Tinha sete cavalos. Castrou um por um. Mais do que apenas cortar determinados vasos condutores de gametas dentro do saco dos bichos ou a totalidade da bolsa escrotal, decepou logo o membro todo, com as bolas e tudo mais.
Depois foi a vez dos touros. Eram três. Não se fez de rogado. Despirocou os bichos. Os bois podiam ser estéreis, mas ainda tinham pênis. Pois foi lá e reclamou para si cada um deles. Cada um dos onze.
Os porcos foram fáceis. Mais treze pintos. Fácil como tirar doce de criança. Já os bodes, não. Foram os mais difíceis de capar. Os bichos simplesmente não paravam quietos. Pensava consigo “Não é à toa que esses miseráveis simbolizam o capeta! Mas que diabos!”. Apesar da resistência, os pobres fedorentos acabaram saindo derrotados. Humilhados. Desmasculinizados.
E ele tinha mais seis pirocas. Pronto. Era do que precisava.
Não, ainda faltava uma.
Cortou seu próprio camarada. Sem dó nem piedade. E sem anestesia. Cauterizou com um ferro em brasa e tratou de impedir infecções com boas doses de antibióticos e mudança freqüente de curativos. Quando estava bom, pôs em prática seu plano.
Montou um barracão em frente à sede da fazenda. Ali dentro pendurou, em círculo, todas as manjubas que arrancara de todos os mamíferos machos da fazenda. Todas as quarenta.
Quarenta e uma, contando a sua.
E toda vez que sua mulher lhe aporrinhava, trancava-a lá dentro. Já estava cansado de mandá-la, sem sucesso, para a casa do caralho.
Talvez isso resolvesse.

… surreal …