Valorizo as mulheres por um sem-número de motivos, mas, principalmente, por toda a ginástica que têm que fazer e por todo o sofrimento pelo qual precisam passar para se adequarem aos estranhos padrões estéticos da nossa sociedade.
Já vi mulheres se machucarem fazendo a unha - coisa que acontece com freqüência, aliás - e não é nada bonito. Dedos são locais com inúmeras terminações nervosas - muito sensíveis, portanto - e ferimentos nessa área são muito dolorosos.
Não sei - e pretendo morrer sem saber - qual a sensação de arrancar um punhado de pêlos do corpo utilizando plástico e cêra, mas tal prática não entraria numa lista dos 10 Grandes Prazeres Carnais escrita por mim. Provavelmente não constaria nem entre meus 1000 esportes favoritos.
Nunca aproximei um lápis do meu olho e prefiro não pensar em qual é a sensação quando, por qualquer motivo, sua mão treme e aquele objeto cutuca sua retina.
Não tenho que mudar minhas sobrancelhas (inclusive gosto delas) e não ficaria feliz em ter que me livrar dos pêlos existentes entre a esquerda e a direita, ou em ter que defini-las, pois gosto de seu aspecto descuidado. Também me agrada nunca ter que me preocupar se meus sovacos ou mamilos estão peludos.
Já fiquei com batom na boca após beijar mulheres mais vaidosas, e sei o quão desagradável é ter os lábios emborrachados e como pode ser ruim o gosto daquele negócio.
Isso tudo deixando plásticas à parte, é claro.
Sei que todo esse ritual é muito desagradável, mas não gostaria de ver um chumaço de pêlos toda vez que minha namorada erguesse o braço, nem de me deparar com 4 pernas peludas sobre a minha cama pela manhã. Duas por casal são suficientes, e que sejam as minhas. Fazer as unhas não é crucial, nem usar maquiagem, mas, quando se trata de bigode, só pode haver um: o meu.
É um pensamento machista, eu sei, mas entenda que pêlos são sinal de testosterona. E testosterona é sinal de masculinidade. Se minha mulher tem mais pêlos que eu, então é mais masculina que eu. Inadmissível! Meu instinto de macho alfa não permite ter alguém com mais testosterona do que eu zanzando pelo meu território.
Hein? Por que é que eu estou falando disso? Ah, é que toda vez que vou fazer a barba - sofrimento pelo qual passo só umas duas vezes por mês, já que sou preguiçoso e sempre deixo os pêlos crescerem a ponto de se tornarem um estorvo - penso em reclamar a respeito da tarefa. Aí olho para todos os cremes e loções e perfumes e apetrechos da minha madrasta e vejo que sou feliz.
Olha só, eu nem menstruo! Como adoro ser homem.

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