
Ah, desculpa aí, é que sou novamente um novato, coisa e tal. Ainda estou me instalando, arrumando os móveis e voltando a visitar os antigos vizinhos. Enfim, tamos aí de novo again. ;)
Calma, Pedróvisk.. com o tempo passa e você volta a confiar no seu taco com relação ao emprego… ou então não, talvez você continue SEMPRE com medo da avaliação alheia..
vai saber, né?
mas quando não se arrisca à rejeição, a aceitação é mais difícil..
E aí, como foi a primeira semana?
Boa sorte!