[Cena: Uma cobertura de um prédio de classe média-alta. Alta madrugada. Um rapaz recolhe copos e garrafas de Smirnoff Ice (pausa para o Merchandising). Seu passo um tanto trôpego acusa que já bebeu um tanto além da conta. De súbito, uma luz intensa o ilumina. Em seguida, um ser de baixa estatura, crânio avantajado, membros esguios e compridos, pele muito branca, trajando uma roupa esquisita que nenhum ser humano em seu juízo perfeito seria capaz de usar se aproxima, enquanto a luz diminui gradativamente]
- ƒÄ£æ! ×Þ
- Putz! Um… um emo!
- ¬¬ ěщö ĕ Ћзц þΛĩ, ΰίΔÐø!
- Caralho, mano. Sou eu que tô muito bêbado, ou tu não tá falando coisa com coisa mesmo?
- ©º®№… pronto. Desculpe, esqueci de ligar o tradutor universal.
- Ah, beleza. Mas e aí, o que te traz por essas bandas?
- Leve-me ao seu líder!®
- Nossa! Baita frase clichê, hein?
- É, eu sei. Mas tá no Manual de Primeiro Contato, sabe. Sou um novato, baixa patente, tô sendo monitorado pelos veteranos. Tenho que seguir o regulamento à risca.
- Ah, tu é um etê?
- Um etê aspira.
- Nossa. Pé-no-saco, hein?
- Total.
- Mas diga lá, o que cê quer por aqui?
- Eu e meu povo estamos singrando o espaço. Indo onde nenhum Inca Venusiano jamais esteve. Em busca de novos mundos. Novas civilizações…
- Argh. Cê tá batido, etê. Só falta me dizer que seu nome é Spock.
- Não, nem é.
- Ufa.
- É Kirk.
- Putz! Numa boa, cara, você tá precisando de uma reciclagem.
- Sério?
- Sério. Esse papo aí de “leve-me ao seu líder”, “buscar novos mundos”, “novas civilizações”, “incas venusianos”, etc. Isso tá tudo batido.
- Pô. Mas meu computador me informou que você reconheceria essa linguagem.
- Reconhecer, eu reconheço. Mas é obsoleta. Aposto que teu computador é um IBM.
- Como descobriu?
- Tinha que ser mesmo. Escuta, eu vou te inteirar das novidades…
- Legal.
- O lance por aqui deu uma melhorada desde que vocês colheram essas informações aí.
- Melhorada, é?
- Pois é. Tá muito mais sinistro.
- Hm… mas… sinistro não é ruim?
- Ah, não. Sinistro é bom.
- Na minha língua, sinistro é ruim.
- Mas aqui na nossa, sinistro é bom. Sinistro é… cabuloso.
- Ca… cabuloso?
- É. Cabuloso.
- Não existe esse termo no meu idioma.
- Pô. Não me admira você ser tão out, cara. Nem sabe o que é ser cabuloso. Nem sabe o que é ser sinistro. Vou te apresentar um lance sinistramente cabuloso, então.
- Hm. Manda brasa seja lá o que for isso.
- Se prepara.
- Tô preparado.
- Tu vai balançar até cair!
- Álcool eu já conheço e dispenso, obrigado. Tô a serviço.
- Não, cara, esse é um batidão!
- Pô, não precisa ser violento!
- Cacete, etê, cala a boca e ouve!
- Toca logo essa porra, então!
PÁ DANÇAR CRÉU TEM QUE TER DISPOSIÇÃO
PÁ DANÇAR CRÉU TEM QUE TER HABILIDADE
PORQUE ESSA DANÇA, ELA NÃO É MOLE NÃO
EU VENHO TE FALAR QUE SÃO CINCO VELOCIDADES
[Pausa para a guerra interplanetária que trará a aniquilação da humanidade como a conhecemos]
(eu editei o texto um bocado, mas tudo bem: 99% das pessoas que visitam isso aqui não conheciam esse blog quando ele foi publicado da primeira vez, em eras antediluvianas)

Puta que pariu, não aguento mais essa porcaria. Até LENDO me dá náuseas, não precisa nem ser ouvindo. Me causa um mal-estar automático.
Me pergunto qual era a letra do texto antes. Não pode ser pior que essa, isso é certo. Chamo de letra porque não deve dar pra chamar de música.
Musica? onde?
e tem outras versões, agora.
Esse tipo de “música” era usado em rituais de magia negra. Dizem que azeda o leite se vc deixar um copo cheio perto do “rádio” e que, a um prazo não tão longo, encolhe a cabeça dos que ouvem.
são por textos como esse que continuo vindo aqui. acho que até lembro do original.
Olá!
Não o conheço, procurei por todo o site por algo que me facilitasse o contato, mas infelizmente não encontrei.
Eu sou de Florianópolis, e sou um dos membros de um grupo de teatro (Grupo de Teatro Quatro Ventos - www.quatroventos.net). Mostrando teu blog - que leio sempre - aos outros membros do grupo, acabamos notando que alguns de seus textos ficariam perfeitos no teatro (na nossa concepção, é claro), e gostaria de entrar em contato, pois ninguém está aqui pra usurpar a criatividade de ninguém.
Abraços!
Leonardo Antonio Ramos
Grupo de Teatro Quatro Ventos
Sou professora de Língua Portuguesa, Adorei o texto e vou utilizá-lo em uma aula, depois conto como foi, trabalho como eventual em uma escola pública em Diadema Sp, e lá tem a maior fama de mau. Tem um cara que passa pelo bairro o dia todo tocando o tal do creu….