Escrevi esse texto em 2 de outubro de 2003, durante meu período de exílio.
Apesar da leveza que tentava adquirir, limando palavrões e outros vocábulos menos “dignos”, gosto muito dele.
Então tomem repeteco.
O grande Millôr Fernandes (ele merece um negrito no link) já disse: A melhor forma de separar duas pessoas é colocá-las vivendo juntas. E as inúmeras picuinhas geradas pela existência conjunta nada mais fazem do que endossar essa afirmação. Um ponto que é grande causador de polêmicas, discussões, embates, brigas e separações é a inocente, inócua - sem duplo sentido aqui, porque piada pronta não tem a menor graça - e inofensiva tampa da privada. Ou, mais especificamente, a posição na qual ela deve se encontrar após o uso do sanitário.
Essa questão aparentemente tão indigna de atenção é, logo após a maneira correta de se apertar o tubo de pasta de dentes e imediatamente antes do método de corte da caixa de leite longa vida, um dos pontos de maior discórdia na vida a dois, a três, a quatro ou a quantos vocês quiserem, seus libertinos.
Muitas mulheres argumentam, claro que puxando a sardinha pro lado delas, que o correto é que a tampa fique abaixada após seu uso. Dessa forma, ao se aproximarem do sanitário em necessidade desmedida e grande pressa, sua vida fica mais prática: só precisam levantar a saia (ou baixar as calças, como queiram) e serem felizes, sem preocupação em abaixar o assento.
Qualquer homem poderia dizer que essa é uma desculpa que demonstra preguiça absurda. Mas não há honra em atacar dessa maneira um adversário ideológico, então vamos dizer, por agora, que elas são apenas expertas*.
Também há uma conta simples, baseada em probabilidades, que elas costumam fazer para demonstrar que o ideal é manter-se abaixada a tampa da privada. As necessidades de excreção, masculinas e femininas, são duas: mijar e cagar. Ou, para os mais pudicos, sensíveis, frescos e abichalhados, fazer xixi e fazer cocô. Mulheres mijam/fazem xixi sentadas, homens mijam de pé (homem não faz xixi). Até aí, há empate. Mulheres cagam/fazem cocô sentadas, homens cagam sentados (homem também não faz cocô). Opa. São 3 contra 1. Não há como questionar isso também. Ponto para as fêmeas.
Mas vamos analisar agora pelo nosso lado, porque essa é uma questão bilateral, e existem pontos importantíssimos a serem considerados.
Em primeiro lugar, não há nada mais odioso do que encontrar a tampa da privada molhada. Independentemente de qual seja o líquido, é experiência das mais angustiantes, principalmente em dias frios. Oras, é sabido que muitos homens não são civilizados a ponto de, em um momento de afobação fisiológica ou de semi-consciência ébria, levantarem a tampa da privada. Daí a não terem mira o bastante para acertarem no alvo sem atingirem as bordas do assento é um pulo. Alguém aí gosta de sentar em urina ou ter que limpar o vaso antes de poder se acomodar? Nem eu.
Em segundo lugar, a aceleração da gravidade no nosso planeta é de 9,80 m/s². Então é muito mais fácil baixar a tampa da privada (só é preciso dar um tapa, de modo que ela caia) do que erguê-la (operação onde você precisa se curvar um pouco até alcançar a tampa, segurá-la e levantá-la, o que consome maior tempo e energia), até porque, ao abaixá-la, a gravidade está a seu favor. Ao levantá-la, está contra. E quem quer lutar contra as forças da natureza enquanto está a fim de tirar uma água do joelho?
Ora, um homem que chegue apertado ao banheiro e encontre o assento abaixado precisa, antes de se aliviar, passar pelo longo e trabalhoso processo de erguê-lo. Não diga que é uma operação simples, lembre-se que o sujeito está absurdamente apertado, num afã nunca antes visto para liberar o líqüido retido por sua bexiga. Quantos homens, digam vocês mulheres, seriam conscienciosos a ponto de se lembrarem de vocês numa hora dessas? Eu conheço poucos. Qual seria o resultado? Sujeira no assento, é claro.
Já uma mulher que, apertada, alcance o banheiro, só precisa dar um leve tapa no assento do vaso, de modo a baixá-lo. Além do mais, se a tampa estiver erguida, há a certeza de que ela estará SECA, ou seja, não é necessário se preocupar com os resquícios da visita daquele mal-educado, ruim de mira e porco do exemplo acima.
Dessa forma, o ideal é que a tampa do vaso permaneça erguida, em prol da segurança, conforto e tranqüilidade da mulher, que não terá mais suas suaves e belas nádegas ofendidas com respingos de urina de homens pouco dedicados.
Da próxima vez, vamos falar sobre cabelos na pia.
* Antes que me venham corrigir, dizendo que esperto se escreve com s, e não com x, acho bom deixar claro que o termo ali está grafado corretamente: expertas. Vem de experiente, experimentado, perito, ou seja, conhecedor do assunto.

Legal… já tenho um bom material para argumentar a meu favor. Talvez estejam faltando análises para outros argumentos muito utilizados pelos seres do sexo feminino para que a tampa da privada fique abaixada, mas para tais argumentos, acho que ainda posso continuar me baseando nas idéias feministas. Obrigado, Pedro Nunes, pela graça alcançada.
garoto ixpertoam.
Nao! Cabelos na pia NAO! Argh…