Tendo sete irmãos, você acaba escolhendo entre eles. Não dá pra não fazer, é um processo natural, inevitável. São sete pessoas, todas diferentes. Há aquela com quem você vai se dar melhor, de quem vai gostar mais, de quem cresceu mais próximo. Alguém que viu você nascer, sabe quem você é. Essa pessoa é parte da sua identidade, e quando você tem conflitos internos, quando perde de vista quem você é, nos momentos em que a tristeza bate, a vida pesa demais, o mundo parece ser muito grande ou você se sente muito pequeno, ali está alguém que pode te ajudar a se recuperar. É como um backup seu, onde você pode buscar seu disco de boot e restaurar seu sistema.

São sete irmãos e eu amo todos. Alguns mais, alguns menos, e os que amo mais, amo mais do que tudo. E de todos, disparado, nunca fiz segredo sobre isso: minha preferida sempre foi a Jana.

Jana é minha irmã de pai e mãe. Todos os outros são por parte de pai ou de mãe. Não sei se isso é determinante ou não no que eu sinto por ela, ou se sempre fomos mais próximos porque não havia essa divisão na nossa vida. Léo e Bia também cresceram comigo. E com eles também fui pro colégio, saí pra andar de bicicleta, dei prensa em amiguinhos deles que se meteram a besta, vi filmes na sessão da tarde, dividi pacotes de biscoito, joguei bola, empinei pipa, fui ao clube, fui à praia, viajei junto, briguei, dei pescotapas, brinquei de porradinha, joguei videogame, fui ao cinema, reclamei da família, ri, chorei, passei raiva, dormi na mesma cama, tomei banho junto, discuti por besteira… todas essas coisas que irmãos fazem e que fazem os irmãos, porque irmãos que não fazem isso, acredito, não desenvolvem determinados laços. Posso estar errado, corrijam-me se for o caso.

Mas, como eu dizia, com o Léo e a Bia sempre houve um momento de separação. Havia a família do pai do Léo, a casa do pai do Léo, as irmãs do Léo, os primos do Léo, os tios, avós, enfim, todo aquele núcleo famíliar do qual eu não fazia parte, no qual era estrangeiro. Com a Bárbara a mesma coisa. Com a Jana, não. Eu tenho sete irmãos, Jana tem sete irmãos. E são os mesmos. A família dela é a minha família, integralmente.

Eu tava lá quando ela teve problemas com o velho e também quando se desentendeu com minha mãe, e quando retomaram contato. Soube quando ela arranjou o primeiro namorado, quando perdeu a virgindade, quando se enrolou com o primeiro idiota que a tratava com desdém (erro dele, inclusive, porque ela era a morena “índia seus cabelos nos ombros caídos negros como a noite que não tem luar” mais linda de toda aquela taguatinga), quando começou a namorar o marido dela, quando surgiu a gravidez da minha primeira sobrinha, quando surgiu uma segunda, que não vingou, e quando ocorreu essa terceira. Quando nasceu a Isabela, quase 12 anos atrás, eu caminhei angustiado pelos corredores daquele hospital até minha irmã voltar pro quarto com aquela criaturinha enrugada e com cara de joelho, e dormi no apartamento dela e ajudei a cuidar da pirralha barulhenta. E quando a Isadora nasceu eu não estava presente, porque sou um idiota rancoroso e tínhamos tido uma discussão estúpida recentemente, e não estávamos nos falando. Como ela sempre foi uma pessoa muito maior do que eu, em tantos sentidos que não dá pra enumerar, me ligou e perguntou, como se nada tivesse acontecido, quando eu iria lá ver minha nova sobrinha. Respondi secamente dizendo que não sabia, mas fui na semana seguinte.

Estive com a minha irmã nos momentos em que o casamento dela ficou turbulento e quando se acertou com meu cunhado. Estive com ela quando se formou em biologia, em suas festas de aniversário, em seu casamento, no batizado das meninas. Estive com minha irmã no dia seguinte ao diagnóstico dessa maldita leucemia, e quase todos os dias depois disso.

Vi a equipe inteira do andar em que ela ficou, no hospital, se apegar a ela, porque a Jana é assim. Diante de toda essa merda, ela ainda riu das minhas piadas estúpidas e segurou a onda de todo mundo que se deixou abater. Ficou amiga de todas as enfermeiras, ganhou e deu apelidos, cantou o médico ao ser dopada para a punção da lombar. E riu, riu muito, aquele riso bom que minha irmãzinha tem, e que é uma das coisas mais gostosas do mundo.

E no dia em que a disgnosticaram com uma hepatite causada pelo tratamento eu estive lá. E estive com ela quando ela reclamou que não conseguia comer, porque os remédios zoavam seu apetite. E levei dois potes de Häagen Das, e não houve abalo no apetite que a impedisse de tomar o sorvete, porque convenhamos, o troço é bom bagarai. Não estive com ela ontem, porque saí terrivelmente mal-humorado do trabalho e não queria que minha rabugice a importunasse, mas prometi que passaria lá hoje.

E de fato estive com ela hoje, às seis da manhã, porque tinha que ver o corpo da Jana no hospital, antes dos trâmites funerários. E estarei com ela daqui a pouco no cemitério, antes que enterrem minha irmãzinha e, com ela, um pedaço meu que não volta nunca mais. E nem quero. É dela, e só tinha graça quando ela estava por perto.

Ela pode ficar com o meu pedaço, eu fico com um pedaço dela. Espero que baste, embora duvide.

E deus não tem nada a ver com isso. Não me venham com essa conversa agora, por favor.

[Atualização:] Adriana, minha irmã mais velha, também escreveu sobre a Jana. Quem quiser ler é só clicar aqui e ir pro blog dela.

40 Respostas para “…”


  1. 1 renmero

    força, meu caro. coisa que sei que tens.

    daria um abraço [macho] em ti se pudesse.

  2. 2 Enrique

    =\
    Força aí, Pedrão. Abraço.

  3. 3 Jaime

    Pedro,

    Tristeza pela Jana e por você.
    Fique bem.

  4. 4 Cátia

    Putz, eu vim aqui mais cedo e perdi meu chão. E realmente, toda a tua dor me atingiu… porque é a mesma que eu senti um mês atrás, que eu ainda sinto hoje. E nós vamos sentir mais um pouco, Pedro. E a dor volta e meia vai aparecer. E a saudade vai ser uma constante.
    Queria poder te abraçar de verdade neste momento.
    O que posso te dizer? Nada além do que você me disse quando o pedaço que ia embora era o meu: estamos aí, pra qualquer coisa.
    Beijo
    P.S. No meu blog, hoje, acabei comentando sobre isso. Quando quiser, dá uma passada por lá.

  5. 5 Camila

    Nada do que eu escreva aqui vai expressar o quanto estou chateada com essa notícia. Nada do que eu escreva aqui vai conforta-lo nesse momento e talvez em nenhum outro nesse sentido. Só queria dizer que estou aqui, distante, mas estou e com o meu coração partido. =(
    Tente ficar forte ta? pela sua mãe, pelas suas sobrinhas…
    E conte comigo sempre!

  6. 6 rodrigo

    Caralho, essa foi foda.

  7. 7 Maysa

    Cada segundo que olho minha filha, só consigo me lembrar em como a Jana foi importante pra mim.

    Um abraço pra Bela e Isadora…

    =(

  8. 8 Dany

    Algumas vezes na vida não sabemos o que falar, porque simplesmente não se tem o que dizer em determinados momentos. Geralmente eu abraço, pra tentar dividir um pouco o peso, a dor. Infelizmente não posso fazer isso com você.

    Sensação de impotencia do caralh*. Vida escrota, cheia de rasteira.

    Só nos resta coragem, Pedro.

    E é isso que eu te desejo, coragem pra seguir sem esse pedaço, que é tão seu e que nem a morte vai conseguir tirar de você.

    Fique bem. Precisando estourar ou sumir um pouco do mundo, estamos aí pra qualquer coisa.

    Sinta-se abraçado.

  9. 9 Luís Felipe Araujo

    Sinceramente eu estava chorando antes de ler isto. Eu sou o únic homem da mnha casa. mor eu e mais 8 mulheres. Eu seguro o choro ou qualquer dor que eu possa sentir pra não demonstrar fraqueza para as pessoas que morarm comigo. Moram minha mãe, minha tia e algumas tias-avós e primas da minha mãe e da minha tia. Eu tenho 20 anos e sou o homem da casa. jamasi estaria amenizando sua dor. Eu hoje cheguei em casa faz 10 minutos, chorando porque uma amigo meu, amigo mesmo, que mora em Florianópolis vai embora amanhã. Moro em Americana-SP, a família dele também. Hoje me senti impotente quando depois de um show do Ludov e depois de uma ida a uma lanchonete tomar as últimas cervas, comer o último lanche e trocas as últimas palavras, nos despedimos e ele logo menos irá embora. Embora entre aspas, fico feliz por ele estar fazendo a faculdade que ele quer e que ele gosta. Eu querias fazer a mesma faculdade e o mesmo curso, porém, devido as condições financeiras eu não posso fazer. Se eu to mal por isso, por ser o homem da casa, por sempre segurar o choro ou qualquer tipo de dor pra não demonstrar fraqueza, imagino você cara. Meus sentimentos sinceros sem ao menos conhecer você. Força brow, a vida é assim, infelizmente! Um forte abraço, e sei lá, se precisar estamos aí! Fica com Deus, pois eu acredito nele, e sei que ele pode te dar forças e te ajudar nessa hora. SE quiser, add ai. Abraços e cara, força de novo, muita força!

  10. 10 Sandro

    Caralho, véio.

    Que puta murro na cara.

    Força é o que posso desejar.

    Lamento muito.

  11. 11 Arno

    Olha, não te conheço e não conheço o tamanho da tua dor. Só sei por experiência própria que ela é sempre proporcional ao amor que sentimos pela pessoa que se foi, então não vou dizer pra ficar bem porquê não adianta dizer isso. Só saiba que esse cara que te lê faz anos (muito antes da campanha: “quer um link? foda-se”) tá com um nó na garganta aqui.

  12. 12 Renata P.

    meu, eu deleto o twitter e volto e fico sabendo pelo seu tweet de agora. tô vivendo situação parecida e, bem, me escondo no humor (ou na oscilação dele). não consigo falar sobre, então acho que não sei como se consola tb. mas força aí :*

  13. 13 Diego

    Pô cara, eu dificilmente me emociono, choro ou coisas do tipo, mas eu realmente fiquei emocionado e com lágrimas nos olhos com esse seu post, Pedro…

    Não há muito o que dizer nessas horas, apenas: força, meu velho.

    E apesar da gente nem se conhecer, inexplicavelmente eu te considero, cara. Talvez por eu me identificar bastante com seus textos e ler seus relatos já há um bom tempo, sei lá.

    Abraço e mais uma vez, força…

  14. 14 Guto

    Bastante gente desejando força, importante nessa hora difícil. Eu, sem muito mais o que dizer, envio meus votos de paz.

    Um abraço.

  15. 15 Thayssa

    Olá, sou amiga da Jana, moro em Belém/PA, fizemos um curso juntas em SP e já estive na casa dela e com ela algumas vezes em Brasilia.
    Acabei confirmando aqui no seu blog a notícia que não queria confirmar. Se puder, escreva pro meu email o telefone do marido dela, preciso falar com eles, mandar meus sentimentos.
    Um grande beijo de quem admirava muito tb a sua irmã.

  16. 16 Samira Leite

    Difícil falar alguma coisa que valha a pena além do que sempre já é dito nessas horas e que vc deve ter escutado aos montes nestes últimos três dias, mas sabe, não dá pra ler um relato desse e não se emocionar, principalmente nesse mundo de relações tão superficiais e pessoas tão indiferentes. É bem fácil perceber através de suas palavras a grande pessoa que sua irmã é, já que mesmo não estando mais aqui, continuará viva nas suas lembranças, no seu coração e enquanto existir saudade.
    Apesar de tudo que aconteceu, da tristeza do momento, do sofrimento da sua família, pense em como vc teve sorte, pois teve a oportunidade de conviver com essa pessoa que acrescentou tanto na sua vida, já que mais triste seria se vc nunca a tivesse conhecido.
    Espero que mesmo sendo impossivel estar bem agora, vc se mantenha forte e procure seguir em frente, pois tenho certeza que é isso que a sua irmã gostaria que acontecesse.
    Registro aqui minha admiração por vc Pedro e gostaria muito de estar por perto pra te dar um abraço agora.
    Cuide-se!

    Beijos.

  17. 17 Catarina

    Ola Pedro,

    Eu sou uma ‘amiga internetica’ da Jana, nunca tive o privilegio de conhece-la pessoalmente mas faziamos parte de uma lista de amigas unidas pela experiencia da maternidade. A Jana sempre foi e sempre serah muito querida por todas nos. Estou em choque, pois ha menos de um mes atras ela nos escreveu contando que estava animada e confiante na recuperacao. Nao ficamos sabendo da hepatite nem da piora que ela parece ter tido nos ultimos tempos. Soh posso pedir que receba e transmita para o resto da familia os meus votos de forca e coragem, principalmente para o Romulo e as meninas. A Jana agora estah certamente no ceu fazendo todo mundo dar risada com seu jeito maluquinho, fofo e meigo, animando a todos por lah…

    abracos

  18. 18 Rosangela

    Que noticia … soube atraves de uma amiga que me encaminhou o seu blog. Sou amiga da Jana ha algum tempo atraves do grupo de mulheres que temos noYahoo. Ha uns 10 dias ela nos falou como estava animada e agora esta noticia. Deixo aqui o meu desejo de que as meninas fiquem bem e que a Jana querida esteja onde estiver possa continuar mandando energia positiva para todos.
    Ro Wicher

  19. 19 Deia Mortensen

    Jana é uma das MELHORES pessoas que já conheci nessa vida.

    Tenho certeza absoluta que ela fará MUITA falta a todos que já teve contato nessa vida. Que ela fez a diferença para muitos, inclusive para mim, que aprendi com ela o que é otimismo, o que é altruismo.

    Sinto muitíssimo mesmo, um abraço para você Pedro e toda família, que vocês encontrem conforto.

    Andréia M.

  20. 20 Renata Budoia

    Pedro

    Não conheço você, mas conheço essa parte tua que se foi. Jana era pura Luz. Linda, leve, adoravel, exatamente como você a descreveu. Foi assim que a vi quando a conheci no curso de doula e nos tornamos amigas de cara. Força pra você para toda sua família. Se houver algo que eu possa fazer por vocês, contem comigo, amiga de Jana, amiga de Romulo, Dora e Bela, amiga de toda a família. Fiquem em PAZ e DEUS os abençoe!

  21. 21 Simone

    um abraço pra você, porque nessa hora nada conforta. nem o abraço, na verdade, mas se sinta apertado por mim ainda assim.

  22. 22 Gustavo

    Força cara… Pra você, suas sobrinhas, o marido e toda a familia… Abraços

  23. 23 Marta

    Lindo o post em homenagem à sua irmã.

  24. 24 Ana Marques

    O que a gente pode dizer?

    Conheci a Jana na casa da Tatiana há 2 anos. Lá conversei com ela várias vezes. Me separei no ano passado, mudei para o Rio de Janeiro e qdo fiquei sabendo que ela estava doente, aqui dessa distância, fiquei torcendo e desejando que ela melhorasse.
    Na sexta, eu estava por acaso em Brasília e conversando com a Tati, ela me contou que a Jana estava em remissão. Qdo recebi a notícia no sábado, mal pude acreditar.
    Te vi lá no velório, mas a gente não se conhece e eu nem sabia direito o que dizer. Sou da opinião que a gente deve ficar em silêncio qdo o que vai falar não acrescenta e nem consola.
    E não existe nenhuma palavra de consolo num momento desse, quando perdemos alguém tão importante.

    Que você tenha força para lidar com essa perda.
    E que essa perda não te endureça.

    Um forte abraço.

  25. 25 Mariana Mesquita

    Eu não conhecia sua irmã pessoalmente, mas tou aqui com um nó na garganta. Será que saber como ela era importante pra tanta gente ajuda um pouco? Perdi minha mãe há sete anos, também por causa de um câncer, e a ausência continua presente, embora doa de forma menos aguda. Que bom que Jana deixa um pedaço contigo. É assim que ela prosseguirá sendo eterna…

  26. 26 Camila

    Sabe Pedro, não sou boa em dizer o que alguém precisa ouvir nessas horas, inclusive, reconheço que sou idiota o bastante para ficar sem chão, infantil e sarcástica diante das situações mais complicadas. Mas da minha parte, você não lerá nenhuma pregação oline ou coisa que o valha (eu não sirvo e não tenho condições de amar um deus tão besta, particularmente).

    Por fim, queria que soubesse que achei o texto absurdamente bom. Me emocionou de verdade. Você é o DONO DAS PALAVRAS, só pode ser. Pois faz o quer com elas. Vai praonde quer, consegue dizer certas coisas sem apelar a rompantes de pendantismo intelectualóide, muito comuns de se ler por aí e que me tiram do sério.

    É. Como sempre, eu deveria ter permanecido no mais absoluto “silêncio”.

    Abraço.. :D

  27. 27 Flávia do Iglu

    Pedro,

    Conheci sua irmã muito superficialmente, mas o suficiente para ser admiradora.

    Certamente, Jana tem também o mesmo amor e a mesma cumplicidade que você sente por ela e, onde ela estiver, está orgulhosa de ter sido tão amada.

    Um grande abraço, paz para vocês todos e suas sobrinhas.

  28. 28 Dydy

    Nao conhecia pessoalmente a Jana, mas consigo pelas suas palavras imaginar todas as variedades de beleza que ela tinha.

    E ela deve ter sido mto feliz por ter um irmao como vc.
    Eu tenho irmao, mas nao o que vcs tem.

  29. 29 Guilherme

    Pedro, não conheci sua irmã, e nem te conheço… mas suas palavras me tocaram de verdade. Senti uma dor no peito, um nó na garganda… um sentimento de perda… de uma perda de tempo, daqueles momentos quando fico “de mal” das pessoas que amo… A vida é tão curta e não se deve perder nenhuma chance de vivê-la instensamente. Para você, Pedro, eu parafraseio, as palavras de Oswaldo Montenegro, e assim, eu desejo “que sua dor seja ao menos suportada pela lembrança que ela foi”. Um abraço, Guilherme.

  30. 30 Ingrid Gooseberry

    Olá, eu conheci sua irmã, apenas pela internet, e posso lhe assegurar, ela mudou minha vida.
    Ela me ajudou, via MSN a trazer minha filha pro mundo, e serei eternamente grata a ela.
    Sinto muito pelo o que aconteceu.
    Força, muita força,
    Ingrid

  31. 31 Fábio 'Bio'

    Não tenho proximidade contigo e entro aqui fazem anos, pra concordar ou discordar, quase sempre sem dizer nada.

    Hoje deixo, com sinceridade, votos de que você fique bem, Pedrão. Nem vou dizer pra você ser forte, porque seria uma injustiça. Tem coisas pras quais nunca estaremos preparados, então que você segure a onda, na medida do possível.

    Um abraço.

  32. 32 Lontra

    Velhão, só quem passa por isso é que sabe o que sente.

    Parabéns por ter tido a força necessária para fazer o post-homenagem, pois ele ficou esplêndido!

    Mantenha a mesma força e procure se alegrar com as lembranças felizes, sem se arrepender das besteiras ditas e feitas, pois isso não tem mais importância, anyway.

    Grande abraço.

  33. 33 Ralph

    Eu sempre fui um perdedor. Perdi a oportunidade de namorar meu primeiro amor platônico. A chance de ficar rico com propostas indecentes. Viajar o mundo.

    Perdi muitos amigos na adolescência e juventude. Uns porque se distanciaram e não tive mais contato. Outros, porque enveredaram por caminhos que não ousei traçar. E os inesquecíveis, esses morreram. Acidentes, doenças. Uma coisa que nunca consegui entender.

    Perdi meus dois avôs e uma avó.

    Perdi a oportunidade de conviver com um irmão, que se distanciou por algum motivo fútil que nem sabemos mais qual foi.

    Perdi chance de abraçar meu pai e dizer que o amo. Aliás, nunca achei essa coragem.

    Uma vida de perdas, como todas as vidas que eu conheci.

    E são nesses momentos tão cretinos que a realidade nos empareda e estuda qual será nossa próxima jogada.

    Alguns recolhem-se ao marasmo e à cinza da derrota. Outros acham que superaram tudo. Mas no final das contas apenas endureceram os corações. Os melhores choram. Ou escrevem com os sentimentos ainda alterados e entorpecidos. Talvez os poetas sejam bons, porque eram perdedores natos. E escreviam quando mais lhes doíam as perdas.

    Mesmo porque em uma situação tão triste como essa, não existe nada, abraço ou palavra, conformação ou promessa que não te faça sentir que é uma perda significativa.

    Escrever este texto foi uma belíssima homenagem para sua irmã. Deve ter sido muito difícil. Deve ter doído.

    E muito.

  34. 34 Déia

    Meu dia ficou pior… não conheci sua irmã, mas sei quem vc é, e por mais que vc nunca acredite, doeu, sinceramente, saber que vc sofre agora…

  35. 35 Adriana

    Pedro, te amo!

  36. 36 Adriana

    Muitos amigos meus me escreveram emails muito emocionados com o seu texto. “Muito linda a cumplicidade deles” foi um dos emails que recebi. Bem, eu também acho. beijos

  37. 37 Israel

    Puta merda, Pedro, faz tempo que não acesso o blog, dei uma olhada hoje para ver se havia notícias da sua irmã… Como já disseram, que puta murro na cara.

    Não há muito o que falar, pelo menos nada que adiante, mas quero dizer que sinto muito e que (por mais que não os conheça) é uma notícia muito triste. E te desejar força até que aprenda a conviver apenas com a parte dela que te restou.

  38. 38 Podanoscki

    Querido, não sei o que te dizer porque algumas vezes em luto não se gosta de ouvir nada.

    Essa homenagem foi a coisa mais linda que eu já vi.

    Você é forte, eu acredito nisso. Espero que fique bem.

  39. 39 Pedrou

    Meus pêsames..
    É realmente horrível a dor de perder alguém tão próximo =/
    Força, Pedro.
    Espero sinceramente que sua dor passe ou ao menos dimínua com o tempo..

    o/

  40. 40 stela

    tem uma música linda do arnaldo antunes que devia tocar em todos os nascimentos e em todos os funerais: http://www.youtube.com/watch?v=g5RZoFa6F_I

    eu nao me dou bem com a minha família, sabe? apesar de ter tido uma infancia como a sua com meu irmao mais novo (o outro era só por parte de pai e nao cresceu comigo), hoje em dia nao nos falamos mais…
    só tou corrigindo porque vc pediu :P

Retruque!