Não é um apoio. Tampouco uma crucificação.

Agora que já se passou algum tempo - embora não muito - da onda de atentados comandados pelo PCC em São Paulo, acredito que seja necessário fazer algumas considerações. Qualquer um que interprete este texto como um apoio - ainda que longínquo - aos crimes está vendo as coisas de forma muito passional para raciocinar direito.

Minha intenção não é demonstrar apoio a qualquer facção criminosa. Não que seja exatamente um entusiasta do sistema legal brasileiro, mas tampouco sou afeito a causas que se manifestam de forma tão distorcida a ponto de assassinar e aterrorizar cidadãos que não são diretamente responsáveis por essa baiúca em que moramos ser o que é.

Feitas as devidas ressalvas, devo dizer que não antipatizo completamente com os atos perpetrados pelos criminosos paulistas. Acho mesmo que é uma sacanagem das grandes tocar fogo em ônibus e matar bombeiros. Mas, por outro lado, é interessante ver que em um país que sofre até hoje com as seqüelas deixadas por mais de 30 anos de ditadura militar, justamente a polícia militar perdeu - mesmo que apenas por poucas horas - sua posição de impositora da força para se transformar em mais uma vítima desse redemoinho de insegurança e caos em que vive o povo brasileiro.

Quando a polícia se vê entrincheirada e assustada a ponto do governo do Estado mais rico do país ter que fazer acordos com líderes criminosos para que tudo volte à sua normalidade, fica claro que o governo perdeu irremediavelmente as rédeas da situação.

Quando a polícia, tão eficaz na hora de falar grosso com contribuintes honestos e sentar a porrada em populares reclamando direitos, baixa a cabeça e fala fino diante do crime organizado, cresce em mim a esperança de que um dia, talvez, uma parcela - ainda que pequena - do povo se reúna em prol de uma causa nobre, crie uma milícia organizada e torne a queimar delegacias, depredar agências bancárias, casas de políticos, juízes e outras “autoridades” - com as referidas “autoridades” dentro - para finalmente dar um basta nessa sensação que os “poderosos” têm de que podem nos pressionar contra a parede o quanto quiserem.

Reprimiram os repressores. E ainda que a manifestação do poder popular tenha se dado por um grupo que, preferíamos, não existisse e por razões pouco dignas, deixa entrever que não é tarefa das mais árduas.

Esse é o pequeno aspecto que me deixa feliz na história toda. Contraposto a todos os que me entristecem, é totalmente irrisório. Mas de todos esses, o pior é o tratamento dado pela mídia e, por conseqüência, o entendimento dos cidadãos dos acontecimentos. Sim, temos presídios superlotados e boa parte do nosso dinheiro de impostos é convertido em alimento e moradia aos membros rejeitados da sociedade. Sim, essa é uma verdade difícil de engolir.

E um meio extremamente simplista de “acabar” com o problema é, obviamente, explodindo as penitenciárias com os internos dentro. Mas - e digo isso sabendo que leitores mais afoitos vão me chamar de “simpatizante” dos bandidos - essa solução, além de não ser nem um pouco humanitária, é burra.

Burra porque alimentar a ilusão que matar esses pobres-coitados vai resolver o problema é como tentar matar uma hidra cortando-se uma cabeça: para cada uma que vai, duas nascem no lugar.

Burra porque os presídios superlotados e o aumento da criminalidade não são causas dos ataques do PCC, só sintomas - como o PCC em si - da situação absurda em que vive a população de baixa renda desse país. É óbvio que existe gente safada, canalha, cruel, violenta e mau-caráter por natureza, mas é claro que comportamentos socialmente inaceitáveis são externados à medida em que cresce a crença na impunidade. E é óbvio que existe quem roube, seqüestre e mate porque são meios muito simples de se fazer dinheiro, mas é claro que boa parte das pessoas que se envolvem nessas atividades só o fazem por total falta de opção na vida.

Nossa carga tributária é maior do que a de países altamente desenvolvidos, onde o cidadão paga taxas absurdas mas vê todo o dinheiro retornar na forma de ótimas escolas, faculdades excepcionalmente boas, sistema de saúde eficiente, amparo aos desabrigados, diversas opções de lazer à disposição de todos e vários outros benefícios. Nós pagamos valores obscenos de impostos e não temos retorno NENHUM! Uma parcela ínfima da população pode enfiar seus filhinhos em colégios particulares, trancar-se atrás de muros de 4 metros com cercas eletrificadas e assistir o Jornal Nacional numa TV tela plana de trocentas polegadas comendo do bom e do melhor e exercitando a cumplicidade com tudo isso que acontece.

A esmagadora maioria vive um dia-a-dia de Brasil Urgente!, saindo de casa todos os dias à procura de um subemprego qualquer e voltando com uma mão na frente e a outra atrás, dando graças a deus por ainda vestir a roupa do corpo e ter onde dormir. Gente que só tem a atenção dos poderosos em época de eleições, que só recebe palavras de conforto dos asseclas do bispo Macedo.

E a molecada que nasce desses desinformados cresce descalça, doente e desnutrida na rua, vendo a garotada da Malhação - aos olhos deles um bando de alienígenas, com seus padrões de vida de classe média-alta - pagando uma rodada de suco pra galera e se inspirando em adolescentes que, entre uma cheirada e outra, caminham displicentemente portando armamento pesado soviético e vendendo papelotes de cocaína.

As causas da alta criminalidade, do PCC e dos ataques à população de São Paulo não são o PT, não é o Lula, não é o governo federal. Nem são, especificamente, o Geraldo Alckmin, o Cláudio Lembo e o PSDB - embora estes tenham muito mais culpa no cartório do que aqueles.

A causa da criminalidade no país inteiro é todo esse governo que aí está, somado a todos os que já tivemos antes, tudo isso multiplicado pela nossa incapacidade de demonstrar um mícron de compaixão e solidariedade com aqueles que afundam cada vez mais porque quem está por cima não se cansa de subir usando como apoio as costas de quem não tem como se defender.

A criminalidade, repito, é apenas um sintoma.
E a doença é nossa incapacidade de mudar.

26 Responses to “Não é um apoio. Tampouco uma crucificação.”


  1. 1 Fernando

    Pedro, mesmo lendo o alerta que publicou logo acima, gostaria de enaltecer seu texto. Já passado os ataques e depois de tanta besteira escrita pelos medalhões do jornalismo brasileiro, considero o seu texto e o de Lúcia Skromov (não publicado e disseminado, infelizmente, somente por um grupo virtual) que escreve rebatendo o senhor Ricardo Bonalume Neto, da Folha de São Paulo, como uns dos mais coerentes a respeito da crise de segurança pública vivida pelo país.
    Você conseguiu sintetizar tudo o que eu tentei (e não consegui) explicar. Ficou excelente.
    Um abraço

  2. 2 Pedro

    Ԕ, Fernandão, valeu pelo elogio.

    E eu gostaria de ler esse texto da Lúcia Skromov. Se tiver como, mande pro meu e-mail, por favor. Esse aqui mesmo que aparece no comentário.

    Abração!

  3. 3 Marcelo

    Há tempos que não lia um texto bom como seu!Hoje você mostrou,o obvio,que poucos vêem.Muitos sempre culpam a população carceraria como toda bandida por na natureza,mas nunca pensa no que levou aquelas pessoas a tal crime!
    Adorei.Quanto tempo ficou pra escrever esse texto?

  4. 4 João Luis

    Pedro, nada mais coerente. Você, como diz, não aponta uma solução. E eu, pobre coitado, também não tenho.
    Porém, sendo futuro membro dessa classe que tu odeias (advogados e etc), penso que se ao menos o governo conseguisse fazer cumprir o Código Penal (que, aliás, é muito bom), resolveria o problema a curto prazo.
    A curto prazo, é claro. A longo prazo a única forma imaginavel por mim é limpar este país do mapa e começar do zero. Sim, eu sei, minha imaginação é muito limitada.
    Abraço.

  5. 5 RaUL

    NOÇA GAROTO COMO VOCE É, NO, CASO, EM GENUO.
    SE VOCE, NAO, QUER, MATAR, AS, BANDIDAGENS, LEVA, ELES, PRA, A, NO, CASO, SUA CASA E DA DE MAMAR PRA ELES
    QUAQUAUQUA!

  6. 6 Pedro

    HAHAHAHAHAHAHAA

  7. 7 roberto

    Pedro, há de se concordar com muito do que escreveu,mas há de se concluir que você se encontra sob forte influência de Edukators.

  8. 8 Pedro

    Quem dera fosse, Roberto, quem dera fosse…

  9. 9 Rafael

    Você se regozija com a humilhação (para usar um termo eufemístico) das autoridades porque não percebe quem elas são. É muito fácil direcionar o ódio pelos atos dessas autoridades ao cargo e esquecer que as vilanias são das pessoas que estão ocupando tais cargos. Você deveria sentir indignação ao ver que as pessoas que exercem cargos de autoridade estão difamando o poder público por causa do (mau) uso que fazem dele, ao usarem de negociatas com chefes de quadrilhas para dar fim fácil a uma rechaça às instituições de segurança pública e, conseqüentemente, ao povo, em vez de exercerem adequadamente o poder e mostrar que nós ainda vivemos numa soberania.

    Sabe por quê? Porque, pela Constituição, essas autoridades representam você. E eu. E todo mundo que paga impostos e é brasileiro, apesar de só ter peito de assumir isso quando há eventos esportivos internacionais. Por isso, rir da humilhação das autoridades é, no mínimo, o mesmo que dar um tiro no próprio pé.

    Você está delirando se acha que esses atos do crime organizado representam “uma esperança” de que o povo se una para tomar o poder pelas próprias mãos. Ou então, é um desses roqueiros que gostam de ir a manifestações só para se sentirem machos ao “peitarem” um policial no exercício de seu cargo, pois só um ser desses para se regozijar com a agressão às autoridades.

    Eu não tenho mais esperanças do que você nesse Brasil onde se mais cobra imposto, onde se mais pratica corrupção, onde se mais pratica o abuso de poder, onde se mais humilha os que tentam fazer a coisa certa. Mas não vejo esperança nenhuma quando um babaca se aproveita da passividade das autoridades para montar no sistema e fazer o que lhe convém.

    (continua)

  10. 10 Rafael

    Não acho que está certo explodir os presídios, muito menos que isso seria algum tipo de solução. Pelo contrário, acredito veementemente nos direitos humanos e acredito (até ingenuamente) que os presos devem ser reintegrados à sociedade (após terem pago suas penas) para reconquistarem sua cidadania. Mas na prática, infelizmente o que acontece é que recompensa muito melhor seguir as vias tortas. Como disse anteriormente, a atualidade brasileira só humilha quem tenta fazer a coisa certa. Ainda assim, não deixo de acreditar que devo fazê-lo. Não deixo de acreditar que todos devem fazê-lo.

    Vale lembrar, a grande minoria que tem esse dia-a-dia de fartura e prodigalidade muito provavelmente não conquistou essas coisas fazendo a coisa certa, pagando impostos e observando a lei; assim como chefes de quadrilha não estão tendo uma vida relativamente pródiga seguindo qualquer regra. Esses são dois extremos que, a meu ver, merecem o mesmo tipo de censura. Se você acha que esses chefes de quadrilha pensam no bem da comunidade onde vivem ao aliciar e recrutar os menores que moram ali, se você acha que eles fazem isso para dar-lhes uma vida melhor, uma vida que o nosso governo não pode dar, eu teria que dizer que você não sabe nada desse tipo de gente, ou que você é muito ingênuo. Mas não acho que seja esse o seu caso, nem que você seja ingênuo assim.

    Enfim, só acho que você se equivocou na interpretação desses acontecimentos.

  11. 11 bastos

    o grau de periculosidade dos idiotas é bem maior do que o dos bandidos.

  12. 12 Pedro

    Calma lá, Rafael. Vou começar reagindo da maneira que acho melhor a você, que é das pessoas mais pusilânimes que eu conheço, pra só depois passar a argumentar em cima do que você disse.
    Antes de mais nada, só pra abrir a conversa num nível que eu considero aceitável, vá tomar no cu! É uma desgraça que eu ainda tenha que me rebaixar a discutir contigo, seu merda, mas infelizmente sua presença aqui parece ser uma daquelas pragas difíceis de se livrar. Então vou tentar explicar minuciosamente o que você a) não entendeu ou b) ignorou e fez questão de repetir no seu comentariozinho repleto de indignação.
    Em primeiro lugar, eu sei exatamente quem são as “autoridades” e sei bem que o problema das não é a EXISTÊNCIA dos cargos, mas o uso feito pelas pessoas que os ocupam. Minha felicidade em ver o governo contra a parede não nasce de supostos princípios “anarquistas”, mas do desejo de ver aqueles que se acham tão intocáveis a ponto de mentir, roubar e lesar o país sem nenhuma vergonha partilhando do medo e da sensação de descontrole pela qual passa, diariamente, todos os outros “pobres mortais”.
    Isso já coloca o primeiro parágrafo todo do seu texto como sendo um festival de estultices.
    E novamente você resolve zombar da minha inteligência ou então pagar de grande gênio ao afirmar quem essas “autoridades” representam, como se não fosse de meu conhecimento uma OBVIEDADE dessas. O que você esquece de dizer - e também é uma obviedade, mas parece que se eu não explicitar você não compreende, o que demonstra uma incapacidade de compreensão de contexto da sua parte - é que essas autoridades DEVERIAM representar a mim e a você, quando na verdade estão focadas apenas em seus próprios interesses, esquecendo um dos princípios mais básicos do direito administrativo, que é o tal do “bem comum”.
    Então, repetindo o que já disse antes, ao rir da humilhações dessas autoridades não estou pregando que devemos viver sob a lei do “cada um por si”. Estou achando divertido ver os “poderosos” tendo que se submeter, nem que seja numa situação muito torta e cheia de fatos extremamente desagradáveis, aos desmandos de quem supostamente faz parte dos comandados.
    (continua…)

  13. 13 Pedro

    Esses atos do crime organizado não são uma esperança de que o povo “tome o poder pelas próprias mãos”, mas deixam claro que não é preciso ficar de cabeça baixa sempre que o governo resolve enrabar os cidadãos em mais uma de suas inúmeras demonstrações de improbidade administrativa e que não é difícil colocá-los contra a parede. Só é preciso alguma organização.
    (E roqueiro é a puta que te pariu, seu bosta.)
    Em seguida você expõe certas opiniões que compartilhamos. Felizmente, entretanto, isso não nos torna “iguais”, já que a sua idéia de “fazer a coisa certa” parece tomar um rumo bem diferente da minha. Mas vou tomar essa divergência de pontos de vista como um elogio. Antes isso a acreditar que o ideal, nesse país, é seguir todas as leis que são ESCRITAS e APROVADAS justamente por quem mais se aproveita das brechas do sistema. Justamente por aqueles que SEMPRE aprontam as maiores vilanias e NUNCA vão presos. Acorda pra cuspir, seu idiota! As leis dessa baiúca são feitas pra manter gente como eu e você na linha, gente que não tem como se defender.
    “Fazer a coisa certa” passa muito longe de se submeter ao sistema legal e às “autoridades”. “Fazer a coisa certa”, em muitos casos, implica em juntar uma multidão, ir pra frente de um órgão público, ameaçar, gritar, aterrorizar e, se preciso for, até mesmo agredir fisicamente para tornar um exemplo aqueles que não fazem sua OBRIGAÇÃO: garantir que nossos malditos impostos RETORNEM como melhorias na nossa qualidade de vida.
    (continua…)

  14. 14 Pedro

    Mas muita gente que acredita em “fazer a coisa certa”, como você, não pensaria duas vezes antes de votar no Roberto Jefferson pra qualquer cargo público, caso ele pudesse exercer algum ofício eletivo. Não digo que você seria capaz de uma imbecilidade dessas (o que mostra que eu talvez ainda tenha por você um resquício de respeito, embora muito, muito longínquo).
    Por fim, só pra repetir o que eu já disse no texto (mas parece que você pulou esse trecho): eu não disse em ponto NENHUM que apoio os chefes de quadrilha, que achei bonito o que aconteceu ou que sou a favor de tudo aquilo. Também não acho que o que aconteceu tenha sido uma demonstração de benevolência por parte do PCC ou que eles fizeram tudo isso para mostrar aos políticos que é melhor tratar o povo com respeito. Foram atos movidos por razões tão egoístas quanto as dos nossos “representantes” quando não cassam deputados envolvidos com desvio de verbas ou compra de ambulâncias superfaturadas. As duas classes são extremamente danosas àsociedade. A diferença é que uma é a CAUSA da outra.
    Acho que você consegue deduzir qual é qual.

  15. 15 Rafael

    Existem meios e meios de se demonstrar a insatisfação com o governo, e milícias clandestinas não são uma delas. No momento em que você — apesar de ““não demonstrar apoio a qualquer facção criminosa”” — ““não antipatiza completamente com os atos perpetrados pelos criminosos”, por mera inércia, não está mostrando qualquer respeito aos preceitos que permitem a convivência em sociedade. Você simplesmente acha que agressões e algazarra perturbam as pessoas que ocupam os cargos de autoridade. Mas eles continuam impassíveis. Você acha que a vida (boa) deles mudou em alguma coisa depois desse episódio todo? Claro que não. Não há nada que pare o verdadeiro vício que é a ganância desses porcos. Refiro-me aqui tanto aos políticos e aos criminosos quanto às classes abastadas.

    Quando você diz que cresce a esperança em você ““quando a polícia, tão eficaz na hora de falar grosso com contribuintes honestos e sentar a porrada em populares reclamando direitos, baixa a cabeça e fala fino diante do crime organizado””, que idéia você acha que eu fiz do autor do texto? Que se trata de um imaturo que acha bom ver figuras de autoridade passarem pelo que passaram, ao serem mortos simplesmente por estarem fardados. Reprovo veementemente essa atitude.

    Ao recorrer da violência extrema, você está sendo completamente cético em relação ao nosso sistema. Você acredita MESMO que o sistema só funciona para os porcos que chegam ao poder? (Estou realmente fazendo essa pergunta, não é retórica.) Voltando ao exemplo dos policiais: eles são gente como todos nós, que escolhem (questiono aqui a noção de ““escolha””) essa profissão para tentarem sair da merda. Ralam para passar num concurso e se deparam com uma realidade onde eles têm que atirar para não ser mortos, onde eles vivem em pânico por não saber se aquela pessoa na rua é um cidadão ou um meliante. Eles são TREINADOS (quase como lavagem cerebral mesmo) para desconfiar de qualquer um, só para tentar chegar ao fim de mais um dia de trabalho VIVOS. Não sou defensor de tiras, pois tenho plena noção que existem sádicos que se deliciam com o sofrimento alheio. Mas também sei ver o lado dos policiais decentes. Você acha que estes devem pagar pela atitude daqueles? (Novamente, não é retórica.)

    (continua)

  16. 16 Rafael

    Quantas vezes você já recorreu aos meios legais para fazer uma denúncia, para tentar mudar algo que você acha estar errado? Aposto que nenhuma. Existem milhares de pessoas concursadas (em contraponto a ELEITAS) que, como eu, indignam-se com a situação atual e fazem de tudo em seu limitado poder para corrigí-la. Para que retirar os poderosos de seus cargos por vias extremas se isso não vai ter legitimidade nenhuma? Mostre-me algum exemplo em que a tomada do poder à força levou a um governo melhor ou que acabou de vez com a corrupção.

    Compartilho com você somente (e tão somente, pois a repulsa às demais idéias é recíproca) a incredulidade no sistema eleitoral, e realmente não vejo esperanças de mudar muita coisa se as falcatruas eleitoreiras permitem que cheguem ao poder os que lá estão. Quanto a você ter que me aturar aqui, sinta-se à vontade para banir meu ip para que eu não possa acessar o seu blog. Apenas vi um texto que valia a pena ser comentado, não vim para zombar de sua inteligência ou para ““pagar de grande gênio””. Também não tenho a menor pretensão de fazer você aceitar minhas idéias — comentar aqui tem menos serventia a mim do que você pensa. É só um passatempo.

  17. 17 Pedro

    Eu não vou explicar DE NOVO o que já expliquei duas vezes. Só o que tenho a acrescentar é que eu tô pouco me fodendo pra idéia que você faz do autor do texto, porque o autor do texto também não faz exatamente uma boa idéia a seu respeito. Como já disse, você é, aos meus olhos, uma das criaturas mais pusilânimes que já conheci.
    Reprove minha atitude o quanto quiser. Vou me esforçar pra perder uma noite de sono porque você me acha imatura a minha idéia.
    E sim, eu sou completamente cético em relação ao nosso sistema. E eu sei que os policiais são uns pés-rapados e que essa guerra de polícia e ladrão é uma questão de pobres matando miseráveis. Mas se eu disser que sou a favor dos pobres começarem a matar os ricos você talvez dê outro chilique e eu não tô mais com paciência pra tua encheção de saco. E eu não coloquei a polícia como vilã, só achei bacana que a ferramenta de coerção do Estado (a polícia) tenha sido rendida em menos de 24 horas e sem muito esforço. Escreva agora outro sermão por eu ter dito que “achei bacana”.
    Um exemplo em que a tomada pelo poder àforça levou a um governo melhor: Cuba. Mas obviamente existe uma série de diferenças entre os dois povos que formam um contexto complexo demais pra ser explicado aqui.
    E não vou banir teu ip. Na verdade eu tinha a esperança que você aprendesse a calar a boca da última vez em que comentou aqui e eu te mandei pra casa do caralho, mas, ao que me parece, você não se manca ou não entende direito que eu não vou com a tua cara.
    Ter gente como VOCÊ lendo isso aqui foi uma das razões que me fez parar tantas vezes.
    Só pra esclarecer.
    E agora chega de bater boca contigo.
    Próximo!

  18. 18 Rafael

    Confesso que é engraçado ver suas respostas desaforadas. E eu tenho plena noção (há muito mais tempo do que você imagina) de que você não vai com minha cara, por isso não volto mais aqui, promessa. Como eu disse, isso aqui é um passatempo do qual não faço questão. Passei aqui para ver a sua resposta final.

    Eu ia mencionar Cuba como exemplo de lugar onde NÃO deu certo a tomada de poder à força. Por acaso o povo lá escolhe seu governante ou está encalhado com o cara que tomou o poder à força? Você tem certeza de que lá não existe corrupção? Não vou me pôr ao lado de quem ataca Cuba por não ser um país que segue ideais de democracia, mas também não a incluo na lista de “países que deram certo”.

  19. 19 Maria

    Concordo plenamente!
    Muito bom teu texto. Tanto as idéias quanto a forma como as expôs. Lerei teu blog com mais assiduidade, depois deste texto.
    O senhor me permitiria colocar no próximo post de meu blog um link pra este?
    Até mais,
    Maria.

  20. 20 Pedro

    Claro que pode, Maria. Fique àvontade.

  21. 21 Marry

    o pessoal fica falando de coisas idealizadas
    ‘existem outros meios de resolver os problemas sem ser com facções criminosas..’
    se elas existem, tem um motivo. E bem forte por sinal
    ninguém pode negar esse fato
    a ‘bandidagem’ do pcc - e de outros - é uma consequência de ‘bandidagens’ maiores
    “A causa da criminalidade no país inteiro é todo esse governo que aí está, somado a todos os que já tivemos antes, tudo isso multiplicado pela nossa incapacidade de demonstrar um mícron de compaixão e solidariedade com aqueles que afundam cada vez mais porque quem está por cima não se cansa de subir usando como apoio as costas de quem não tem como se defender.”
    concordo ;P

  22. 22 Deh

    concordo plenamente
    e antes de tudo a polícia paulista merece mais a morte do que os bandidos
    num duvido q o pcc esteja ligado com eles
    num duvido q o pcc esteja ligado com o pt
    nesse país num duvido de mais nada
    mas antes de tudo
    em sp policial tbm eh bandido
    policiais irracionais, animais
    e eh essa a verdade
    temos um monstro nos atacando e outro que deveria nos defender, nos ataca muito mais
    a solução?
    perdi as esperanças que haja uma…

  23. 23 Caetano Rojas

    Mas… mas, tipo… ou não.

  24. 24 Obsolleto

    Discordo só no final. O culpado de tudo é o sistema capitalista. É brega, mas é verdade.

  25. 25 Fernando

    Ótimo texto. Você conseguiu o mais dífícil: analisar sem ser parcial. Em outras palavras: do caralho…
    è o que vc escreveu, essa situação é autofagia pura. Leio há muito tempo, mas nunca comentei. Mas esse não poderia passar em branco. Muito bom.

  26. 26 Clá

    (Pedro, tô deixando um link pra isso aqui no meu blog.)

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