Pedagogia paterna

Meu telefone toca por volta das 11 horas. De domingo.
Eu não acordo feliz.

Olho pro display, na esperança de ver um número que minimize minha irritação. Não há número, chamada confidencial. A irritação é elevada à segunda potência. Atendo, ainda assim. Não há razão para perder a oportunidade de ser grosseiro com quem me incomoda, afinal de contas.

Chamada a cobrar. A irritação, agora mais corretamente classificada como fúria, eleva-se à enésima potência, mas me controlo como dá. Espero a musiquinha terminar. Uma voz desconhecida, que bem poderia ser de mulher, mas também poderia ser de criança, diz alô. Eu respondo, com a sutileza de um Cruzado atacando um soldado de Saladino diante das muralhas de Jerusalém:

- Quem é?
- Pai…

Diante do fato de que não tenho filhos, noto que isso há de ser um engano ou um golpe, com maior probabilidade para a segunda hipótese. Qualquer pessoa sensata desligaria o telefone imediatamente.

Não é o que faço. Dou corda, mudando a entonação, deixando a voz o mais melíflua possível:

- Ô, filhote! É você?
- Me ajuda, pai!
- Não, não! Se fode aí, guri. É bom pra você, vai construir seu caráter!

Desligo e volto a dormir, agora mais tranqüilo.

4 Responses to “Pedagogia paterna”


  1. 1 Daniel Bastos

    HAUEHUAEHEAUHEAUAEHSFAOINFAILUBSDFÇIJ\NXI JUHBa8usbidncçou\ashfp8uyib

  2. 2 Rodrigo

    Brilhante!

  3. 3 Aydamari

    Depois de anos voltei à birosca e me descaralhei de rir…

    Muito tosco! Perfeito!

    Me recaralhei novamente e volto depois.

    Até!

  4. 4 Le

    Sou a mais nova viciada nessa merda toda que vc escreve…
    e sempre me descaralho a rir
    poAKSOPaoPASOPaosAOSopasoKASOPaspoSKPa

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