Minoria sem socorro

Poucas coisas são mais odiáveis do que essa onda de ser politicamente correto que vem corroendo a sociedade nos últimos anos. É tal a homogeneização de comportamentos com a motivação única de evitar problemas com os infindáveis grupos defensores de direitos de tudo o que existe que chega a ser enojante. Tome como exemplo qualquer reality show da Globo. Sempre há, entre as cartas marcadas do programa, um homossexual afetado, um negro e um pobre.

E não fazem isso por respeito às centenas de milhares de homossexuais afetados, negros e pobres do país. Fazem só pra calar a boca dos politicamente corretos de plantão, que não hesitariam em sair com placas de “Abaixo o Fascismo”, “Não ao Ku Klux Klan” e “Dignidade Já!”. Eles deviam colocar, no próximo Big Brother, um Negróide, um Índio, um Homossexual, um Deficiente Físico, um Estrangeiro, um Aidético, um Judeu, um Muçulmano, um Nipônico, um Pobretão, um Multimilionário, uma vaca (ou um frango, ou um porco), um Nordestino e uma Mulher. Talvez arranjassem espaço pra uma pessoa “normal”, se encontrassem uma. E que por “normal” não se entenda que esses outros são aberrações sociais, mas que um sujeito branco, heterossexual, natural do Brasil, de classe média e fisicamente pleno (sem doenças ou deficiências) é cada vez mais raro.

Fico me perguntando: eu sou um Brasileiro, hetero, branco, de classe média, sem deficiências. Caso um negro me chame de branco safado, a quem vou recorrer? Caso uma mulher me trate como um objeto ou me dê porrada, a quem devo prestar minhas queixas? Se um deficiente físico quebra minha perna com a muleta deliberadamente, quem virá em meu socorro? E se um índio invade minha casa, que instituição intervém a meu favor? Se eu tento arranjar emprego num cabeleireiro e todo mundo me ridiculariza por ser hetero, farão passeatas por mim? E se um bando de judeus veta minha entrada em sua sinagoga só porque eu não compartilho de sua fé, que antigos maus tratos sofridos por meu povo poderei trazer à tona para que os outros se compadeçam de minha situação? E quem vai me alimentar e me auxiliar, se o governo cada vez mais apoiar a renda nacional nas minhas costas, já que os ricos - em sua maioria - dão-se o direito de não contribuir com as reservas monetárias do país?

Mas a questão mais importante é: se eu fundar um grupo só com “pessoas iguais a mim”, serei chamado de quê?

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