Play/Pause

Nunca fui muito maníaco por controle. Acho que, de tanto jogar videogame, acabei me acostumando às aleatoriedades da vida (e ainda existe quem diga que não dá pra tirar boas lições de qualquer besteira, heim?). Certos aspectos simplesmente não estão sob nosso comando, ao contrário do que dizem aqueles pobres seres humanos - lobotomizados por natureza - que crêem que são “magos” e têm pleno arbítrio sobre toda e qualquer faceta da realidade que lhes seja conveniente mudar.

Mas não é minha intenção irritar os “wiccans”, até porque não existe sentido em comprar briga com quem não sabe discutir. O assunto aqui é outro.

Quisera eu poder torcer o tecido da realidade, costurá-lo, recortá-lo e então moldá-lo de acordo com meus desígnios. Seria uma capacidade e tanto, principalmente diante de certos problemas que parecem não ter solução alguma.

Fico impassível perante de certos fatos não por egoísmo, mas simplesmente por não ver como ou onde interferir de forma construtiva. Meus modos de Irmão Caminhoneiro Shell trazem certas vantagens e capacidades úteis, mas lidar de forma moderada com situações frágeis definitivamente não é uma delas.

Resta-me, então, ficar quieto, manter essa postura de aparente indiferença diante do que, na verdade, me incomoda sobremaneira. O que me entristece de verdade, mas acho melhor ser um mero espectador e deixar a ajuda ser provida por quem tem condições para tanto a interferir e acabar sendo o empurrão final para transformar um cenário de difícil compreensão em uma situação totalmente caótica.

É necessária uma boa dose de estoicismo para tanto. Não apenas para recusar intervir em algo cujos resultados finais são do seu interesse, mas também para agüentar os olhares enviesados e as pedradas daqueles que não compreendem que muito ajuda quem não atrapalha.

No meu mundo perfeito, eu seria capaz de estender a mão e auxiliar todos aqueles que viessem pedir ajuda. Em determinados casos, infelizmente, o melhor que posso fazer é ficar longe das rédeas e torcer pra que tudo dê certo.

7 Responses to “Play/Pause”


  1. 1 tati

    vc tem um mundo perfeito? Perfeito mesmo?

  2. 2 mi

    no meu mundo perfeito teria sorvete de todos os sabores imagináveis e inimagináveis…

  3. 3 Cynthia

    Você já leu o Apanhador no Campo de Centeio ? Às vezes você me lembra um pouco o Holden Caulfield…

  4. 4 Pedro

    Esse livro entraria fácil numa lista dos “10 Piores” escrita por mim.

  5. 5 Arno Anderson

    Poucas pessoas estão acostumadas a colocar a razão acima dos sentimentos quando é preciso. Isso acaba gerando aquela delicada situação onde a pessoa faz merda e diz:
    - Eu só queria ajudar…
    Minha concepção de mundo perfeito não é de altruísmo, mas sim de pessoas que saibam o momento certo de falar e de agir.

  6. 6 Cynthia

    Ih, então desculpa.

  7. 7 Pedro

    Que isso, Cynthia, não me ofendi com a sua comparação. Desculpe se eu soei grosseiro, não foi intencional. Não tem do que se desculpar.

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